{"id":47821,"date":"2019-03-27T08:56:43","date_gmt":"2019-03-27T11:56:43","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47821"},"modified":"2019-03-27T08:56:43","modified_gmt":"2019-03-27T11:56:43","slug":"a-igreja-catolica-existe-no-marrocos-e-e-samaritana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-igreja-catolica-existe-no-marrocos-e-e-samaritana\/","title":{"rendered":"\u201cA Igreja Cat\u00f3lica existe no Marrocos. E \u00e9 samaritana!\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-content\">\n<h2 data-fontsize=\"30\" data-lineheight=\"39\">\u201cA Igreja Cat\u00f3lica existe no Marrocos. E \u00e9 samaritana!\u201d. Assim disse o bispo Crist\u00f3bal L\u00f3pez, de Rabat, sobre o pa\u00eds que o Papa Francisco visitar\u00e1 no final de mar\u00e7o.<\/h2>\n<p>A universalidade da Igreja Cat\u00f3lica torna-se palp\u00e1vel em muitos lugares onde o cristianismo \u00e9 uma minoria. Isso acontece tamb\u00e9m com o Marrocos, um pa\u00eds com 37 milh\u00f5es de habitantes. Sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por 99,9% de mu\u00e7ulmanos e apenas 0,08% de cat\u00f3licos. Uma pequena Igreja realiza seu trabalho pastoral entre os fi\u00e9is cat\u00f3licos do pa\u00eds. Principalmente, no entanto, a Igreja apoia os mais desfavorecidos entre a popula\u00e7\u00e3o marroquina e os milhares de jovens que atravessam o deserto da \u00c1frica Subsaariana. Eles est\u00e3o \u00e0 procura de um futuro na Europa. <strong>O Papa Francisco planeja viajar para a regi\u00e3o situada na fronteira entre a \u00c1frica e a Europa nos dias 30 e 31 de mar\u00e7o<\/strong> e, em resposta a um convite do Rei Mohammed VI e dos bispos do pa\u00eds, visitar as cidades de Rabat e Casablanca.<\/p>\n<h2 data-fontsize=\"30\" data-lineheight=\"39\">Viver e trabalhar no Norte da \u00c1frica<\/h2>\n<p>Em entrevista \u00e0 ACN, Dom Crist\u00f3bal L\u00f3pez Romero, bispo de Rabat, falou sobre o que significa viver e trabalhar nesta na\u00e7\u00e3o no norte da \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cA Igreja Cat\u00f3lica existe no Marrocos\u201d, disse orgulhosamente o bispo no come\u00e7o da entrevista. \u201c\u00c9 uma igreja vibrante e jovem. Aben\u00e7oada com miseric\u00f3rdia e com um forte desejo de testemunhar.\u201d O pa\u00eds do norte da \u00c1frica tem duas catedrais, uma em T\u00e2nger e uma segunda em Rabat. A primeira foi constru\u00edda durante o tempo do protetorado espanhol. A segunda, durante o tempo do protetorado franc\u00eas. O bispo L\u00f3pez Romero continuou: <strong>\u201cMais jovens do que pessoas idosas v\u00eam \u00e0 nossas igrejas, mais homens que mulheres, mais negros do que brancos\u201d.<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_31157\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-31157 size-400\" src=\"https:\/\/www.acn.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ACN-2019-Noticias-A-Igreja-Catolica-existe-no-Marrocos-E-e-samaritana2-25.03-400x587.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.acn.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ACN-2019-Noticias-A-Igreja-Catolica-existe-no-Marrocos-E-e-samaritana2-25.03-200x294.jpg 200w, https:\/\/www.acn.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ACN-2019-Noticias-A-Igreja-Catolica-existe-no-Marrocos-E-e-samaritana2-25.03-204x300.jpg 204w, https:\/\/www.acn.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ACN-2019-Noticias-A-Igreja-Catolica-existe-no-Marrocos-E-e-samaritana2-25.03-400x587.jpg 400w, https:\/\/www.acn.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ACN-2019-Noticias-A-Igreja-Catolica-existe-no-Marrocos-E-e-samaritana2-25.03-600x881.jpg 600w, https:\/\/www.acn.