{"id":48215,"date":"2019-04-13T08:00:28","date_gmt":"2019-04-13T11:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=48215"},"modified":"2019-04-11T13:47:48","modified_gmt":"2019-04-11T16:47:48","slug":"obediente-ate-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/obediente-ate-a-morte\/","title":{"rendered":"Obediente at\u00e9 a morte"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Chegamos \u00e0 Semana Santa! Num mundo complexo e inst\u00e1vel em que vivemos, o amor e a miseric\u00f3rdia de Deus, celebrados e meditados de maneira t\u00e3o viva nesta semana, apresentam-se como rocha firme, porto seguro em meio \u00e0 liquidez das nossas rela\u00e7\u00f5es e a nossas conting\u00eancias essenciais.\u00a0 Que nossas celebra\u00e7\u00f5es sejam an\u00fancios de que temos um salvador que nos conhece, caminha conosco e que queremos caminhar com ele, principalmente em meio a tantas situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a, incompreens\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e medo. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Neste Domingo de Ramos e da paix\u00e3o, temos dois aspectos que podem ser destacados para uma melhor viv\u00eancia desta celebra\u00e7\u00e3o: o primeiro \u00e9 a proclama\u00e7\u00e3o de Cristo como Senhor e Rei, mostrando nosso desejo de levar o senhorio do Senhor para nossas vidas e permanecer fi\u00e9is a ele em todos os momentos. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O segundo aspecto seria aquele manifesto na leitura participada da paix\u00e3o: uma maneira concreta de levar a todos os que participam da celebra\u00e7\u00e3o a esta caminhada com Jesus, a refazer com Ele os passos de sua paix\u00e3o e assim ir experimentando o Senhor que deu a vida por n\u00f3s. Somos chamados a fazer um memorial. N\u00e3o somente uma recorda\u00e7\u00e3o de passos passados, mas uma atualiza\u00e7\u00e3o dos fatos celebrados em nossa vida de f\u00e9. <\/strong><\/p>\n<p><strong>A b\u00ean\u00e7\u00e3o e a prociss\u00e3o de Ramos (<\/strong><strong>Lc 19, 28-40<\/strong><strong>): n\u00e3o tenhamos medo de proclamar em nossa exist\u00eancia Jesus como Senhor. Quanto mais contradi\u00e7\u00f5es tenhamos que enfrentar tanto mais estas nos fortale\u00e7am em nosso caminho de Ressurei\u00e7\u00e3o e vida nova que o senhor nos oferece. Jesus \u00e9 saudado como o Rei de Israel, novo Davi, Messias que chega \u00e0 Cidade de Davi! E Jesus, de fato, \u00e9 Rei, \u00e9 Messias! A festa \u00e9, em certo sentido, uma festa de Cristo Rei, Rei-Messias! \u00c9 uma festa de exulta\u00e7\u00e3o! Mas, estejamos atentos: Ele entra na Cidade Santa montado n\u00e3o num cavalo, que simboliza poder e for\u00e7a, mas entra num jumentinho, usado pelos pobres nos servi\u00e7os mais humildes e duros. Isto tem muito a nos dizer: Jesus \u00e9 o Messias, mas um messias pobre, um messias servo, que \u201c<\/strong><strong>n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos<\/strong><strong>\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A primeira leitura da missa (<\/strong><strong>Is 50, 4-7<\/strong><strong>, \u00e9 um dos chamados C\u00e2nticos do Servo, que ser\u00e3o lidos nas primeiras leituras desta semana santa. A profecia fala de um personagem singular, identificado como servo de Deus, querido por ele, predileto, e que \u00e9 escolhido para realizar o plano especial de Deus. Mas esta miss\u00e3o \u00e9 apresentada com um fato quase que contradit\u00f3rio: tais planos h\u00e3o de passar pelo sofrimento do servo: <\/strong>Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; n\u00e3o desviei o rosto de bofet\u00f5es e cusparadas. Mas o servo n\u00e3o se abate por estar fortalecido em sua confian\u00e7a no Senhor: Mas o Senhor Deus \u00e9 meu Auxiliador, por isso n\u00e3o me deixei abater o \u00e2nimo. Tal personagem n\u00e3o teve correspondente dentro da hist\u00f3ria de Israel, de tal forma que a leitura cristol\u00f3gica desta passagem seria a mais adequada para reconhecer a grandeza de seu significado. Deus se entrega para sofrer pelas m\u00e3os dos homens, mas permanece firme, porque confia no Senhor.