{"id":47896,"date":"2019-04-01T11:46:46","date_gmt":"2019-04-01T14:46:46","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47896"},"modified":"2019-04-01T11:46:46","modified_gmt":"2019-04-01T14:46:46","slug":"quem-constroi-muros-permanece-prisioneiro-dele-os-construtores-de-pontes-vao-avante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quem-constroi-muros-permanece-prisioneiro-dele-os-construtores-de-pontes-vao-avante\/","title":{"rendered":"&#8220;Quem constr\u00f3i muros permanece prisioneiro dele. Os construtores de pontes v\u00e3o avante&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Falando com jornalistas no voo de retorno do Marrocos, o Papa Francisco fala do di\u00e1logo com os mu\u00e7ulmanos. A declara\u00e7\u00e3o sobre Jerusal\u00e9m foi um passo avante dado por irm\u00e3os. Em rela\u00e7\u00e3o aos migrantes, apelo \u00e0 Europa. O Papa cita Tsipras: os direitos humanos v\u00eam antes dos acordos. Sobre a liberdade de consci\u00eancia: hoje, em alguns pa\u00edses crist\u00e3os, arriscamo-nos que os m\u00e9dicos que se op\u00f5em \u00e0 eutan\u00e1sia sejam privados dessa liberdade.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Do voo Rabat-Roma<\/b><\/p>\n<p>No Boeing 737 do Royal Air Maroc que o trouxe de volta a Roma, o Papa Francisco encontrou-se, como de costume, com os jornalistas e conversou com eles durante mais de meia hora sobre o di\u00e1logo com os mu\u00e7ulmanos, a declara\u00e7\u00e3o sobre Jerusal\u00e9m, os migrantes e a Europa, o caso Barbarin, a liberdade de consci\u00eancia em perigo nos pa\u00edses com tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p><b>Siham Toufiki, agencia Map: Houve momentos muito fortes, esta visita foi um acontecimento hist\u00f3rico excepcional para o povo marroquino. Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias desta visita para o futuro, para a paz no mundo, para a conviv\u00eancia no di\u00e1logo entre culturas?<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Direi que agora h\u00e1 flores, os frutos vir\u00e3o mais tarde. Mas as flores s\u00e3o promissoras. Estou feliz, porque nestas duas viagens pude falar sobre o que me toca tanto no cora\u00e7\u00e3o, tanto: a paz, a unidade, a fraternidade. Com os nossos irm\u00e3os mu\u00e7ulmanos e mu\u00e7ulmanas, selamos esta fraternidade no documento de Abu Dhabi e aqui no Marrocos todos vimos uma liberdade, uma fraternidade, uma acolhida de todos os irm\u00e3os com um respeito muito grande. Esta \u00e9 uma bela flor de conviv\u00eancia que promete dar frutos. N\u00e3o devemos desistir! \u00c9 verdade que ainda haver\u00e1 dificuldades, muitas dificuldades porque, infelizmente, existem grupos intransigentes. Mas gostaria de dizer isto claramente: em cada religi\u00e3o h\u00e1 sempre um grupo integralista que n\u00e3o quer ir em frente e vive de recorda\u00e7\u00f5es amargas, das lutas do passado, procurando mais a guerra e tamb\u00e9m semeando o medo. Vimos que \u00e9 mais bonito semear a esperan\u00e7a, andar de m\u00e3os dadas sempre em frente. Vimos, tamb\u00e9m no di\u00e1logo com voc\u00eas aqui no Marrocos, que s\u00e3o necess\u00e1rias pontes e sentimos dor quando vemos pessoas que preferem construir muros. Por que sentimos dor? Porque aqueles que constroem os muros acabar\u00e3o presos pelos muros que constru\u00edram. Mas aqueles que constroem pontes v\u00e3o muito avante. Para mim, construir pontes \u00e9 algo que vai quase al\u00e9m do humano, exige muito esfor\u00e7o. Sempre me tocou muito uma frase do romance de Ivo Andrich, &#8220;A Ponte sobre a Drina&#8221;: ele diz que a ponte \u00e9 feita por Deus com as asas dos anjos para que os homens se comuniquem&#8230; para que os homens possam se comunicar. A ponte \u00e9 para comunica\u00e7\u00e3o humana. E isto \u00e9 bonito e eu vi isso aqui no Marrocos. Em vez disso, os muros s\u00e3o contra a comunica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o a favor do isolamento e aqueles que os constroem tornar-se-\u00e3o prisioneiros. N\u00e3o se v\u00eaem os frutos, mas v\u00eaem-se muitas flores que dar\u00e3o frutos, por isso vamos continuar assim&#8221;.