{"id":48811,"date":"2019-05-03T10:44:49","date_gmt":"2019-05-03T13:44:49","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=48811"},"modified":"2019-05-03T10:51:01","modified_gmt":"2019-05-03T13:51:01","slug":"documento-da-comissao-teologica-internacional-sobre-liberdade-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/documento-da-comissao-teologica-internacional-sobre-liberdade-religiosa\/","title":{"rendered":"Documento da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional sobre &#8220;Liberdade religiosa&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O texto, publicado no site do organismo, reitera que a liberdade religiosa em sua dimens\u00e3o individual e comunit\u00e1ria, \u00e9 a base de todas as outras liberdades e promove n\u00e3o hegemonias ou privil\u00e9gios, mas o bem para todos.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Sergio Centofanti &#8211; Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>Foi publicado no \u00faltimo dia 26 de abril, ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o do Papa Francisco, um novo documento da <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/cti_documents\/rc_cti_index-doc-pubbl_po.html\" rel=\"external\">Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional<\/a> (CTI), intitulado &#8220;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/cti_documents\/rc_cti_20190426_liberta-religiosa_it.html\" rel=\"external\">A liberdade religiosa para o bem de todos. Abordagem teol\u00f3gica aos desafios contempor\u00e2neos<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>O texto, de 37 p\u00e1ginas, prop\u00f5e antes de tudo uma atualiza\u00e7\u00e3o fundamentada da recep\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o Conciliar <i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_po.html\" rel=\"external\">Dignitatis humanae<\/a><\/i> (1965) sobre a liberdade religiosa, &#8220;aprovada em um contexto hist\u00f3rico significativamente diferente do atual&#8221;.<\/p>\n<h2>Fundamentalismo e relativismo<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Nas sociedades secularizadas de hoje &#8211; observa o documento &#8211; &#8220;as diferentes formas de comunidade religiosa ainda s\u00e3o socialmente percebidas como fatores relevantes de intermedia\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos e o Estado&#8221;.<\/p>\n<p>Diante disto, \u00a0&#8220;a radicaliza\u00e7\u00e3o religiosa de hoje referida como &#8216;fundamentalismo&#8217; (&#8230;), n\u00e3o parece um simples retorno mais&#8221; observador &#8220;\u00e0 religiosidade tradicional&#8221; mas &#8220;frequentemente \u00e9 caracterizada por uma espec\u00edfica rea\u00e7\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o liberal do Estado moderno, por causa de seu relativismo \u00e9tico e de sua indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o &#8220;.<\/p>\n<h2>Totalitarismo brando do Estado liberal<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;Por outro lado, o Estado liberal \u00e9 fonte de cr\u00edticas por muitos tamb\u00e9m pela raz\u00e3o oposta: isto \u00e9, pelo fato de que a sua proclamada neutralidade n\u00e3o parecer capaz de evitar a <b>tend\u00eancia em considerar a f\u00e9 professada e a perten\u00e7a religiosa como um obst\u00e1culo \u00e0 admiss\u00e3o \u00e0 plena cidadania cultural e pol\u00edtica dos indiv\u00edduos<\/b>. Uma forma de &#8220;totalitarismo brando&#8221;, poder-se-ia dizer, que torna particularmente vulner\u00e1veis \u00e0 difus\u00e3o do niilismo \u00e9tico na esfera p\u00fablica&#8221;.