{"id":48277,"date":"2019-04-16T08:34:42","date_gmt":"2019-04-16T11:34:42","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=48277"},"modified":"2019-04-15T08:37:06","modified_gmt":"2019-04-15T11:37:06","slug":"encontros-e-desencontros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/encontros-e-desencontros\/","title":{"rendered":"Encontros e desencontros"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>&#8220;O vos omnes que transitis per viam, attendite et videte si est dolor, sicut dolor meus&#8221;\u00a0<\/em><\/strong>(Lamenta\u00e7\u00f5es de Jeremias, I, 12).<em>&#8220;\u00d3 v\u00f3s todos os que passais pelo caminho, dai aten\u00e7\u00e3o e vede se h\u00e1 dor semelhante \u00e0 minha dor&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos pontos da piedade popular mais ternos da Semana Santa, porque evoca ades\u00e3o total de Maria Sant\u00edssima ao projeto do Pai, \u00e9 o encontro da M\u00e3e Sant\u00edssima com o seu Filho Jesus, no caminho para o Calv\u00e1rio.<\/p>\n<p>Contemplemos, olhemos para Jesus carregando a cruz pelos nossos pecados. Nesta cena b\u00edblica que refazemos o gesto hist\u00f3rico estamos diante da M\u00e3e querida, esta M\u00e3e das Dores est\u00e1 aqui trazendo todas as nossas dores. Mas por que meus irm\u00e3os esse encontro? Essa trag\u00e9dia da cruz tem in\u00edcio com a hist\u00f3ria de Ad\u00e3o e Eva. A humanidade criada para amar, rompeu, na pessoa de Ad\u00e3o e Eva, com o Criador, comendo do fruto proibido. Da desobedi\u00eancia de Ad\u00e3o e Eva come\u00e7ou a trag\u00e9dia da hist\u00f3ria da humanidade, a\u00ed n\u00f3s observamos na fam\u00edlia o desencontro de Caim e Abel. Esse desencontro se espalhou por toda a hist\u00f3ria da humanidade e at\u00e9 hoje n\u00f3s presenciamos tantos desencontros, entre marido e mulher, entre pais e filhos&#8221;, n\u00e3o deixando de refletir a tantos desencontros que est\u00e3o, infelizmente, acontecendo em nossa cidade: enchentes, mortes, execu\u00e7\u00f5es, irm\u00e3os e irm\u00e3s nossas enlutados, desabrigados, mortes por desabamentos. Cada um querendo o melhor para si. Essa \u00e9 a origem da nossa hist\u00f3ria e deste encontro que ora estamos rememorando.<\/p>\n<p>Nesse encontro contemplamos a profunda comunh\u00e3o de amor entre m\u00e3e e filho. Na escura solid\u00e3o dos passos da Paix\u00e3o, a M\u00e3e das Dores, a bendita entre as mulheres, oferece ao seu Filho um b\u00e1lsamo de ternura. Aquela troca silenciosa de olhares \u00e9 eloquente, fala mais do que discursos e palavras. A dor do filho \u00e9 a dor da m\u00e3e. H\u00e1 algo que ningu\u00e9m repara, ningu\u00e9m presta aten\u00e7\u00e3o, apenas Jesus: cumpriu-se a profecia de Sime\u00e3o:\u00a0\u201cuma espada traspassar\u00e1 a tua alma\u201d\u00a0(Lc 2,35).\u00a0 S\u00e3o as tantas m\u00e3es que ajudam seus filhos a enfrentarem o Calv\u00e1rio: as m\u00e3es das dores de todas as esta\u00e7\u00f5es.\u00a0 M\u00e3es de filhos portadores de defici\u00eancia, enfermos, acidentados, prisioneiros, drogados&#8230;. Tantas delas pr\u00f3ximas de n\u00f3s. \u00d3 v\u00f3s m\u00e3es enlutadas dos funerais precoces, por causa de doen\u00e7as sem cura, por causa da viol\u00eancia urbana, por causa das nossas guerras: a guerra do tr\u00e2nsito e a guerra do narcotr\u00e1fico. Em tempo de guerra solid\u00e3o e dor se abra\u00e7am. Em tempo de guerra os pais sepultam os filhos.