{"id":47998,"date":"2019-04-04T08:40:55","date_gmt":"2019-04-04T11:40:55","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47998"},"modified":"2019-04-04T08:40:55","modified_gmt":"2019-04-04T11:40:55","slug":"a-amazonia-nao-comemora-regime-genocida-afirma-comite-estadual-de-direito-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-amazonia-nao-comemora-regime-genocida-afirma-comite-estadual-de-direito-a-verdade\/","title":{"rendered":"\u201cA Amaz\u00f4nia n\u00e3o comemora regime genocida\u201d, afirma Comit\u00ea Estadual de Direito \u00e0 Verdade"},"content":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea Estadual de Direito \u00e0 Verdade, \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Justi\u00e7a do Amazonas divulgou uma nota repudiando a ordem de celebra\u00e7\u00e3o do dia 31 de mar\u00e7o de 1964 e reafirmando o compromisso com a verdade. No texto, ele cita o caso de genoc\u00eddio cometido contra o povo Waimiri-Atroari, que foi reduzido a 332 pessoas durante a constru\u00e7\u00e3o da BR-174. Apesar do caso Waimiri-Atroari ser o mais bem documentado, ele n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico.<\/p>\n<p>Em 2013 a Ag\u00eancia P\u00fablica publicou <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2013\/06\/ditadura-criou-cadeias-para-indios-trabalhos-forcados-torturas\/?fbclid=IwAR3bkFPQYmZVdIXL_iDUG8njAjDN1U9tJe_sJp9ZUKoXn8pSmb-Zsr8SEKA\">uma reportagem sobre os trabalhos for\u00e7ados e torturas impostos a v\u00e1rios povos ind\u00edgenas durante o regime militar<\/a>. J\u00e1 em 2015 <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2015\/08\/37566\/\">os Kanela Ap\u00e3njekra relataram ao Supremo Tribunal Federal<\/a> o massacre sofrido durante a ditadura. \u201cOs genoc\u00eddios, as torturas, os assassinatos e os sequestros s\u00e3o alguns dos crimes contra a humanidade cometidos pela ditadura militar. Portanto, o Estado brasileiro n\u00e3o tem qualquer motivo para festejar essa data\u201d.<\/p>\n<p>Leia a nota na \u00edntegra abaixo:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"nota\">\n<p><strong>A Amaz\u00f4nia n\u00e3o comemora regime genocida<\/strong><\/p>\n<p>Uma das principais marcas das ditaduras no mundo \u00e9 a pol\u00edtica genocida. Com a ditadura militar instalada no Brasil em 1964 n\u00e3o foi diferente. Ela deixou marcas profundas na Amaz\u00f4nia. A mais terr\u00edvel dessas marcas foi o genoc\u00eddio cometido contra povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Percebendo a necessidade de revelar essa hist\u00f3ria da ditadura militar no Brasil, para que nunca mais se repita, o Comit\u00ea Estadual de Direito \u00e0 Verdade, \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Justi\u00e7a do Amazonas pesquisou e publicou um relat\u00f3rio sobre o genoc\u00eddio cometido contra o povo Waimiri-Atroari.<\/p>\n<p>Durante a constru\u00e7\u00e3o da BR-174, os Waimiri-Atroari foram trucidados. Com uso do aparato militar dispon\u00edvel na \u00e9poca, o povo Waimiri-Atroari sofreu massacres que o reduziu a apenas 332 pessoas, a maioria jovens e crian\u00e7as. Esse senso realizado em 1982, pelo pesquisador Stephen Baines, corresponde a somente 13% do que as estimativas oficiais da FUNAI indicavam no in\u00edcio dos trabalhos de constru\u00e7\u00e3o da rodovia.<\/p>\n<p>Para entender o que ocorreu naquele per\u00edodo, o Comit\u00ea levantou depoimentos de ind\u00edgenas, trabalhadores da rodovia, militares, servidores da Funai, pesquisadores e uma extensa lista de documentos que n\u00e3o deixam d\u00favidas sobre a pr\u00e1tica genocida do governo ditatorial contra os Waimiri-Atroari.<\/p>\n<p>O caso Waimiri-Atroari \u00e9 o mais bem documentado dessa hist\u00f3ria genocida da ditadura militar. Casos semelhantes, entretanto, ocorreram com outros povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Os genoc\u00eddios, as torturas, os assassinatos e os sequestros s\u00e3o alguns dos crimes contra a humanidade cometidos pela ditadura militar. Portanto, o Estado brasileiro n\u00e3o tem qualquer motivo para festejar essa data.<\/p>\n<p>\u00c9 com muita preocupa\u00e7\u00e3o que o Comit\u00ea Estadual de Direito \u00e0 Verdade, \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Justi\u00e7a do Amazonas enxerga a iniciativa do presidente da rep\u00fablica expressa na \u201cOrdem do Dia Alusiva ao 31 de mar\u00e7o de 1964\u201d. Celebrar a passagem do anivers\u00e1rio desse regime ditatorial \u00e9 incompat\u00edvel com as garantias impostas pela Constitui\u00e7\u00e3o federal de 1988.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea Estadual de Direito \u00e0 Verdade, \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Justi\u00e7a do Amazonas reafirma seu compromisso com a hist\u00f3ria e repudia a iniciativa desse governo em celebrar esse data que representa tanto sofrimento aos povos desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para que nunca mais se repita.<\/p>\n<p>Manaus, 31 de mar\u00e7o de 2019.<\/p>\n<p>Comit\u00ea Estadual de Direito \u00e0 Verdade, \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Justi\u00e7a do Amazonas<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea Estadual de Direito \u00e0 Verdade, \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Justi\u00e7a do Amazonas divulgou uma nota repudiando a ordem de celebra\u00e7\u00e3o do dia 31 de mar\u00e7o de 1964 e reafirmando o compromisso com a verdade. 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