{"id":47423,"date":"2019-03-06T08:17:31","date_gmt":"2019-03-06T11:17:31","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47423"},"modified":"2019-03-08T09:26:00","modified_gmt":"2019-03-08T12:26:00","slug":"esmola-e-caridade-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/esmola-e-caridade-2\/","title":{"rendered":"Esmola e caridade"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Papa Francisco, ao abrir a Quaresma deste ano, na homilia desta quarta-feira de cinzas, referiu-se \u00e0s tr\u00eas atitudes propostas pelo Evangelho deste dia dizendo: \u201cnessa viagem de retorno ao essencial \u201co Evangelho prop\u00f5e\u00a0tr\u00eas etapas, que o Senhor pede para percorrer sem hipocrisia nem fic\u00e7\u00e3o:\u00a0a esmola, a ora\u00e7\u00e3o e o jejum\u201d.<\/h2>\n<p>\u201cA esmola, a ora\u00e7\u00e3o e o jejum nos reconduzem \u00e0s \u00fanicas tr\u00eas realidades que n\u00e3o se dissipam. A ora\u00e7\u00e3o nos une a Deus; a caridade, ao pr\u00f3ximo; o jejum, a n\u00f3s mesmos. Deus, os irm\u00e3os, a minha vida: eis as realidades que n\u00e3o terminam no nada e sobre as quais \u00e9 preciso investir.\u201d<\/p>\n<p>A Quaresma nos convida a olhar \u201c<em>para o Alto<\/em>, com a ora\u00e7\u00e3o\u201d, que liberta de uma vida chata \u201conde se encontra tempo para si, mas se esquece de Deus\u201d, e depois a olhar \u201c<em>para o outro<\/em>, com a caridade, que liberta da nulidade do ter, de pensar que as coisas est\u00e3o bem se para mim tudo vai bem\u201d.<\/p>\n<p>A Quaresma nos convida \u201ca olhar\u00a0<em>para dentro<\/em>\u00a0de n\u00f3s mesmos, com o jejum, que liberta do apego \u00e0s coisas, do mundanismo que anestesia o cora\u00e7\u00e3o.\u00a0Ora\u00e7\u00e3o, caridade, jejum: tr\u00eas investimentos num tesouro que dura\u201d.<\/p>\n<p>Abrimos o per\u00edodo quaresmal com uma espiritualidade profunda em que somos convidados a trilhar o caminho da penit\u00eancia especialmente utilizando o nosso tempo com a ora\u00e7\u00e3o, o jejum e a esmola.<\/p>\n<p>Neste tempo de tanta car\u00eancia e necessidade \u00e9 muito importante repensarmos sobre o papel de domina\u00e7\u00e3o e escravid\u00e3o que os bens e riquezas exercem em nossas vidas. Da\u00ed a import\u00e2ncia de aprofundarmos a import\u00e2ncia da partilha, da caridade ou esmola e o sua consequ\u00eancia em nossas vidas.<\/p>\n<p>Embora possamos sempre compartilhar com os irm\u00e3os e irm\u00e3s carentes as necessidades moment\u00e2neas que nos aparecem diante dos olhos numa sociedade em que as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua aumentam ada vez mais, no entanto, somos chamados a ver nesse gesto uma necessidade de convers\u00e3o dessa idolatria que o mundo de hoje imp\u00f5e em nossas vidas.<\/p>\n<p>Precisamos sim ajudar aos nossos irm\u00e3os nas suas necessidades, a fome n\u00e3o espera, mas \u201cesmola\u201d \u00e9 muito mais que um assistencialismo; \u00e9 dar vida, dignidade, tirar o irm\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o que ele se encontra. Dar algo material \u00e9 muito mais f\u00e1cil e c\u00f4modo do que dar de si, do seu tempo, das suas capacidades, daquilo que voc\u00ea sabe fazer, e principalmente do amor humano carregado do amor Divino.<\/p>\n<p>Dar esmola significa dar de gra\u00e7a, dar sem interesse de receber de volta, dar sem ego\u00edsmo, sem pedir recompensa, em atitude de compaix\u00e3o. Nisto ele imita o pr\u00f3prio Deus no mist\u00e9rio da cria\u00e7\u00e3o e a Jesus Cristo, no mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o. O homem recebeu tudo do seu criador. Tudo quanto tem, possui-o porque recebeu. Ora, se Deus d\u00e1 de gra\u00e7a e se o homem \u00e9 criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, se Cristo se doou totalmente, dando sua vida, tamb\u00e9m a pessoa ser\u00e1 capaz de dar de gra\u00e7a. Ao descobrir que dentro de si existe a sublime capacidade de doar-se na gratuidade, a exemplo de Deus e de Cristo, brota nele o desejo de celebr\u00e1-la.