{"id":48477,"date":"2019-04-22T10:47:35","date_gmt":"2019-04-22T13:47:35","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=48477"},"modified":"2019-04-22T10:47:35","modified_gmt":"2019-04-22T13:47:35","slug":"pesquisa-cnbb-igreja-no-brasil-tem-exercito-de-caridade-dedicado-a-acoes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pesquisa-cnbb-igreja-no-brasil-tem-exercito-de-caridade-dedicado-a-acoes-sociais\/","title":{"rendered":"Pesquisa CNBB: Igreja no Brasil tem ex\u00e9rcito de caridade dedicado a a\u00e7\u00f5es sociais"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-48480 alignright\" src=\"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Caf\u00e9-co-300x169.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Caf\u00e9-co-300x169.jpeg 300w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Caf\u00e9-co-768x432.jpeg 768w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Caf\u00e9-co-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Caf\u00e9-co-600x338.jpeg 600w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Caf\u00e9-co-696x392.jpeg 696w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Caf\u00e9-co-1068x601.jpeg 1068w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Caf\u00e9-co-747x420.jpeg 747w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Caf\u00e9-co.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Pacaraima<\/strong> (RR), dia 14 de agosto de 2018. Cerca de 2,1 mil pessoas se juntam nas proximidades da par\u00f3quia Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus na esperan\u00e7a da primeira refei\u00e7\u00e3o do dia. S\u00e3o centenas de fam\u00edlias venezuelanas que fugiram de seu pa\u00eds em busca de dignidade, com a f\u00e9 e a esperan\u00e7a junto das bagagens. Quem comanda a equipe em torno do \u201ccaf\u00e9 fraterno\u201d \u00e9 o padre Jesus Lopez Fernandez de Bobadilla, que al\u00e9m do fornecimento de alimenta\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de um ano, conduz outras iniciativas de acolhimento e acompanhamento para com os venezuelanos, um \u201cpovo t\u00e3o maltratado\u201d, como caracteriza. A iniciativa recebe o apoio da diocese de Roraima (RR).<\/p>\n<p>No Sul do pa\u00eds, \u00e0s quartas-feiras, desde 2013, o compromisso \u00e9 ir para a cozinha e levar de Kombi um jantar para a popula\u00e7\u00e3o de rua da cidade portu\u00e1ria de Itaja\u00ed (SC). A chamada \u201cKombi da sopa\u201d foi idealizada pelo di\u00e1cono Juarez Carlos Blanger, que atua na par\u00f3quia S\u00e3o Vicente de Paulo, pertencente \u00e0 arquidiocese de Florian\u00f3polis (SC). S\u00e3o cinco cozinheiras que produzem 65 marmitas entregues em viadutos e outros pontos onde se encontram pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Roupas e cobertores tamb\u00e9m s\u00e3o distribu\u00eddos nesta a\u00e7\u00e3o que est\u00e1 estruturada atualmente na Associa\u00e7\u00e3o Maria M\u00e3e de Jesus.<\/p>\n<p>Dioceses, par\u00f3quias, associa\u00e7\u00f5es, novas comunidades e institutos s\u00e3o exemplos de um ex\u00e9rcito de caridade que atua no Brasil. Junto com as 21 Pastorais Sociais estruturadas nacionalmente, as Obras Sociais da Igreja chegam \u00e0 somat\u00f3ria de 499,9 milh\u00f5es de atendimentos a cerca de 39,2 milh\u00f5es de pessoas e aproximadamente 11,8 milh\u00f5es de fam\u00edlias.