<\/p>\n<p><b>Nadia Hammouchi, TV 2M: O senhor se encontrou com o rei de Marrocos e com o seu desejo de di\u00e1logo. O que \u00e9 preciso, na pr\u00e1tica, para refor\u00e7ar o di\u00e1logo?<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Sempre que h\u00e1 um di\u00e1logo fraterno, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios n\u00edveis. Permitam-me uma imagem: o di\u00e1logo n\u00e3o pode ser de laborat\u00f3rio, deve ser humano, e se \u00e9 humano \u00e9 com a mente, o cora\u00e7\u00e3o e as m\u00e3os, e assim s\u00e3o assinados acordos. Por exemplo, o apelo comum sobre Jerusal\u00e9m foi um passo avante dado, n\u00e3o por uma autoridade do Marrocos e por uma autoridade do Vaticano, mas por irm\u00e3os crentes que sofrem ao verem que esta cidade da esperan\u00e7a ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o universal como todos n\u00f3s queremos que seja: judeus, mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os. Todos n\u00f3s queremos isto. E por isso assinamos este desejo: \u00e9 um desejo, um chamado \u00e0 fraternidade religiosa que \u00e9 simbolizada nesta cidade que \u00e9 toda nossa. Todos somos cidad\u00e3os de Jerusal\u00e9m, todos os crentes\u201d.<\/p>\n<p><b>Nicolas Seneze, La Croix: Ontem, o rei de Marrocos disse que proteger\u00e1 os judeus marroquinos e os crist\u00e3os de outros pa\u00edses que vivem no Marrocos. Fa\u00e7o a seguinte pergunta sobre os mu\u00e7ulmanos que se convertem ao cristianismo: o senhor est\u00e1 preocupado com estes homens e mulheres que correm o risco de serem presos ou s\u00e3o condenados \u00e0 morte noutros pa\u00edses mu\u00e7ulmanos? Outra pergunta sobre o Cardeal Barbarin: Esta semana, os conselhos da diocese de Lyon votaram quase unanimemente a favor de uma solu\u00e7\u00e3o duradoura para a sua sa\u00edda. \u00c9 poss\u00edvel para o senhor, que \u00e9 muito ligado \u00e0 sinodalidade da Igreja, escutar este apelo de uma diocese em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil?<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Posso dizer que no Marrocos h\u00e1 liberdade de culto, h\u00e1 liberdade religiosa, h\u00e1 liberdade de perten\u00e7a religiosa, a liberdade sempre se desenvolve cresce, pensemos em n\u00f3s, crist\u00e3os, 300 anos atr\u00e1s se havia essa liberdade que temos hoje. A f\u00e9 cresce na consci\u00eancia da capacidade de compreender si mesmo. Um monge franc\u00eas, Vincenzo De Lerino, do s\u00e9culo oitavo-nono, cunhou uma bela express\u00e3o para explicar como se pode crescer na f\u00e9, explicar melhor as coisas, crescer na moral, mas sempre permanecendo fiel \u00e0s ra\u00edzes. Ele disse tr\u00eas palavras, mas que marcam o caminho: ele diz que crescer na explica\u00e7\u00e3o e na consci\u00eancia da f\u00e9 e da moral \u00e9 preciso consolid\u00e1-la ao longo dos anos, expandidos no tempo, mas \u00e9 a mesma f\u00e9 que \u00e9 sublimada ao longo dos anos. Assim se entende por exemplo que hoje retiramos do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica a pena de morte &#8211; h\u00e1 300 anos queimavam os hereges vivos &#8211; porque a Igreja acentuou na consci\u00eancia moral o respeito pela pessoa e a liberdade de culto tamb\u00e9m cresce, tamb\u00e9m n\u00f3s devemos continuar a crescer, h\u00e1 pessoas cat\u00f3licas que n\u00e3o aceitam o que o Vaticano II disse sobre a liberdade