{"id":4823,"date":"2014-07-10T17:52:30","date_gmt":"2014-07-10T20:52:30","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/onde-nasce-o-sol\/"},"modified":"2017-04-06T09:50:15","modified_gmt":"2017-04-06T12:50:15","slug":"onde-nasce-o-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/onde-nasce-o-sol\/","title":{"rendered":"Onde nasce o sol"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"> Nestes dias participei em Erexim, minha terra natal, da festa de 50 anos de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal,\u00a0 do atual Bispo Em\u00e9rito daquela Diocese,\u00a0 Dom Gir\u00f4nimo Zanandrea.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <br \/> A data me proporcionou recuperar a mem\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 da festa de sua ordena\u00e7\u00e3o, h\u00e1 cinq\u00fcenta anos atr\u00e1s, mas de diversos outros epis\u00f3dios, tanto mais pitorescos, quanto mais antigos.<br \/> Em especial, lembrei-me do dia em partimos juntos, Dom Gir\u00f4nimo e eu,\u00a0 para o pr\u00e9-semin\u00e1rio de Frederico Westphalen, que naquele tempo ainda se chamava\u00a0 \u201cBarril\u201d. <br \/> Era em fevereiro de 1950. Portanto, no ano em que iria se realizar a copa do mundo aqui no Brasil.\u00a0 Assim se misturou a inc\u00f4moda lembran\u00e7a do \u201cmaracana\u00e7o\u201d, com o fiasco da sele\u00e7\u00e3o brasileira na atual copa do mundo, igualmente realizada no Brasil.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <br \/> Naquele fevereiro de 1950, embarcamos no \u00f4nibus que iria nos levar, naquele dia,\u00a0 at\u00e9 Ira\u00ed, de onde,\u00a0 no dia seguinte, prosseguir\u00edamos\u00a0 viagem at\u00e9 Barril. Naquele tempo se demorava dois dias, para fazer o trajeto que em condi\u00e7\u00f5es normais hoje se faz em quatro horas, no novo tra\u00e7ado das estradas. <br \/> Mas por coincid\u00eancia, em vista dos estragos feitos nas rodovias pelas enchentes que nestes dias atingiram\u00a0 o Estado do Rio Grande do Sul, para chegar a Erexim precisei passar pela antiga rodovia que naquele tempo demandava em dire\u00e7\u00e3o a Irai, passando pela reserva ind\u00edgena de Faxinalzinho, atravessando o Rio Passo Fundo na sua foz no Rio Uruguai. . <br \/> Fazia d\u00e9cadas que n\u00e3o passava mais por l\u00e1.\u00a0 Na verdade, o caminho, naquele tempo, fazia um ziguezague, indo primeiro em dire\u00e7\u00e3o norte, passando pelo porto de Goio-en, enveredando depois em dire\u00e7\u00e3o sul, passando por Nonoai,\u00a0 retomando em seguida a dire\u00e7\u00e3o norte, at\u00e9 chegar a Irai, de onde se retomava a dire\u00e7\u00e3o sul, at\u00e9 chegar a Frederico. <br \/> Pois foi este ziguezague das rodovias que me levou a uma experi\u00eancia pitoresca, que me fez incidir num erro geogr\u00e1fico, que levei muito tempo para desfazer.<br \/> Desde que embarquei no \u00f4nibus, fiquei atento para ir me situando. Como refer\u00eancia b\u00e1sica, guardei bem na mem\u00f3ria que do lado direito do \u00f4nibus, onde estava sentado, era o lado onde o sol nascia, como pude comprovar desde que embarquei. <br \/> Acontece que no segundo dia da viagem, o tempo fechou e choveu o dia inteiro.. E n\u00e3o pude ver o sol. Mas tinha a certeza que o nascente ficava \u00e0 minha direita.<br \/> A\u00ed morava o engano. Pois como, a partir de Ira\u00ed, a estrada seguia em dire\u00e7\u00e3o sul, eu continuei achando que o oriente estava \u00e0 minha direita. Ao passo que era, exatamente, o contr\u00e1rio. Assim foi que, ao chegar ao local de destino, no semin\u00e1rio de Frederico, marquei bem os pontos cardeais, em especial o lado do sol nascente.<br \/> Mas qual n\u00e3o foi minha surpresa, no dia seguinte, ao constatar que o sol nascia do lado oposto. Fiquei impressionado. E tomei como refer\u00eancia este fato surpreendente: em Frederico, o sol nascia do outro lado!<br \/> Ainda lembro da primeira carta que escrevi aos familiares. Contei que \u201cem Frederico era tudo, mais ou menos, a mesma coisa.\u00a0 S\u00f3 o sol nascia do outro lado!\u201d<br \/> Levei tempo at\u00e9 me desfazer deste equ\u00edvoco.\u00a0 <br \/> Agora, depois de sessenta e tantos anos, quando est\u00e1 na hora de olhar mais para o ocaso do que para o nascente, come\u00e7o a entender melhor o simbolismo daquele engano inicial. A t\u00eanue luz da F\u00e9, e o brilho luminoso da Escritura, me garantem que eu estava certo. <br \/> Pois na verdade, l\u00e1 onde fica o nosso ocaso humano, \u00e9 o lugar onde aparece \u201cO Sol nascente, que ilumina todo o homem que vem a este mundo\u201d.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <br \/> H\u00e1 outro Sol, que, n\u00e3o por acaso, come\u00e7a a brilhar l\u00e1 onde acontece o ocaso natural de nossa vida. O Apocalipse nos garante que \u201ca nova Jerusal\u00e9m n\u00e3o precisa de sol nem de lua, pois a gl\u00f3ria de Deus ser\u00e1 sua luz, e o Cordeiro ser\u00e1 sua l\u00e2mpada\u201d..<br \/> A partir deste novo Sol, as estradas da vida tomam seu rumo verdadeiro!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nestes dias participei em Erexim, minha terra natal, da festa de 50 anos de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal,\u00a0 do atual Bispo Em\u00e9rito daquela Diocese,\u00a0 Dom Gir\u00f4nimo Zanandrea.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A data me proporcionou recuperar a mem\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 da festa de sua ordena\u00e7\u00e3o, h\u00e1 cinq\u00fcenta anos atr\u00e1s, mas de diversos outros epis\u00f3dios, tanto mais pitorescos, quanto mais antigos. 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