{"id":47453,"date":"2019-03-09T14:19:33","date_gmt":"2019-03-09T17:19:33","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47453"},"modified":"2019-03-11T14:24:37","modified_gmt":"2019-03-11T17:24:37","slug":"as-tres-tentacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/as-tres-tentacoes\/","title":{"rendered":"As tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>A palavra do Senhor, dirigida a n\u00f3s nesse primeiro domingo da quaresma, tempo forte que, com diz o Papa Francisco, quer despertar a alma para reencontrar a rota da vida, jejuar do sup\u00e9rfluo que distrai e deter-se para ir ao essencial, convida-nos a contemplar a figura de Jesus Cristo sendo Vencedor da Tenta\u00e7\u00e3o e mestre que nos ensina o caminho de vit\u00f3ria ante as diversas tenta\u00e7\u00f5es da vida.<\/p>\n<p>Vivamos de cora\u00e7\u00e3o aberto este primeiro Domingo do sagrado tempo da Quaresma, como um tempo de caminho para bem celebrar a santa P\u00e1scoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Viver com seriedade o tempo quaresmal \u00e9 colocar-se espiritualmente a caminho para crescer naquele conhecimento interior de Jesus, conhecimento saboroso, conhecimento ungido pelo Santo Esp\u00edrito, conhecimento que ultrapassa de muito o simples conhecimento exterior adquirido pelo estudo. Deste conhecimento bendito falou-nos a ora\u00e7\u00e3o da Missa deste domingo, que pede a Deus:\u00a0<em>\u201cque ao longo desta Quaresma possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Encontramos na primeira leitura (Dt 26, 4-10), o momento em que Mois\u00e9s diz ao povo que, ao se assentar na terra prometida, deve oferecer ao Senhor as prim\u00edcias dos frutos da terra em sinal de gratid\u00e3o. A oferta material, que seria feita pelo sacerdote, deveria ser oferecida junto com uma prece de reconhecimento das dificuldades passadas pelo povo e da gratid\u00e3o pelo socorro e pela liberta\u00e7\u00e3o trazida por Deus. Ap\u00f3s apresentar a oferenda, diz a leitura, o povo deve inclinar-se em adora\u00e7\u00e3o. Mois\u00e9s apresenta como recomenda\u00e7\u00e3o ao povo uma atitude exterior, a oferenda dos primeiros frutos, junto com uma atitude interior, a de reconhecimento e gratid\u00e3o. Esse \u00e9 o verdadeiro modo do agir crist\u00e3o no mundo: n\u00e3o somente gestos externos sem sentido ou sem conte\u00fado, nem gestos somente interiores que n\u00e3o mostrem sua efic\u00e1cia na vida.<\/p>\n<p>Em resposta a esta leitura, a Liturgia da Igreja coloca em nossos l\u00e1bios a ora\u00e7\u00e3o contida no salmo 90, o salmo da Confian\u00e7a. O salmo 90 \u00e9 um dos salmos mais populares da Sagrada Escritura. \u00c9 muito comum encontrar as B\u00edblias abertas nas casas exatamente no salmo 90. Este salmo mostra o homem fraco colocado ante o Deus Forte e que sabe que sua fortaleza est\u00e1 n\u2019Ele. A confian\u00e7a em Deus faz o homem forte e capaz de suportar todas as lutas. A certeza de que Deus cuida de n\u00f3s reorienta nossa forma de ver a vida.<\/p>\n<p>A segunda leitura (Rm 10, 8-13), que se encontra na se\u00e7\u00e3o onde Paulo fala qual deve ser o destino do Antigo Israel ante o surgimento do Novo Povo de Deus, o Novo Israel, o ap\u00f3stolo faz um convite: assim como foi mostrado na primeira Leitura, onde o povo era convidado a oferecer e adorar, agora o convite \u00e9 o de confessar a f\u00e9 com os l\u00e1bios e crer com o cora\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 \u00e9 a certeza que salva e a for\u00e7a que n\u00e3o nos deixa ser confundidos.<\/p>\n<p>O Evangelho deste domingo, (Lc 4, 1-13) \u00e9 o motivo pelo qual o primeiro domingo da Quaresma seja chamado de Domingo das tenta\u00e7\u00f5es. Passagem importante da vida de Jesus, testemunhada por Mateus, Marcos e Lucas, onde vemos Jesus, logo ap\u00f3s o seu batismo e antes de iniciar seu minist\u00e9rio p\u00fablico, conduzido pelo Esp\u00edrito, deixa-se tentar pelo dem\u00f4nio. Jesus foi tentado para mostrar assim sua natureza humana e para mostrar, ao mesmo tempo, que venceu o tentador por n\u00f3s, mostrando ao mesmo tempo o caminho de vit\u00f3ria da tenta\u00e7\u00e3o. Ele foi provado em tudo, \u00e0 nossa semelhan\u00e7a, exceto no pecado (Heb 4,15). Jesus se apresenta como o Novo Ad\u00e3o: como o primeiro a Ad\u00e3o sucumbiu ante a tenta\u00e7\u00e3o, fazendo com que o mal marcasse a humanidade, o Novo Ad\u00e3o, vencedor da Tenta\u00e7\u00e3o, do pecado e da Morte, traz a nova vida e inaugura o estado no Novo Homem.