{"id":4752,"date":"2014-06-26T13:07:32","date_gmt":"2014-06-26T16:07:32","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tempos-de-pecado\/"},"modified":"2017-04-05T16:31:24","modified_gmt":"2017-04-05T19:31:24","slug":"tempos-de-pecado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tempos-de-pecado\/","title":{"rendered":"Tempos de pecado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Por que o catolicismo est\u00e1 em decl\u00ednio?<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/confessionarios.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Uma das minhas preocupa\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas \u00e9: por que o catolicismo entrou em acentuado decl\u00ednio no \u00faltimo meio s\u00e9culo nos pa\u00edses mais modernizados e pr\u00f3speros do mundo, como os Estados Unidos, o Canad\u00e1 e grande parte da Europa?<\/p>\n<p>A resposta mais popular para esta pergunta \u00e9 que o decl\u00ednio \u00e9 todo culpa do Conc\u00edlio Vaticano II. Mas eu rejeito essa resposta. Se o Vaticano II teve um papel na queda, foi um papel bem pequeno. Os fatores importantes devem ser encontrados em outros lugares. Pode haver uma centena deles, mas um fator deve ser predominante.<\/p>\n<p>O cristianismo \u00e9 uma religi\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o, ou seja, a sua oferta \u00e9 nos salvar do pecado. De acordo com a hist\u00f3ria crist\u00e3, Deus se encarnou em Jesus Cristo, sofreu e morreu na cruz para nos salvar dos nossos pecados. A premissa, portanto, \u00e9 que n\u00f3s, seres humanos, somos pecadores. S\u00e9rios pecadores.<\/p>\n<p>Mas&#8230; e se n\u00e3o f\u00f4ssemos? A consequ\u00eancia seria n\u00e3o precisarmos de salva\u00e7\u00e3o do pecado. E se somos pecadores, mas n\u00e3o nos sentimos pecadores, tamb\u00e9m n\u00e3o vamos sentir a necessidade da salva\u00e7\u00e3o. E o cristianismo, desta forma, n\u00e3o far\u00e1 sentido para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Em geral, n\u00f3s, homens e mulheres modernos, n\u00e3o nos sentimos pecadores. N\u00e3o seriamente, pelo menos. Sim, admitimos que n\u00e3o somos perfeitos. Qualquer um de n\u00f3s pode fazer uma lista das suas imperfei\u00e7\u00f5es: \u00e0s vezes, comemos ou bebemos um pouco demais; muitas vezes nos exercitamos pouco; n\u00e3o lemos bons livros o suficiente; cometemos pequenos atos de indelicadeza de tempos em tempos, e assim por diante. Mas nada realmente pecaminoso o bastante para que o Criador e Sustentador do universo se fa\u00e7a homem e venha sofrer e morrer para expiar a nossa grande maldade.<\/p>\n<p>Admitimos que alguns seres humanos s\u00e3o realmente muito maus: Hitler, Stalin, Osama bin Laden, Charles Manson e alguns outros. Mas eles s\u00e3o at\u00edpicos na humanidade. O resto de n\u00f3s, seres humanos normais, fica horrorizado com os crimes de Hitler e companhia. Esta \u00e9 a prova de que n\u00f3s n\u00e3o somos t\u00e3o maus, n\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o, n\u00e3o precisamos de salva\u00e7\u00e3o do pecado. E n\u00e3o precisamos de uma religi\u00e3o que nos ofere\u00e7a esta salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 de admirar que o catolicismo esteja em decl\u00ednio.<\/p>\n<p>Houve um tempo, s\u00e9culos atr\u00e1s, em que as pessoas no mundo crist\u00e3o (o que hoje chamamos de &#8220;mundo ocidental&#8221;, j\u00e1 que n\u00e3o podemos mais cham\u00e1-lo com precis\u00e3o de mundo crist\u00e3o) tinham um forte senso da sua tend\u00eancia a pecar e, portanto, uma forte sensa\u00e7\u00e3o de precisar da salva\u00e7\u00e3o. Foi nessa atmosfera que o catolicismo floresceu.