{"id":48296,"date":"2019-04-15T14:58:30","date_gmt":"2019-04-15T17:58:30","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=48296"},"modified":"2019-04-15T14:58:30","modified_gmt":"2019-04-15T17:58:30","slug":"evangelho-na-china-catolicismo-entre-passado-e-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/evangelho-na-china-catolicismo-entre-passado-e-futuro\/","title":{"rendered":"Evangelho na China: catolicismo entre passado e futuro"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"article__title\"><\/h1>\n<div class=\"article__subTitle\">O cardeal Pietro Parolin \u00e9 o autor do pref\u00e1cio do livro escrito por Agostino Giovagnoli e Elena Giunipero \u201cO acordo entre a Santa S\u00e9 e a China. Catolicismo chin\u00eas entre passado e futuro\u201d, editado pela Urban University Press.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>Trata-se do primeiro texto dedicado ao Acordo Provis\u00f3rio de 22 de setembro de 2018 entre a Santa S\u00e9 e a Rep\u00fablica Popular da China. Na obra, a colet\u00e2nea de numerosos ensaios hist\u00f3ricos, jur\u00eddicos e pastorais escritos por estudiosos italianos e chineses e dedicados a este importante resultado de mais de quarenta anos de contatos entre a Santa S\u00e9 e a Rep\u00fablica Popular da China, voltados a resolver os dif\u00edceis problemas da Igreja Cat\u00f3lica na China.<\/p>\n<p>&#8220;Como \u00e9 sabido \u2013 afirma o cardeal Parolin \u2013 o <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/pont-messages\/2018\/documents\/papa-francesco_20180926_messaggio-cattolici-cinesi.html\" rel=\"external nofollow\">Acordo Provis\u00f3rio entre a Santa S\u00e9 e a Rep\u00fablica Popular da China<\/a> foi assinado em 22 de setembro de 2018, ap\u00f3s uma longa e ponderada negocia\u00e7\u00e3o. O Acordo \u00e9 fruto de uma gradual e rec\u00edproca aproxima\u00e7\u00e3o, que foi alcan\u00e7ada atrav\u00e9s de um di\u00e1logo que durou muitos anos e marca, portanto, uma passagem relevante na longa hist\u00f3ria que o precedeu e que, esperamos, o seguir\u00e1 &#8221; .<\/p>\n<h2>O respeito pela cultura chinesa desempenhou um papel preponderante na longa hist\u00f3ria entre a Igreja e a China<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;Um dos primeiros livros escritos por Matteo Ricci em chin\u00eas foi o tratado \u201cDe amicitia\u201d e com alguns de seus disc\u00edpulos chineses criou-se realmente uma profunda amizade, como com Xu Guangqi, Li Zhizhao e Yang Tingyun, que mais tarde se tornaram os&#8221; pilares &#8220;de Igreja Chinesa. Foram precisamente esses &#8220;pilares&#8221; &#8211; sublinha ele &#8211; que promoveram uma incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 que, sozinhos, os mission\u00e1rios por si s\u00f3 n\u00e3o poderiam ter realizado com tanta amplitude, profundidade e credibilidade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 apenas um exemplo das ra\u00edzes dessa &#8216;siniza\u00e7\u00e3o&#8217; do cristianismo &#8211; observa o purpurado \u2013 que constitui tamb\u00e9m hoje um dos muitos desafios que interpelam a Igreja na China, em conson\u00e2ncia com o que foi chamado antes do Conc\u00edlio Vaticano II de &#8220;adapta\u00e7\u00e3o&#8221;, e que mais tarde foi referido como &#8216;incultura\u00e7\u00e3o&#8217;\u201d.<\/p>\n<h2>Por uma nova rela\u00e7\u00e3o com a Igreja universal<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;\u00c9 sabido de todos que, embora animados por uma vontade de servi\u00e7o eclesial \u00e0s popula\u00e7\u00f5es locais, entre os s\u00e9culos XIX e XX, todavia, as miss\u00f5es cat\u00f3licas foram tamb\u00e9m condicionadas pelas problem\u00e1ticas ligadas ao colonialismo europeu.