<\/p>\n<h2>Ideologia da neutralidade que marginaliza a f\u00e9<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;<i>A pretensa neutralidade ideol\u00f3gica de uma cultura pol\u00edtica que declara querer construir-se sobre a forma\u00e7\u00e3o de regras meramente processuais de justi\u00e7a, removendo toda justifica\u00e7\u00e3o \u00e9tica e toda a inspira\u00e7\u00e3o religiosa, mostra a tend\u00eancia a elaborar uma ideologia da neutralidade que, de fato, imp\u00f5e a marginaliza\u00e7\u00e3o , se n\u00e3o a exclus\u00e3o, de express\u00e3o religiosa da esfera p\u00fablica. E, portanto, da plena liberdade de participa\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da cidadania democr\u00e1tica. Disto vem \u00e0 descoberto a ambival\u00eancia de uma neutralidade da esfera p\u00fablica somente aparente, e de uma liberdade civil objetivamente discriminativa. Uma cultura civil que define o pr\u00f3prio humanismo por meio da remo\u00e7\u00e3o do componente religioso do humano, encontra-se obrigada a remover tamb\u00e9m partes decisivas de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria: do pr\u00f3prio saber, da pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o, da pr\u00f3pria coes\u00e3o social. O resultado \u00e9 a remo\u00e7\u00e3o de partes sempre mais consistentes da humanidade e da cidadania a partir das quais a pr\u00f3pria sociedade \u00e9 formada.<\/i><\/p>\n<p><i>A rea\u00e7\u00e3o \u00e0 fraqueza humanista do sistema faz at\u00e9 mesmo parecer justificado\u00a0 para muitos (sobretudo os jovens), a inclina\u00e7\u00e3o a um fanatismo desesperado: ate\u00edsta ou tamb\u00e9m teocr\u00e1tico. A incompreens\u00edvel atra\u00e7\u00e3o exercida por formas violentas e totalit\u00e1rias de ideologia pol\u00edtica, ou de milit\u00e2ncia religiosa, que pareciam j\u00e1 entregues ao ju\u00edzo da raz\u00e3o e da hist\u00f3ria, deve nos questionar de maneira nova e com maior profundidade de an\u00e1lise&#8221;<\/i>.<\/p>\n<h2>Imita\u00e7\u00e3o laicista da concep\u00e7\u00e3o teocr\u00e1tica<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Observa-se tamb\u00e9m que, quando tal Estado &#8220;moralmente neutro&#8221; come\u00e7a a &#8220;controlar o campo de todos os ju\u00edzos humanos, ele come\u00e7a a assumir os tra\u00e7os de um Estado&#8221; eticamente autorit\u00e1rio, &#8220;que assume a forma de uma <b>\u201cimita\u00e7\u00e3o laicista\u201d da concep\u00e7\u00e3o teocr\u00e1tica da religi\u00e3o<\/b>, que decide a ortodoxia e a heresia da liberdade em nome de uma vis\u00e3o pol\u00edtico-salv\u00edfica da sociedade ideal: decidindo a priori sua identidade perfeitamente racional, perfeitamente civil e perfeitamente humana. O absolutismo e o relativismo dessa moralidade liberal entram em conflito, aqui,\u00a0 com os efeitos de exclus\u00e3o iliberal na esfera p\u00fablica, dentro da suposta neutralidade liberal do Estado &#8220;.<\/p>\n<h2>O retorno da religi\u00e3o no terceiro mil\u00eanio<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>O documento destaca, portanto, a desmentida da &#8220;tese cl\u00e1ssica, que previa a redu\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o como efeito inevit\u00e1vel da moderniza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e econ\u00f4mica&#8221;: hoje, pelo contr\u00e1rio, fala-se do &#8220;retorno da religi\u00e3o \u00e0 esfera p\u00fablica&#8221;.<\/p>\n<p>A autom\u00e1tica correla\u00e7\u00e3o entre o progresso civil e a extin\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o, na verdade, havia sido formulada com base em um <b>preconceito ideol\u00f3gico, que considerava a religi\u00e3o como a constru\u00e7\u00e3o m\u00edtica de uma sociedade humana n\u00e3o ainda propriet\u00e1ria dos instrumentos racionais capazes de produzir emancipa\u00e7\u00e3o e bem-estar da sociedade<\/b>. Este esquema revelou-se inadequado&#8221;.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo &#8211; observa o texto &#8211; o chamado &#8220;retorno da religi\u00e3o&#8221; tamb\u00e9m apresenta aspectos de &#8220;regress\u00e3o&#8221; cultivados &#8220;na esteira de arbitr\u00e1rias contamina\u00e7\u00f5es entre a busca pelo bem-estar psicof\u00edsico e constru\u00e7\u00f5es pseudocient\u00edficas da vis\u00e3o do mundo&#8221;, sem falar da &#8220;grosseira motiva\u00e7\u00e3o religiosa de certas formas de fanatismo totalit\u00e1rio, que visam impor a viol\u00eancia terrorista mesmo dentro das grandes tradi\u00e7\u00f5es religiosas&#8221;.<\/p>\n<h2>Desenvolvimentos doutrin\u00e1rios<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>O documento explica o desenvolvimento doutrin\u00e1rio da Declara\u00e7\u00e3o Conciliar, onde o Magist\u00e9rio da Igreja condenava em um tempo a liberdade de consci\u00eancia, em um &#8220;contexto hist\u00f3rico&#8221; em que o cristianismo, que representava &#8220;a religi\u00e3o do Estado e a religi\u00e3o de fato dominante na sociedade ocidental&#8221;, sofria \u201ca agressiva imposta\u00e7\u00e3o de um secularismo estatal &#8220;.