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ACN-2019-Noticias-A-Igreja-Catolica-existe-no-Marrocos-E-e-samaritana2-25.03-698x1024.jpg 698w, https:\/\/www.acn.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ACN-2019-Noticias-A-Igreja-Catolica-existe-no-Marrocos-E-e-samaritana2-25.03-768x1127.jpg 768w, https:\/\/www.acn.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ACN-2019-Noticias-A-Igreja-Catolica-existe-no-Marrocos-E-e-samaritana2-25.03-800x1174.jpg 800w, https:\/\/www.acn.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ACN-2019-Noticias-A-Igreja-Catolica-existe-no-Marrocos-E-e-samaritana2-25.03.jpg 1000w\" alt=\"Arcebispo de Rabat, Marrocos\" width=\"400\" height=\"587\" aria-describedby=\"caption-attachment-31157\" \/><\/p>\n<div>Arcebispo de Rabat, Marrocos<\/div>\n<\/div>\n<p>Os membros da Igreja no Marrocos s\u00e3o em sua maioria estrangeiros, fi\u00e9is de mais de 100 pa\u00edses diferentes. Eles geralmente trabalham em empresas que operam subsidi\u00e1rias no Marrocos. Al\u00e9m disso, muitos deles v\u00eam de pa\u00edses da \u00c1frica Subsaariana, como o Congo, o Senegal ou a Costa do Marfim. Eles se mudam para o Marrocos para prosseguir seus estudos e, na Igreja Cat\u00f3lica, encontram o \u201cclima de fam\u00edlia\u201d que est\u00e3o procurando. Os religiosos cat\u00f3licos que trabalham no pa\u00eds s\u00e3o de mais de 40 pa\u00edses diferentes. Dom L\u00f3pez explica: \u201cSer cat\u00f3lico significa ser universal, global\u201d. Essa universalidade exige n\u00e3o s\u00f3 que as pessoas deixem de lado aquilo que as torna distintas, como tamb\u00e9m se concentrem no que \u00e9 compartilhado. \u201cN\u00f3s procuramos o que \u00e9 importante, essencial. As diferen\u00e7as nos enriquecem. N\u00f3s somos abertos uns com os outros. Vemos as diferen\u00e7as como uma oportunidade, n\u00e3o um problema\u201d.<\/p>\n<h2 data-fontsize=\"30\" data-lineheight=\"39\">\u00c9 como uma Igreja Samaritana<\/h2>\n<p>A Igreja no Marrocos e as institui\u00e7\u00f5es de caridade com que trabalha, recebem e ajudam quem \u00e9 mais vulner\u00e1vel. Principalmente, eles s\u00e3o ativos dentro da sociedade marroquina e para os imigrantes vindos de pa\u00edses ao sul do Saara. De fato, s\u00e3o eles que est\u00e3o tentando alcan\u00e7ar a Europa ou permanecer no norte da \u00c1frica. <strong>\u201cA Igreja aceita e cuida dos necessitados. Isto \u00e9, \u00e9 uma Igreja Samaritana\u201d<\/strong>, disse o entrevistado.<\/p>\n<p>Por meio da C\u00e1ritas, o Marrocos cuida de milhares de migrantes que atravessam o Saara. Depois de completarem essa dif\u00edcil travessia, \u201cpermanecem presos\u201d no pa\u00eds, sem poder continuar para a Europa. \u201cEssas pessoas precisam de cuidados e de um ouvido solid\u00e1rio. A maioria deles est\u00e1 doente quando chega. Muitas mulheres est\u00e3o gr\u00e1vidas. A Igreja os \u201crecebe, protege, promove e integra, assim como o Papa Francisco nos pediu\u201d. O trabalho da Igreja no Marrocos \u00e9 t\u00e3o importante que \u201cat\u00e9 as autoridades mu\u00e7ulmanas apreciam seus esfor\u00e7os\u201d.<\/p>\n<h2 data-fontsize=\"30\" data-lineheight=\"39\">Fuga da \u00c1frica<\/h2>\n<p>Dom L\u00f3pez foi perguntado sobre o motivo de os jovens estarem fugindo da \u00c1frica. O bispo explicou que as raz\u00f5es econ\u00f4micas s\u00e3o o principal impulso para a maioria dos jovens migrantes. Eles est\u00e3o fugindo da pobreza e do desemprego. Mas, muitos deles tamb\u00e9m est\u00e3o fugindo de guerras, hostilidades, persegui\u00e7\u00f5es ou desastres naturais.