{"id":47701,"date":"2019-03-19T14:28:04","date_gmt":"2019-03-19T17:28:04","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47701"},"modified":"2019-03-19T15:13:38","modified_gmt":"2019-03-19T18:13:38","slug":"da-esmola-a-campanha-da-fraternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/da-esmola-a-campanha-da-fraternidade\/","title":{"rendered":"Da esmola \u00e0 Campanha da Fraternidade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.osaopaulo.org.br\/colunista\/francisco-borba-ribeiro-neto\">Francisco Borba Ribeiro Neto<\/a><\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Na Quaresma, a Igreja nos convida a um conjunto de pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas que ajudam a nossa convers\u00e3o. Tradicionalmente, nos s\u00e3o propostos a ora\u00e7\u00e3o, o jejum e a esmola (cf. a leitura do Evangelho de Quarta-feira de Cinzas, Mt 6,1-6.16-18). Outras variantes enumeram a ora\u00e7\u00e3o, a penit\u00eancia, a caridade e a medita\u00e7\u00e3o da Palavra. O conte\u00fado \u00faltimo \u00e9 praticamente o mesmo e inclui a consci\u00eancia dos pr\u00f3prios pecados, a ora\u00e7\u00e3o a Deus e o amor aos irm\u00e3os, em particular aos mais necessitados.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Dos tempos b\u00edblicos \u00e0 atualidade, a pr\u00e1tica do amor ao pr\u00f3ximo sofreu muitas transforma\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00e3o em sua ess\u00eancia, que permanece a mesma, mas em sua forma, que depende das necessidades reais de nossos irm\u00e3os e da percep\u00e7\u00e3o que temos da vida em sociedade. Da esmola citada no Evangelho \u00e0s modernas organiza\u00e7\u00f5es de voluntariado, muita coisa mudou, nem sempre para melhor, mas sempre a refletir as mudan\u00e7as dos contextos sociais.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">A primeira a\u00e7\u00e3o caritativa \u00e9, sem d\u00favida, assistencial: procura ajudar a quem precisa, sem se preocupar se o assistido ir\u00e1 ou n\u00e3o se tornar independente da assist\u00eancia no futuro. Ele precisa agora, e n\u00f3s que o amamos procuramos ajud\u00e1-lo agora.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">\u00c9 interessante notar que, ainda hoje, os principais alvos da a\u00e7\u00e3o caritativa da Igreja, os sem-teto, os migrantes, os presos etc., eram incorporados por Marx numa categoria chamada lumpemproletariado, que abarcava todos aqueles exclu\u00eddos e marginalizados que, por sua debilidade social, n\u00e3o tinham um papel pol\u00edtico relevante na transforma\u00e7\u00e3o do sistema. O crist\u00e3o n\u00e3o se preocupa com eles por raz\u00f5es pol\u00edticas, mas por uma exig\u00eancia do amor.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Ao longo da hist\u00f3ria, contudo, a comunidade cat\u00f3lica foi percebendo que a a\u00e7\u00e3o apenas assistencial, ainda que necess\u00e1ria em muitos casos, nem sempre era adequada. Havia aquelas pessoas para as quais era mais \u00fatil \u201censinar a pescar do que dar o peixe\u201d, para usar uma imagem muito conhecida. O amor continuava a implicar assist\u00eancia, mas tamb\u00e9m forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Mais tarde, percebeu-se tamb\u00e9m que, muitas vezes, as situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram intr\u00ednsecas \u00e0s pessoas, mas dependiam de um contexto social injusto. Por mais que se fizesse trabalho assistencial, era preciso mudar as estruturas que mantinham as condi\u00e7\u00f5es de pobreza e exclus\u00e3o social. O amor agora implicava n\u00e3o apenas o assistencial e a forma\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m se cruzava com o pol\u00edtico. Cruzamento essencial, mas sem d\u00favida perigoso, pois a pol\u00edtica \u00e9 o terreno tamb\u00e9m das op\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e partid\u00e1rias, que cegam as pessoas e dividem as comunidades.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">As Campanhas da Fraternidade (CFs) se inserem nesse contexto, no qual a caridade assume aspectos assistenciais, formativos e pol\u00edticos. Por isso, correspondem \u00e0s pr\u00e1ticas quaresmais normalmente associadas \u00e0 esmola e \u00e0 caridade.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Muitos criticam a CF por \u201croubar\u201d um espa\u00e7o que deveria ser reservado \u00e0 ascese e \u00e0 convers\u00e3o pessoal, entregando-o \u00e0 reflex\u00e3o sociopol\u00edtica. Isso seria verdade se ela se tornasse a \u00fanica pr\u00e1tica quaresmal \u2013 e n\u00e3o viesse acompanhada por momentos de ora\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e penit\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Percebendo esse risco, a CNBB vem indicando h\u00e1 tempos que o trabalho da CF seja iniciado na Quaresma, mas continue ao longo do ano \u2013 evitando o que poderia se tornar um desequil\u00edbrio nas pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">A convers\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 apenas \u00edntima e sentimental. \u00c9 sempre um acontecimento global, que mobiliza todos os nossos afetos e toda a nossa intelig\u00eancia. Essa \u00e9 a justa perspectiva para viver as Campanhas da Fraternidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Borba Ribeiro Neto Na Quaresma, a Igreja nos convida a um conjunto de pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas que ajudam a nossa convers\u00e3o. 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