<\/p>\n<p>No calv\u00e1rio \u00e9 tudo t\u00e3o diferente, porque no corredor da morte, algazarras na terra, zombarias da multid\u00e3o, os estalidos das chicotadas e o choro das carpideiras. Eis o rosto machucado, ensanguentado, corpo torturado. \u00c9 bem diferente do rostinho do menino do pres\u00e9pio, do menino que corria das ruas de Nazar\u00e9 para o vosso colo e o colo de Jos\u00e9. Eis a Verbo criador desse mundo t\u00e3o imenso, agora sem ouro e sem incenso.<\/p>\n<p>\u00d3 Maria, que amamentastes, embalastes e que fizestes o Cristo falar, que fizestes Jesus caminhar!<\/p>\n<p>Contemplemos a imagem do\u00a0Senhor dos Passos, Salvador do mundo. Vamos suplicar ao Senhor dos Passos que nos salve da cultura da viol\u00eancia e da morte. Na Via sacra da vida podemos ser Maria, Cireneu, Ver\u00f4nica, Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia, o disc\u00edpulo amado&#8230; \u00c0s vezes somos o Cristo outras somos Pilatos. E como massa podemos fazer o papel da multid\u00e3o que faz dos flagelos, das quedas, dos a\u00e7oites, do sofrimento alheio, da morte &#8230; um espet\u00e1culo. A paix\u00e3o e a morte sangrenta de Cristo foram espet\u00e1culo para muita gente.<\/p>\n<p>Quantas pessoas, infelizmente, nos dias atuais s\u00e3o aqueles que continuam crucificando ao Senhor. Por isso, \u00e9 triste ver os que se dizem crist\u00e3o fazerem parte da turba que se diverte com a dor, com o sofrimento alheio, fazendo disso um espet\u00e1culo. Na sociedade do espet\u00e1culo o 5\u00ba mandamento &#8211; n\u00e3o matar &#8211; deixou de existir. A morte virou espet\u00e1culo para milh\u00f5es. Somos cumplices dessa cultura quando alimentamos nossos filhos com jogos violentos e filmes insanos. Quanto mais sangue melhor!<\/p>\n<p>\u00d3 fronte ensanguentada, de tanto opr\u00f3bio e de tanta dor. Vamos contemplar as feridas e o sangue da crueldade que fizeram com o Senhor. A gl\u00f3ria de Jesus refulge em toda terra, apesar da trai\u00e7\u00e3o de Judas e de muitos que n\u00e3o querem viver o Evangelho. N\u00e3o foi apenas S\u00e3o Pedro que o negou. N\u00e3o foram apenas os ap\u00f3stolos que o abandonaram. Todas as vezes que abandonamos ou pecamos estamos traindo e matando o Senhor.<\/p>\n<p>Que encontro doloroso! Que olhares de desola\u00e7\u00e3o! Maria v\u00ea seu Filho desfalecido e desfigurado e n\u00e3o Lhe pode valer. Jesus v\u00ea sua santa M\u00e3e aflita e desolada e n\u00e3o a pode consolar. N\u00e3o falam os l\u00e1bios&#8230; falam os cora\u00e7\u00f5es! Minha M\u00e3e, minha pobre M\u00e3e!!! &#8211; Meu Filho, meu querido Jesus!!! \u00d3 \u00fanico objeto de todas as pot\u00eancias de minha alma, demorai por um pouco, \u00f3 meu Filho t\u00e3o sanguinolento sacrif\u00edcio; concedei um pequeno al\u00edvio a esta angustiada m\u00e3e. Reparti comigo vossos pungentes tormentos. Deixai que eu coloque um pouco sobre meus ombros esse pesado madeiro, que tanto Vos oprime; dai-me licen\u00e7a, que eu afrouxe os la\u00e7os dessas tiranas cordas que Vos prendem e maltratam; consenti que eu ponha sobre minha cabe\u00e7a essa coroa de penetrantes espinhos, que faz jorrar torrentes de sangue sobre a Vossa ador\u00e1vel face!!!<\/p>\n<p>Cada um de n\u00f3s arqueja sob o peso da cruz que a Divina Provid\u00eancia lhe imp\u00f4s. E assim, gemendo e chorando seguimos o nosso caminho ao Calv\u00e1rio. As dores, as cruzes, as prova\u00e7\u00f5es desta vida temporal constituem nossa exist\u00eancia cotidiana. Procuramos a quem nos conforte, nos anime, nos console. Ah! como Jesus sentiu o peso do lenho e sua ignom\u00ednia. No entanto, levou-o com paci\u00eancia firme e sem queixas. Maria Sant\u00edssima fez o mesmo. Nossa Senhora das Dores aceita a vontade de Deus. D\u00e1 o seu &#8220;fiat&#8221; para ser a Corredentora. Une seu sacrif\u00edcio ao sacrif\u00edcio de seu Jesus. Sofre com Ele e por n\u00f3s. Id\u00eantica \u00e9 nossa tarefa. Avante, pois, com coragem e paci\u00eancia!!!