{"id":47923,"date":"2019-04-02T09:19:54","date_gmt":"2019-04-02T12:19:54","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47923"},"modified":"2019-04-02T09:19:54","modified_gmt":"2019-04-02T12:19:54","slug":"exortacao-christus-vivit-sintese-ampla-e-texto-integral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/exortacao-christus-vivit-sintese-ampla-e-texto-integral\/","title":{"rendered":"Exorta\u00e7\u00e3o &#8220;Christus vivit&#8221;: s\u00edntese ampla e texto integral"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Publicamos uma ampla s\u00edntese com o link ao texto integral da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica do Papa Francisco, fruto do S\u00ednodo dos jovens realizado em outubro de 2018<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><i>\u00abCristo vive: \u00e9 Ele a nossa esperan\u00e7a e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem crist\u00e3o, s\u00e3o estas: Ele vive e quer-te vivo!\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>Assim come\u00e7a a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal &#8220;Christus vivit&#8221; (<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20190325_christus-vivit.html\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener noreferrer\">Texto integral<\/a>) de Francisco, assinada segunda-feira, 25 de mar\u00e7o, na Santa Casa de Loreto, e dirigida \u00ab<i>aos jovens e a todo o povo de Deus<\/i>\u00bb. No documento, composto <b>por nove cap\u00edtulos divididos em 299 par\u00e1grafos<\/b>, o Papa explica que se deixou <i>\u00a0<\/i>\u00ab<i>inspirar pela riqueza das reflex\u00f5es e di\u00e1logos do S\u00ednodo dos jovens<\/i>\u00bb, celebrado no Vaticano em outubro de 2018.<\/p>\n<h2><b><i>Primeiro cap\u00edtulo<\/i>: \u00abQue diz a Palavra de Deus sobre os jovens?\u00bb<\/b><\/h2>\n<p>Francisco recorda que \u00ab <i>numa \u00e9poca em que os jovens contavam pouco, alguns textos mostram que Deus v\u00ea com olhos diferentes<\/i>\u00bb (6) e apresenta brevemente figuras de jovens do Antigo Testamento: Jos\u00e9, Gede\u00e3o (7), Samuel (8), o rei David (9), Salom\u00e3o e Jeremias (10), a jovem serva hebreia de Naaman e a jovem Rute (11). Depois passa para o Novo Testamento. O Papa recorda que \u00ab<i>Jesus, o eternamente jovem, quer dar-nos um cora\u00e7\u00e3o sempre jovem<\/i>\u00bb (13) e acrescenta: \u00ab<i>Notemos que Jesus n\u00e3o gostava que os adultos olhassem com desprezo para os mais jovens ou os mantivessem, despoticamente, ao seu servi\u00e7o. Pelo contr\u00e1rio, pedia: \u201cO que for maior entre v\u00f3s seja como o menor\u201d (Lc 22, 26). Para Ele, a idade n\u00e3o estabelecia privil\u00e9gios; e o facto de algu\u00e9m ter menos anos n\u00e3o significava que valesse menos ou tivesse menor dignidade<\/i>\u00bb. Francisco afirma: \u00ab<i>Nunca nos arrependeremos de gastar a pr\u00f3pria juventude a fazer o bem, abrindo o cora\u00e7\u00e3o ao Senhor e vivendo contracorrente<\/i>\u00bb (17).<\/p>\n<h2><b><i>Segundo cap\u00edtulo<\/i>: \u00abJesus Cristo sempre jovem\u00bb<\/b><\/h2>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>O Papa aborda o tema dos primeiros anos de Jesus e recorda a narra\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica que descreve o Nazareno \u00ab<i>em plena adolesc\u00eancia, quando regressou para Nazar\u00e9 com seus pais, depois que estes O perderam e reencontraram no Templo<\/i>\u00bb (26). N\u00e3o devemos pensar, escreve Francisco, que \u00ab<i>Jesus fosse um adolescente solit\u00e1rio ou um jovem fechado em si mesmo. A sua rela\u00e7\u00e3o com as pessoas era a dum jovem que compartilhava a vida inteira duma fam\u00edlia bem integrada na aldeia<\/i>\u00bb, \u00ab<i>ningu\u00e9m O considerava um jovem estranho ou separado dos outros<\/i>\u00bb (28). O Papa faz notar que Jesus adolescente, \u00ab<i>gra\u00e7as \u00e0 confian\u00e7a que n\u2019Ele depositam seus pais\u2026move-Se livremente e aprende a caminhar com todos os outros<\/i>\u00bb (29). Estes aspectos da vida de Jesus n\u00e3o deveriam ser ignorados na pastoral juvenil, \u00ab<i>para n\u00e3o criar projetos que isolem os jovens da fam\u00edlia e do mundo, ou que os transformem numa minoria selecta e preservada de todo o cont\u00e1gio<\/i>\u00bb. Precisamos, sim, \u00ab<i>de projetos que os fortale\u00e7am, acompanhem e lancem para o encontro com os outros, o servi\u00e7o generoso, a miss\u00e3o<\/i>\u00bb (30).<\/p>\n<p>Jesus \u00ab<i>vos ilumina, a v\u00f3s jovens, mas a partir da pr\u00f3pria juventude que partilha convosco<\/i> \u00bb e n\u2019Ele se podem reconhecer muitos tra\u00e7os t\u00edpicos dos cora\u00e7\u00f5es jovens (31). Junto \u00ab<i>d\u2019Ele, podemos beber da verdadeira fonte que mant\u00e9m vivos os nossos sonhos, projetos e grandes ideais, lan\u00e7ando-nos no an\u00fancio da vida que vale a pena viver<\/i>\u00bb (32); \u00ab<i>O Senhor chama-nos a acender estrelas na noite doutros jovens<\/i>\u00bb (33).<\/p>\n<p>Francisco fala ent\u00e3o da <b>juventude da Igreja<\/b> e escreve: \u00ab <i>Pe\u00e7amos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que querem envelhec\u00ea-la, ancor\u00e1-la ao passado, trav\u00e1-la, torn\u00e1-la im\u00f3vel. Pe\u00e7amos tamb\u00e9m que a livre doutra tenta\u00e7\u00e3o: acreditar que \u00e9 jovem porque cede a tudo o que o mundo lhe oferece, acreditar que se renova porque esconde a sua mensagem e mimetiza-se com os outros. N\u00e3o! \u00c9 jovem quando \u00e9 ela mesma, quando recebe a for\u00e7a sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presen\u00e7a de Cristo e da for\u00e7a do seu Esp\u00edrito em cada dia<\/i>\u00bb (35).<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que \u00ab<i>n\u00f3s, membros da Igreja, n\u00e3o precisamos de aparecer como sujeitos estranhos. Todos nos devem sentir irm\u00e3os e vizinhos, como os Ap\u00f3stolos que \u00abtinham a simpatia de todo o povo\u00bb (At 2, 47; cf. 4, 21.33; 5, 13). Ao mesmo tempo, por\u00e9m, devemos ter a coragem de ser diferentes, mostrar outros sonhos que este mundo n\u00e3o oferece, testemunhar a beleza da generosidade, do servi\u00e7o, da pureza, da fortaleza, do perd\u00e3o, da fidelidade \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, da ora\u00e7\u00e3o, da luta pela justi\u00e7a e o bem comum, do amor aos pobres, da amizade social<\/i>\u00bb (36). A Igreja pode sempre cair na tenta\u00e7\u00e3o de perder o entusiasmo e procurar \u00ab<i>falsas seguran\u00e7as mundanas. S\u00e3o precisamente os jovens que a podem ajudar a permanecer jovem<\/i>\u00bb (37).