<\/p>\n<p>O salmo de resposta (<strong>Sl 21\/22<\/strong>) a esta profecia, o sofrimento pessoal do orante vem relatado com imagens t\u00e3o vivas que fazem deste salmo uma das ora\u00e7\u00f5es de s\u00faplica mais importantes do salt\u00e9rio. Nosso Senhor pronunciou as primeiras palavras deste salmo quando estava cravado na cruz, manifestando que faria seus os sentimentos de confian\u00e7a em Deus que est\u00e3o contidos nesta ora\u00e7\u00e3o. Tal salmo adquire um valor extraordin\u00e1rio quando podemos ver nele prefigurados os sentimentos de Jesus. N\u00e3o sabemos o porqu\u00ea o ser humano sofre. A resposta que o cristianismo d\u00e1 \u00e9 a de Cristo que sofreu como n\u00f3s e sofre conosco. Todo o sofrimento do mundo est\u00e1 representado no sofrimento de Cristo, o servo sofredor.<\/p>\n<p><strong>Na segunda leitura (<\/strong><strong>Fl 2, 6-11<\/strong><strong>), contemplamos um dos hinos mais importantes e mais antigos proclamado pelo cristianismo. Este hino cristol\u00f3gico, de valor \u00fanico, proclama e canta a <\/strong><strong>kenosis, <\/strong><strong>o mist\u00e9rio do rebaixamento do Filho de Deus, seguindo o esquema descendente\/ascendente da Divindade, humilha\u00e7\u00e3o e exalta\u00e7\u00e3o. Paulo, tendo presente a divindade de Cristo, centra sua aten\u00e7\u00e3o na morte de cruz como exemplo supremo de humildade de obedi\u00eancia. O Rei dos reis se rebaixa e se reveste da forma da nossa escravid\u00e3o, para assim nos tornar livres. <\/strong><\/p>\n<p><strong>No Evangelho temos o primeiro relato da paix\u00e3o da semana santa, contado segundo a vis\u00e3o de Lucas (<\/strong><strong>Lc 23, 1-49<\/strong><strong>). Este relato mais breve, mas mais dram\u00e1tico que os de Mateus e Marcos, vai preparando a narrativa de Jo\u00e3o na sexta-feira santa. Logo nos chama a aten\u00e7\u00e3o a sabedoria da Liturgia da Igreja, ao colocar a oportunidade de que esta proclama\u00e7\u00e3o seja compartilhada com toda a assembleia, mostrando que a paix\u00e3o de Cristo \u00e9 um resumo da vida do homem sobre a terra; que todos temos lugar ante o epis\u00f3dio da paix\u00e3o de Cristo e que a hist\u00f3ria da paix\u00e3o de Cristo \u00e9 modelo e luz para nossa hist\u00f3ria. Jesus ante a indiferen\u00e7a de Pilatos e Herodes, caminhando para o calv\u00e1rio, sendo crucificado, sujeito \u00e0 zombarias e ultrajes, o perd\u00e3o do bom ladr\u00e3o, a confiss\u00e3o de f\u00e9 do centuri\u00e3o s\u00e3o alguns dos epis\u00f3dios que nos s\u00e3o narrados. A conduta de Jesus \u00e9 apresentada como exemplo para todo o crist\u00e3o: provoca a admira\u00e7\u00e3o do centuri\u00e3o, a contri\u00e7\u00e3o da multid\u00e3o, mostra miseric\u00f3rdia e perd\u00e3o ao consolar as mulheres, ao perdoar os que v\u00e3o mata-lo e ao abrir as portas do para\u00edso ao bom ladr\u00e3o. O papa Jo\u00e3o Paulo II assim comentava: <\/strong><strong>O perd\u00e3o mostra que no mundo est\u00e1 o amor mais forte que o pecado. O perd\u00e3o \u00e9 ainda a condi\u00e7\u00e3o fundamental da reconcilia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 na rela\u00e7\u00e3o Deus\/homem, mas tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es entre os homens.<\/strong><\/p>\n<p><strong>No Domingo de Ramos, quando comemoramos tamb\u00e9m a Jornada Diocesana da Juventude (em nossa Arquidiocese o fazemos no s\u00e1bado anterior ao domingo de Ramos), queremos caminhar com Jesus at\u00e9 o Calv\u00e1rio e Ressuscitar com Ele para a vida plena. \u00c9 o dia tamb\u00e9m da Coleta Nacional da Solidariedade quando o fruto de nossas penit\u00eancias quaresmais vai ser compartilhado com tantos irm\u00e3os em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e que necessitam de pol\u00edticas p\u00fablicas para viverem com dignidade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vamos participar, piedosamente, de todas as celebra\u00e7\u00f5es da Semana Santa.\u00a0 N\u00f3s somos chamados a escolher com que atitude queremos entrar na hist\u00f3ria da Paix\u00e3o de Cristo: com a atitude de Cirineu, que se coloca ao lado de Jesus, ombro a ombro, para carregar com Ele o peso da cruz; com a atitude das mulheres que choram, do centuri\u00e3o que bate no peito, e de Maria que fica silenciosa ao p\u00e9 da cruz; ou se queremos entrar com a atitude de Judas, de Pedro, de Pilatos e daqueles que \u201colham de longe\u201d para ver como ir\u00e1 terminar aquele epis\u00f3dio. Toda nossa vida \u00e9, em certo sentido, uma \u201csemana santa\u201d se a vivemos com coragem e f\u00e9, na espera do \u201coitavo dia\u201d, que \u00e9 o grande Domingo do repouso e da gl\u00f3ria eterna.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Chegamos \u00e0 Semana Santa! 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