<\/p>\n<p>O que, outrossim, nos faz ainda comparecer neste lugar \u00e9 o arrependimento, \u00e9 a tristeza. O arrependimento de nossos pecados; a tristeza por vermo-nos culpados diante de Jesus e de Maria Sant\u00edssima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vivemos tantos encontros com Jesus e desencontros com o Redentor: queremos ser de Jesus, pregar a sua Palavra, viver uma religi\u00e3o muitas vezes mais preocupada com o exterior do que com a convers\u00e3o profunda, mas n\u00e3o queremos viver a beleza e a liberdade do seu Evangelho.<\/p>\n<p>De nada adianta viver e celebrar a Semana Santa se n\u00e3o procuramos conformar o que falamos, dizemos e pensemos com uma vida verdadeiramente crist\u00e3. O clericalismo de quem, infelizmente, vive somente de apar\u00eancias negativas, de contratestemunhos e de julgamentos venenosos deve ser superado e viver a convers\u00e3o. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio repetir, a exaust\u00e3o o que pede o Papa Francisco, n\u00e3o s\u00f3 ao clero, mas a toda a comunidade eclesial: \u201csede pastores com o \u201ccheiro das ovelhas\u201d, que se sinta este \u2013, serem pastores no meio do seu rebanho e pescadores de homens\u201d.\u00a0 N\u00e3o se pede aos ministros sagrados viver de apar\u00eancia, mas conformar a sua vida ao que prega. O que se prega e se exige dos fi\u00e9is, em nome do Evangelho, deve ser vivido e testemunhado primeiro por aqueles que pregam. A unidade do presbit\u00e9rio ao seu Arcebispo \u00e9 ess\u00eancia do minist\u00e9rio ordenado. A mesma advert\u00eancia a um comportamento retil\u00edneo, a uma consci\u00eancia verdadeira, ao abandono da maldade, da fofoca cortante, da desagrega\u00e7\u00e3o vale para o clero e para todo o povo de Deus que deve procurar construir pontes e n\u00e3o viver carcomidos com os desencontros que n\u00e3o nos levam ao encontro com o Senhor! Que nosso comportamento e o nosso testemunho jamais seja para causar dor e sofrimento em Cristo e na M\u00e3e Igreja!<\/p>\n<p>Vamos caminhar com Jesus e com Maria, pelas ruas de nossa cidade, que necessita de tanta paz, na constru\u00e7\u00e3o da sociedade do amor e da fraternidade, com a viv\u00eancia da conc\u00f3rdia e da unidade em nome do Senhor, pedindo que Cristo nos traga dias melhores e que as cat\u00e1strofes sejam superadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O vos omnes que transitis per viam, attendite et videte si est dolor, sicut dolor meus&#8221;\u00a0(Lamenta\u00e7\u00f5es de Jeremias, I, 12).&#8220;\u00d3 v\u00f3s todos os que passais pelo caminho, dai aten\u00e7\u00e3o e vede se h\u00e1 dor semelhante \u00e0 minha dor&#8221;. &nbsp; Um dos pontos da piedade popular mais ternos da Semana Santa, porque evoca ades\u00e3o total de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":32777,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-48277","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48277"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48277\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48278,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48277\/revisions\/48278"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}