{"id":48839,"date":"2019-05-06T08:34:51","date_gmt":"2019-05-06T11:34:51","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=48839"},"modified":"2019-05-06T08:34:51","modified_gmt":"2019-05-06T11:34:51","slug":"a-mae-que-nos-pariu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-mae-que-nos-pariu\/","title":{"rendered":"A m\u00e3e que nos pariu"},"content":{"rendered":"<p>Parir: verbo transitivo direto, sem intermedi\u00e1rios, de liga\u00e7\u00e3o indissoci\u00e1vel entre a parturiente e sua cria, a m\u00e3e e sua crian\u00e7a&#8230; Parir: ato de dar a vida, gerar, produzir. Parir: a\u00e7\u00e3o \u00fanica e exclusiva da maternidade, seja esta humana ou animal&#8230; Parir: dar \u00e0 luz. Ent\u00e3o, \u00e9 menos indigna aquela que, por circunst\u00e2ncias adversas do meio social, s\u00e3o escorchadas pelo ato de um parto em desconformidade com nossos padr\u00f5es morais? Quem te pariu que te embale. Que ju\u00edzo esse nosso; que culpa tem a m\u00e3e do juiz?<\/p>\n<p>Julgamos conforme nossas leis pessoais. Ainda n\u00e3o somos filhos de chocadeiras, mas bem o poder\u00edamos ser. Seria menos cruel nossa rela\u00e7\u00e3o filial, pois estar\u00edamos livres de sentimentos e obriga\u00e7\u00f5es. Temo que isso ainda se torne realidade. J\u00e1 pensou ser gerado mecanicamente, num laborat\u00f3rio frio, longe de qualquer afago, de qualquer carinho ou expectativa familiar? N\u00e3o me surpreenderia se ouvisse hoje tal not\u00edcia: Nasce a primeira crian\u00e7a filha de chocadeira. Tudo nela seria constru\u00eddo opcionalmente pelos pretensos pais: a cor dos olhos, dos cabelos, formato do rosto, tipo estrutural, pele, sexo&#8230; Seus dotes cerebrais viriam de reservas dos maiores g\u00eanios cujos DNAs ainda sobreviveram \u00e0 aud\u00e1cia da morte&#8230; Sim, porque morrer seria uma trag\u00e9dia s\u00f3 circunscrita \u00e0 linha da pobreza plebeia. Nada de v\u00ednculo familiar, ut\u00f3pico, superado pelas novas tecnologias. Tudo nesta crian\u00e7a seria perfeito, escolhido a dedo, como hoje escolhemos os bens de consumo numa g\u00f4ndola qualquer.<\/p>\n<p>Crian\u00e7a, bem de consumo! Puta que nos pariu, essa sociedade sem veias e sem peias&#8230; Em termos, \u00e9 exatamente isso o que vemos acontecer nas fam\u00edlias desestruturadas dos nossos dias. A maternidade raramente \u00e9 bem vista pela grande maioria das mulheres de hoje. Quase sempre \u00e9 um estorvo em suas vidas. Quando muito, aceita-se esse \u201csacrif\u00edcio\u201d em fun\u00e7\u00e3o de uma continuidade racional dos esp\u00f3lios familiares. Interesses empresariais, culturais e at\u00e9 patriarcais entram nesse jogo de vida e morte. Vivemos uma trag\u00e9dia domestica sem precedentes, que bem justifica a assustadora taxa de suic\u00eddios entre muitos dos nossos jovens, hoje aumentada em mais de duzentos por cento. Muitos dos grandes dilemas da estrutura familiar s\u00e3o diagnosticados como aus\u00eancia de intera\u00e7\u00e3o entre seus membros, em especial o enfraquecimento da figura maternal. M\u00e3e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 aquela que gera, como pai n\u00e3o mais aquele que cria&#8230; H\u00e1 uma disson\u00e2ncia nessas defini\u00e7\u00f5es outrora vitais, hoje adapt\u00e1veis \u00e0s circunst\u00e2ncias e car\u00eancias de uma inf\u00e2ncia sem muitas expectativas de estabilidade familiar. Onde os pais, a m\u00e3e dileta e afetuosa de outrora? Sabemos o qu\u00e3o raros hoje s\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso vender a ideia conformista do caos em palavras onde reafirmo a esperan\u00e7a. H\u00e1 sempre uma luz em meio \u00e0s trevas. Estas nos apontam o caminho, a sa\u00edda. A maternidade ser\u00e1 sempre uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para a mulher que nela enxerga a a\u00e7\u00e3o criadora de Deus. \u201cBendito o fruto do seu ventre\u201d, nunca maldito&#8230; T\u00e3o bendito que Cristo, o Verbo de Deus, fez-se carne, tornou-se filho no ventre santo de uma Eva (m\u00e3e) por excel\u00eancia e assim nos deu nova oportunidade de remiss\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 isso, mas repartiu conosco o privil\u00e9gio de ser Filho de quem foi: \u201cEis a\u00ed tua m\u00e3e!\u201d (Jo 19,27).<\/p>\n<p>Deus aben\u00e7oe a m\u00e3e que nos pariu! Com certeza, ela n\u00e3o se esquece dos filhos que teve. Com certeza, ela n\u00e3o! Mas, se porventura voc\u00ea se sente fora desse ninho, eis uma palavra de consolo: \u201cPode uma mulher esquecer-se daquele que amamentou? N\u00e3o ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu n\u00e3o te esqueceria nunca\u201d, diz o Senhor (Is 49,15).\u00a0 (Is 49,15).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parir: verbo transitivo direto, sem intermedi\u00e1rios, de liga\u00e7\u00e3o indissoci\u00e1vel entre a parturiente e sua cria, a m\u00e3e e sua crian\u00e7a&#8230; Parir: ato de dar a vida, gerar, produzir. Parir: a\u00e7\u00e3o \u00fanica e exclusiva da maternidade, seja esta humana ou animal&#8230; Parir: dar \u00e0 luz. 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