<\/p>\n<p>Com Bento XV \u2013 recorda o cardeal Parolin \u2013 afirmou-se uma decidida supera\u00e7\u00e3o de tal abordagem&#8221;. &#8220;A Igreja Cat\u00f3lica e a sua presen\u00e7a no mundo sofreram pesados condicionamentos durante a Guerra Fria. No contexto das tens\u00f5es internacionais com a Nova China, iniciou-se um per\u00edodo dif\u00edcil para a Igreja no pa\u00eds, per\u00edodo que produziu profundas lacera\u00e7\u00f5es, determinando tamb\u00e9m o recurso \u00e0 clandestinidade para salvaguardar a exist\u00eancia de diversas comunidades cat\u00f3licas locais.<\/p>\n<p>Durante aquele tempo &#8211; recordou o Secret\u00e1rio de Estado do Vaticano \u2013 a muitos bispos, presb\u00edteros, religiosos e leigos foi pedido dar a raz\u00e3o de sua f\u00e9 por meio da prova\u00e7\u00e3o de um testemunho sofrido, em n\u00e3o poucos casos com o dom da pr\u00f3pria vida por Cristo e pela Igreja\u201d.<\/p>\n<h2>O Acordo Provis\u00f3rio estabelece uma metodologia precisa entre as Partes, a do di\u00e1logo<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;\u00c9, de fato, gra\u00e7as a um tenaz desejo de di\u00e1logo que, ap\u00f3s um longo caminho, foi poss\u00edvel superar obst\u00e1culos, oposi\u00e7\u00e3o e incompreens\u00f5es&#8221;. &#8220;Isso permitiu chegar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual em que todos os bispos cat\u00f3licos da China est\u00e3o em plena comunh\u00e3o com o Sucessor de Pedro e receberam dele as responsabilidades pastorais que exercem. Tratando da quest\u00e3o da nomea\u00e7\u00e3o dos bispos &#8211; sublinha o cardeal Parolin &#8211; o Acordo estabeleceu as premissas para dar novo impulso pastoral \u00e0 Igreja na China e \u00e0 sua obra evangelizadora&#8221;.<\/p>\n<h2>O acordo n\u00e3o \u00e9 ponto de chegada, mas de partida<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;Como j\u00e1 enfatizei em outras ocasi\u00f5es, trata-se n\u00e3o de um ponto de chegada, mas sim de um ponto de partida, especialmente no que diz respeito \u00e0 supera\u00e7\u00e3o definitiva das lacera\u00e7\u00f5es dolorosas herdadas do passado. O desejo da S\u00e9 Apost\u00f3lica \u00e9 que, para o A Igreja Cat\u00f3lica na China, se abra agora a possibilidade de viver uma maior comunh\u00e3o com a Igreja universal e se inaugure um espa\u00e7o de progressiva normalidade para testemunhar a alegria da f\u00e9 na terra de Conf\u00facio. A participa\u00e7\u00e3o de dois bispos da China Continental no S\u00ednodo dos Jovens, convocado pelo Papa Francisco para outubro de 2018 \u2013 observa o cardeal Parolin no pref\u00e1cio do livro &#8211; representou um sinal eloquente&#8221;.<\/p>\n<h2>Entre as finalidades do Acordo, favorecer a colabora\u00e7\u00e3o entre as duas partes<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;O Acordo Provis\u00f3rio entre a Santa S\u00e9 e a Rep\u00fablica Popular da China, tem entre suas finalidade tamb\u00e9m a de favorecer a colabora\u00e7\u00e3o entre as duas Partes, antes de tudo no campo da paz mundial e da coopera\u00e7\u00e3o internacional&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Como outras vezes no passado &#8211; recorda o purpurado &#8211; tamb\u00e9m hoje os problemas, os questionamentos e as solicita\u00e7\u00f5es que v\u00eam da China interrogam toda a Igreja Cat\u00f3lica e induzem a aprofundar o tema da unidade de toda a fam\u00edlia humana, sobre o qual o Magist\u00e9rio dos Pont\u00edfices expressou-se diversas vezes durante o s\u00e9culo XX e que encontrou novos acentos na rela\u00e7\u00e3o, sublinhada pelo Papa Francisco durante a