{"id":49349,"date":"2019-05-19T08:37:59","date_gmt":"2019-05-19T11:37:59","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=49349"},"modified":"2019-05-17T15:40:57","modified_gmt":"2019-05-17T18:40:57","slug":"49349-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/49349-2\/","title":{"rendered":"Novo c\u00e9u e nova terra"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O tempo da P\u00e1scoa vai se encaminhando para a Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor e para a grande solenidade de Pentecostes. Continua sendo uma grande oportunidade de olharmos para o Senhor que est\u00e1 vivo e presente no meio de n\u00f3s. Cristo \u00e9 um acontecimento atual, n\u00e3o mera recorda\u00e7\u00e3o do passado. Por meio do nosso testemunho de vida mostraremos ao mundo e ao nosso redor esta presen\u00e7a viva e eficaz do Senhor. Este foi exatamente o tema da \u00faltima exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica do Papa Francisco, Christus Vivit,\u00a0 fruto do S\u00ednodo da Juventude realizado em outubro do ano passado: \u201cCRISTO VIVE: \u00e9 Ele a nossa esperan\u00e7a e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem crist\u00e3o, s\u00e3o estas: Ele vive e quer-te vivo!<\/p>\n<p>Est\u00e1 em ti, est\u00e1 contigo e jamais te deixa. Por mais que te possas afastar, junto de ti est\u00e1 o Ressuscitado, que te chama e espera por ti para recome\u00e7ar. Quando te sentires envelhecido pela tristeza, os rancores, os medos, as d\u00favidas ou os fracassos, Jesus estar\u00e1 a teu lado para te devolver a for\u00e7a e a esperan\u00e7a\u201d (CV 1).<\/p>\n<p>A palavra de Deus neste quinto domingo da P\u00e1scoa \u00e9 uma oportunidade de percebermos que a presen\u00e7a do Cristo vivo no meio de n\u00f3s deve ter suas consequ\u00eancias: comunica-lo atrav\u00e9s da vida e principalmente atrav\u00e9s do nosso maior distintivo:\u00a0 a capacidade de amar-nos uns aos outros, mesmo com tantos problemas e dificuldades que enfrentamos a cada dia.<\/p>\n<p>O Evangelho deste Domingo (Jo 13, 31a.34-35) nos fala exatamente de um momento dif\u00edcil que teve de passar Jesus em sua exist\u00eancia terrena junto com a comunidade dos ap\u00f3stolos. O Evangelho come\u00e7a falando do clima posterior \u00e0 trai\u00e7\u00e3o de Judas:<\/p>\n<p>Depois que Judas saiu, do cen\u00e1culo disse Jesus: &#8216;Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi glorificado nele, tamb\u00e9m Deus o glorificar\u00e1 em si mesmo, e o glorificar\u00e1 logo (Jo 13, 30-32).<\/p>\n<p>Sabemos o motivo da sa\u00edda de Judas: sai para um momento de trai\u00e7\u00e3o, sai da comunh\u00e3o com os disc\u00edpulos para entregar o mestre. Jesus est\u00e1 ante o momento derradeiro da cruz. Jesus olha o momento da cruz que se aproxima como um momento de glorificar o Pai em sua pr\u00f3pria vida. Encontramos dois momentos que parecem antag\u00f4nicos: Cruz e Gl\u00f3ria: a cruz \u00e9 o trono onde Cristo reina glorioso, dando a vida por todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Nesse momento de dor, trai\u00e7\u00e3o e sofrimento, Jesus fala da Gl\u00f3ria de Deus: isso trar\u00e1 luz a todos aqueles que posteriormente v\u00e3o ter de passar por sofrimentos em nome de Cristo, para que nunca desanimem, mesmo quando passem pelo caminho purificador da dor. \u00c9 nesse momento que antecede o grande sofrimento do Calv\u00e1rio que ele nos d\u00e1 o grande mandamento do amor, o Novo Mandamento:<\/p>\n<p>Por pouco tempo estou ainda convosco. Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim tamb\u00e9m v\u00f3s deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecer\u00e3o que sois meus disc\u00edpulos, se tiverdes amor uns aos outros&#8217; (Jo 13, 33-35).