<\/p>\n<p>Quando, pois, na quaresma a Igreja convoca a todos os fi\u00e9is a darem esmola, ela comemora aquele que por excel\u00eancia exerceu a esmola: Jesus Cristo. Convida o homem \u00e0 atitude de abertura ao pr\u00f3ximo, convida-o a servir ao pr\u00f3ximo com generosidade e desprendimento. Ora, neste momento a esmola come\u00e7a a significar toda esta atitude de doa\u00e7\u00e3o gratuita. N\u00e3o s\u00f3 de bens materiais, mas o tempo, o interesse, as qualidades, o servi\u00e7o, o acolhimento, a aceita\u00e7\u00e3o. E todo este mist\u00e9rio de abertura e gratuidade em favor do pr\u00f3ximo na imita\u00e7\u00e3o de Deus e de Cristo possui ent\u00e3o uma linguagem ritual. Tem valor de s\u00edmbolo.<\/p>\n<p>Pela celebra\u00e7\u00e3o quaresmal com a proposta de dar esmola a Igreja comemora a generosidade de Cristo que deu sua vida pelos seus e torna presente Cristo, dando-se a seus irm\u00e3os em cada irm\u00e3o, formando o seu corpo. Assim, quando a Igreja convida os fi\u00e9is a exercerem a esmola durante a Quaresma, sabe muito bem que n\u00e3o \u00e9 pela esmola em si que ela vai resolver todos os problemas sociais e realizar a promo\u00e7\u00e3o humana, mas sabe tamb\u00e9m que \u00e9 pelo que a esmola significa que ela vai realizar uma verdadeira promo\u00e7\u00e3o humana.\u00a0 Muitas situa\u00e7\u00f5es de car\u00eancia de muitos existem exatamente por causa da gan\u00e2ncia e do apego aos bens de alguns.<\/p>\n<p>Dessa maneira, n\u00e3o \u00e9 a quantia que importa, mas o que gesto ou o rito da esmola significa. Exercitando a atitude da esmola durante a quaresma, a Igreja quer levar os crist\u00e3os a viverem a atitude da esmola durante todo o ano, durante toda a vida. Descobrimos, ent\u00e3o, que no exerc\u00edcio da esmola est\u00e1 contida a atitude de convers\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p><strong>O que diz o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica:<\/strong> no Batismo, Deus infunde na alma, sem nenhum m\u00e9rito nosso, as virtudes, que s\u00e3o disposi\u00e7\u00f5es habituais e firmes para fazer o bem. As virtudes infusas s\u00e3o teologais e morais. As teologais t\u00eam como objeto a Deus; as morais t\u00eam como objeto os bons atos humanos. As teologais s\u00e3o tr\u00eas: <em>f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade.<\/em><\/p>\n<p>No que diz respeito da virtude teologal da caridade, ou seja, do amor, deve-se ter em conta que o amor a Deus e o amor ao pr\u00f3ximo s\u00e3o uma mesma e \u00fanica coisa, de modo que um depende do outro; por isto, tanto mais poderemos amar ao pr\u00f3ximo quanto mais amemos a Deus; e, por sua vez, tanto mais amaremos a Deus quanto mais de verdade amemos ao pr\u00f3ximo. (<strong>\u00a71822: <\/strong>a caridade \u00e9 a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos, por amor de Deus; <strong>\u00a71823: <\/strong>Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus \u201cat\u00e9 o fim\u201d (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os disc\u00edpulos imitam o amor de Jesus que eles tamb\u00e9m recebem. Por isso diz Jesus: <em>\u201cAssim como o Pai me amou, tamb\u00e9m eu vos amei. Permanecei em meu amor\u201d<\/em> (Jo 15,9). E ainda: <em>\u201cEste \u00e9 o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei\u201d<\/em> (Jo 15,12): <strong>\u00a71824: <\/strong>Fruto do Esp\u00edrito e da plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de seu Cristo: <strong>\u201cPermanecei em meu amor. Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor\u201d<\/strong> (Jo 15,9-10); <strong>\u00a71825: <\/strong>Cristo morreu por nosso amor quando \u00e9ramos ainda \u201cinimigos\u201d (Rm 5,10). O Senhor exige que amemos como Ele, mesmo os nossos inimigos, que nos tornemos o pr\u00f3ximo do mais afastado, que amemos como Ele as crian\u00e7as e os pobres).