viagem aos Emirados \u00c1rabes Unidos, com o tema da fraternidade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;No caso chin\u00eas, por se tratar de um di\u00e1logo entre sujeitos soberanos e independentes, levou \u00e0 formaliza\u00e7\u00e3o de um Ato jur\u00eddico, o Acordo, que compromete as duas Partes diante da comunidade internacional. A este respeito, n\u00e3o me parece necess\u00e1rio reiterar que este di\u00e1logo institucional foi conduzido pela Santa S\u00e9 em plena harmonia com as verdades de f\u00e9 professadas pela Igreja Cat\u00f3lica e em fiel continuidade com o ensinamento de todos os Predecessores do Papa Francisco&#8221;.<\/p>\n<h2>Uma perspectiva que indiretamente ilumina tamb\u00e9m o complexo problema da liberdade religiosa<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;A atitude da Santa S\u00e9 inspira-se na convic\u00e7\u00e3o de que &#8220;a liberdade religiosa [constitui] um direito fundamental do homem&#8221;. \u201cSabe-se no entanto \u2013 precisa o cardeal Parolin &#8211; que historicamente a aplica\u00e7\u00e3o deste direito, a cria\u00e7\u00e3o de normas para proteg\u00ea-lo, o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es para garanti-lo, quer no plano local como naquele internacional, sempre se depararam tamb\u00e9m com os diferentes comportamentos dos Estados nacionais e com a defesa de seus interesses econ\u00f4micos, pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos concretos. Consciente dos efeitos de uma mistura entre f\u00e9 e pol\u00edtica negativa para a credibilidade do pr\u00f3prio an\u00fancio do Evangelho, a Santa S\u00e9 moveu-se seguindo o ensinamento do Conc\u00edlio Vaticano II, pelo qual a Igreja \u00abem raz\u00e3o de seu of\u00edcio e da sua compet\u00eancia, n\u00e3o se identifica de nenhum modo com a comunidade pol\u00edtica e n\u00e3o est\u00e1 ligada a nenhum sistema pol\u00edtico\u00bb&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Bento XVI citou explicitamente estas palavras na <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/letters\/2007\/documents\/hf_ben-xvi_let_20070527_china.html\" rel=\"external nofollow\">Carta aos Cat\u00f3licos Chineses em 2007<\/a>, chegando nela \u00e0 conclus\u00e3o que \u00abportanto, tamb\u00e9m a Igreja Cat\u00f3lica que est\u00e1 na China tem a miss\u00e3o n\u00e3o mudar a estrutura ou a administra\u00e7\u00e3o do Estado, mas sim de anunciar aos homens o Cristo, Salvador do mundo\u00bb&#8221;.<\/p>\n<h2>Na China, a Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o espera nada por si mesma<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m no que diz respeito \u00e0 China &#8211; conclui no pref\u00e1cio o secret\u00e1rio de Estado do Vaticano &#8211; a Igreja se apresenta n\u00e3o na veste de quem pretende algo para si, mas naquela de quem pede a \u201cliberdade essencial\u201d para levar ao povo chin\u00eas o bem supremo do Evangelho, junto a tudo aquilo que vemos o outro ter necessidade quando olhamos para ele como um irm\u00e3o. E \u00e9 por isso que a Igreja Cat\u00f3lica na China j\u00e1 est\u00e1 comprometida em tantas atividades sociais e caritativas, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o aos mais pobres, e quer continuar neste caminho, sob a ins\u00edgnia da amizade&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cardeal Pietro Parolin \u00e9 o autor do pref\u00e1cio do livro escrito por Agostino Giovagnoli e Elena Giunipero \u201cO acordo entre a Santa S\u00e9 e a China. Catolicismo chin\u00eas entre passado e futuro\u201d, editado pela Urban University Press. 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