<\/p>\n<p>Este texto \u00e9 o mesmo que utilizamos na Quinta-Feira Santa. No momento em que est\u00e1 sendo tra\u00eddo por um dos seus e \u00e0s v\u00e9speras do Calv\u00e1rio, ele nos d\u00e1 o mandamento do Amor. O amor que ele tem para conosco \u00e9 o paradigma para as nossas rela\u00e7\u00f5es e para o nosso devido reconhecimento, como pessoas que se amam em meio \u00e0s diferen\u00e7as, algo que serve para enriquecer muito mais o trabalho mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ante \u00e0 ideia da \u201cpartida\u201d de Cristo, o evangelista traz o preceito do amor, testamento de Cristo. Esse preceito, j\u00e1 presente na lei mosaica, \u00e9 \u201cnovo\u201d pela perfei\u00e7\u00e3o a que Jesus o faz atingir e porque constitui como que o distintivo dos tempos novos, inaugurados e revelados pela morte de Jesus.<\/p>\n<p>Os preceitos do Senhor se resumem em um s\u00f3: O Mandamento Novo do Amor. O preceito da caridade \u00e9 como que um comp\u00eandio de toda a lei da Igreja e \u00e9 o sinal de identifica\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o. O contexto da passagem, no cap\u00edtulo 13 de Jo\u00e3o, \u00e9 o contexto do lava-p\u00e9s e logo ap\u00f3s o amor at\u00e9 o fim em realiza\u00e7\u00e3o: a morte de cruz.<\/p>\n<p>Santo Agostinho, comentando a S Jo\u00e3o, assim afirma: \u201c Todos podem persignar-se com o sinal da cruz de Cristo. Todos podem responder am\u00e9m; todos podem cantar aleluia; todos podem ser batizados, entrar nas igrejas, construir os muros de uma catedral. Mas os filhos de Deus s\u00f3 se distinguem dos filhos das trevas pela caridade. Os que praticam a caridade, nasceram de Deus. \u00c9 um sinal importante e uma diferen\u00e7a essencial. Voc\u00ea pode ter tudo o que quiser, mas se te falta s\u00f3 isso, todas as outras coisas n\u00e3o servem para nada; se te falta tudo, mas tens a caridade, tens o essencial\u201d (St. Agostinho, Coment\u00e1rio \u00e0s Cartas de Jo\u00e3o).<\/p>\n<p>As palavras \u201ccomo eu vos amei\u201d d\u00e3o a este preceito um sentido e um conte\u00fado novo: a medida do amor crist\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do homem, mas no cora\u00e7\u00e3o de Cristo. \u00c9 um amor diferente da filantropia, da amizade ou de qualquer outra forma de amor conhecida no contexto grego ou semita da \u00e9poca. \u201cO novo mandamento n\u00e3o consiste simplesmente numa exig\u00eancia nova e superior, mas est\u00e1 ligado com a novidade de Jesus Cristo, a crescente imers\u00e3o n\u2019Ele\u201d (Bento XVI, Jesus de Nazar\u00e9, vol.3, p.68).<\/p>\n<p>Esse permanecer firmes no mandamento novo mesmo em meio \u00e0s dificuldades \u00e9 o que encontramos na primeira leitura dos atos dos ap\u00f3stolos. Depois de terem sido expulsos de outras cidades, os ap\u00f3stolos seguem adiante o seu caminho, vendo em seu sofrimento um caminho de gl\u00f3ria:<\/p>\n<p>Naqueles dias: Paulo e Barnab\u00e9, voltaram para as cidades de Listra, Ic\u00f4nio e Antioquia. Encorajando os disc\u00edpulos, eles os exortavam a permanecerem firmes na f\u00e9, dizendo-lhes: &#8216;\u00c9 preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus&#8217; (At 14, 21s).<\/p>\n<p>Tal passagem vai descrever o final da primeira viagem mission\u00e1ria de Paulo, estando acompanhado nesta por Barnab\u00e9. Aquilo tudo o que Deus fizera por meio deles e como havia aberto a porta da f\u00e9 para os pag\u00e3os (v.27) pode ser considerado o in\u00edcio da grande expans\u00e3o do cristianismo no mundo n\u00e3o judeu, como o in\u00edcio desta obra que tem como base a f\u00e9 no ressuscitado. Quem move esta obra \u00e9 Deus. A evangeliza\u00e7\u00e3o dos pag\u00e3os n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia do endurecimento do cora\u00e7\u00e3o do povo Judeu, mas sim deriva do car\u00e1ter universal do cristianismo, que oferece a todos os homens a \u00fanica gra\u00e7a que pode salvar e que supera os limites geogr\u00e1ficos e de ra\u00e7a que eram pr\u00f3prios do juda\u00edsmo.