<\/p>\n<p>A <i>Dignitatis humanae<\/i> traz &#8220;\u00e0 sua evid\u00eancia fundamental o ensinamento do cristianismo, segundo o qual <b>n\u00e3o se deve obrigar \u00e0 religi\u00e3o, porque esse for\u00e7amento n\u00e3o \u00e9 digno da natureza humana criada por Deus e n\u00e3o corresponde \u00e0 doutrina da f\u00e9 professada pelo cristianismo<\/b>. Deus chama cada homem para si, mas n\u00e3o obriga ningu\u00e9m. Portanto, esta liberdade torna-se um direito fundamental que o homem pode reivindicar em consci\u00eancia e responsabilidade perante o Estado&#8221;.<\/p>\n<h2>Papa Wojtyla: liberdade religiosa, a funda\u00e7\u00e3o de outras liberdades<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Recorda-se portanto, que S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II quando afirma que a liberdade religiosa, fundamento de todas as outras liberdades, \u00e9 uma exig\u00eancia irrenunci\u00e1vel da dignidade de todo homem. N\u00e3o \u00e9 um direito entre outros, mas constitui &#8220;a garantia de todas as liberdades que asseguram o bem comum das pessoas e dos povos&#8221;.<\/p>\n<h2>Bento XVI: liberdade religiosa, n\u00e3o s\u00f3 para os fi\u00e9is<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Para Bento XVI, o direito \u00e0 liberdade religiosa est\u00e1 enraizado na dignidade da pessoa enquanto ser espiritual, relacional e aberto ao transcendente. N\u00e3o \u00e9 \u00a0portanto, um direito reservado apenas para os crentes, mas a todos, porque s\u00edntese e \u00e1pice dos outros direitos fundamentais\u201d.<\/p>\n<p>Com refer\u00eancia \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com o Estado, o Papa Ratzinger fala de &#8220;<b>laicidade positiva<\/b>&#8220;, ou seja, o princ\u00edpio que promove a coopera\u00e7\u00e3o entre o \u00e2mbito pol\u00edtico e o religioso na devida distin\u00e7\u00e3o de suas respectivas tarefas. Nesse sentido, a dimens\u00e3o n\u00e3o somente individual, mas tamb\u00e9m comunit\u00e1ria da religi\u00e3o, favorece a constru\u00e7\u00e3o do bem comum, para al\u00e9m de qualquer tenta\u00e7\u00e3o \u00e0 hegemonia.<\/p>\n<h2>Francisco: liberdade religiosa, baluarte contra totalitarismos<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>O Papa Francisco enfatiza que a liberdade religiosa n\u00e3o visa preservar uma &#8220;subcultura&#8221;, como gostaria um &#8220;certo laicismo, constitui um precioso dom de Deus para todos, garantia basilar de qualquer outra express\u00e3o de liberdade, baluarte contra os totalitarismos e contribui\u00e7\u00e3o decisiva \u00e0 &#8220;humana fraternidade&#8221;.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, \u201c<b>Francisco traz uma grande aten\u00e7\u00e3o aos muitos m\u00e1rtires do nosso tempo, v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias por motivos religiosos, bem como de ideologias que excluem Deus da vida dos indiv\u00edduos e das comunidades.<\/b> Para o Pont\u00edfice, a religi\u00e3o aut\u00eantica, a partir de dentro, deve ser capaz de dar conta da exist\u00eancia do outro, para promover um espa\u00e7o comum, um ambiente de colabora\u00e7\u00e3o com todos, na determina\u00e7\u00e3o de caminhar juntos, de rezar juntos, de trabalhar juntos, de nos ajudar para estabelecer a paz\u201d.<\/p>\n<h2>Direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>A Igreja proclama a liberdade religiosa para todos e tamb\u00e9m se espera &#8220;que seus membros possam viver sua f\u00e9 livremente e que os direitos de sua consci\u00eancia sejam protegidos onde respeitam os direitos dos outros. Viver a f\u00e9 \u00e0s vezes pode exigir obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia. De fato, as leis civis n\u00e3o obrigam em consci\u00eancia quando contradizem a \u00e9tica natural, e por isso o Estado deve reconhecer o direito das pessoas \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<h2>Viola\u00e7\u00f5es da liberdade religiosa<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;De fato &#8211; afirma