<\/p>\n<p>O Papa volta ent\u00e3o a um dos ensinamentos que ele gosta muito e explica que \u00e9 necess\u00e1rio apresentar a figura de Jesus \u00ab<i>de modo atraente e eficaz<\/i>\u00bb e diz: \u00ab<i>Por isso \u00e9 necess\u00e1rio que a Igreja n\u00e3o esteja demasiado debru\u00e7ada sobre si mesma, mas procure sobretudo refletir Jesus Cristo. Isto implica reconhecer humildemente que algumas coisas concretas devem mudar<\/i>\u00bb (39).<\/p>\n<p>Na exorta\u00e7\u00e3o se reconhece que h\u00e1 jovens que sentem a presen\u00e7a da Igreja \u00ab<i>como importuna e at\u00e9 mesmo irritante<\/i>\u00bb. Um comportamento que mergulha as ra\u00edzes \u00ab<i>mesmo em raz\u00f5es s\u00e9rias e respeit\u00e1veis: os esc\u00e2ndalos sexuais e econ\u00f3micos; a falta de prepara\u00e7\u00e3o dos ministros ordenados, que n\u00e3o sabem reconhecer de maneira adequada a sensibilidade dos jovens; pouco cuidado na prepara\u00e7\u00e3o da homilia e na apresenta\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus; o papel passivo atribu\u00eddo aos jovens no seio da comunidade crist\u00e3; a dificuldade da Igreja dar raz\u00e3o das suas posi\u00e7\u00f5es doutrinais e \u00e9ticas perante a sociedade atual<\/i>\u00bb (40).<\/p>\n<p>H\u00e1 jovens que \u00ab<i>reclamam uma Igreja que escute mais, que n\u00e3o passe o tempo a condenar o mundo. N\u00e3o querem ver uma Igreja calada e t\u00edmida, mas t\u00e3o-pouco desejam que esteja sempre em guerra por dois ou tr\u00eas assuntos que a obcecam. Para ser cred\u00edvel aos olhos dos jovens, precisa \u00e0s vezes de recuperar a humildade e simplesmente ouvir, reconhecer, no que os outros dizem, alguma luz que a pode ajudar a descobrir melhor o Evangelho<\/i>\u00bb (41). Por exemplo, uma Igreja demasiado temerosa e estruturada pode ser constantemente cr\u00edtica \u00ab<i>de todos os discursos sobre a defesa dos direitos das mulheres, e apontar constantemente os riscos e os poss\u00edveis erros dessas reclama\u00e7\u00f5es<\/i>\u00bb, enquanto uma Igreja \u00ab<i>viva pode reagir prestando aten\u00e7\u00e3o \u00e0s leg\u00edtimas reivindica\u00e7\u00f5es das mulheres<\/i>\u00bb, embora \u00ab<i>n\u00e3o concorde com tudo o que prop\u00f5em alguns grupos feministas<\/i>\u00bb (42).<\/p>\n<p>Francisco apresenta ent\u00e3o <b>\u00abMaria, a jovem de Nazar\u00e9\u00bb<\/b>, e o seu sim como aquele \u00ab<i>de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para al\u00e9m da certeza de saber que \u00e9 portadora duma promessa. Pergunto a cada um de v\u00f3s: Sentes-te portador duma promessa?<\/i>\u00bb (44). Para Maria \u00ab<i>as dificuldades n\u00e3o eram motivo para dizer \u201cn\u00e3o\u201d<\/i>\u00bb e assim colocando-se em jogo tornou-se a \u00ab<i>influenciadora de Deus<\/i>\u00bb. \u00a0O cora\u00e7\u00e3o da Igreja tamb\u00e9m est\u00e1 cheio de <b>jovens santos<\/b>. O Papa recorda S\u00e3o Sebasti\u00e3o, S\u00e3o Francisco de Assis, Santa Joana d\u2019Arc, o Beato m\u00e1rtir Andrew Ph\u00fb Y\u00ean, Santa Catarina Tekakwitha, S\u00e3o Domingos S\u00e1vio, Santa Teresa do Menino Jesus, Beato Zeferino Namuncur\u00e1, Beato Isidoro Bakanja, Beato Pier Jorge Frassati, Beato Marcelo Callo, a jovem Beata Clara Badano.<\/p>\n<h2><b><i>Terceiro cap\u00edtulo<\/i>: \u00abV\u00f3s sois o agora de Deus\u00bb<\/b><\/h2>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o podemos limitar-nos a dizer, afirma Francisco, que \u00ab<i>os jovens s\u00e3o o futuro do mundo: s\u00e3o o presente, est\u00e3o a enriquec\u00ea-lo com a sua contribui\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb (64). Por isso \u00e9 preciso escut\u00e1-los mesmo se \u00ab<i>prevalece a tend\u00eancia de fornecer respostas pr\u00e9-fabricadas e receitas prontas, sem deixar assomar as perguntas juvenis na sua novidade e captar a sua interpela\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb (65).<\/p>\n<p>\u00ab<i>Hoje n\u00f3s, adultos, corremos o risco de fazer uma lista de desastres, de defeitos da juventude actual&#8230; Mas, qual seria o resultado deste comportamento? Uma dist\u00e2ncia sempre maior<\/i>\u00bb (66). Quem foi chamado a ser pai, pastor ou guia dos jovens deveria ter a capacidade \u00ab<i>de individuar percursos onde outros s\u00f3 veem muros, \u00e9 saber reconhecer possibilidades onde outros s\u00f3 veem perigos. Assim \u00e9 o olhar de Deus Pai, capaz de valorizar e nutrir os germes de bem semeados no cora\u00e7\u00e3o dos jovens. Por isso, o cora\u00e7\u00e3o de cada jovem deve ser considerado \u2018terra santa\u2019<\/i>\u00bb (67). Francisco convida tamb\u00e9m a n\u00e3o generalizar, porque existe uma \u00ab<i>pluralidade de mundos juvenis<\/i>\u00bb (68).<\/p>\n<p>Falando depois do que ocorre aos jovens, o Papa recorda os jovens que vivem em contextos de guerra, aqueles explorados e v\u00edtimas de raptos, criminalidade organizada, tr\u00e1fico de seres humanos, escravid\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o sexual, estupros. E tamb\u00e9m aqueles que vivem perpetrando crimes e viol\u00eancias (72). \u00ab<i>Muitos jovens s\u00e3o mentalizados, instrumentalizados e utilizados como carne de canh\u00e3o ou como for\u00e7a de choque para destruir, intimidar ou ridicularizar outros. E o pior \u00e9 que muitos se transformam em sujeitos individualistas, inimigos e difidentes para com todos, tornando-se assim presa f\u00e1cil de propostas desumanizadoras e dos planos destrutivos elaborados por grupos pol\u00edticos ou poderes econ\u00f3micos<\/i>\u00bb (73). Ainda mais numerosos no mundo s\u00e3o os jovens que padecem formas de marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social, por raz\u00f5es religiosas, \u00e9tnicas ou econ\u00f3micas. Francisco cita adolescentes e jovens que \u00ab<i>ficam gr\u00e1vidas e a praga do aborto, bem como a propaga\u00e7\u00e3o do SIDA\/HIV, as v\u00e1rias formas de depend\u00eancia (drogas, jogos de azar, pornografia, etc.) e a situa\u00e7\u00e3o dos meninos e adolescentes de rua<\/i>\u00bb (74), situa\u00e7\u00f5es de marginaliza\u00e7\u00e3o duplamente dolorosas e dif\u00edceis para as mulheres. \u00ab<i>N\u00e3o podemos ser uma Igreja que n\u00e3o chora \u00e0 vista destes dramas dos seus filhos jovens. N\u00e3o devemos jamais habituar-nos a isto\u2026A pior coisa que podemos fazer \u00e9 aplicar a receita do esp\u00edrito mundano, que consiste em anestesiar os jovens com outras not\u00edcias, com outras distra\u00e7\u00f5es, com banalidades<\/i>\u00bb (75). O Papa convida os jovens a aprender a chorar pelos coet\u00e2neos que est\u00e3o pior do que eles (76).