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/pesquisca-cnbb-igreja-no-brasil-tem-exercito-de-caridade-dedicado-a-acoes-sociais\/img_2444-silvio-santana\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-218397 alignleft\" src=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2019\/04\/IMG_2444-Silvio-SantAna-300x200.jpg\" srcset=\"http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2019\/04\/IMG_2444-Silvio-SantAna-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2019\/04\/IMG_2444-Silvio-SantAna-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2019\/04\/IMG_2444-Silvio-SantAna-1024x683.jpg 1024w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a>Os dados s\u00e3o da pesquisa sobre a A\u00e7\u00e3o Social da Igreja no Brasil encomendada pela Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Grupo Esquel Brasil (FGEB), cujo presidente, o cientista social Silvio Sant\u2019Ana, foi o respons\u00e1vel por organizar os dados no relat\u00f3rio. \u00a0A pesquisa se desenvolveu no campo ocupado por duas inst\u00e2ncias institucionais muito pr\u00f3prias no contexto eclesial: as \u201cObras Sociais\u201d e as \u201cPastorais Sociais\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o respons\u00e1vel pela pesquisa, Silvio Sant\u2019ana, obras sociais s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es quase sempre com exist\u00eancia legal (pessoas jur\u00eddicas de direito privado) e, geralmente, vinculada a Institutos e Ordens Religiosas, ou \u00e0 diocese, com pessoal especializado, dispondo de instala\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, recebendo pessoas e as demandas de interessados no atendimento. \u201c\u00c9, de certa forma um n\u00facleo \u2018receptivo\u2019, um local onde \u00e9 ofertado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o um atendimento ou um servi\u00e7o\u201d, descreve.<\/p>\n<p>J\u00e1 as Pastorais Sociais, s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es compostas majoritariamente por volunt\u00e1rios, nem sempre organizadas como pessoas jur\u00eddicas, que operam por \u201c\u2019busca ativa\u2019 de pessoas ou segmentos sociais em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e risco\u201d. O pesquisador ressalta a caracter\u00edstica de atendimento voltado a grupos ou tem\u00e1ticas sociais especiais, \u201cque requerem aten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica devido as suas caracter\u00edsticas e situa\u00e7\u00f5es vivenciais\u201d.<\/p>\n<p>Em sua pesquisa, Silvio relata o sentido de a\u00e7\u00e3o social tomado pelos cat\u00f3licos no Brasil que se envolvem nas atividades de ajuda aos mais necessitados, os pobres. O termo, neste contexto, significa de forma mais elementar a oferta de comida e roupa. \u201c\u00c9 atitude louv\u00e1vel do \u2018bom samaritano\u2019\u201d, resume o pesquisador. S\u00e3o exemplos disso as a\u00e7\u00f5es de padre Jesus, em Pacaraima, e do di\u00e1cono Juarez, em Itaja\u00ed.<\/p>\n<p><strong>A pesquisa \u2013\u00a0<\/strong>A amostra da pesquisa \u00e9 de 26 Igrejas Particulares no Brasil, entre dioceses e arquidioceses, e admite um erro amostral de at\u00e9 5% para mais ou para menos. Os dados referem-se ao ano de realiza\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o, 2014.\u00a0Foi decidido n\u00e3o incluir na pesquisa as organiza\u00e7\u00f5es dedicadas a assist\u00eancia de Sa\u00fade (hospitais) e as de Educa\u00e7\u00e3o (escolas cat\u00f3licas). \u201cDe um lado n\u00e3o existem dados confi\u00e1veis e dispon\u00edveis sobre o atendimento realizado por estas institui\u00e7\u00f5es. De outro, as dimens\u00f5es destes trabalhos s\u00e3o gigantescas e seguramente distorceriam os resultados quando mesclados com iniciativas menores\u201d, explica Sant\u2019Ana. No entanto, as Obras Sociais criadas e patrocinadas por hospitais e escolas cat\u00f3licos fazem parte da amostra.