o documento &#8211; em alguns pa\u00edses n\u00e3o h\u00e1 liberdade jur\u00eddica de religi\u00e3o, enquanto em outros a liberdade jur\u00eddica \u00e9 drasticamente limitada ao exerc\u00edcio comunit\u00e1rio de culto ou de pr\u00e1ticas estritamente privadas. Em tais pa\u00edses a express\u00e3o p\u00fablica de uma cren\u00e7a religiosa n\u00e3o \u00e9 permitida, geralmente qualquer forma de comunica\u00e7\u00e3o religiosa \u00e9 proibida, e <b>penalidades severas, incluindo a pena de morte<\/b>, s\u00e3o reservadas para aqueles que desejam se converter ou buscam converter outras pessoas. Nos pa\u00edses ditatoriais, onde prevalece um pensamento ateu, &#8211; e, com as devidas distin\u00e7\u00f5es, mesmo em alguns pa\u00edses que se consideram democr\u00e1ticos &#8211; os membros das comunidades religiosas s\u00e3o frequentemente<b> perseguidos ou submetidos a tratamentos desfavor\u00e1veis no local de trabalho<\/b>, s\u00e3o exclu\u00eddos dos cargos p\u00fablicos e a eles \u00e9 negado o acesso a certos n\u00edveis de assist\u00eancia social. Da mesma forma, as obras sociais criadas por crist\u00e3os (no campo da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o &#8230;) est\u00e3o sujeitas a limita\u00e7\u00f5es em n\u00edvel legislativo, financeiro ou comunicativo, que tornam seu desenvolvimento dif\u00edcil, se n\u00e3o imposs\u00edvel. Em todas estas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o h\u00e1 verdadeira liberdade de religi\u00e3o. Uma verdadeira liberdade de religi\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel somente se puder se expressar ativamente&#8221;.<\/p>\n<h2>Miss\u00e3o <i>ad gentes<\/i> e di\u00e1logo inter-religioso<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>O di\u00e1logo inter-religioso, favorecido pela liberdade religiosa, caminho para a paz &#8220;na busca do bem comum junto com os representantes de outras religi\u00f5es&#8221;, \u00e9 &#8220;uma dimens\u00e3o inerente \u00e0 miss\u00e3o da Igreja. N\u00e3o \u00e9, enquanto tal, o objetivo da evangeliza\u00e7\u00e3o, mas contribui grandemente para isso; n\u00e3o deve, portanto, ser entendido nem implementado em alternativa ou em contradi\u00e7\u00e3o com a miss\u00e3o <i>ad gentes<\/i>&#8220;.<\/p>\n<h2>Mart\u00edrio crist\u00e3o: o amor que vence o \u00f3dio<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>O texto trata tamb\u00e9m do tema do &#8220;mart\u00edrio&#8221;, como &#8220;supremo testemunho n\u00e3o violento da pr\u00f3pria fidelidade \u00e0 f\u00e9, feiro objeto de espec\u00edfico \u00f3dio, intimida\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o&#8221;. O mart\u00edrio torna-se &#8220;o s\u00edmbolo extremo da liberdade de opor o amor \u00e0 viol\u00eancia e a paz ao conflito.<\/p>\n<p><b>Em muitos casos, a pessoal determina\u00e7\u00e3o do m\u00e1rtir da f\u00e9 em aceitar a morte, tornou-se semente de liberta\u00e7\u00e3o religiosa e humana para uma multid\u00e3o de homens e mulheres, a ponto de obter a liberta\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e a supera\u00e7\u00e3o do \u00f3dio<\/b>. A hist\u00f3ria da evangeliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 atesta isto, tamb\u00e9m atrav\u00e9s do in\u00edcio de processos e de mudan\u00e7as sociais de alcance universal. Estes testemunhos da f\u00e9 s\u00e3o motivo de admira\u00e7\u00e3o e seguimento por parte dos fi\u00e9is, mas tamb\u00e9m de respeito por parte de todos os homens e mulheres que t\u00eam a peito a liberdade, a dignidade e a paz entre os povos. Os m\u00e1rtires resistiram \u00e0 press\u00e3o da retalia\u00e7\u00e3o, anulando o esp\u00edrito de vingan\u00e7a e da viol\u00eancia com a for\u00e7a do perd\u00e3o, do amor e da fraternidade&#8221;.