<\/p>\n<p>\u00c9 verdade, explica Francisco, que \u00ab<i>os poderosos prestam alguma ajuda, mas muitas vezes por um alto pre\u00e7o. Em muitos pa\u00edses pobres, a ajuda econ\u00f3mica dalguns pa\u00edses mais ricos ou dalguns organismos internacionais costuma estar vinculada \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de propostas ocidentais relativas \u00e0 sexualidade, ao matrim\u00f3nio, \u00e0 vida ou \u00e0 justi\u00e7a social. Esta coloniza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica prejudica de forma especial os jovens<\/i>\u00bb (78). O Papa chama a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para a cultura de hoje que apresenta o modelo juvenil de beleza e usa os corpos juvenis na publicidade: \u00ab<i>n\u00e3o \u00e9 um elogio para os jovens. Significa apenas que os adultos querem roubar a juventude para si mesmos<\/i>\u00bb (79).<\/p>\n<p>Acenando a <b>\u00abdesejos, feridas e buscas\u00bb<\/b>, Francisco fala da sexualidade: \u00ab<i>num mundo que destaca excessivamente a sexualidade, \u00e9 dif\u00edcil manter uma boa rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo e viver serenamente as rela\u00e7\u00f5es afetivas<\/i>. Por esta e outras raz\u00f5es, a moral sexual \u00e9 frequentemente \u00ab<i>causa de incompreens\u00e3o e alheamento da Igreja, pois \u00e9 sentida como um espa\u00e7o de julgamento e condena\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb mesmo que existam jovens que expressam de maneira expl\u00edcita o desejo de se confrontar sobre esses temas (81). O Papa, diante dos progressos da ci\u00eancia, das tecnologias biom\u00e9dicas e das neuroci\u00eancias recorda que \u00ab<i>podem levar-nos a esquecer que a vida \u00e9 um dom, que somos seres criados e limitados, podendo facilmente ser instrumentalizados por quem det\u00e9m o poder tecnol\u00f3gico<\/i>\u00bb (82).<\/p>\n<p>A exorta\u00e7\u00e3o se det\u00e9m em seguida sobre o tema do <b>\u00abambiente digital\u00bb<\/b>, que criou \u00ab<i>uma nova maneira de comunicar<\/i>\u00bb e que \u00ab<i>pode facilitar a circula\u00e7\u00e3o duma informa\u00e7\u00e3o independente<\/i>\u00bb. Em muitos pa\u00edses, a <i>web<\/i> e as redes sociais j\u00e1 constituem \u00ab<i>um lugar indispens\u00e1vel para se alcan\u00e7ar e envolver os jovens<\/i>\u00bb (87). <i>Mas \u00e9 tamb\u00e9m um territ\u00f3rio de solid\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia, at\u00e9 ao caso extremo da dark web. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o digitais podem expor ao risco de depend\u00eancia, isolamento e perda progressiva de contacto com a realidade concreta\u2026Difundem-se novas formas de viol\u00eancia atrav\u00e9s das redes sociais, como o <\/i>cyberbullying<i>; a web \u00e9 tamb\u00e9m um canal de difus\u00e3o da pornografia e de explora\u00e7\u00e3o de pessoas para fins sexuais ou atrav\u00e9s do jogo de azar<\/i>\u00bb (88).\u00a0 N\u00e3o se deve esquecer que \u00ab<i>h\u00e1 interesses econ\u00f3micos gigantescos que operam no mundo digital<\/i>\u00bb, capazes de criar \u00ab<i>mecanismos de manipula\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias e do processo democr\u00e1tico<\/i>\u00bb. H\u00e1 circuitos fechados que \u00ab<i>facilitam a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e not\u00edcias falsas, fomentando preconceitos e \u00f3dio&#8230; A reputa\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e9 comprometida atrav\u00e9s de processos sum\u00e1rios <\/i>on-line<i>. O fen\u00f3meno diz respeito tamb\u00e9m \u00e0 Igreja e seus pastores<\/i>\u00bb (89). Num documento preparado por trezentos jovens de todo o mundo antes do S\u00ednodo, se afirma que \u00ab<i>as rela\u00e7\u00f5es<\/i> on-line <i>podem tornar-se desumanas<\/i> e a imers\u00e3o no mundo virtual favoreceu <i>uma esp\u00e9cie de \u00abmigra\u00e7\u00e3o digital\u00bb, isto \u00e9, um distanciamento da fam\u00edlia, dos valores culturais e religiosos, que leva muitas pessoas para um mundo de solid\u00e3o<\/i>\u00bb (90).<\/p>\n<p>O Papa prossegue apresentando <b>\u00abos migrantes como paradigma do nosso tempo\u00bb<\/b>, e recorda os in\u00fameros jovens diretamente envolvidos nas migra\u00e7\u00f5es. \u00ab<i>A preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja visa, em particular, aqueles que fogem da guerra, da viol\u00eancia, da persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou religiosa, dos desastres naturais devidos tamb\u00e9m \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e da pobreza extrema<\/i>\u00bb (91): alguns est\u00e3o \u00e0 procura de uma oportunidade, sonham um futuro melhor. Outros migrantes s\u00e3o \u00ab<i>atra\u00eddos pela cultura ocidental, nutrindo por vezes expectativas irrealistas que os exp\u00f5em a pesadas decep\u00e7\u00f5es. Traficantes sem escr\u00fapulos, frequentemente ligados a cart\u00e9is da droga e das armas, exploram a fragilidade dos migrantes\u2026 H\u00e1 que assinalar a particular vulnerabilidade dos migrantes menores n\u00e3o acompanhados\u2026 Nalguns pa\u00edses de chegada, os fen\u00f3menos migrat\u00f3rios suscitam alarme e temores, frequentemente fomentados e explorados para fins pol\u00edticos. Assim se difunde uma mentalidade xen\u00f3foba, de clausura e retraimento em si mesmos, a que \u00e9 necess\u00e1rio reagir com decis\u00e3o<\/i>\u00bb (92). Os jovens que migram experimentam a separa\u00e7\u00e3o do seu contexto de origem e, muitas vezes, tamb\u00e9m um desenraizamento cultural e religioso(93). Francisco pede \u00ab<i>especialmente aos jovens que n\u00e3o caiam nas redes de quem os quer contrapor a outros jovens que chegam aos seus pa\u00edses, fazendo-os ver como sujeitos perigosos<\/i>\u00bb (94).<\/p>\n<p>O Papa fala tamb\u00e9m dos <b>abusos sobre menores<\/b>, faz seu o compromisso do S\u00ednodo para a ado\u00e7\u00e3o de rigorosas medidas de preven\u00e7\u00e3o e exprime gratid\u00e3o \u00ab<i>a quantos t\u00eam a coragem de denunciar o mal sofrido<\/i>\u00bb (99), recordando que \u00ab<i>gra\u00e7as a Deus<\/i>\u00bb, os sacerdotes que ca\u00edram nestes <i>crimes horr\u00edveis n\u00e3o constituem a maioria; esta mant\u00e9m um minist\u00e9rio fiel e generoso<\/i>\u00bb. Pede aos jovens, se v\u00eaem um sacerdote em risco, porque tomou um rumo errado, de ter a ousadia e a coragem de lhe lembrar o seu compromisso para com Deus e o seu povo (100).<\/p>\n<p>O abuso n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico pecado dos membros da Igreja. \u00ab<i>Os nossos pecados est\u00e3o \u00e0 vista de todos; refletem-se, impiedosamente, nas rugas do rosto milen\u00e1rio da nossa M\u00e3e<\/i>\u00bb, mas a Igreja n\u00e3o recorre a cirurgias est\u00e9ticas, \u00ab<i>n\u00e3o tem medo de mostrar os pecados dos seus membros<\/i>\u00bb. \u00ab<i>Lembremo-nos, por\u00e9m, que n\u00e3o se abandona a M\u00e3e quando est\u00e1 ferida<\/i>\u00bb (101). Este momento sombrio, com a ajuda preciosa dos jovens, \u00ab<i>pode verdadeiramente ser uma oportunidade para uma reforma de alcance hist\u00f3rico para se abrir a um novo Pentecostes<\/i>\u00bb (102).