{"id":48462,"date":"2019-04-21T08:35:23","date_gmt":"2019-04-21T11:35:23","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=48462"},"modified":"2019-04-22T08:37:38","modified_gmt":"2019-04-22T11:37:38","slug":"raizes-sadias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/raizes-sadias\/","title":{"rendered":"Ra\u00edzes sadias"},"content":{"rendered":"<p>\u201cJ\u00e1 me aconteceu ver \u00e1rvores jovens, belas, que elevavam seus ramos sempre mais alto para o c\u00e9u; pareciam uma can\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a. Mais tarde, depois de uma tempestade, encontrei-as ca\u00eddas, sem vida\u201d. Com t\u00e3o significativo paralelo, Papa Francisco introduz o sexto cap\u00edtulo de sua carta Chistus vivit, para sublinhar a import\u00e2ncia do aprofundamento dos jovens crist\u00e3os na f\u00e9 que dizem possuir. \u201cCompreender isto permite-nos distinguir entre a alegria da juventude e um falso culto desta de que alguns se servem a fim de seduzir os jovens e us\u00e1-los pra seus fins\u201d (180). Clareza na f\u00e9 e vis\u00e3o cr\u00edtica dos fatos, nos pede em suma. \u201cQue n\u00e3o te arranquem da terra\u201d, diz em subt\u00edtulo.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dessa vis\u00e3o cr\u00edtica vem do fato de muitas distor\u00e7\u00f5es doutrinais pelas quais passa a hist\u00f3ria da Igreja, suas divis\u00f5es, separa\u00e7\u00f5es e confus\u00f5es ideol\u00f3gicas, bem como as persegui\u00e7\u00f5es agn\u00f3sticas dum mundo onde o culto ao corpo \u2013 \u201co corpo jovem torna-se o s\u00edmbolo deste novo culto\u201d (182) \u2013 e a superficialidade da vida \u2013 \u201cque confunde beleza com apar\u00eancia\u201d (183) \u2013 tendem a promover um esp\u00e9cie de \u201cespiritualidade sem Deus, uma afetividade sem comunidade nem compromisso com os que sofrem, o medo dos pobres vistos como sujeitos perigosos e uma s\u00e9rie de ofertas que pretendem fazer-vos acreditar num futuro paradis\u00edaco\u201d (184). Constata-se nesse processo \u201cuma destrui\u00e7\u00e3o cultural, que \u00e9 t\u00e3o grave como a extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies animais e vegetais\u201d (186).<\/p>\n<p>Citando velho prov\u00e9rbio (Se o jovem soubesse e o velho pudesse, n\u00e3o haveria nada que n\u00e3o se fizesse), o Papa lembra a import\u00e2ncia do respeito e congra\u00e7amento entre gera\u00e7\u00f5es, que na Igreja vem do respeito \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es e da heran\u00e7a b\u00edblica de seus ensinamentos. \u201cPor isso, \u00e9 bom deixar que os idosos contem longas hist\u00f3rias, que \u00e0s vezes parecem mitol\u00f3gicas, fantasiosas \u2013 s\u00e3o sonhos de anci\u00e3os -, mas frequentemente est\u00e3o cheias duma rica experi\u00eancia\u201d (195). E resume, assertivamente: \u201cSe caminharmos juntos, jovens e idosos, poderemos estar bem enraizados no presente e, daqui, visitar o passado e o futuro&#8230;\u201d (199). Passado e futuro \u00e9 que fazem a hist\u00f3ria que juntos escrevemos.<\/p>\n<p>Idosos interpretando os sinais das estrelas e jovens remando com for\u00e7as, levam juntos a canoa de Cristo, a barca que representa sua Igreja no mundo. Essa \u00e9 a miss\u00e3o duma pastoral de conjunto, onde \u201ca pastoral juvenil precisa de adquirir outra flexibilidade, convidando os jovens para acontecimentos que, de vez em quando, lhes proporcionem um espa\u00e7o onde n\u00e3o s\u00f3 recebam uma forma\u00e7\u00e3o, mas lhes permitam compartilhar a vida, festejar, cantar, escutar testemunhos concretos e experimentar o encontro comunit\u00e1rio com o Deus vivo\u201d (204). Eis em s\u00edntese a Pastoral Juvenil sonhada pelo Papa. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio aproximar-se dos jovens com a gram\u00e1tica do amor, n\u00e3o com o proselitismo\u201d (211). Ambientes adequados e receptivos s\u00e3o primordiais. \u201cHoje, muitos jovens sentem-se filhos do fracasso, porque os sonhos de seus pais e av\u00f3s acabaram queimados na fogueira da injusti\u00e7a, da viol\u00eancia social, do \u2018salve-se quem puder\u2019. Quanto desenraizamento!\u201d (216). N\u00e3o podemos perder a singularidade da mensagem evang\u00e9lica. \u201c\u00c0s vezes, por pretender uma pastoral juvenil ass\u00e9ptica, pura, caraterizada por ideias abstratas, afastada do mundo e preservada de toda a mancha, reduzimos o Evangelho a uma proposta ins\u00edpida, incompreens\u00edvel, distante, separada das culturas&#8230;\u201d (232). Esquecemos dos milagres da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cQuero lembrar que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de fazer um longo percurso para que os jovens se tornem mission\u00e1rios\u201d (239). Aqui Francisco nos pega. \u201cA pastoral juvenil deve ser sempre uma pastoral mission\u00e1ria\u201d (240). Um simples convite a uma participa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica ou a\u00e7\u00e3o crist\u00e3 j\u00e1 \u00e9 uma atitude de miss\u00e3o. As redes sociais s\u00e3o hoje excelentes instrumentos dessa a\u00e7\u00e3o. Nossos jovens se apresentam como potenciais l\u00edderes, que n\u00e3o podem decepcionar, pois \u201cquando caem, provocam um impacto devastador na capacidade que os jovens t\u00eam de se comprometer na Igreja\u201d (246). Noutras palavras: Cristo chama. Vem e segue-me. Com coer\u00eancia e ra\u00edzes sadias&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cJ\u00e1 me aconteceu ver \u00e1rvores jovens, belas, que elevavam seus ramos sempre mais alto para o c\u00e9u; pareciam uma can\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a. Mais tarde, depois de uma tempestade, encontrei-as ca\u00eddas, sem vida\u201d. 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