<\/p>\n<p>\u00c9 considerado o n\u00famero de 10.760 par\u00f3quias, dado dispon\u00edvel de 2010, para encontrar mais de 32 mil iniciativas estruturadas, uma vez que, a partir de uma outra pesquisa, feita pelo Centro de Estat\u00edsticas Religiosas e Investiga\u00e7\u00f5es Sociais (CERIS), em 1999, que apontava pelo menos tr\u00eas iniciativas de a\u00e7\u00e3o social em cada par\u00f3quia do Brasil. A este n\u00famero, somam-se as associa\u00e7\u00f5es de obras sociais dispostas em cada diocese e as iniciativas dos mais de 500 institutos e ordens religiosas e de vida apost\u00f3lica distribu\u00eddos em 1026 sedes em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Dos 499,9 milh\u00f5es de atendimentos da Igreja, 393,5 milh\u00f5es correspondem \u00e0s Obras Sociais. Este n\u00famero corresponde a quase 30,3 milh\u00f5es de pessoas atendidas, n\u00famero equivalente a 88% do n\u00famero total de pobres do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As Pastorais Sociais realizaram, em 2014, 106,4 milh\u00f5es de atendimentos. S\u00e3o 8,9 milh\u00f5es de pessoas atendidas e 2,7 milh\u00f5es de fam\u00edlias. A cobertura nas dioceses do Brasil tem destaque pela presen\u00e7a da Pastoral da Crian\u00e7a na totalidade das Igrejas Particulares do Brasil. Em seguida, somente a Pastoral Carcer\u00e1ria e a Pastoral da Pessoa Idosa t\u00eam cobertura em mais da metade das dioceses brasileiras. No menor grau de capilaridade, as pastorais do Surdo, da Mobilidade Humana, da Ecologia, Afro-Brasileira e dos Direitos Humanos est\u00e3o em 9% das dioceses, cada, o que significa 25 localidades, praticamente coincidindo com o n\u00famero de cidades capitais.<\/p>\n<p><strong>As \u00e1reas do atendimento \u2013\u00a0<\/strong>A pesquisa encomendada pela CNBB tamb\u00e9m faz uma classifica\u00e7\u00e3o das pessoas atendidas nas obras e pastorais sociais a partir de fun\u00e7\u00f5es sociais, assim divididas: sa\u00fade, assist\u00eancia social (sa\u00fade + educa\u00e7\u00e3o + prote\u00e7\u00e3o social b\u00e1sica), desenvolvimento e defesa de direitos e outros. Os n\u00fameros, segundo o pesquisador, devem ser entendidos considerando que a abordagem integral da pessoa \u201cfaz com que as estat\u00edsticas n\u00e3o consigam explicitar adequadamente a riqueza e diversidade da atividade realizada\u201d. Isso pode ser exemplificado quando se considera o atendimento de uma Pastoral Social cujo trabalho \u00e9 focado para atendimento de um grupo espec\u00edfico, mas a pessoa \u00e9 assumida em seu contexto familiar e social.<\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o da Igreja, h\u00e1 forte concentra\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os de atendimento na \u00e1rea da sa\u00fade, seguidos da assist\u00eancia social. No \u00e2mbito das Obras Sociais, refere se a 40,9% e 46,7% dos atendimentos, respectivamente, sendo que a Assist\u00eancia Social engloba, em conjunto, os servi\u00e7os de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o social b\u00e1sica.\u00a0As Pastorais Sociais destacam-se na defesa de direitos ou promo\u00e7\u00e3o de iniciativas de melhoria de renda ou emprego. S\u00e3o 3,1 milh\u00f5es de pessoas atendidas, o que corresponde a 35% dos atendimentos. Assim como nas obras sociais, contudo, o atendimento na \u00e1rea da sa\u00fade \u00e9 o mais expressivo: s\u00e3o 5,5 milh\u00f5es de atendidos, 62,3% do total de pessoas a quem se destinam a\u00e7\u00f5es das pastorais.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, parte significativa do esfor\u00e7o na \u00e1rea de sa\u00fade est\u00e1 associada ao atendimento materno infantil, mas tamb\u00e9m s\u00e3o contemplados segmentos populacionais como pessoas soropositivas, dependentes qu\u00edmicos (de drogas permitidas ou n\u00e3o), pessoas ou grupos v\u00edtimas de viol\u00eancia e abusos de toda ordem, portadores de necessidades especiais.<\/p>\n<p><strong>Quem \u00e9 quem no atendimento \u2013\u00a0<\/strong>No recorte por tipo de p\u00fablico atendido pela a\u00e7\u00e3o social da Igreja, o destaque vai para as crian\u00e7as e jovens, que concentram 18% do n\u00famero de atendidos. A Pastoral da Crian\u00e7a, por exemplo, atende mensalmente 1,2 milh\u00e3o de crian\u00e7as. Os idosos s\u00e3o o segundo grupo mais expressivo no atendimento, principalmente se o recorte for as Obras Sociais, onde se encontra um n\u00famero at\u00e9 maior do que o de crian\u00e7as e jovens: s\u00e3o 2,6 milh\u00f5es de pessoas na terceira idade atendidas.