<\/p>\n<p>O salmo de resposta (144) vem exatamente como um grito de reconhecimento ao autor desta obra de comunica\u00e7\u00e3o da Boa Nova aos pag\u00e3os: n\u00e3o \u00e9 uma obra humana. Quem move esta obra \u00e9 Deus: Que vossas obras, \u00f3 Senhor, vos glorifiquem!<\/p>\n<p>A provid\u00eancia amorosa de Deus sobre os que sofrem e sobre todas as criaturas se apresenta como o tema central deste salmo, juntamente com a eternidade e universalidade do Reinado de Deus mediante a sua bondade. Os crist\u00e3os v\u00e3o ver realizado este reinado na Pessoa e na Obra de Cristo:<\/p>\n<p>Para espalhar vossos prod\u00edgios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino \u00e9 um reino para sempre, vosso poder, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 a segunda leitura (Ap 21,1-5a) descreve o momento culminante do livro, onde o autor contempla a instaura\u00e7\u00e3o plena do Reino de Deus: Eu, Jo\u00e3o, Vi um novo c\u00e9u e uma nova terra.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que pela primeira e \u00fanica vez em todo o livro do apocalipse, Deus toma a palavra para confirmar o que acaba de ser exposto:<\/p>\n<p>Aquele que est\u00e1 sentado no trono disse: &#8216;Eis que fa\u00e7o novas todas as coisas.&#8217;<\/p>\n<p>Afirma que est\u00e1 fazendo o mundo novo. Ainda que este mundo novo v\u00e1 chegar \u00e0 sua plenitude somente no fim dos tempos, j\u00e1 hoje, agora, desde que Jesus morreu e ressuscitou, deu-se in\u00edcio \u00e0 renova\u00e7\u00e3o final. Sobre isso, afirmava S. Greg\u00f3rio de Nissa: \u201cCome\u00e7ou o reino da vida e foi dissolvido o imp\u00e9rio da morte. Aparece outra gera\u00e7\u00e3o, outra vida, outro modo de viver, a transforma\u00e7\u00e3o de nossa pr\u00f3pria natureza. De que gera\u00e7\u00e3o estamos falando? Daquela que n\u00e3o vem nem da carne nem do sangue, nem do amor carnal nem do amor humano, mas de Deus mesmo. Como isso \u00e9 poss\u00edvel? Explico em poucas palavras: Este novo ser \u00e9 gerado pela f\u00e9; a regenera\u00e7\u00e3o do batismo \u00e9 que o faz nascer; a Igreja, como M\u00e3e, o amamenta com sua doutrina e institui\u00e7\u00f5es e o alimenta com seu p\u00e3o celestial; chega \u00e0 idade adulta com a santidade de vida; seu casamento \u00e9 a uni\u00e3o com a Sabedoria; seus filhos s\u00e3o a esperan\u00e7a; sua casa, o Reino; sua heran\u00e7a e seus tesouros, as del\u00edcias do para\u00edso; e seu desfecho final n\u00e3o \u00e9 a morte, mas a vida eterna e feliz na mans\u00e3o dos santos\u201d (Oratio 1 in Christi resurrectionem).<\/p>\n<p>Encontrar-se com o Ressuscitado \u00e9 poder viver esse amor na comunidade e ao mesmo tempo ser sinal para a sociedade, continuando a amar aqueles que nos fazem o mal, nos perseguem, dando nossas vidas por causa de Cristo Senhor.<\/p>\n<p>Enfim, o tempo da P\u00e1scoa \u00e9 exatamente este tempo de estarmos todos abertos \u00e0 Gra\u00e7a de Deus, tempo de fazermos a experi\u00eancia de quem se encontrou com o ressuscitado, sermos suas testemunhas e empenhar-nos na vida da comunidade e na vida mission\u00e1ria. Que o Senhor ressuscitado, portador da vida nova, nos fa\u00e7o testemunhas vivas do novo mandamento, o mandamento do verdadeiro amor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O tempo da P\u00e1scoa vai se encaminhando para a Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor e para a grande solenidade de Pentecostes. Continua sendo uma grande oportunidade de olharmos para o Senhor que est\u00e1 vivo e presente no meio de n\u00f3s. Cristo \u00e9 um acontecimento atual, n\u00e3o mera recorda\u00e7\u00e3o do passado. 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