<\/p>\n<p>Mesmo com a grande Reforma Protestante, esse forte sentimento de pecado persistiu. Os primeiros l\u00edderes protestantes, como Lutero e Calvino, tinham o mesmo senso do pecado humano que qualquer cat\u00f3lico; talvez ainda mais forte.<\/p>\n<p>Mas as coisas mudaram no s\u00e9culo 18. A ideia de que a natureza humana \u00e9 inclinada ao mal foi gradualmente substitu\u00edda pela ideia oposta: a de que a natureza humana \u00e9 inclinada ao bem. O pensador que melhor expressou essa ideia foi Jean-Jacques Rousseau, muitas vezes chamado de &#8220;pai do Romantismo&#8221;. Mas, se Rousseau era uma poderosa influ\u00eancia no pensar e no sentir do s\u00e9culo 18, \u00e9 porque ele apenas expressava, com palavras persuasivas, o que todo mundo, ou pelo menos um grande n\u00famero de pessoas, j\u00e1 estava a ponto de pensar e sentir tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Deve-se admitir que esta substitui\u00e7\u00e3o da ideia cat\u00f3lica de pecado original pela ideia moderna de bondade humana teve algumas consequ\u00eancias boas muito importantes. Por um lado, facilitou o advento da democracia, j\u00e1 que, se os seres humanos s\u00e3o bons, podemos confiar neles para governar a si mesmos. Al\u00e9m disso, trouxe uma grande confian\u00e7a em nossos pr\u00f3prios poderes criativos, o que gerou um enorme progresso econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico. Mas, e isso tamb\u00e9m tem de ser admitido, minou a raz\u00e3o de ser do catolicismo. <\/p>\n<p>Existe alguma chance de ressurgir a velha vis\u00e3o cat\u00f3lica da propens\u00e3o humana ao pecado? Sim, se entrarmos em outro tempo de maldade como o de Hitler e Stalin. Era relativamente f\u00e1cil acreditar em pecado original durante o tempo de Hitler e Stalin, que ofereciam demonstra\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de maldade. Mas ser\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 outra maneira de recuperarmos o nosso senso de necessidade da salva\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Tudo depende do que queremos dizer com pecado. Se o pecado \u00e9 quest\u00e3o de gestos sensacionais de imoralidade (assassinato, estupro, roubo, apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, abuso sexual de crian\u00e7as, autodestrui\u00e7\u00e3o com drogas e \u00e1lcool etc.), \u00e9 claro que a maioria de n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 pecadora e n\u00e3o precisa da reden\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Mas se o pecado \u00e9 a falta de santidade, a reden\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo de que precisamos, porque s\u00f3 Deus \u00e9 verdadeiramente santo. N\u00f3s, humanos, n\u00e3o somos santos nem podemos nos fazer santos. Podemos tornar-nos santos sendo salvos do nosso estado pecaminoso de falta de santidade, mas apenas por gra\u00e7a de Cristo.<\/p>\n<p>A raiz do problema, creio eu, \u00e9 que n\u00f3s, humanos modernos, n\u00e3o acreditamos de verdade em Deus. Acreditamos mais ou menos. Se realmente acredit\u00e1ssemos em Deus, ter\u00edamos um forte senso da santidade de Deus e, por conseguinte, um forte senso da nossa pr\u00f3pria falta de santidade, ou seja, do nosso pecado. Isto, por sua vez, nos faria sentir a necessidade de ser salvos do pecado.<\/p>\n<p>O catolicismo reflorescer\u00e1, em suma, quando reflorescer a genu\u00edna e s\u00f3lida f\u00e9 em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que o catolicismo est\u00e1 em decl\u00ednio? Uma das minhas preocupa\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas \u00e9: por que o catolicismo entrou em acentuado decl\u00ednio no \u00faltimo meio s\u00e9culo nos pa\u00edses mais modernizados e pr\u00f3speros do mundo, como os Estados Unidos, o Canad\u00e1 e grande parte da Europa? 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