<\/p>\n<p>De acordo com o bispo de Rabat, o problema da migra\u00e7\u00e3o na \u00c1frica ser\u00e1 imposs\u00edvel de resolver enquanto n\u00e3o houver mudan\u00e7as. \u201cNa Europa, 30% dos alimentos produzidos continuam a ser jogados fora\u201d, e as pessoas continuam a viver \u201cem excessos e grandeza\u201d, enquanto que, ao mesmo tempo, esperam que aqueles \u201cque vivem em circunst\u00e2ncias miser\u00e1veis aceitem passivamente seu destino\u201d e a sociedade permane\u00e7a inconsciente de seu comportamento. \u201cCertamente n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o e pode at\u00e9 ser chamado de desumano de que a Europa proteja suas fronteiras para que n\u00e3o tenha que compartilhar o que pertence a todos e o que a Europa se apropriou\u201d, expressou sua indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 data-fontsize=\"30\" data-lineheight=\"39\">\u201cO capitalismo mata\u201d<\/h2>\n<p>O bispo lembrou ainda as palavras do Papa Francisco: \u201cO capitalismo mata\u201d. \u201cEm vez de fornecer ajuda, devemos pagar pelas mat\u00e9rias-primas que exploramos. Devemos ter certeza de que as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais pagam os impostos que devem. \u201dEle acredita que <strong>a \u00c1frica n\u00e3o pode ser ajudada com \u201cmigalhas, mas com planos de justi\u00e7a e desenvolvimento. N\u00f3s n\u00e3o somos nada sem amor, somos menos ainda sem justi\u00e7a\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cO jovem marroquino\u201d \u2013 o bispo retornou ao t\u00f3pico anterior \u2013 \u201cest\u00e1 preso em seu pr\u00f3prio pa\u00eds\u201d. O Marrocos est\u00e1 sofrendo por causa de sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, pelo fato de n\u00e3o haver uma maneira realista de deixar o pa\u00eds. Para o sul est\u00e1 o vasto deserto do Saara, para o oeste, o Atl\u00e2ntico, para o leste, a Arg\u00e9lia \u2013 e a fronteira para este pa\u00eds est\u00e1 fechada devido \u00e0 guerra \u2013 e para o norte, a Europa. \u201cMuitos jovens do Marrocos apontam para a Espanha e perguntam: \u2018Por que eles podem vir aqui, mas eu n\u00e3o posso ir l\u00e1?\u2019\u201d<\/p>\n<h2 data-fontsize=\"30\" data-lineheight=\"39\">Existe liberdade religiosa no Marrocos?<\/h2>\n<p>Uma quest\u00e3o totalmente diferente, com a qual o Papa Francisco certamente ser\u00e1 confrontado durante sua viagem, \u00e9 o status da liberdade religiosa no pa\u00eds. Como a Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia ACN concluiu no <a href=\"https:\/\/www.acn.org.br\/relatorio-liberdade-religiosa\/\">Relat\u00f3rio Liberdade Religiosa no Mundo de 2018<\/a>, de acordo com a sua constitui\u00e7\u00e3o, o Reino do <a href=\"https:\/\/www.acn.org.br\/relatorio-liberdade-religiosa\/marrocos\/\">Marrocos<\/a> \u00e9 um Estado Soberano mu\u00e7ulmano. O artigo 3 diz: \u201cO Isl\u00e3 \u00e9 a religi\u00e3o do Estado, com a garantia do livre exerc\u00edcio de cren\u00e7as a todos\u201d. No entanto, a Constitui\u00e7\u00e3o pro\u00edbe partidos pol\u00edticos, parlamentares ou emendas constitucionais que infrinjam o Isl\u00e3.<\/p>\n<p>O Parlamento Europeu reconhece que a liberdade religiosa est\u00e1 consagrada constitucionalmente no Marrocos<a href=\"https:\/\/www.acn.org.br\/relatorio-liberdade-religiosa\/marrocos\/\">.<\/a> No entanto, acrescenta que \u201cos crist\u00e3os e especialmente os mu\u00e7ulmanos que se converteram ao cristianismo enfrentam numerosas formas de discrimina\u00e7\u00e3o e n\u00e3o podem pisar em uma igreja.\u201d Sob o C\u00f3digo Penal marroquino, proselitismo por n\u00e3o-mu\u00e7ulmanos \u2013 isto \u00e9, \u201cabalar a f\u00e9\u201d \u2013 da popula\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana, \u00e9 ilegal. A distribui\u00e7\u00e3o de materiais religiosos n\u00e3o-isl\u00e2micos tamb\u00e9m \u00e9 restringida pelo governo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA Igreja Cat\u00f3lica existe no Marrocos. 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