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, a exemplo dos que recebem aten\u00e7\u00e3o do grupo da \u201cKombi da sopa\u201d, em Santa Catarina, refere-se a 2,7% do total de atendidos por obras e pastorais sociais da Igreja. De acordo com a pesquisa, o n\u00famero de atendidos, apesar de parecer pequeno dentro do universo estimado, representa quase metade dos \u201cmoradores de rua\u201d recenseados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) nas capitais e \u00e1reas metropolitanas.<\/p>\n<p>ENTREVISTA: \u201cEu n\u00e3o tinha a dimens\u00e3o desse trabalho no<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-48479 alignright\" src=\"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/IMG_2452--300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/IMG_2452--300x200.jpg 300w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/IMG_2452--768x512.jpg 768w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/IMG_2452-.jpg 1024w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/IMG_2452--600x400.jpg 600w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/IMG_2452--696x464.jpg 696w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/IMG_2452--630x420.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/> pa\u00eds todo\u201dPara saber das impress\u00f5es do pesquisador que esteve \u00e0 frente dessa investiga\u00e7\u00e3o sobre o trabalho social da Igreja no Brasil, Silvio Sant\u2019Ana foi convidado para uma entrevista, da qual s\u00e3o extra\u00eddos os principais trechos:Qual o sentimento ao ver as experi\u00eancias e ao compilar os dados colhidos Brasil afora?Eu sabia que a Igreja tinha uma s\u00e9rie de obras sociais em todos os lugares, tem coisas muito lindas que a gente v\u00ea na r\u00e1dio e na televis\u00e3o ou visitando as comunidades. Mas eu n\u00e3o tinha a dimens\u00e3o desse trabalho no pa\u00eds todo e da quantidade de esfor\u00e7o que \u00e9 colocado para realizar isso da\u00ed. Normalmente voc\u00ea fica pensando que uma par\u00f3quia ou uma diocese tem l\u00e1 uma obra social, uma coisa aqui, ali. Ao n\u00e3o ter somado o conjunto de tudo que est\u00e1 acontecendo, n\u00f3s temos uma ideia muito fraccionada, muito quebrada do que existe, mas quando voc\u00ea come\u00e7a a somar isso tudo, v\u00ea que realmente \u00e9 uma coisa impressionante.Sinceramente, n\u00e3o tem nada, do ponto de vista das outras institui\u00e7\u00f5es dentro do pa\u00eds, que chegue nem perto desse esfor\u00e7o t\u00e3o grande. E outra coisa que fica mais impressionante ainda, que tamb\u00e9m a gente n\u00e3o se d\u00e1 conta, \u00e9 que isso n\u00e3o \u00e9 instant\u00e2neo. Isso \u00e9 todo dia, ano ap\u00f3s ano. N\u00e3o \u00e9 como se faz manifesta\u00e7\u00e3o e coloca 20 mil pessoas na rua. A coisa \u00e9 permanente. Foi outra dimens\u00e3o que eu n\u00e3o conseguia formular. Quantas coisas permanentes a gente pode dizer que existem no pa\u00eds com essa capacidade, com essa frequ\u00eancia? A\u00ed tem um detalhe que tamb\u00e9m saiu da pesquisa \u00e9 que a Igreja n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 fazendo, do tamanho do trabalho que vem sedo feito. Isso ficou muito claro at\u00e9 com as pessoas com as quais n\u00f3s trabalhamos e entrevistamos e conseguimos dados: elas mesmas se surpreendiam. Ent\u00e3o, primeiro, o tamanho \u00e9 impressionante, segundo a perman\u00eancia, ou seja, a continuidade hist\u00f3rica \u2013 muda uma coisa ou outra, mas tem uma perman\u00eancia. E a terceira coisa \u00e9 isso, que a pr\u00f3pria Igreja, os pr\u00f3prios cat\u00f3licos, mesmo