<\/p>\n<p>Francisco recorda aos jovens que <b>\u00abh\u00e1 uma via de sa\u00edda\u00bb<\/b> em todas as situa\u00e7\u00f5es escuras e dolorosas. Recorda a boa not\u00edcia que nos deu a manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o. E explica que mesmo que o mundo digital pode expor a tantos riscos, h\u00e1 jovens que sabem ser criativos e geniais nestes \u00e2mbitos. \u00c9 o caso do jovem servo de Deus Carlos Acutis, que \u00ab<i>soube usar as novas t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o para transmitir o Evangelho<\/i>\u00bb (105), n\u00e3o caiu na armadilha e dizia: \u00ab<i>todos nascem como originais, mas muitos morrem como fotoc\u00f3pias\u00bb. N\u00e3o deixes que isto te aconte\u00e7a<\/i>\u00bb (106), adverte o Papa. \u00ab<i>N\u00e3o deixes que te roubem a esperan\u00e7a e a alegria, que te narcotizem para te usar como escravo dos seus interesses<\/i>\u00bb (107), busque a grande meta da santidade. \u00ab<i>Ser jovem n\u00e3o significa apenas procurar prazeres transit\u00f3rios e sucessos superficiais. Para a juventude desempenhar a finalidade que lhe cabe no curso da vida, deve ser um tempo de doa\u00e7\u00e3o generosa, de oferta sincera<\/i>\u00bb (108). \u00ab<i>Se \u00e9s jovem em idade, mas te sentes fr\u00e1gil, cansado ou desiludido, pede a Jesus que te renove<\/i>\u00bb (109). Mas recordando sempre que \u00ab<i>\u00e9 muito dif\u00edcil lutar contra\u2026as ciladas e tenta\u00e7\u00f5es do dem\u00f3nio e do mundo ego\u00edsta, se estivermos isolados<\/i>\u00bb (110), serve, de fato, uma vida comunit\u00e1ria.<\/p>\n<h2><b><i>Quarto cap\u00edtulo<\/i>: \u00abO grande an\u00fancio para todos os jovens\u00bb<\/b><\/h2>\n<p>A todos os jovens o Papa anuncia tr\u00eas grandes verdades. Um <b>\u00abDeus que \u00e9 amor\u00bb<\/b> e portanto \u00ab <i>Deus ama-te. Nunca duvides disto<\/i>\u00bb (112) e depois \u00ab<i>lan\u00e7ar-te, com seguran\u00e7a, nos bra\u00e7os do teu Pai divino<\/i>\u00bb (113). Francisco afirma que a mem\u00f3ria do Pai \u00ab<i>n\u00e3o \u00e9 um \u201cdisco r\u00edgido\u201d que grava e armazena todos os nossos dados, a sua mem\u00f3ria \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o terno e rico de compaix\u00e3o, que se alegra em eliminar definitivamente todos os nossos vest\u00edgios de mal\u2026Porque te ama. Procura ficar um momento em sil\u00eancio, deixando-te amar por Ele<\/i>\u00bb (115). E o seu \u00e9 um amor que \u00ab<i>entende mais de levantamentos que de quedas, mais de reconcilia\u00e7\u00e3o que de proibi\u00e7\u00f5es, mais de dar nova oportunidade que de condenar, mais de futuro que de passado<\/i>\u00bb (116).<\/p>\n<p>A segunda verdade \u00e9 que <b>\u00abCristo salva-te\u00bb<\/b>. \u00ab Nunca esque\u00e7as que \u00ab<i>Ele perdoa setenta vezes sete. Volta uma vez e outra a carregar-nos aos seus ombros<\/i>\u00bb (119). Jesus nos ama e nos salva porque \u00ab<i>s\u00f3 o que se ama pode ser salvo. S\u00f3 o que se abra\u00e7a, pode ser transformado. O amor do Senhor \u00e9 maior que todas as nossas contradi\u00e7\u00f5es, que todas as nossas fragilidades e que todas as nossas mesquinhices<\/i>\u00bb (120). E \u00ab<i>o seu perd\u00e3o e a sua salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o algo que compramos, ou que temos de adquirir com as nossas obras ou com os nossos esfor\u00e7os. Jesus perdoa-nos e liberta-nos gratuitamente<\/i>\u00bb (121). A terceira verdade \u00e9 que <b>\u00abEle vive!\u00bb<\/b>. \u00ab<i>\u00c9 preciso record\u00e1-lo\u2026porque corremos o risco de tomar Jesus Cristo apenas como um bom exemplo do passado, como uma recorda\u00e7\u00e3o, como Algu\u00e9m que nos salvou h\u00e1 dois mil anos. De nada nos aproveitaria isto: deixava-nos como antes, n\u00e3o nos libertaria<\/i>\u00bb (124). Se \u00ab<i>Ele vive, isso \u00e9 uma garantia de que o bem pode triunfar na nossa vida\u2026Ent\u00e3o podemos deixar de nos lamentar e podemos olhar em frente, porque com Ele \u00e9 poss\u00edvel sempre olhar em frente<\/i>\u00bb (127).<\/p>\n<p>Nestas verdades aparece o Pai e aparece Jesus. E onde est\u00e3o o Pai e Jesus, tamb\u00e9m est\u00e1 o Esp\u00edrito Santo. \u00ab<i>Todos os dias invoca o Esp\u00edrito Santo\u2026Tu n\u00e3o perdes nada e Ele pode mudar a tua vida, pode ilumin\u00e1-la e dar-lhe um rumo melhor. N\u00e3o te mutila, n\u00e3o te tira nada, antes ajuda-te a encontrar da melhor maneira aquilo que precisas<\/i>\u00bb (131).<\/p>\n<h2><b><i>Quinto cap\u00edtulo<\/i>: \u00abPercursos de juventude\u00bb<\/b><\/h2>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>\u00ab<i>O amor de Deus e a nossa rela\u00e7\u00e3o com Cristo vivo n\u00e3o nos impedem de sonhar, n\u00e3o nos pedem para restringir os nossos horizontes. Pelo contr\u00e1rio, esse amor instiga-nos, estimula-nos, lan\u00e7a-nos para uma vida melhor e mais bela. A palavra \u00abinquietude\u00bb resume muitas das aspira\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o dos jovens<\/i>\u00bb (138). Pensando a um jovem o Papa v\u00ea aquele que tem os p\u00e9s sempre um atr\u00e1s do outro, pronto a arrancar, a partir. Sempre a olhar para diante (139). A juventude n\u00e3o pode ser um \u00ab<i>tempo suspenso<\/i>\u00bb, porque \u00e9 \u00ab<i>a idade das escolhas<\/i>\u00bb em \u00e2mbito profissional, social, pol\u00edtico e tamb\u00e9m na escolha do seu par e na op\u00e7\u00e3o de ter os primeiros filhos. A \u00e2nsia \u00ab<i>pode tornar-se uma grande inimiga, quando leva a render-nos, porque descobrimos que os resultados n\u00e3o s\u00e3o imediatos. Os sonhos mais belos conquistam-se com esperan\u00e7a, paci\u00eancia e determina\u00e7\u00e3o, renunciando \u00e0s pressas. Ao mesmo tempo, \u00e9 preciso n\u00e3o se deixar bloquear pela inseguran\u00e7a: n\u00e3o se deve ter medo de arriscar e cometer erros<\/i>\u00bb (142). Francisco convida os jovens a n\u00e3o observar a vida da sacada, a n\u00e3o passar a vida diante dum visor, a n\u00e3o se reduzir a ve\u00edculo abandonado, a an\u00e3o olhar o mundo como turistas. <i>Fazei-vos ouvir! Lan\u00e7ai fora os medos que vos paralisam\u2026Vivei!<\/i>\u00bb (143). Convida-os a \u00ab<i>viver o presente<\/i>\u00bb para viver plenamente e com gratid\u00e3o cada um dos pequenos presentes da vida sem \u00ab<i>ser insaci\u00e1veis<\/i>\u00bb e \u00ab<i>obcecados por prazeres sem fim<\/i>\u00bb (146). Viver o presente, de fato, \u00ab<i>n\u00e3o significa abandonar-se a uma libertinagem irrespons\u00e1vel que nos deixa vazios e sempre insatisfeitos<\/i>\u00bb (147).