{"id":48666,"date":"2019-04-28T08:03:06","date_gmt":"2019-04-28T11:03:06","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=48666"},"modified":"2019-04-29T09:37:22","modified_gmt":"2019-04-29T12:37:22","slug":"vocacao-e-discernimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/vocacao-e-discernimento\/","title":{"rendered":"Voca\u00e7\u00e3o e discernimento"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Papa Francisco n\u00e3o poderia encerrar sua carta aos jovens, denominada Cristo vive, sem um enfoque paternal e sereno sobre as quest\u00f5es que mais afligem o esp\u00edrito juvenil: voca\u00e7\u00e3o e discernimento. Uma quest\u00e3o e outra n\u00e3o se separam, est\u00e3o intrinsicamente associadas nas op\u00e7\u00f5es que um jovem faz. \u201cO ponto fundamental \u00e9 discernir e descobrir que aquilo que Jesus quer de cada jovem \u00e9, antes de tudo, a sua amizade\u201d (250). Jesus tinha que entrar nessa hist\u00f3ria? Partindo do Papa, sim, \u00e9 l\u00f3gico. \u201cE, se fosse necess\u00e1rio um exemplo contr\u00e1rio, recordemos o encontro-desencontro do Senhor com o jovem rico&#8230; Depois de ter seguido uma boa inspira\u00e7\u00e3o, foi-se embora triste\u201d (251).<\/p>\n<p>Francisco atualiza: \u201cCom efeito, \u2018a vida que Jesus nos d\u00e1 \u00e9 uma hist\u00f3ria de amor, uma hist\u00f3ria de vida que quer misturar-se com a nossa e criar ra\u00edzes na terra de cada um. Essa vida n\u00e3o \u00e9 uma salva\u00e7\u00e3o suspensa \u201cna nuvem\u201d \u2013 no disco virtual \u2013 \u00e0 espera de ser descarregada, nem uma nova \u201caplica\u00e7\u00e3o\u201d para descobrir ou um exerc\u00edcio mental fruto de t\u00e9cnicas de crescimento pessoal\u201d (252). Contestem essa verdade os pressupostos tutores vocacionais da modernidade, para os quais voca\u00e7\u00e3o e profiss\u00e3o s\u00e3o indissoci\u00e1veis. Ent\u00e3o o Papa nos lembra: \u201cO Senhor chama-nos a participar na sua obra criadora, prestando a nossa contribui\u00e7\u00e3o para o bem comum com base nas capacidades que recebemos\u201d (253). Toda voca\u00e7\u00e3o bem resolvida \u00e9 um sim \u00e0 miss\u00e3o que recebemos. \u201cEsta voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria tem a ver com o nosso servi\u00e7o aos outros&#8230; Eu sou uma miss\u00e3o nesta terra, e para isso estou neste mundo\u201d (254).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata apenas de fazer coisas, mas faz\u00ea-las com um significado, uma orienta\u00e7\u00e3o\u201d (257). Faz\u00ea-las n\u00e3o para si, mas para o bem comunit\u00e1rio, o outro. \u201cEste \u2018ser para os outros\u2019 na vida de cada jovem est\u00e1 relacionado com duas quest\u00f5es fundamentais: a forma\u00e7\u00e3o duma nova fam\u00edlia e o trabalho\u201d (258). O Papa rep\u00f5e a quest\u00e3o familiar como algo fundamental que a juventude de hoje deve restaurar em seus sonhos e ambi\u00e7\u00f5es. \u201cOs jovens sentem fortemente a chamada ao amor e sonham encontrar a pessoa certa com quem formar uma fam\u00edlia e construir uma vida juntos\u201d (259). Ent\u00e3o sentencia: \u201cN\u00e3o deixeis que vos roubem a possibilidade de amar a s\u00e9rio\u201d (263). E aponta a ferida: \u201cReina hoje a cultura do provis\u00f3rio, que \u00e9 uma ilus\u00e3o. Muitas vezes ouvis dizer que \u2018hoje o casamento est\u00e1 \u201cfora de moda\u201d&#8230; Ao contr\u00e1rio, eu tenho confian\u00e7a em v\u00f3s e, por isso, vos encorajo a optar pelo matrim\u00f4nio\u201d (264).<\/p>\n<p>Foca igualmente o mundo do trabalho. \u201c\u00c9 verdade que n\u00e3o podeis viver sem trabalhar e que, \u00e0s vezes, tens de aceitar o que encontras, mas nunca renuncies aos teus sonhos, nunca enterres definitivamente uma voca\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d (272). Nem mesmo a voca\u00e7\u00e3o religiosa. \u201cPodes ter a certeza de que, se reconheceres uma chamada de Deus e a seguires, ser\u00e1 isso que dar\u00e1 plenitude \u00e0 tua vida\u201d (276).<\/p>\n<p>Mas tudo isso exige discernimento, lucidez. \u201cSem a sapi\u00eancia do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes \u00e0 merc\u00ea das tend\u00eancias da ocasi\u00e3o\u201d (279). Um perigo para frustra\u00e7\u00f5es futuras. \u201cN\u00e3o se deve come\u00e7ar por questionar onde se poderia ganhar mais dinheiro, onde se poderia obter mais fama e prest\u00edgio social, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se deveria come\u00e7ar perguntando quais tarefas nos dariam mais prazer. Pergunte-se: Conhe\u00e7o-me a mim mesmo para al\u00e9m das apar\u00eancias ou das minhas sensa\u00e7\u00f5es? Sei o que alegra ou entristece o meu cora\u00e7\u00e3o?\u201d (285). Tudo isso h\u00e1 de exigir escuta e acompanhamento apropriados. Mas, para concluir&#8230; um desejo:<\/p>\n<p>\u201cQueridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais r\u00e1pido do que os lentos e medrosos. Correi \u2018atra\u00eddos por aquele Rosto t\u00e3o amado&#8230; A Igreja precisa do vosso \u00edmpeto, das vossas intui\u00e7\u00f5es, da vossa f\u00e9. N\u00f3s temos necessidade disto! E quando chegardes aonde n\u00f3s ainda n\u00e3o chegamos, tende a paci\u00eancia de esperar por n\u00f3s\u201d (299). Esse \u00e9 nosso Francisco!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Papa Francisco n\u00e3o poderia encerrar sua carta aos jovens, denominada Cristo vive, sem um enfoque paternal e sereno sobre as quest\u00f5es que mais afligem o esp\u00edrito juvenil: voca\u00e7\u00e3o e discernimento. 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