envolvidos n\u00e3o conseguem se dar conta da import\u00e2ncia.Podemos dizer que todo este envolvimento tem uma raiz evang\u00e9lica e que tamb\u00e9m reflete a aus\u00eancia do Estado na vida da popula\u00e7\u00e3o?Eu, sinceramente, pelo que eu senti dentro da pesquisa, a motiva\u00e7\u00e3o religiosa, de f\u00e9, \u00e9 a principal coisa. N\u00e3o \u00e9 porque o Estado n\u00e3o faz, ou n\u00e3o est\u00e1 presente. \u00c9 porque as pessoas s\u00e3o movidas a realizar o mandato da sua f\u00e9. E a gente pode comprovar isso, no seguinte: quando o Estado est\u00e1 presente, continua a funcionar. Se fosse substitui\u00e7\u00e3o, complementariedade, quando o Estado chegasse, instalasse seus equipamentos, suas obras, etc. voc\u00ea pararia, como \u00e9 o caso da Pastoral da Crian\u00e7a: no fundo, os l\u00edderes da Pastoral da Crian\u00e7a s\u00e3o agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade. Na \u00e9poca que come\u00e7ou, n\u00e3o existiam agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade, ent\u00e3o se podia dizer \u201ca Pastoral existe porque n\u00e3o tem o Estado\u2026\u201dMuitas pessoas fazem as coisas que est\u00e3o fazendo, n\u00e3o \u00e9 porque o Estado A ou B, n\u00e3o. \u00c9 porque elas querem fazer. Elas veem e se sentem impelidas a atuar. O senhor fala de as pessoas n\u00e3o terem dimens\u00e3o do que \u00e9 feito na \u00e1rea social. O que seria interessante para potencializar esse trabalho e garantir melhor organiza\u00e7\u00e3o no sentido de registrar as a\u00e7\u00f5es?\u00c9 uma quest\u00e3o cultural. Hoje, parece que as coisas s\u00f3 existem se aparecerem na foto ou no Facebook. O mundo real \u00e9 o que est\u00e1 nas m\u00eddias. A nossa cultura est\u00e1 caminhando de um jeito que tudo tem que ser mostrado, tudo \u00e9 visual. \u00a0A gente, por tradi\u00e7\u00e3o religiosa, antiga, chega a dizer assim \u201cvoc\u00ea fa\u00e7a caridade, mas que a tua m\u00e3o esquerda n\u00e3o saiba o que fez a direita fez\u201d. Ent\u00e3o a gente tem, por tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, uma ideia de que n\u00e3o devemos ficar divulgando o que a gente est\u00e1 fazendo, sen\u00e3o a gente termina ficando igual aos fariseus. Isso gerou uma atitude em geral dentro da comunidade cat\u00f3lica de n\u00e3o fazer esse registro. Acho que essa mudan\u00e7a que houve at\u00e9 na cultura do pa\u00eds requer da gente uma aten\u00e7\u00e3o maior com essa dimens\u00e3o. Eu acho que isso \u00e9 importante, poder mostrar para a sociedade o que est\u00e1 acontecendo, e mostrar para n\u00f3s mesmos. Quer dizer, quando eu sou um leigo em uma par\u00f3quia e eu ver o tamanho dos problemas que n\u00f3s estamos enfrentando no Brasil, gigantescos, eu estou fazendo um negocinho m\u00ednimo, que n\u00e3o faz a menor diferen\u00e7a, e eu termino desanimando, porque o impacto \u00e9 nenhum, praticamente, comparado com o mar de problemas, com o mar de dificuldades que existem. Mas quando voc\u00ea diz \u2018eu sou um entre 15, 20, 30 milh\u00f5es de cat\u00f3licos que estamos trabalhando e que estamos fazendo alguma diferen\u00e7a\u2019. Isso ajuda tamb\u00e9m, motiva mais as pessoas a se dedicarem, \u00e9 uma forma de reconhecer, valorar o trabalho que elas est\u00e3o fazendo.Revista CNBB Social, Edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 01<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pacaraima (RR), dia 14 de agosto de 2018. Cerca de 2,1 mil pessoas se juntam nas proximidades da par\u00f3quia Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus na esperan\u00e7a da primeira refei\u00e7\u00e3o do dia. S\u00e3o centenas de fam\u00edlias venezuelanas que fugiram de seu pa\u00eds em busca de dignidade, com a f\u00e9 e a esperan\u00e7a junto das bagagens. 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