<\/p>\n<p>\u00ab<i>N\u00e3o conhecer\u00e1s a verdadeira plenitude de ser jovem, se\u2026 n\u00e3o viveres na amizade de Jesus<\/i>\u00bb (150). A amizade com Jesus \u00e9 indissol\u00favel, porque nunca nos deixa (154) e assim como o amigo, \u00ab<i>conversamos, partilhamos as coisas mais secretas. Com Jesus, tamb\u00e9m conversamos<\/i>\u00bb: rezando \u00ab<i>abrimos o jogo a Ele, damos-Lhe lugar \u00abpara que Ele possa agir, possa entrar e possa vencer<\/i>\u00bb (155). \u00ab<i>N\u00e3o prives a tua juventude desta amizade<\/i>\u00bb, \u00ab<i>viver\u00e1s a experi\u00eancia estupenda de saber que est\u00e1s sempre acompanhado<\/i>\u00bb como os disc\u00edpulos de Ema\u00fas (156): S\u00e3o Oscar Romero dizia: \u00ab<i>O cristianismo n\u00e3o \u00e9 um conjunto de verdades em que \u00e9 preciso acreditar, de leis que se devem observar, de proibi\u00e7\u00f5es. Apresentado assim, repugna. O cristianismo \u00e9 uma Pessoa que me amou tanto que reclama o meu amor. O cristianismo \u00e9 Cristo<\/i>\u00bb.<\/p>\n<p>O Papa falando <b>do crescimento e da matura\u00e7\u00e3o<\/b>, indica portanto a import\u00e2ncia de buscar \u00ab<i>um desenvolvimento espiritual<\/i>\u00bb, de \u00ab<i>buscar o Senhor e guardar a sua Palavra<\/i>\u00bb, de manter \u00ab<i>a uni\u00e3o com Jesus\u2026porque n\u00e3o crescer\u00e1s na felicidade e santidade s\u00f3 com as tuas for\u00e7as e a tua mente<\/i>\u00bb (158). Tamb\u00e9m o adulto deve maturar, sem perder os valores da juventude: \u00ab<i>Em cada momento da vida, podemos renovar e fazer crescer a nossa juventude. Quando comecei o meu minist\u00e9rio como Papa, o Senhor alargou os meus horizontes e deu-me uma renovada juventude. O mesmo pode acontecer com um casal j\u00e1 com muitos anos de matrim\u00f3nio, ou com um monge no seu mosteiro<\/i>\u00bb (160). Crescer \u00ab<i>quer dizer conservar e alimentar as coisas mais preciosas que te oferece a juventude, mas ao mesmo tempo significa estar dispon\u00edvel para purificar o que n\u00e3o \u00e9 bom<\/i>\u00bb (161).<\/p>\n<p>\u00ab<i>Lembro-te, por\u00e9m, que n\u00e3o ser\u00e1s santo nem te realizar\u00e1s copiando os outros. Quando se fala em imitar os santos, n\u00e3o significa copiar o seu modo de ser e de viver a santidade<\/i>\u00bb (162). Francisco prop\u00f5e <b>\u00abpercursos de fraternidade\u00bb<\/b> para viver a f\u00e9, recordando que \u00abo<i> Esp\u00edrito Santo quer impelir-nos a sair de n\u00f3s mesmos, para abra\u00e7ar os outros\u2026Por isso, \u00e9 sempre melhor vivermos a f\u00e9 juntos e expressar o nosso amor numa vida comunit\u00e1ria<\/i>\u00bb (164), superando \u00ab<i>a tenta\u00e7\u00e3o de nos fecharmos em n\u00f3s mesmos, nos nossos problemas, sentimentos feridos, lamenta\u00e7\u00f5es e comodidades<\/i>\u00bb (166). \u00ab<i>Deus ama a alegria dos jovens e convida-os sobretudo \u00e0 alegria que se vive na comunh\u00e3o fraterna<\/i>\u00bb (167).<\/p>\n<p>O Papa fala depois dos <b>\u00abjovens comprometidos\u00bb<\/b>, <i>afirmando que podem correr \u00abo risco de se fechar em pequenos grupos\u2026T\u00eam a sensa\u00e7\u00e3o de viver o amor fraterno, mas o seu grupo talvez se tenha tornado um simples prolongamento do pr\u00f3prio eu.<\/i> Isto agrava-se, se a voca\u00e7\u00e3o do leigo for concebida unicamente como um servi\u00e7o interno da Igreja\u2026esquecendo-se que a voca\u00e7\u00e3o laical \u00e9, antes de mais nada, a caridade na fam\u00edlia, a caridade social e caridade pol\u00edtica\u00bb (168). <i>Francisco prop\u00f5e \u00abaos jovens irem mais al\u00e9m dos grupos de amigos e constru\u00edrem a amizade social: \u00abbuscar o bem comum chama-se amizade social. A inimizade social destr\u00f3i. E uma fam\u00edlia destr\u00f3i-se pela inimizade. Um pa\u00eds destr\u00f3i-se pela inimizade. O mundo destr\u00f3i-se pela inimizade. E a inimizade maior \u00e9 a guerra. E hoje vemos que o mundo se est\u00e1 a destruir pela guerra. Porque s\u00e3o incapazes de se sentar e falar<\/i>\u00bb (169).<\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>\u00abO empenho social e o contacto direto com os pobres continuam a ser uma oportunidade fundamental para descobrir ou aprofundar a f\u00e9 e para discernir a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o\u00bb<\/i> (170). O Papa cita o exemplo positivo dos jovens nas par\u00f3quias, escolas e movimentos que \u00ab<i>costumam ir fazer companhia a idosos e enfermos, visitar bairros pobres<\/i>\u00bb (171). Enquanto \u00ab<i>outros jovens participam em programas sociais que visam construir casas para os sem-abrigo, bonificar \u00e1reas contaminadas, ou recolher ajudas para os mais necessitados. Seria bom que esta energia comunit\u00e1ria fosse aplicada n\u00e3o s\u00f3 em a\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas, mas de forma est\u00e1vel\u00bb. <\/i>Os universit\u00e1rios<i> \u00abpodem unir-se de forma interdisciplinar para aplicar os seus conhecimentos na resolu\u00e7\u00e3o de problemas sociais e, nesta tarefa, podem trabalhar lado a lado com jovens doutras Igrejas e doutras religi\u00f5es<\/i>\u00bb (172). Francisco encoraja os jovens a assumirem este compromisso: <i>\u00abVejo que muitos jovens, em tantas partes do mundo, sa\u00edram para as ruas para expressar o desejo de uma civiliza\u00e7\u00e3o mais justa e fraterna\u2026S\u00e3o jovens que querem ser protagonistas da mudan\u00e7a\u2026N\u00e3o deixeis para outros o ser protagonista da mudan\u00e7a!<\/i>\u00bb (174).<\/p>\n<p>Os jovens s\u00e3o chamados a ser <b>\u00abmission\u00e1rios corajosos\u00bb<\/b> testemunhando do Evangelho em toda parte, com a sua pr\u00f3pria vida, o que n\u00e3o significa <b>\u00ab<\/b><i>falar da verdade, mas viv\u00ea-la<\/i><b>\u00bb<\/b> (175). A palavra, por\u00e9m, n\u00e3o deve ser mantida em sil\u00eancio: \u00ab<i>Sede capazes de ir contracorrente, compartilhar Jesus, comunicar a f\u00e9 que Ele vos deu<\/i>\u00bb (176). Para onde Jesus nos manda? \u00ab<i>N\u00e3o h\u00e1 fronteiras, n\u00e3o h\u00e1 limites: envia-nos a todas as pessoas. O Evangelho \u00e9 para todos, e n\u00e3o apenas para alguns. N\u00e3o \u00e9 apenas para aqueles que parecem a nossos olhos mais pr\u00f3ximos, mais abertos, mais acolhedores. \u00c9 para todos<\/i>\u00bb (177). N\u00e3o se pode esperar que \u00ab<i>a miss\u00e3o seja f\u00e1cil e c\u00f3moda<\/i>\u00bb (178).