{"id":47884,"date":"2019-04-01T11:05:37","date_gmt":"2019-04-01T14:05:37","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47884"},"modified":"2019-04-01T11:05:37","modified_gmt":"2019-04-01T14:05:37","slug":"perdoai-e-seras-perdoado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/perdoai-e-seras-perdoado\/","title":{"rendered":"Perdoai e ser\u00e1s perdoado!"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A liturgia de hoje fala-nos (outra vez) de um Deus que ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar as nossas escravid\u00f5es para chegar \u00e0 vida nova, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira leitura(cf. Is 43,16-21) apresenta-nos o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu Povo para a liberdade. Esse \u201ccaminho\u201d \u00e9 o paradigma dessa outra liberta\u00e7\u00e3o que Deus nos convida a fazer neste tempo de Quaresma e que nos levar\u00e1 \u00e0 Terra Prometida onde corre a vida nova.<\/p>\n<p>A segunda leitura(cf. Fl 3,8-14) \u00e9 um desafio a libertar-nos do \u201clixo\u201d que impede a descoberta do fundamental: a comunh\u00e3o com Cristo, a identifica\u00e7\u00e3o com Cristo, princ\u00edpio da nossa ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Evangelho(cf. Jo 8,1-11) diz-nos que, na perspectiva de Deus, n\u00e3o s\u00e3o o castigo e a intoler\u00e2ncia que resolvem o problema do mal e do pecado; s\u00f3 o amor e a miseric\u00f3rdia geram activamente vida e fazem nascer o homem novo. \u00c9 esta l\u00f3gica \u2013 a l\u00f3gica de Deus \u2013 que somos convidados a assumir na nossa rela\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Porque n\u00f3s lemos o Evangelho da mulher ad\u00faltera dentro da celebra\u00e7\u00e3o da quaresma, t\u00e3o pr\u00f3ximo de iniciar a Semana Santa, ainda na abertura da Semana das Dores? Isso porque h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o importante entre a hist\u00f3ria da mulher ad\u00faltera. Quatro s\u00e3o as colunas desta hist\u00f3ria sagrada: primeiro \u2013 que nenhum ser humano, por mais justo que se considere, tem o direito de condenar o outro. Quando Jesus proclama aos escribas e fariseus: \u201cQuem dentre v\u00f3s n\u00e3o tiver pecado, atire a primeira pedra\u201d(cf. Jo 8,7) e todos \u201cforam saindo um por um, a come\u00e7ar pelos mais velhos\u201d(cf. Jo 8,9), percebemos a verdade da afirma\u00e7\u00e3o do Salmo: \u201cN\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m sem pecado; portanto, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m com direito de julgar. A segunda coluna \u00e9 que Jesus est\u00e1 disposto a oferecer a todos os que pedem com sinceridade o perd\u00e3o que concede \u00e0 mulher ad\u00faltera. As suas palavras: \u201cEu tamb\u00e9m n\u00e3o te condeno\u201d(cf. Jo 8,11), dirigido em primeiro lugar a uma determinada mulher, s\u00e3o palavras que o Senhor deseja dizer aos escribas e fariseus e igualmente a n\u00f3s, crist\u00e3os de hoje. O perd\u00e3o gratuito do Senhor n\u00e3o se limita a uma pobre pessoa desviada. Jesus \u00e9 rico em miseric\u00f3rdia, com uma riqueza adequada a todas as nossas necessidades. A terceira coluna \u00e9 que a abund\u00e2ncia e prontid\u00e3o do perd\u00e3o de Jesus n\u00e3o pretendem negar a gravidade do pecado. Com seu triste pecado, a mulher ad\u00faltera conseguiu ofender de uma s\u00f3 vez a Deus, ao seu marido, ao homem com o qual teve rela\u00e7\u00f5es e \u00e0 comunidade que buscava viver segundo as normas morais da lei divina relevada no Sinai. Ela quebrou a alian\u00e7a; de fato, quebrou v\u00e1rias alian\u00e7as. \u00c9 por isto que, ao despedir-se da mulher, Jesus acrescenta: \u201cVai e de agora em diante n\u00e3o peques mais\u201d(Cf. Jo 8,11). Isso demonstra que o pecado \u00e9 neg\u00f3cio s\u00e9rio. A quarta coluna pode ser colocada como uma pergunta: De onde veio o perd\u00e3o que Jesus concedeu? De seua nega\u00e7\u00e3o da gravidade do pecado? De seu relativismo moral? Do seu jeito bonach\u00e3o? Nada disso \u00e9 verdadeiro, porque o pre\u00e7o do perd\u00e3o daquela mulher, de todos n\u00f3s, pecadores e que muitas vezes gostamos de apontar o pecado alheio e n\u00e3o modificamos nosso comportamento e nosso agir, \u00e9 o sangue de Cristo, derramado no Calv\u00e1rio. \u00c9 por isto que a hist\u00f3ria do pecado e do perd\u00e3o da ad\u00faltera \u00e9 proclamada no fim da Quaresma, antes da comemora\u00e7\u00e3o da morte lit\u00fargica do Senhor.