{"id":49171,"date":"2019-05-13T15:00:00","date_gmt":"2019-05-13T18:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=49171"},"modified":"2019-05-13T15:00:00","modified_gmt":"2019-05-13T18:00:00","slug":"amar-como-jesus-amou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/amar-como-jesus-amou\/","title":{"rendered":"Amar como Jesus amou"},"content":{"rendered":"<p>No Evangelho do quinto domingo da P\u00e1scoa deparamos o in\u00edcio do testamento espiritual de Jesus. Judas acabava de sair para se lan\u00e7ar nas trevas da trai\u00e7\u00e3o e do desespero. Ent\u00e3o, mais do que um discurso Cristo abre o seu cora\u00e7\u00e3o numa conversa afetuosa com seus disc\u00edpulos (Jo 13,31-35). O Pai iria glorifica-lo e, portanto, pr\u00f3ximo estava o dia de sua partida deste mundo. Como legado Ele deixa para seus seguidores um mandamento novo. Glorifica\u00e7\u00e3o do Pai porque o Filho manifestaria todo o seu amor, tendo amado os homens at\u00e9 o fim. Depois de sua morte, o Pai acolheria seu Filho bem amado na sua pr\u00f3pria gl\u00f3ria. Ele partiria deste mundo, mas um liame bem claro ficaria entre Ele e seus seguidores: \u201cDou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros, que assim como eu vos amei, v\u00f3s tamb\u00e9m vos ameis uns aos outros\u201d. Jesus apresenta um preceito que Ele diz novo. Isto embora no Livro do Lev\u00edtico, Deus j\u00e1 tivesse ordenado: \u201cTu amar\u00e1s teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d (Lv 19,18). N\u00e3o obstante, tratava-se de um preceito novo, porque promulgado na nova alian\u00e7a, alian\u00e7a definitiva que Ele selaria, justamente pela sua morte e sua glorifica\u00e7\u00e3o. O modelo do nosso amor ao pr\u00f3ximo ficaria sendo o amor de Jesus por n\u00f3s: \u201cComo eu vos amei, v\u00f3s deveis, v\u00f3s tamb\u00e9m, amar uns aos outros\u201d. Seu amor tinha um fundamento que lhe dava uma caracter\u00edstica \u00fanica, ou seja, Ele se sacrificaria por todos porque os recebera do Pai. Na ora\u00e7\u00e3o feita por Ele ao Pai isto ficou bem claro: \u201cManifestei o teu nome aos homens que me deste, separando-os do mundo. Eram teus e os destes a mim, eles guardaram a tua palavra. [&#8230;] Quanto a mim dei-lhes a gl\u00f3ria que tu me comunicaste, para que sejam um como n\u00f3s somos um\u201d (Jo 17, 6.23).\u00a0 Nestas palavras rebrilha uma fraternidade nova, alicer\u00e7ada numa nova concep\u00e7\u00e3o da dile\u00e7\u00e3o divina. Adite-se que Ele nos amou at\u00e9 o fim, quando se sacrificou no alto da cruz por toda a humanidade. Portanto, o amor ao pr\u00f3ximo n\u00e3o deveria ter para seus disc\u00edpulos nenhum limite. Como consequ\u00eancia o crist\u00e3o deveria amar a todos indistintamente a come\u00e7ar dos mais pr\u00f3ximos que s\u00e3o os que habitam sob o mesmo teto, os companheiros de trabalho ou dos lugares de divers\u00e3o, enfim numa fraternidade universal, abrangendo inclusive os inimigos, envolvendo-os num la\u00e7o de um perd\u00e3o cordial. Este aspecto Ele deixou bem ressaltado na prece por Ele ensinada: \u201cPerdoai-nos como n\u00f3s perdoamos a quem nos tem ofendido\u201d. Por tudo isto, mandamento, de fato novo cuja pr\u00e1tica deveria florir no servi\u00e7o, na esperan\u00e7a, na paz. Isto sem querer seu disc\u00edpulo enquadrar os outros em seus moldes mentais, manipulando o pr\u00f3ximo ou simplesmente retribuindo \u00e0s suas aten\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disto, interessando-se cada um pelas mis\u00e9rias alheias, apesar de das suas impertin\u00eancias, das suas importuna\u00e7\u00f5es. Mandamento novo a exigir devotamento, fidelidade, gratuidade. Amor, portanto, realista que se manifesta no cotidiano. Com este mandamento novo Jesus inaugurava um novo estilo de vida, uma nova atitude, tanto que Ele asseveraria: \u201cNisto conhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos se vos amardes uns aos outros\u201d. Jesus deixou como heran\u00e7a a seus seguidores um mandamento expresso num imperativo decisivo: \u201cAmai-vos\u201d. Tal a sua heran\u00e7a e a miss\u00e3o que dava para todas as etapas da vida do crist\u00e3o. Amar, por\u00e9m, como Ele ensinou nem sempre seria f\u00e1cil, porque amar sup\u00f5e total desinteresse pessoal.\u00a0 Amar \u00e9 um ato que se dirige ao pr\u00f3ximo que deve ser reconhecido como outro, respeitando-se sempre as diferen\u00e7as. Assim cai por terra todo ego\u00edsmo. O amor como Jesus ensinou leva a entrar na fragilidade do pr\u00f3ximo, passando por cima de suas vulnerabilidades. Isto sup\u00f5e ren\u00fancia e abnega\u00e7\u00e3o cont\u00ednuas. Esta atitude resulta ent\u00e3o da certeza de que, assim praticando a caridade, se pode participar da verdadeira vida que \u00e9 comunh\u00e3o com Deus, o qual \u00e9 amor, Esta dile\u00e7\u00e3o paira longe da sensibilidade, tornando-se uma responsabilidade, fruto de um mandato que repousa sobre o exemplo do Mestre divino. \u00c9 deste modo que se reconhece que a palavra chave do cristianismo \u00e9 o amor. Esta caridade \u00e9 obra prima do g\u00eanero humano regenerado pelo sangue de um Deus. \u00c9 o que h\u00e1 de mais nobre nas elucubra\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia e o que existe de mais glorioso nos efl\u00favios do cora\u00e7\u00e3o. Sacrificar-se pelo pr\u00f3ximo. Ir de encontro de toda dor, de toda amargura, de todo desatino. Diminuir a estat\u00edstica do sofrimento. Aumentar a cr\u00f4nica do bem. Irradiar por toda parte felicidade, serenidade, harmonia. Tudo isto \u00e9 a maior manifesta\u00e7\u00e3o da grandeza humana, o apogeu da perfei\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, a atitude mais agrad\u00e1vel a Deus, o \u00e1pice da perfei\u00e7\u00e3o do ser racional. A caridade \u00e9 assim esplendorosa porque tem dimens\u00f5es divinas.\u00a0 Envolve pensamentos, atitudes, palavras. Sorri com os alegres, pranteia com os tristes. Perdoa, desculpa e exalta as qualidades do outro. Faz do pecador um santo e eleva este santo a Deus. Ela ameniza, cura, distribui do muito, do pouco, \u201cse faz tudo para todos para salvar a todos\u201d (1 Cor 9,22). Onde resplandece assim a caridade, a\u00ed Deus est\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Evangelho do quinto domingo da P\u00e1scoa deparamos o in\u00edcio do testamento espiritual de Jesus. Judas acabava de sair para se lan\u00e7ar nas trevas da trai\u00e7\u00e3o e do desespero. 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