<\/p>\n<h2><b><i>Sexto cap\u00edtulo<\/i>: \u00abJovens com ra\u00edzes\u00bb<\/b><\/h2>\n<p>Francisco diz que lhe faz mal \u00ab<i>ver que alguns prop\u00f5em aos jovens construir um futuro sem ra\u00edzes, como se o mundo come\u00e7asse agora<\/i>\u00bb (179). Se uma pessoa \u00ab<i>vos fizer uma proposta dizendo para ignorardes a hist\u00f3ria, n\u00e3o aproveitardes da experi\u00eancia dos mais velhos, desprezardes todo o passado olhando apenas para o futuro que essa pessoa vos oferece, n\u00e3o ser\u00e1 uma forma f\u00e1cil de vos atrair para a sua proposta a fim de fazerdes apenas o que ela diz? Aquela pessoa precisa de v\u00f3s vazios, desenraizados, desconfiados de tudo, para vos fiardes apenas nas suas promessas e vos submeterdes aos seus planos. Assim procedem as ideologias de variadas cores, que destroem (ou desconstroem) tudo o que for diferente, podendo assim reinar sem oposi\u00e7\u00f5es.<\/i>\u00bb (181). \u00a0Os manipuladores usam tamb\u00e9m a adora\u00e7\u00e3o da juventude: \u00ab<i>O corpo jovem torna-se o s\u00edmbolo deste novo culto e, consequentemente, tudo o que tenha a ver com este corpo \u00e9 idolatrado e desejado sem limites, enquanto o que n\u00e3o for jovem \u00e9 olhado com desprezo. Mas \u00e9 uma arma que acaba por degradar os jovens<\/i>\u00bb (182). \u00ab<i>Queridos jovens, n\u00e3o permitais que usem a vossa juventude para promover uma vida superficial, que confunde beleza com apar\u00eancia<\/i> \u00bb (183), porque h\u00e1 beleza no trabalhador que regressa a casa surrado na esposa mal penteada e j\u00e1 um pouco idosa, que continua a cuidar do seu marido doente, na fidelidade dos casais que se amam no outono da vida. Hoje, ao inv\u00e9s, promovem-se \u00ab<i>uma espiritualidade sem Deus, uma afetividade sem comunidade nem compromisso com os que sofrem, o medo dos pobres vistos como sujeitos perigosos, e uma s\u00e9rie de ofertas que pretendem fazer-vos acreditar num futuro paradis\u00edaco que sempre ser\u00e1 adiado para mais tarde<\/i>\u00bb (184): o Papa convida\u00a0 os jovens a n\u00e3o se deixarem dominar por essa ideologia que leva a \u00ab<i>aut\u00eanticas formas de coloniza\u00e7\u00e3o cultural<\/i>\u00bb (185) que\u00a0 desenra\u00edza os jovens das perten\u00e7as culturais e religiosas das quais s\u00e3o provenientes\u00a0 com uma tend\u00eancia para \u201chomogeneiz\u00e1-los\u201d transformando-os em sujeitos <i>manipul\u00e1veis feitos em s\u00e9rie<\/i> (186).<\/p>\n<p>Fundamental \u00e9 a <b>\u00abrela\u00e7\u00e3o com os idosos\u00bb<\/b>, que ajuda os jovens a descobrir a riqueza viva do passado, conservando-a na mem\u00f3ria. \u00ab<i>A Palavra de Deus recomenda que n\u00e3o se perca o contacto com os idosos, para poder recolher a sua experi\u00eancia\u00bb<\/i> (188). \u00ab<i>Isto n\u00e3o significa que tenhas de estar de acordo com tudo o que eles dizem, nem que deves aprovar todas as suas a\u00e7\u00f5es\u00bb trata-se \u00absimplesmente de se manter aberto para recolher uma sabedoria que se comunica de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb (190). \u00ab<i>Ao mundo, nunca foi nem ser\u00e1 de proveito a ruptura entre gera\u00e7\u00f5es\u2026\u00c9 a mentira que deseja fazer-te crer que s\u00f3 o novo \u00e9 bom e belo<\/i>\u00bb (191).<\/p>\n<p>Falando de <b>\u00absonhos e vis\u00f5es\u00bb<\/b>, Francisco observa: \u00ab<i>Se os jovens e os idosos se abrirem ao Esp\u00edrito Santo, juntos produzem uma combina\u00e7\u00e3o maravilhosa: os idosos sonham e os jovens t\u00eam vis\u00f5es<\/i>\u00bb (192); se \u00ab<i>os jovens se enraizarem nos sonhos dos idosos, conseguem ver o futuro<\/i>\u00bb (193). \u00c9 preciso, portanto <b>\u00abarriscar juntos\u00bb<\/b>, caminhando juntos jovens e idosos: as ra\u00edzes \u00ab<i>n\u00e3o s\u00e3o \u00e2ncoras que nos prendem<\/i>\u00bb, mas \u00ab<i>s\u00e3o um ponto de arraigamento que nos permite crescer e responder aos novos desafios<\/i>\u00bb (200).<\/p>\n<h2><b><i>S\u00e9timo cap\u00edtulo<\/i>: \u00abA pastoral dos jovens\u00bb<\/b><\/h2>\n<p>O Papa explica que a pastoral juvenil foi abalroada pelas mudan\u00e7as sociais e culturais e <i>os jovens n\u00e3o encontram resposta para as suas inquietudes, necessidades, problemas e feridas<\/i>\u00bb (202). Os pr\u00f3prios jovens \u00ab<i>s\u00e3o agentes da pastoral juvenil, acompanhados e orientados mas livres para encontrar caminhos sempre novos, com criatividade e ousadia\u00bb<\/i>. Por conseguinte, <i>\u00abprecisa colocar em campo a sagacidade, o engenho e o conhecimento que os pr\u00f3prios jovens t\u00eam da sensibilidade, linguagem e problem\u00e1ticas dos outros jovens<\/i>\u00bb (203). A <i>pastoral juvenil precisa de adquirir outra flexibilidade, \u00abconvidando os jovens para acontecimentos que, de vez em quando, lhes proporcionem um espa\u00e7o onde n\u00e3o s\u00f3 recebam uma forma\u00e7\u00e3o, mas lhes permitam tamb\u00e9m compartilhar a vida, festejar, cantar, escutar testemunhos concretos e experimentar o encontro comunit\u00e1rio com o Deus vivo<\/i>\u00bb (204).<\/p>\n<p>A pastoral juvenil s\u00f3 pode ser sinodal, isto \u00e9, capaz de dar forma a um &#8220;caminhar juntos&#8221; e envolve duas <b>grandes linhas de a\u00e7\u00e3o<\/b>: a primeira \u00e9 a <b>busca<\/b>, a segunda \u00e9 o <b>crescimento<\/b>. Para a primeira, Francisco confia na capacidade dos pr\u00f3prios jovens de \u00ab<i>encontrar os caminhos atraentes para convidar\u00bb: \u00abdevemos apenas estimular os jovens e dar-lhes liberdade de a\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb. O mais importante, por\u00e9m,<i> \u00ab\u00e9 que cada jovem ouse semear o primeiro an\u00fancio na terra f\u00e9rtil que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o doutro jovem<\/i>\u00bb (210). Deve-se privilegiar \u00ab<i>a linguagem da proximidade, a linguagem do amor desinteressado, relacional e existencial que toca o cora\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb, aproximando-se dos jovens \u00ab<i>com a gram\u00e1tica do amor, n\u00e3o com o proselitismo<\/i>\u00bb (211). No que diz respeito ao crescimento, Francisco chama a aten\u00e7\u00e3o de propor aos jovens tocados por uma experi\u00eancia intensa de Deus \u00ab<i>encontros de \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d onde se abordam apenas quest\u00f5es doutrinais e morais\u2026Resultado: muitos jovens aborrecem-se, perdem o fogo do encontro com Cristo e a alegria de O seguir<\/i>\u00bb (212). Qualquer projeto formativo \u00abdeve, certamente, incluir uma forma\u00e7\u00e3o doutrinal e moral\u00bb. De igual modo \u00e9 importante que <i>\u00abestejam centrados\u00bb <\/i>sobre<i> o querigma<\/i>, isto \u00e9 \u00ab<i>a experi\u00eancia fundante do encontro com Deus atrav\u00e9s de Cristo morto e ressuscitado<\/i>\u00bb, e sobre o crescimento \u00ab<i>no amor fraterno, na vida comunit\u00e1ria, no servi\u00e7o<\/i>\u00bb (213). Por isso, \u00ab<i>a pastoral juvenil deveria incluir sempre momentos que ajudem a renovar e aprofundar a experi\u00eancia pessoal do amor de Deus e de Jesus Cristo vivo<\/i>\u00bb (214). E deve ajudar os jovens a \u00ab<i>crescer na fraternidade, viver como irm\u00e3os, auxiliar-se mutuamente, criar comunidade, servir os outros, aproximar-se dos pobres<\/i>\u00bb (215).