<\/p>\n<p>E voc\u00ea j\u00e1 perdoou a quem o ofendeu? E voc\u00ea j\u00e1 procurou pedir perd\u00e3o a quem voc\u00ea ofendeu ou tem perseguido insistentemente? A mulher ad\u00faltera\u2026 \u201cEsta mulher foi apanhada em flagrante delito de adult\u00e9rio\u2026\u201d \u201cAquela martirizou o seu filho\u2026\u201d \u201cAquela deixou-o morrer de fome\u2026\u201d \u201cAquela outra\u2026\u201d \u2026e as nossas m\u00e3os j\u00e1 est\u00e3o cheias de pedras para a lapidar. Esta semana, a convite de Jesus, comecemos por olhar onde se situa o nosso pecado\u2026 De seguida, em rela\u00e7\u00e3o a todas estas mulheres de hoje condenadas sem apelo, abramos o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 compreens\u00e3o\u2026 \u00e0 miseric\u00f3rdia\u2026 e talvez ao apoio na sua ang\u00fastia.<\/p>\n<p>Falando do perd\u00e3o Santo Agostinho, diz que no fim duas pessoas estavam presentes na cena evang\u00e9lica: a mis\u00e9ria e a miseric\u00f3rdia. Se ningu\u00e9m a condenava, Jesus tampouco a condena. A lei divina foi transformada por esta senten\u00e7a: sempre que o arrependimento seja sincero e o acompanhe o prop\u00f3sito de n\u00e3o pecar mais, o perd\u00e3o ser\u00e1 absoluto O passado \u00e9 apagado e o futuro s\u00f3 depende do presente e das disposi\u00e7\u00f5es do momento. A mem\u00f3ria servir\u00e1 para enaltecer a bondade de Deus que perdoa, sem exigir compensa\u00e7\u00f5es e reditos pelo passado. Como est\u00e1 a tua consci\u00eancia quando censuras o teu marido, esposa, filho, filha, pais, vizinho, colega, funcion\u00e1rio ou qualquer um com quem te encontras pelo caminho pelos mesmos delitos que n\u00f3s usualmente cometemos e talvez at\u00e9 mais graves do que os que consegues enxergar dos outros? Lembro-te que muitas falhas erros que os outros cometem teriam solu\u00e7\u00e3o na tua casa se n\u00f3s os assum\u00edssemos como nossos e nos empenh\u00e1ssemos a resolve-los. At\u00e9 porque neles somente os contemplamos para critic\u00e1-los e n\u00e3o para ajuda na solu\u00e7\u00e3o. Verdade ou mentira?<\/p>\n<p>E, para n\u00f3s padres e bispos, como est\u00e1\u00a0 nossa rela\u00e7\u00e3o com a autoridade: de colaboradores da ordem episcopal? Ou de homens, aterrorizados com o terrorismo jur\u00eddico ou com o clericalismo que nada liberta ou pouco sabe perdoar e recome\u00e7ar?<\/p>\n<p>Praticar o amor de Cristo nos torna testemunhos e testemunhas de Jesus. Convido-te a te desfazer das multid\u00f5es, n\u00f3s gostamos de juntar pessoas, para criticar, fofocar, censurar e condenar. Aprendamos com Jesus e d\u2019Ele o ir \u00e0 procura da ovelha perdida, do filho pr\u00f3digo, da pecadora, da ad\u00faltera, a exclu\u00edda, e marginalizada dando-lhe uma oportunidade na vida. Pois a Gl\u00f3ria de Deus \u00e9 que o homem viva e viva para sempre. Perdoai e ser\u00e1s perdoado!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A liturgia de hoje fala-nos (outra vez) de um Deus que ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar as nossas escravid\u00f5es para chegar \u00e0 vida nova, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. A primeira leitura(cf. Is 43,16-21) apresenta-nos o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu Povo para a liberdade. 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