<\/p>\n<p>O Papa Francisco assim comenta esse epis\u00f3dio (em 2016): \u201cAs tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es de Cristo&#8230; Tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es do crist\u00e3o que procuram arruinar a verdade a que fomos chamados. Tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es que visam degradar e degradar-nos. Primeira, a riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os s\u00f3 para mim ou para \u00abos meus\u00bb. \u00c9 conseguir o p\u00e3o com o suor alheio ou at\u00e9 com a vida alheia. Tal riqueza \u00e9 p\u00e3o que sabe a tristeza, amargura e sofrimento. Numa fam\u00edlia ou numa sociedade corrupta, este \u00e9 o p\u00e3o que se d\u00e1 a comer aos pr\u00f3prios filhos. Segunda tenta\u00e7\u00e3o, a vaidade: a busca de prest\u00edgio baseada na desqualifica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e constante daqueles que \u00abn\u00e3o s\u00e3o ningu\u00e9m\u00bb. A busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que n\u00e3o perdoa a \u00abfama\u00bb dos outros. E, \u00abalegrando-se com a desgra\u00e7a alheia\u00bb, abre-se caminho \u00e0 terceira tenta\u00e7\u00e3o, a pior, a do orgulho, ou seja, colocar-se num plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que n\u00e3o se partilha \u00aba vida comum dos mortais\u00bb e rezando todos os dias: \u00abDou-Vos gra\u00e7as, Senhor, porque n\u00e3o me fizestes como eles\u00bb. Tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es de Cristo&#8230; Tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es que o crist\u00e3o enfrenta diariamente. Tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es que procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos fecham num c\u00edrculo de destrui\u00e7\u00e3o e pecado. Por isso vale a pena perguntarmo-nos: At\u00e9 que ponto estamos conscientes destas tenta\u00e7\u00f5es na nossa vida, em n\u00f3s mesmos? At\u00e9 que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a for\u00e7a de vida? At\u00e9 que ponto estamos convencidos de que cuidar do outro, preocupar-nos e ocupar-nos com o p\u00e3o, o bom nome e a dignidade dos outros seja fonte de alegria e de esperan\u00e7a? Escolhemos Jesus e n\u00e3o o diabo. Se vos recordais do que escutamos no Evangelho, Jesus n\u00e3o responde ao dem\u00f4nio com qualquer palavra pr\u00f3pria, mas responde-lhe com as palavras de Deus, com as palavras da Sagrada Escritura. Com efeito, irm\u00e3s e irm\u00e3os, &#8211; fixemo-lo bem na cabe\u00e7a \u2013 com o dem\u00f4nio n\u00e3o se dialoga, n\u00e3o se pode dialogar, porque sempre nos ganhar\u00e1. S\u00f3 a for\u00e7a da Palavra de Deus o pode derrotar. N\u00f3s escolhemos, n\u00e3o o diabo, mas Jesus; queremos seguir os seus passos, mas sabemos que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Sabemos o que significa ser seduzidos pelo dinheiro, a fama e o poder. Por isso, a Igreja oferece-nos este tempo da Quaresma, convida-nos \u00e0 convers\u00e3o com uma \u00fanica certeza: Ele est\u00e1 \u00e0 nossa espera e quer curar o nosso cora\u00e7\u00e3o de tudo aquilo que\u00a0<span style=\"text-decoration: line-through;\">d<\/span>egrada, degradando-se ou degradando a outros. \u00c9 o Deus que tem um nome: miseric\u00f3rdia. O seu nome \u00e9 a nossa riqueza, o seu nome \u00e9 a nossa fama, o seu nome \u00e9 o nosso poder. E \u00e9 no seu nome que repomos a nossa confian\u00e7a, como diz o Salmo: \u00abV\u00f3s sois o meu Deus, em V\u00f3s confio\u00bb. T\u00eam a coragem de repetir isto juntos? Tr\u00eas vezes: \u00abV\u00f3s sois o meu Deus, em V\u00f3s confio\u00bb. \u00abV\u00f3s sois o meu Deus, em V\u00f3s confio\u00bb. \u00abV\u00f3s sois o meu Deus, em V\u00f3s confio\u00bb Jesus foi tentado como n\u00f3s, tentado por nossa causa, por amor de n\u00f3s. Ele foi tentado como n\u00f3s, para que n\u00f3s ven\u00e7amos como ele! Ele foi tentado n\u00e3o somente naqueles quarenta dias. O evangelho diz que\u00a0<em>\u201cterminada toda a tenta\u00e7\u00e3o, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno\u201d(cf. Lc 4,13).<\/em>\u00a0A tenta\u00e7\u00e3o de Jesus foi at\u00e9 a cruz, quando ele, no combate final, colocou toda a vida nas m\u00e3os do Pai e pelo Pai foi ressuscitado, tornando-se causa de vida e ressurrei\u00e7\u00e3o para n\u00f3s, que nele cremos, que o seguimos, com ele combatemos e o proclamamos Senhor ressuscitado\u201d.<\/p>\n<p>A quaresma \u00e9 para n\u00f3s um tempo forte de convers\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o em prepara\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa. \u00c9 tempo de rasgar o cora\u00e7\u00e3o e voltar ao Senhor. Tempo de retomar o caminho e de se abrir \u00e0 gra\u00e7a do Senhor, que nos ama e nos socorre. \u00c9 um tempo sagrado para aprofundar o Plano de Deus e rever a nossa vida crist\u00e3. E n\u00f3s somos convidados pelo Esp\u00edrito ao DESERTO da Quaresma para nos fortalecer nas tenta\u00e7\u00f5es, que frequentemente tentam nos afastar dos planos de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra do Senhor, dirigida a n\u00f3s nesse primeiro domingo da quaresma, tempo forte que, com diz o Papa Francisco, quer despertar a alma para reencontrar a rota da vida, jejuar do sup\u00e9rfluo que distrai e deter-se para ir ao essencial, convida-nos a contemplar a figura de Jesus Cristo sendo Vencedor da Tenta\u00e7\u00e3o e mestre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":32777,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-47453","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47453"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47453\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47454,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47453\/revisions\/47454"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}