de culto, a liberdade de consci\u00eancia, h\u00e1 pessoas que n\u00e3o aceitam cat\u00f3licos, n\u00f3s tamb\u00e9m temos este problema, mas tamb\u00e9m os irm\u00e3os mu\u00e7ulmanos crescem na consci\u00eancia e alguns pa\u00edses n\u00e3o compreendem bem ou n\u00e3o crescem t\u00e3o bem como outros, no Marrocos h\u00e1 este crescimento. Neste quadro h\u00e1 o problema da convers\u00e3o: alguns pa\u00edses ainda n\u00e3o a v\u00eaem, n\u00e3o sei se \u00e9 proibida, mas a pr\u00e1tica \u00e9 proibida. Outros pa\u00edses como o Marrocos n\u00e3o criam problema, s\u00e3o mais abertos e mais respeitosos, procuram um certo modo de proceder com discri\u00e7\u00e3o. Outros pa\u00edses com os quais falei dizem: n\u00e3o temos problemas, mas preferimos que o batismo eles fa\u00e7am fora do pa\u00eds e retornem crist\u00e3os. Preocupa-me outra coisa: a retrocess\u00e3o nossa, crist\u00e3os, quando tiramos a liberdade de consci\u00eancia, pense voc\u00ea, nos m\u00e9dicos e nas institui\u00e7\u00f5es hospitalares crist\u00e3s que n\u00e3o t\u00eam o direito de obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, por exemplo, \u00e0 eutan\u00e1sia. A Igreja foi para a frente e voc\u00eas, pa\u00edses crist\u00e3os, foram para tr\u00e1s? Pensem nisto porque \u00e9 uma verdade. Hoje n\u00f3s, crist\u00e3os, corremos o perigo que alguns governos nos tirem a liberdade de consci\u00eancia que \u00e9 o primeiro passo para a liberdade de culto. A resposta n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas n\u00e3o acusemos os mu\u00e7ulmanos, devemos nos acusar, a n\u00f3s, nestes pa\u00edses onde isto acontece. Devemos ter vergonha\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, sobre o cardeal Barbarin, ele, um homem da Igreja, pediu demiss\u00e3o, mas eu n\u00e3o posso moralmente aceit\u00e1-la porque, juridicamente, mas tamb\u00e9m na jurisprud\u00eancia mundial cl\u00e1ssica, h\u00e1 a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia durante o tempo em que a causa est\u00e1 aberta. Ele apelou e a causa est\u00e1 aberta. Depois, quando o segundo tribunal d\u00e1 a senten\u00e7a, vemos o que acontece. Mas tem sempre a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia. Isto \u00e9 importante porque vai contra a superficial condena\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. O que diz a jurisprud\u00eancia mundial? Que, se um caso est\u00e1 aberto, existe a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia. Talvez n\u00e3o seja inocente, mas h\u00e1 a presun\u00e7\u00e3o. Uma vez falei de um caso na Espanha sobre como a condena\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social arruinou a vida de sacerdotes que foram depois reconhecidos inocentes. Antes de fazer a condena\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica, pensar duas vezes. E ele escolheu honestamente, mas n\u00e3o, eu me retiro, pe\u00e7o uma licen\u00e7a volunt\u00e1ria e deixo ao Vig\u00e1rio Geral administrar a arquidiocese at\u00e9 que o tribunal d\u00ea a senten\u00e7a final&#8221;.<\/p>\n<p><b>Cristina Cabrejas, ag\u00eancia Efe: No discurso de ontem \u00e0s autoridades, o senhor disse que o fen\u00f4meno migrat\u00f3rio n\u00e3o se resolve com barreiras f\u00edsicas, mas aqui no Marrocos a Espanha construiu duas barreiras com l\u00e2minas para cortar aqueles que querem super\u00e1-las. O senhor conheceu algum deles em qualquer encontro. E o Presidente Trump nestes dias disse que quer fechar completamente as fronteiras e tamb\u00e9m suspender a ajuda a tr\u00eas pa\u00edses da Am\u00e9rica Central. O que o senhor gostaria de dizer para estes governantes, para estes pol\u00edticos que ainda defendem estas decis\u00f5es?