{"id":48088,"date":"2019-04-08T11:21:53","date_gmt":"2019-04-08T14:21:53","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=48088"},"modified":"2019-04-08T11:21:53","modified_gmt":"2019-04-08T14:21:53","slug":"ruanda-comemora-os-25-anos-do-fim-do-genocidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ruanda-comemora-os-25-anos-do-fim-do-genocidio\/","title":{"rendered":"Ruanda comemora os 25 anos do fim do genoc\u00eddio"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Pelo menos 800 mil pessoas morreram nos cem dias entre 6 de abril e 7 de julho de 1994. Padre Giulio Albanese: o que aconteceu no Ruanda n\u00e3o se pode repetir.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Michele Raviart, Silvonei Jos\u00e9 &#8211; Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Pe\u00e7o a voc\u00eas que n\u00e3o cedam aos sentimentos de \u00f3dio e de vingan\u00e7a, mas que pratiquem corajosamente o di\u00e1logo e o perd\u00e3o&#8221; e rezo para que, &#8220;nesta fase tr\u00e1gica da vida da sua na\u00e7\u00e3o, todos sejam construtores de amor e de paz&#8221;. Dessa maneira o Papa Jo\u00e3o Paulo II dirigiu-se, em 8 de abril de 1994, aos bispos e fi\u00e9is do Ruanda, dois dias ap\u00f3s da queda do avi\u00e3o em que voavam o presidente do pa\u00eds Juv\u00e9nai Habyarimana e o do Burundi Cyprien Ntaryamira, ambos da etnia Hutu.<\/p>\n<h2>\u00d3dio contra os Tutsis<\/h2>\n<p>O epis\u00f3dio fez explodir tens\u00f5es com o grupo \u00e9tnico minorit\u00e1rio Tutsi, fomentada durante d\u00e9cadas pelo colonialismo europeu e foi o in\u00edcio do genoc\u00eddio em Ruanda. Cem dias de massacres com machados contra os Tutsis, acusados do ataque e contra muitos Hutus. Pelo menos 800 mil pessoas foram mortas por grupos paramilitares Hutus com o apoio do ex\u00e9rcito, no que foi o maior genoc\u00eddio do s\u00e9culo 20 depois da Shoah.<\/p>\n<h2>Um pa\u00eds crist\u00e3o sacrificado ao ego\u00edsmo humano<\/h2>\n<p>&#8220;Creio que \u00e9 necess\u00e1rio, antes de tudo, tomar consci\u00eancia de que o que aconteceu se refere a um pa\u00eds que h\u00e1 25 anos tinha uma popula\u00e7\u00e3o de 65% de cat\u00f3licos e 15% de protestantes, de modo que tudo isso aconteceu em uma na\u00e7\u00e3o de esmagadora maioria crist\u00e3&#8221;, afirma padre Giulio Albanese, diretor das revistas das Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias. &#8220;Por isso \u00e9 preciso fazer um bom discernimento: ainda mais pelo fato de que foi claramente negado o amor, o afeto pelo sacrossanto valor da vida. Tanta humanidade ferida foi realmente sacrificada no altar do ego\u00edsmo humano&#8221;.<\/p>\n<h2>Cem dias de luto nacional<\/h2>\n<p>Neste \u00faltimo domingo, dia 7 de abril, 25 anos depois, Ruanda recordou a trag\u00e9dia, que ainda marca de forma indel\u00e9vel a coexist\u00eancia no pa\u00eds. O Presidente Paul Kagame, cuja entrada em Kigali em 4 de julho de 1994 como chefe dos rebeldes da FPR marcou o fim oficial do massacre, anunciou cem dias de luto nacional e numerosas iniciativas de reflex\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o, particularmente significativas num pa\u00eds em que 7 dos 12 milh\u00f5es de habitantes n\u00e3o tinham ainda nascido no momento do genoc\u00eddio: &#8220;Talvez nunca como hoje seja importante ajudar o povo ruand\u00eas a compreender que tem realmente um destino comum e que \u00e9 preciso ir al\u00e9m das rivalidades. Creio que o futuro, deste ponto de vista, esteja realmente nas m\u00e3os das novas gera\u00e7\u00f5es&#8221;, reitera padre Albanese.<\/p>\n<h2>O longo caminho em dire\u00e7\u00e3o da reconcilia\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>&#8220;O perd\u00e3o das ofensas e a reconcilia\u00e7\u00e3o aut\u00eantica, que poderiam parecer imposs\u00edveis aos olhos humanos depois de tanto sofrimento, s\u00e3o, no entanto, um dom que \u00e9 poss\u00edvel receber de Cristo, atrav\u00e9s da vida de f\u00e9 e de ora\u00e7\u00e3o, mesmo se o caminho \u00e9 longo e requer paci\u00eancia, respeito m\u00fatuo e di\u00e1logo&#8221;, disse o Papa Francisco aos bispos ruandeses em visita <i>ad limina<\/i> h\u00e1 cinco anos, e muitos passos para a reconcilia\u00e7\u00e3o foram dados nestes anos. Seis, por exemplo, s\u00e3o as chamadas &#8220;aldeias da reconcilia\u00e7\u00e3o&#8221;, onde as v\u00edtimas e os carrascos vivem juntos. Foram tamb\u00e9m dados muitos passos para recuperar a rela\u00e7\u00e3o de Ruanda com a comunidade internacional, que, naquele per\u00edodo, ficou indiferente e se moveu muito tarde para p\u00f4r fim ao massacre. Pela primeira vez, de fato, foi convidado para a comemora\u00e7\u00e3o de Kigali o presidente franc\u00eas Emmanuel Macron, que embora n\u00e3o estando presente, decidiu abrir aos hist\u00f3ricos os arquivos franceses sobre o pa\u00eds africano no per\u00edodo de 1990 a 1994.<\/p>\n<h2>As consequ\u00eancias<\/h2>\n<p>\u00c9 claro que o que aconteceu em Ruanda n\u00e3o pode se repetir&#8221;, afirma o padre Albanese. &#8220;\u00c9 tamb\u00e9m importante que, do ponto de vista historiogr\u00e1fico, tenhamos a honestidade de compreender que o genoc\u00eddio n\u00e3o \u00e9 algo entre 6 de abril de 1994 e julho do mesmo ano: infelizmente os massacres e assassinatos continuaram pelo menos at\u00e9 1997, se n\u00e3o mais al\u00e9m, na vizinha Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, onde houve uma indiscrit\u00edvel mobilidade humana de refugiados Hutus. E, infelizmente, tamb\u00e9m ali ocorreram massacres, houve valas comuns. \u00c9 importante entender que precisamos ir al\u00e9m das rivalidades, devemos tomar consci\u00eancia do fato que, em todo caso, precisamos ter uma atitude de grande toler\u00e2ncia, de grande respeito diante de qualquer forma de alteridade&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos 800 mil pessoas morreram nos cem dias entre 6 de abril e 7 de julho de 1994. Padre Giulio Albanese: o que aconteceu no Ruanda n\u00e3o se pode repetir. Michele Raviart, Silvonei Jos\u00e9 &#8211; Cidade do Vaticano &#8220;Pe\u00e7o a voc\u00eas que n\u00e3o cedam aos sentimentos de \u00f3dio e de vingan\u00e7a, mas que pratiquem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":48089,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-48088","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48088"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48088\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48090,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48088\/revisions\/48090"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}