{"id":47875,"date":"2019-03-31T08:42:20","date_gmt":"2019-03-31T11:42:20","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47875"},"modified":"2019-04-01T10:01:11","modified_gmt":"2019-04-01T13:01:11","slug":"uma-igreja-apaixonante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/uma-igreja-apaixonante\/","title":{"rendered":"Uma igreja apaixonante"},"content":{"rendered":"<p>A visita do Papa Francisco ao Marrocos, norte da \u00c1frica, revela ao mundo o rosto de uma Igreja at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido. Incrustrado na passagem africana para o continente europeu, entre os oceanos Atl\u00e2ntico e Mediterr\u00e2neo, o reino do Marrocos tem uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 35 milh\u00f5es de pessoas majoritariamente mu\u00e7ulmanas. Apenas 0,08%, aproximadamente 25 mil, se dizem cat\u00f3licas. Segundo seu arcebispo, D. Crist\u00f3bal Lopes, da diocese de Rabat, a Igreja de Marrocos existe e resiste: \u201c\u00c9 insignificante, mas significativa\u201d.<\/p>\n<p>Para quem passa ao largo dessa defini\u00e7\u00e3o perde a oportunidade de uma descoberta no m\u00ednimo edificante. Aqui o essencial \u00e9 bem vis\u00edvel. Tanto que as primeiras palavras de Francisco em terras marroquinas j\u00e1 exaltavam o significado dessa presen\u00e7a crist\u00e3 em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o adversa \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o evangelizadora. Disse em seu primeiro discurso: \u201cUm di\u00e1logo aut\u00eantico convida-nos a n\u00e3o subestimar a import\u00e2ncia\u00a0 do fator religioso para construir pontes entre os homens e enfrentar com \u00eaxito os desafios. De fato, no respeito das nossas diferen\u00e7as, a f\u00e9 em Deus nos leva a reconhecer a dignidade e os direitos do ser humano\u201d. Palavras s\u00e1bias e cautelosas de algu\u00e9m que prioriza n\u00e3o a realidade de sua institui\u00e7\u00e3o, mas a prioridade do Reino de Deus.<\/p>\n<p>Nesse painel de adversidades, salta-nos o testemunho de uma Igreja-viva, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica por excel\u00eancia. Existimos no Marrocos e aqui nos tornamos uma Igreja-samaritana, afirmou seu pastor maior. D. Crist\u00f3bal n\u00e3o esconde o orgulho de perten\u00e7a a este rebanho, insignificante numericamente, mas que vive sua universalidade \u201cem comunh\u00e3o\u201d com um povo de arraigada f\u00e9 no mesmo Deus de nossos pais. Compreendem plenamente a necessidade de trabalhar n\u00e3o pela sua igreja ou comunidade, mas para o Reino. Testemunham sua f\u00e9 como povo \u201corante em meio a um povo de orantes\u201d, onde o di\u00e1logo isl\u00e2mico-crist\u00e3o tem a mesma caracter\u00edstica da \u201cvisita\u00e7\u00e3o\u201d de Maria, que levou Cristo sem estardalha\u00e7os, sem nada dizer&#8230; \u00c9 uma igreja visivelmente ecum\u00eanica, em meio a outras minorias como os protestantes, anglicanos e ortodoxos.\u00a0 Possuem em conjunto um Instituto Ecum\u00eanico de Teologia, cujo nome -\u201cAl Mowafaga\u201d- por si j\u00e1 \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo. Significa \u201cO acordo\u201d ou \u201cA compreens\u00e3o\u201d. Querem mais? Pois no quadro de avisos da catedral e de muitas de suas igrejas existe o seguinte aviso: Missa 10 hs. Culto Evang\u00e9lico 12 hs.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse esse testemunho de vida crist\u00e3, a Igreja de Marrocos se define como Samaritana. E o \u00e9 realmente, pois atrav\u00e9s da C\u00e1ritas internacional ali desenvolve um verdadeiro apostolado de ajuda aos muitos refugiados daquele continente mitigado pela fome, doen\u00e7as e mis\u00e9ria extrema. No Marrocos encontram a porta para as ilus\u00f5es do mundo que pensam civilizado, em especial o continente europeu.<\/p>\n<p>Dessa forma, o mundo crist\u00e3o tenta ser ponte entre a realidade e as falsas ilus\u00f5es apregoadas pelo mundo ocidental.\u00a0 S\u00e3o verdadeiras pontes, capazes de fazer uma transi\u00e7\u00e3o respeitosa entre mundos divergentes. Entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, \u00c1frica e Europa, negros e brancos, oriente e ocidente, jovens e adultos, protestantes e cat\u00f3licos. Apregoam com a vida os ensinamentos b\u00e1sicos da doutrina que nos quer irm\u00e3os. Ou, como bem resumiu o arcebispo dessa Igreja que sofre, mas n\u00e3o se acovarda diante dos desafios: \u201cConstruir pontes ao inv\u00e9s de construir muros, ser uma Igreja apaixonada e apaixonante\u201d. O essencial est\u00e1 bem vis\u00edvel: Deus acima de tudo! O resto \u00e9 o que nos sobra, \u00e9 lucro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A visita do Papa Francisco ao Marrocos, norte da \u00c1frica, revela ao mundo o rosto de uma Igreja at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido. Incrustrado na passagem africana para o continente europeu, entre os oceanos Atl\u00e2ntico e Mediterr\u00e2neo, o reino do Marrocos tem uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 35 milh\u00f5es de pessoas majoritariamente mu\u00e7ulmanas. 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