<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Em primeiro lugar, o que eu disse h\u00e1 pouco: os construtores de muros, sejam de l\u00e2minas que cortam como facas ou de tijolos, tornar-se-\u00e3o prisioneiros dos muros que fazem. Primeiro&#8230; o que a hist\u00f3ria dir\u00e1? Em segundo lugar, Jordi Evole quando me entrevistou, mostrou-me um peda\u00e7o desse fio com as facas. Digo-lhe sinceramente que fiquei comovido e depois quando ele foi embora, chorei. Chorei porque n\u00e3o entra na minha cabe\u00e7a e no meu cora\u00e7\u00e3o tanta crueldade. N\u00e3o entra na minha cabe\u00e7a e no meu cora\u00e7\u00e3o ver afogar-se no Mediterr\u00e2neo\u2026 esta n\u00e3o \u00e9 a forma de resolver o grave problema da imigra\u00e7\u00e3o, que eu entendo: um governo, com este problema tem \u201cuma batata quente\u201d nas m\u00e3os, mas deve resolv\u00ea-lo, de outra forma, humanamente. Quando eu vi aquele fio, com facas, eu n\u00e3o podia acreditar. Uma vez que eu tive a oportunidade de ver um filme da pris\u00e3o de refugiados que retornam, que s\u00e3o enviados de volta. Pris\u00f5es n\u00e3o oficiais, pris\u00f5es de traficantes. Se voc\u00ea quiser, eu posso mand\u00e1-lo a voc\u00ea. Eles fazem sofrer, \u00a0fazem sofrer. As mulheres e crian\u00e7as s\u00e3o vendidas, os homens ficam. E as torturas que voc\u00ea v\u00ea no filme s\u00e3o inacredit\u00e1veis. Era um filme feito em segredo. Eu n\u00e3o os deixo entrar: \u00e9 verdade porque n\u00e3o tenho lugar, mas h\u00e1 outros pa\u00edses, h\u00e1 a humanidade da Uni\u00e3o Europeia. Toda a Uni\u00e3o Europeia tem de falar. N\u00e3o os deixo entrar, ou os deixo afogar ali, ou os mando embora sabendo que tantos deles v\u00e3o cair nas m\u00e3os destes traficantes que v\u00e3o vender as mulheres e as crian\u00e7as, matar\u00e3o ou torturar\u00e3o para fazer escravos os homens. Isto est\u00e1 filmado, est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de voc\u00eas. Uma vez que falei com um governante, um homem que eu respeito e direi &#8220;o nome, Alexis Tsipras. e falando sobre isso e dos acordos de n\u00e3o deixar entrar, ele me explicou as dificuldades, mas no final ele me falou com o cora\u00e7\u00e3o e disse esta frase: &#8220;os direitos humanos v\u00eam antes dos acordos&#8221;. Esta frase merece o Pr\u00eamio Nobel.<\/p>\n<p><b>Michal Werner Schramm, Ard Roma: O senhor h\u00e1 muitos anos combate para proteger e ajudar os migrantes, como fez nos \u00faltimos dias no Marrocos. A pol\u00edtica europeia vai exactamente na direc\u00e7\u00e3o oposta. A Europa torna-se como bast\u00e3o contra os migrantes. Esta pol\u00edtica reflete a opini\u00e3o dos eleitores. A maioria desses eleitores \u00e9 crist\u00e3-cat\u00f3lica. O senhor como se sente com esta triste situa\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Vejo que muitas pessoas de boa vontade, n\u00e3o s\u00f3 cat\u00f3licos, mas pessoas boas, de boa vontade s\u00e3o um pouco tomadas pelo medo que \u00e9 a prega\u00e7\u00e3o habitual do populismo, o medo. O medo \u00e9 semeado e depois as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas. O medo \u00e9 o in\u00edcio das ditaduras. Vamos para o s\u00e9culo passado, para a queda da Rep\u00fablica de Weimar, repito isto muitas vezes. A Alemanha precisava de uma sa\u00edda e, com promessas e medos foi avante Hitler, conhecemos o resultado, conhecemos o resultado. Aprendemos com a hist\u00f3ria, isso n\u00e3o \u00e9 novo: semear medo \u00e9 fazer uma coleta de crueldade, de fechamentos e at\u00e9 mesmo de esterilidade. Pensem no inverno demogr\u00e1fico da Europa. Tamb\u00e9m n\u00f3s que vivemos na It\u00e1lia temos abaixo de zero. Pensem na falta de mem\u00f3ria hist\u00f3rica: a Europa foi feita por migra\u00e7\u00f5es e esta \u00e9 a sua riqueza. Pesemos na