<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es da Igreja tornem-se, portanto <b>\u00abambientes adequados\u00bb<\/b>, desenvolvendo \u00ab<i>capacidade de acolhida<\/i>\u00bb: \u00ab<i>Nas nossas institui\u00e7\u00f5es devemos oferecer lugares que eles possam gerir a seu gosto, com a possibilidade de entrar e sair livremente, lugares que os acolham e onde lhes seja poss\u00edvel encontrar-se, espont\u00e2nea e confiadamente, com outros jovens tanto nos momentos de sofrimento ou de chatice como quando desejam festejar as suas alegrias<\/i>\u00bb (218).<\/p>\n<p>Francesco descreve ent\u00e3o <b>\u00aba pastoral das institui\u00e7\u00f5es educacionais\u00bb<\/b>, afirmando que a escola \u00ab<i>precisa duma urgente \u00a0autocr\u00edtica<\/i>\u00bb. E recorda que \u00ab<i>h\u00e1 escolas cat\u00f3licas que parecem ser organizadas somente para conservar o existente<\/i>\u2026<i>A escola transformada num \u201cbunker\u201d, que protege dos erros \u201cde fora\u201d: tal \u00e9 a caricatura desta tend\u00eancia<\/i>\u00bb. Quando os jovens saem advertem \u00ab<i>um desfasamento insan\u00e1vel entre o que lhes ensinaram e o mundo onde lhes cabe viver<\/i>\u00bb. Na realidade, \u00ab<i>uma das maiores alegrias dum educador \u00e9 ver um aluno constituir-se como uma pessoa forte, integrada, protagonista e capaz de se doar<\/i>\u00bb (221). N\u00e3o se pode separar a forma\u00e7\u00e3o espiritual da forma\u00e7\u00e3o cultural: \u00ab<i>Eis a vossa tarefa: responder aos estribilhos paralisantes do consumismo cultural com escolhas din\u00e2micas e fortes, com a investiga\u00e7\u00e3o, o conhecimento e a partilha<\/i>\u00bb (223). Entre as <b>\u00ab\u00e1reas de desenvolvimento pastoral \u00bb<\/b>, o Papa indica as \u00ab<i>express\u00f5es art\u00edsticas<\/i>\u00bb (226), a \u00ab<i>pr\u00e1tica desportiva<\/i>\u00bb (227), e o compromisso pela salvaguarda do meio ambiente (228).<\/p>\n<p>Serve <b>\u00abuma pastoral juvenil popular\u00bb<\/b>, <b>\u00ab<\/b><i>mais ampla e flex\u00edvel que estimula, nos distintos lugares onde se movem concretamente os jovens, as lideran\u00e7as naturais e os carismas que o Esp\u00edrito Santo j\u00e1 semeou entre eles. Trata-se, antes de mais nada, de n\u00e3o colocar tantos obst\u00e1culos, normas, controles e enquadramentos obrigat\u00f3rios aos jovens crentes que s\u00e3o l\u00edderes naturais nos bairros e nos diferentes ambientes. Devemos limitar-nos a acompanh\u00e1-los e estimul\u00e1-los<\/i>\u00bb (230). Pretendendo \u00ab<i>uma pastoral juvenil ass\u00e9ptica, pura, caracterizada por ideias abstratas, afastada do mundo e preservada de toda a mancha, reduzimos o Evangelho a uma proposta ins\u00edpida, incompreens\u00edvel, distante, separada das culturas juvenis e adaptada s\u00f3 a uma elite juvenil crist\u00e3 que se sente diferente, mas na verdade flutua num isolamento sem vida nem fecundidade<\/i>\u00bb (232). Francisco convida a ser \u00ab<i>uma Igreja com as portas abertas. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio sequer que uma pessoa aceite completamente todos os ensinamentos da Igreja para poder participar em alguns dos nossos espa\u00e7os dedicados aos jovens<\/i>\u00bb (234): \u00ab<i>deve haver espa\u00e7o tamb\u00e9m para \u00abtodos aqueles que t\u00eam outras vis\u00f5es da vida, professam outras cren\u00e7as ou se declaram alheios ao horizonte religioso<\/i>\u00bb (235). O \u00edcone desta abordagem \u00e9-nos oferecido pelo epis\u00f3dio evang\u00e9lico dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas: Jesus interroga-os, escuta-os com paci\u00eancia, ajuda-os a reconhecer o que est\u00e3o vivendo, a interpretar \u00e0 luz das Escrituras o que viveram, aceita ficar com eles, entra na noite deles. S\u00e3o eles mesmos que escolhem retomar sem demora o caminho na dire\u00e7\u00e3o oposta. (237).<\/p>\n<p><b>\u00abSempre mission\u00e1rios\u00bb<\/b>. Lembra que n\u00e3o h\u00e1 necessidade <i>de fazer um longo percurso<\/i> para que os jovens se tornem mission\u00e1rios\u00bb: \u00ab<i>Um jovem que vai em peregrina\u00e7\u00e3o pedir ajuda a Nossa Senhora e convida um amigo ou um companheiro para que o acompanhe, com este gesto simples est\u00e1 a realizar uma valiosa a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria<\/i>\u00bb (239).A pastoral juvenil \u00ab<i>deve ser sempre uma pastoral mission\u00e1ria<\/i>\u00bb (240). \u00a0E os jovens precisam de ser respeitados na sua liberdade, \u00ab<b>mas necessitam tamb\u00e9m de ser acompanhados\u00bb pelos adultos, a<\/b> fam\u00edlia deveria ser o primeiro espa\u00e7o de acompanhamento (242), e tamb\u00e9m pela comunidade: \u00ab<i>Isto implica que se olhe para os jovens com compreens\u00e3o, estima e afeto, e n\u00e3o que sejam julgados continuamente ou lhes seja exigida uma perfei\u00e7\u00e3o que n\u00e3o corresponde \u00e0 sua idade<\/i>\u00bb (243). Adverte-se a car\u00eancia de pessoas especializadas e dedicadas ao acompanhamento (244) e \u00ab<i>e algumas jovens notam uma falta de figuras femininas de refer\u00eancia dentro da Igreja<\/i>\u00bb (245). Os mesmos jovens \u00ab<i>descreveram-nos<\/i>\u00bb as carater\u00edsticas que esperam encontrar num acompanhador; \u00ab<i>ser um crist\u00e3o fiel comprometido na Igreja e no mundo; uma tens\u00e3o cont\u00ednua para a santidade; n\u00e3o julgar, mas cuidar; escutar ativamente as necessidades dos jovens; responder com gentileza; conhecer-se; saber reconhecer os seus limites; conhecer as alegrias e as tribula\u00e7\u00f5es da vida espiritual. Uma qualidade de prim\u00e1ria grandeza \u00e9 saber reconhecer-se humano e capaz de cometer erros: n\u00e3o perfeitos, mas pecadores perdoados<\/i>\u00bb (246). Devem saber \u00ab<i>caminhar juntos<\/i>\u00bb aos jovens respeitando a sua liberdade.<\/p>\n<h2><b><i>Oitavo cap\u00edtulo<\/i>: \u00abA voca\u00e7\u00e3o\u00bb<\/b><\/h2>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>\u00ab<i>O ponto fundamental \u00e9 discernir e descobrir que aquilo que Jesus quer de cada jovem \u00e9, antes de tudo, a sua amizade<\/i>\u00bb (250). A voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria tem a ver com o nosso servi\u00e7o aos outros. \u00abCom efeito, a nossa vida na terra atinge a sua plenitude, quando se transforma em oferta\u00bb (254).