{"id":47864,"date":"2019-03-29T11:52:16","date_gmt":"2019-03-29T14:52:16","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47864"},"modified":"2019-03-29T11:52:16","modified_gmt":"2019-03-29T14:52:16","slug":"luto-pelos-mortos-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/luto-pelos-mortos-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Luto pelos mortos da Ditadura"},"content":{"rendered":"<p>Quantos motivos a pensar, irm\u00e3os e irm\u00e3s, nas noites do sil\u00eancio de Deus, com vozes a clamar num espa\u00e7o infinito, sil\u00eancio esse de homens e mulheres a clamar por justi\u00e7a e compaix\u00e3o, nas marcas e provas das torturas trazidas nos corpos (cf. Frei Tito de Alencar). Ao mesmo tempo, Deus nos diz: \u201cV\u00f3s participastes, com efeito, do sofrimento dos prisioneiros e aceitastes com alegria a espolia\u00e7\u00e3o, certos de possuir uma fortuna melhor e mais dur\u00e1vel. N\u00e3o percais, pois, a vossa seguran\u00e7a que tamanha recompensa merece\u201d (Hb 10, 34-35).<\/p>\n<p>Nada de indiferen\u00e7a diante da tortura, instrumento para arrancar, pela for\u00e7a e pela viol\u00eancia, os pr\u00f3prios pensamentos e sentimentos das pessoas que j\u00e1 perderam a liberdade. Na tortura se constata, evidentemente, a ant\u00edtese da liberdade e da esperan\u00e7a. \u201cNa tortura, o discurso que o torturador busca extrair do torturado \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o absoluta e radical da liberdade\u201d (cf. Brasil Nunca Mais).<\/p>\n<p>\u00c9 muito deplor\u00e1vel e estarrecedora a veemente afirma\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro: \u201cO erro da ditadura foi torturar, e n\u00e3o matar\u201d. Tamb\u00e9m fazia quest\u00e3o de apreciar a frase: \u201cQuem procura osso \u00e9 cachorro\u201d, referindo-se aos desaparecidos da ditadura de 64, do Araguaia, que at\u00e9 mesmo seu colega presidente do Chile, Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, ousou em discordar.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o \u201cNingu\u00e9m ser\u00e1 submetido \u00e0 tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante\u201d, da Assembleia Geral da ONU, na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, bem que ajuda a n\u00e3o esquecer: foram 21 anos, profundamente obscuros e nefastos, vividos pelo povo brasileiro. N\u00e3o temos d\u00favidas da devasta\u00e7\u00e3o de todos os jardins da democracia e da liberdade, de acordo com os registros da nossa Hist\u00f3ria. O golpe militar foi um cruel n\u00e3o ao humanismo, ocasi\u00e3o em que se vivenciou a aus\u00eancia de liberdade, sem esquecer dos tenebrosos por\u00f5es da tortura, quando aconteciam mortes atrozes e inumanas de muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p>Com o golpe de 31 de mar\u00e7o de 1964, o p\u00f4r do sol se eternizou em um n\u00e3o \u00e0 vida de muitos irm\u00e3os, neutralizando a aurora da esperan\u00e7a, no mist\u00e9rio do tempo e da vida. O sol vermelho, no romper da aurora, a iluminar o c\u00e9u, que ilumine a humanidade e a vida como um todo. Na esperan\u00e7a, associamo-nos a todos, mesmo sabendo que a noite vem dia ap\u00f3s dia, mas que todos, indignados, possam dizer: noites obscuras e nefastas, como as da ditadura militar de 64, nunca mais.<\/p>\n<p>Com o golpe de 31 de mar\u00e7o de 1964, o p\u00f4r do sol se eternizou em um n\u00e3o \u00e0 vida de muitos irm\u00e3os, neutralizando a aurora da esperan\u00e7a, no mist\u00e9rio do tempo e da vida. O sol vermelho, no romper da aurora, a iluminar o c\u00e9u, que ilumine a humanidade e a vida como um todo. Na esperan\u00e7a, associamo-nos a todos, mesmo sabendo que a noite vem dia ap\u00f3s dia, mas que todos, indignados, possam dizer: noites obscuras e nefastas, como as da ditadura militar de 64, nunca mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantos motivos a pensar, irm\u00e3os e irm\u00e3s, nas noites do sil\u00eancio de Deus, com vozes a clamar num espa\u00e7o infinito, sil\u00eancio esse de homens e mulheres a clamar por justi\u00e7a e compaix\u00e3o, nas marcas e provas das torturas trazidas nos corpos (cf. Frei Tito de Alencar). 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