generosidade de muitos pa\u00edses, que hoje batem \u00e0 porta da Europa, com os migrantes europeus a partir de 84, os dois p\u00f3s-guerra, em massa, a Am\u00e9rica do Norte, a Am\u00e9rica Central, a Am\u00e9rica do Sul. O meu pai foi l\u00e1 depois da guerra e foi acolhido. Um pouco de gratid\u00e3o&#8230; \u00c9 verdade, para ser compreensivos, que o primeiro trabalho que temos de fazer \u00e9 tentar assegurar que as pessoas que migram por causa da guerra ou da fome n\u00e3o tenham essa necessidade. Se uma Europa t\u00e3o generosa vende armas ao I\u00eamen para matar crian\u00e7as, como faz a Europa a ser coerente. E digo que isto \u00e9 um exemplo, mas a Europa vende armas. Depois h\u00e1 o problema da fome e da sede. Se a Europa quer ser a m\u00e3e Europa e n\u00e3o a av\u00f3 Europa, tem de investir, tem de tentar inteligentemente ajudar a levantar atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos investimentos, e isto n\u00e3o \u00e9 meu, disse a Chanceler Merkel. \u00c9 algo que ela leva avante: impedir a emigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o com a for\u00e7a, mas com a generosidade, os investimento educativos e econ\u00f4mico, etc., e isto \u00e9 muito importante. Segundo, sobre como agir, \u00e9 verdade que um pa\u00eds n\u00e3o pode receber todos, mas h\u00e1 toda a Europa para distribuir os migrantes, h\u00e1 toda a Europa. Porque a acolhida deve ser com o cora\u00e7\u00e3o aberto, depois acompanhar, promover e integrar. Se um pa\u00eds n\u00e3o pode integrar, deve pensar imediatamente em falar com outros pa\u00edses: voc\u00ea quantos pode integrar, para dar \u00e0s pessoas uma vida digna. Outro exemplo que vivi na minha pele no tempo das ditaduras \u00e9 a Opera\u00e7\u00e3o Condor em Buenos Aires, na Am\u00e9rica Latina, na Argentina, Chile e Uruguai. Foi a Su\u00e9cia que recebeu com uma generosidade impressionante.Aprendiam imediatamente a l\u00edngua \u00e0 custa do Estado, encontraram trabalho, encontraram um lar. Agora voc\u00ea sente, a Su\u00e9cia, um pouco com dificuldade na integra\u00e7\u00e3o, mas diz isso e pede ajuda. Quando l\u00e1 estive no ano passado, o primeiro-ministro deu-me as boas-vindas, mas na cerim\u00f4nia de despedida foi uma ministra, uma jovem ministra que penso era a da Educa\u00e7\u00e3o, era um pouco acastanhada porque era filha de uma sueca e de um migrante africano: t\u00e3o integrada no pa\u00eds que eu dou como exemplo, a Su\u00e9cia. Mas para isso \u00e9 preciso generosidade, \u00e9 preciso continuar, mas com os muros ficaremos fechados nestes muros&#8221;.<\/p>\n<p><b>Cristiana Caricato, Tv2000: O senhor tem medo do risco que as ditaduras podem gerar. Ainda hoje um ministro italiano, em refer\u00eancia \u00e0 confer\u00eancia de Verona, disse que mais do que a fam\u00edlia, \u00e9 preciso ter medo do Isl\u00e3. Estamos em risco de ditadura? E depois uma curiosidade: o senhor com frequ\u00eancia denuncia a a\u00e7\u00e3o do diabo, o fez no recente encontro sobre a protec\u00e7\u00e3o dos menores. Que podemos n\u00f3s fazer para combate-lo, especialmente no que se refere aos esc\u00e2ndalos da pedofilia?<\/b><\/p>\n<p>\u201cUm jornal, depois do meu discurso no final do encontro sobre a prote\u00e7\u00e3o dos menores, disse: &#8220;O Papa foi inteligente, primeiro disse que a pedofilia \u00e9 um problema mundial, depois disse algo sobre a Igreja, no final lavou as m\u00e3os e culpou o diabo. Um pouco simplista, n\u00e3o \u00e9? Um fil\u00f3sofo franc\u00eas, nos anos 70, fez uma distin\u00e7\u00e3o que me deu muita luz. Ele disse: para entender uma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso dar todas as explica\u00e7\u00f5es e depois procurar os significados. O que significa socialmente? O que significa