\u00ab<i>Para realizar a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver-se, fazer germinar e crescer tudo aquilo que uma pessoa \u00e9. N\u00e3o se trata de inventar-se, criar-se a si mesmo do nada, mas descobrir-se a si mesmo \u00e0 luz de Deus e fazer florescer o pr\u00f3prio ser<\/i>\u00bb (257). E <i>este \u201cser para os outros\u201d na vida de cada jovem est\u00e1 relacionado com duas quest\u00f5es fundamentais: a forma\u00e7\u00e3o duma nova fam\u00edlia e o trabalho<\/i>\u00bb (258).<\/p>\n<p>No que diz respeito ao <b>\u00abamor e \u00e0 fam\u00edlia\u00bb<\/b>, o Papa escreve que os \u00ab<i>jovens sentem fortemente a chamada ao amor e sonham encontrar a pessoa certa com quem formar uma fam\u00edlia<\/i>\u00bb (259), e o sacramento do matrim\u00f3nio \u00ab<i>corrobora este amor com a gra\u00e7a de Deus, arraigando-o no pr\u00f3prio Deus<\/i>\u00bb (260). Deus nos criou sexuados. Ele pr\u00f3prio criou a sexualidade, que \u00e9 um presente maravilhoso e portanto, <i>sem tabus<\/i>. \u00c9 um dom que o Senhor nos d\u00e1. \u00ab<i>E f\u00e1-lo com dois prop\u00f3sitos: amar-se e gerar vida. \u00c9 uma paix\u00e3o\u2026O verdadeiro amor \u00e9 apaixonado<\/i>\u00bb (261). Francisco observa que \u00ab<i>o aumento de separa\u00e7\u00f5es, div\u00f3rcios\u2026pode causar grandes sofrimentos e crises de identidade nos jovens. Por vezes, t\u00eam de assumir responsabilidades desproporcionadas para a sua idade<\/i>\u00bb (262). Apesar de todas as dificuldades, \u00ab<i>Quero dizer-vos\u2026que vale a pena apostar na fam\u00edlia e que nela encontrareis os melhores est\u00edmulos para amadurecer e as mais belas alegrias para partilhar. N\u00e3o deixeis que vos roubem a possibilidade de amar a s\u00e9rio<\/i>\u00bb (263). \u00ab<i>Julgar que nada pode ser definitivo \u00e9 um engano e uma mentira&#8230;pe\u00e7o-vos para serdes revolucion\u00e1rios, pe\u00e7o-vos para irdes contracorrente<\/i>\u00bb (264).<\/p>\n<p>No que diz respeito ao trabalho, o Papa escreve: \u00ab<i>Pe\u00e7o aos jovens que n\u00e3o esperem viver sem trabalhar, dependendo da ajuda doutros. Isto n\u00e3o faz bem, porque \u00abo trabalho \u00e9 uma necessidade, faz parte do sentido da vida nesta terra, \u00e9 caminho de matura\u00e7\u00e3o, desenvolvimento humano e realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Neste sentido, ajudar os pobres com o dinheiro deve ser sempre um rem\u00e9dio provis\u00f3rio para enfrentar emerg\u00eancias<\/i>\u00bb (269). E depois de notar como no mundo do trabalho os jovens experimentam formas de exclus\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o (270), afirma a prop\u00f3sito do desemprego juvenil: \u00ab<i>\u00c9 uma quest\u00e3o\u2026que a pol\u00edtica deve considerar como priorit\u00e1ria, sobretudo hoje que a velocidade dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, aliada \u00e0 obsess\u00e3o de reduzir os custos laborais, pode levar rapidamente \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o de in\u00fameros postos de trabalho por m\u00e1quinas<\/i>\u00bb (271). E aos jovens diz: \u00ab<i>\u00c9 verdade que n\u00e3o podes viver sem trabalhar e que, \u00e0s vezes, tens de aceitar o que encontras, mas nunca renuncies aos teus sonhos, nunca enterres definitivamente uma voca\u00e7\u00e3o, nunca te d\u00eas por vencido<\/i>\u00bb (272).<\/p>\n<p>Francisco conclui este cap\u00edtulo falando das &#8220;<b>voca\u00e7\u00f5es a uma consagra\u00e7\u00e3o especial<\/b>&#8220;. \u00ab<i>No discernimento duma voca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se deve excluir a possibilidade de consagrar-se a Deus\u2026Porqu\u00ea exclu\u00ed-lo? Podes ter a certeza de que, se reconheceres uma chamada de Deus e a seguires, ser\u00e1 isso que dar\u00e1 plenitude \u00e0 tua vida<\/i>\u00bb (276).<\/p>\n<h2><b><i>Nono cap\u00edtulo<\/i>: \u00abO discernimento\u00bb<\/b><\/h2>\n<p>O Papa recorda que \u00ab<i>sem a sapi\u00eancia do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes \u00e0 merc\u00ea das tend\u00eancias da ocasi\u00e3o<\/i>\u00bb (279). \u00abUma express\u00e3o do discernimento \u00e9 o esfor\u00e7o por reconhecer a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma tarefa que requer espa\u00e7os de solid\u00e3o e sil\u00eancio, porque se trata duma decis\u00e3o muito pessoal que mais ningu\u00e9m pode tomar no nosso lugar\u00bb (283). \u00ab<i>O dom da voca\u00e7\u00e3o ser\u00e1, sem d\u00favida, um dom exigente. Os dons de Deus s\u00e3o interativos e, para os desfrutar, \u00e9 preciso p\u00f4r-me em campo, arriscar<\/i>\u00bb (289).<i><\/i><\/p>\n<p>A quem ajuda os jovens no discernimento pedem-se <b>tr\u00eas sensibilidades<\/b>. A primeira \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 persona: \u00ab<i>trata-se de escutar o outro, que se nos d\u00e1 com as suas palavras<\/i>\u00bb (292). A segunda consiste no discernir, isto \u00e9<i> <\/i>\u00ab<i>trata-se de individuar o ponto certo onde se discerne o que \u00e9 a gra\u00e7a e o que \u00e9 tenta\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb(293). <i>A terceira consiste em <\/i>\u00ab<i>escutar os impulsos \u201cpara diante\u201d que o outro experimenta. \u00c9 a escuta profunda do ponto \u00abpara onde o outro quer verdadeiramente ir<\/i>\u00bb (294).Quando algu\u00e9m escuta a outro desta maneira, \u00ab<i>a dado momento deve desaparecer para o deixar seguir o caminho que ele descobriu. Desaparecer como desaparece o Senhor da vista dos seus disc\u00edpulos<\/i>\u00bb (296). Devemos \u00ab<i>suscitar e acompanhar processos, n\u00e3o impor percursos. Trata-se de processos de pessoas, que sempre s\u00e3o \u00fanicas e livres. Por isso \u00e9 dif\u00edcil elaborar receitu\u00e1rios<\/i>\u00bb (297).<\/p>\n<p>A exorta\u00e7\u00e3o se conclui com <b>\u00abum desejo\u00bb <\/b>do Papa Francisco: \u00ab<i>Queridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais r\u00e1pido do que os lentos e medrosos. Correi atra\u00eddos por aquele Rosto t\u00e3o amado, que adoramos na sagrada Eucaristia e reconhecemos na carne do irm\u00e3o que sofre\u2026A Igreja precisa do vosso \u00edmpeto, das vossas intui\u00e7\u00f5es, da vossa f\u00e9&#8230;E quando chegardes aonde n\u00f3s ainda n\u00e3o chegamos, tende a paci\u00eancia de esperar por n\u00f3s<\/i>\u00bb (299).<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicamos uma ampla s\u00edntese com o link ao texto integral da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica do Papa Francisco, fruto do S\u00ednodo dos jovens realizado em outubro de 2018 \u00abCristo vive: \u00e9 Ele a nossa esperan\u00e7a e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. 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