<\/p>\n<h2>Mart\u00edrio branco<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes, as pessoas n\u00e3o s\u00e3o mortas em nome de sua pr\u00e1tica religiosa, todavia devem sofrer <b>atitudes profundamente ofensivas, que as mant\u00eam \u00e0 margem da vida social: exclus\u00e3o de cargos p\u00fablicos, proibi\u00e7\u00e3o indiscriminada de seus s\u00edmbolos religiosos, exclus\u00e3o de certos benef\u00edcios econ\u00f4micos e sociais<\/b>\u00a0&#8230;, no que \u00e9 denominado de &#8220;mart\u00edrio branco&#8221; como um exemplo de confiss\u00e3o de f\u00e9. Este testemunho fornece \u00a0ainda hoje prova de si em muitas partes do mundo: n\u00e3o deve ser atenuado, como se fosse um simples efeito colateral dos conflitos pela supremacia \u00e9tnica ou pela conquista de poder. O esplendor deste testemunho deve ser bem compreendido e interpretado. Ele nos instrui sobre o bem aut\u00eantico da liberdade religiosa na maneira mais clara e eficaz. O mart\u00edrio crist\u00e3o mostra a todos o que acontece quando a liberdade religiosa do inocente \u00e9\u00a0obstaculizada\u00a0 e morta: o mart\u00edrio \u00e9 o testemunho de uma f\u00e9 que permanece fiel a si mesma, recusando-se at\u00e9 o fim a vingar-se ou matar. Neste sentido, o m\u00e1rtir da f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o tem nada a ver com o suicida assassino em nome de Deus: tal confus\u00e3o j\u00e1 \u00e9 em si mesma uma corrup\u00e7\u00e3o da mente e uma ferida da alma&#8221;.<\/p>\n<h2>Igreja respeitosa da liberdade individual e do bem comum<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;O cristianismo n\u00e3o fecha a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o dentro dos limites da hist\u00f3ria da Igreja&#8221;, porque<b> toda a hist\u00f3ria humana deve ser vista \u00e0 luz do amor de Deus, que &#8220;quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade&#8221;<\/b>. (1 Tim 2: 4).<\/p>\n<p>&#8220;A forma mission\u00e1ria da Igreja, inscrita na disposi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria f\u00e9, obedece \u00e0 l\u00f3gica do dom, ou seja, da gra\u00e7a e da liberdade, n\u00e3o a do contrato e da imposi\u00e7\u00e3o. A Igreja est\u00e1 ciente do fato de que, mesmo com as melhores inten\u00e7\u00f5es, essa l\u00f3gica foi contradita &#8211; e sempre h\u00e1 o risco de s\u00ea-lo &#8211; devido aos comportamentos deformados e incoerentes com a f\u00e9 recebida&#8221;. A Igreja tem um estilo de testemunho da f\u00e9 &#8220;absolutamente respeitoso da liberdade individual e do bem comum. Este estilo, longe de atenuar a fidelidade ao evento salv\u00edfico, que \u00e9 o tema do an\u00fancio da f\u00e9, deve tornar ainda mais transparente a sua dist\u00e2ncia de um esp\u00edrito de domina\u00e7\u00e3o, interessado na conquista do poder para si mesmo\u201d.<\/p>\n<h2>A liberdade de acolher o Evangelho<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;O Reino de Deus &#8211; concluiu o documento &#8211; j\u00e1 est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria, \u00e0 espera do advento do Senhor, que nos introduzir\u00e1 no seu cumprimento. O Esp\u00edrito que diz &#8220;Vem!&#8221; (Ap 22, 17), que ouve os gemidos da cria\u00e7\u00e3o (cf. Rm 8, 22) e faz &#8220;novas todas as coisas novas&#8221; (Apocalipse 21: 5) traz ao mundo a coragem da f\u00e9 que sustenta (cf. Rm 8, 1-27), em favor de todos, a beleza da &#8220;raz\u00e3o [logos] da esperan\u00e7a&#8221; (1 Pe 3,15) que est\u00e1 em n\u00f3s. E a liberdade, para todos, de ouvi-lo e segui-lo\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto, publicado no site do organismo, reitera que a liberdade religiosa em sua dimens\u00e3o individual e comunit\u00e1ria, \u00e9 a base de todas as outras liberdades e promove n\u00e3o hegemonias ou privil\u00e9gios, mas o bem para todos. Sergio Centofanti &#8211; Cidade do Vaticano Foi publicado no \u00faltimo dia 26 de abril, ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o do Papa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":48813,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-48811","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48811","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48811"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48811\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48812,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48811\/revisions\/48812"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48811"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48811"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48811"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}