pessoalmente ou religiosamente? Eu tento dar todas e tamb\u00e9m as medidas das explica\u00e7\u00f5es. Mas h\u00e1 um ponto que n\u00e3o se pode compreender sem o mist\u00e9rio do mal. Pense na pornografia infantil virtual. Houve dois encontros, pesados, em Roma e Abu Dhabi. Pergunto-me por que se tornou algo do cotidiano? Porque &#8211; estou falando de estat\u00edsticas s\u00e9rias &#8211; se voc\u00ea quer ver abuso sexual de crian\u00e7as ao vivo, pode se conectar \u00e0 pornografia infantil virtual, eles mostram. Eu n\u00e3o minto. Eu me pergunto, os respons\u00e1veis n\u00e3o podem fazer nada? N\u00f3s na igreja faremos de tudo para acabar com esta chaga, faremos de tudo. Eu naquele discurso, dei medidas concretas. J\u00e1 existiam, antes do encontro, quando os presidentes da confer\u00eancia me deram a lista que dei a todos. As pessoas respons\u00e1veis por essas sujeiras, s\u00e3o inocentes? Aqueles que ganham dinheiro com isto? Em Buenos Aires, com duas autoridades da cidade, fizemos uma portaria, uma disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o vinculativa para hot\u00e9is de luxo, que dizia &#8220;coloque na recep\u00e7\u00e3o deste hotel, n\u00e3o se permitem rela\u00e7\u00f5es com menores&#8221;. Ningu\u00e9m quis coloc\u00e1-la. N\u00e3o, mas voc\u00ea sabe, n\u00e3o se pode, parece que estamos sujos, voc\u00ea sabe que n\u00f3s n\u00e3o fazemos isso, mas sem o an\u00fancio. Um governo n\u00e3o consegue identificar onde fazem estes filmes com as crian\u00e7as? Todos filmes ao vivo. Para dizer que o flagelo mundial \u00e9 grande, mas tamb\u00e9m que n\u00e3o se pode entend\u00ea-lo sem o esp\u00edrito do mal, \u00e9 um problema real. Para resolver isto, h\u00e1 duas publica\u00e7\u00f5es que recomendo: um artigo de Gianni Valente no Vaticano Insider onde ele fala dos donatistas. O perigo que a Igreja hoje corre de se tornar donatista ao fazer prescri\u00e7\u00f5es humanas, esquecendo as outras dimens\u00f5es. Ora\u00e7\u00e3o, a penit\u00eancia, que n\u00e3o estamos habituados a fazer. Ambos! Porque para vencer o esp\u00edrito do mal n\u00e3o \u00e9 &#8216;lavar-se as m\u00e3os&#8217;, dizer &#8216;o diabo faz isso&#8217;, n\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00f3s temos de lutar com o diabo, com as coisas humanas. A outra publica\u00e7\u00e3o foi feita pela \u201cCivilt\u00e0 Cattolica\u201d. Eu tinha escrito um livro, em 1987, as cartas da tribula\u00e7\u00e3o, eram as cartas do Padre Geral jesu\u00edta quando a companhia estava prestes a ser dissolvida. Fiz um pr\u00f3logo, estudaram essas cartas, e estudaram as cartas que fiz ao episcopado chileno e ao povo chileno. Como agir com isso, as duas partes, a parte cient\u00edfica contra a parte espiritual. O mesmo foi feito com os bispos dos Estados Unidos, as propostas eram demasiadas metodol\u00f3gicas, sem vontade, a dimens\u00e3o espiritual foi negligenciada. Gostaria de dizer o seguinte: a Igreja n\u00e3o \u00e9 congregacionalista, \u00e9 cat\u00f3lica, onde o bispo deve pegar pela m\u00e3o e o Papa tamb\u00e9m deve pegar pela m\u00e3o como pastor. Mas como? Com medidas disciplinares e tamb\u00e9m com a penit\u00eancia, com a ora\u00e7\u00e3o, com a acusa\u00e7\u00e3o de si mesmo. Eu ficaria grato se voc\u00eas estudassem as duas coisas: a parte humana e a espiritual.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falando com jornalistas no voo de retorno do Marrocos, o Papa Francisco fala do di\u00e1logo com os mu\u00e7ulmanos. A declara\u00e7\u00e3o sobre Jerusal\u00e9m foi um passo avante dado por irm\u00e3os. Em rela\u00e7\u00e3o aos migrantes, apelo \u00e0 Europa. O Papa cita Tsipras: os direitos humanos v\u00eam antes dos acordos. 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