<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo S. Paulo tra\u00e7ou um quadro incompar\u00e1vel da caridade: <em>\u201cA caridade \u00e9 paciente, a caridade \u00e9 prestativa, n\u00e3o \u00e9 invejosa, n\u00e3o se ostenta, n\u00e3o se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, n\u00e3o procura o seu pr\u00f3prio interesse, n\u00e3o se irrita, n\u00e3o guarda rancor. N\u00e3o se alegra com a injusti\u00e7a, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa tudo cr\u00ea, tudo espera, tudo suporta\u201d<\/em> (l Cor 13,4-7).<\/p>\n<p>O Papa Francisco em sua mensagem para a quaresma deste ano tamb\u00e9m se referiu a essas tr\u00eas pr\u00e1ticas recomendadas no evangelho que abre a quaresma: \u201c<em>Jejuar<\/em>, isto \u00e9, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tenta\u00e7\u00e3o de \u00abdevorar\u00bb tudo para satisfazer a nossa voracidade, \u00e0 capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso cora\u00e7\u00e3o. <em>Orar<\/em>, para saber renunciar \u00e0 idolatria e \u00e0 autossufici\u00eancia do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua miseric\u00f3rdia. <em>Dar esmola<\/em>, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para n\u00f3s mesmos, com a ilus\u00e3o de assegurarmos um futuro que n\u00e3o nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na cria\u00e7\u00e3o e no nosso cora\u00e7\u00e3o: o projeto de am\u00e1-Lo a Ele, aos nossos irm\u00e3os e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade. E concluiu: Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, a \u00abquaresma\u00bb do Filho de Deus consistiu em entrar no <em>deserto<\/em> da cria\u00e7\u00e3o para faz\u00ea-la voltar a ser aquele <em>jardim <\/em>da comunh\u00e3o com Deus que era antes do pecado das origens (cf. <em>Mc<\/em> 1,12-13; <em>Is<\/em> 51,3).<\/p>\n<p>Em sua homilia desta quarta-feira de cinzas ele ainda nos faz refletir sobre a nossa mudan\u00e7a de rota e nos pergunta atr\u00e1s de que n\u00f3s corremos: \u201cAs realidades terrenas dissipam-se como poeira ao vento. Os bens s\u00e3o provis\u00f3rios, o poder passa, o sucesso declina. A\u00a0<em>cultura da apar\u00eancia<\/em>, hoje dominante e que induz a viver para as coisas que passam, \u00e9 um grande engano. Pois \u00e9 como uma fogueira: uma vez apagada, ficam apenas as cinzas\u201d, frisou. O Papa disse ainda que a \u201cQuaresma \u00e9 o tempo para nos libertarmos da ilus\u00e3o de viver correndo atr\u00e1s da poeira. Quaresma \u00e9 redescobrir que somos feitos para o fogo que arde sempre, n\u00e3o para a cinza que imediatamente desaparece; para Deus, n\u00e3o para o mundo; para a eternidade do C\u00e9u, n\u00e3o para o engano da terra; para a liberdade dos filhos, n\u00e3o para a escravid\u00e3o das coisas. Hoje, podemos nos perguntar: De que parte estou? Vivo para o fogo ou para as cinzas?\u201d<\/p>\n<p>Portanto, eis o grande convite para este tempo quaresmal. Que vivamos intensamente a ora\u00e7\u00e3o, que cumpramos com o jejum como forma de moldarmos ainda mais o nosso cora\u00e7\u00e3o a vontade de Deus e que exer\u00e7amos a esmola (caridade) como forma de doa\u00e7\u00e3o do que temos e somos ao servi\u00e7o daqueles que mais necessitam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 &nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Papa Francisco, ao abrir a Quaresma deste ano, na homilia desta quarta-feira de cinzas, referiu-se \u00e0s tr\u00eas atitudes propostas pelo Evangelho deste dia dizendo: \u201cnessa viagem de retorno ao essencial \u201co Evangelho prop\u00f5e\u00a0tr\u00eas etapas, que o Senhor pede para percorrer sem hipocrisia nem fic\u00e7\u00e3o:\u00a0a esmola, a ora\u00e7\u00e3o e o jejum\u201d. \u201cA [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":32777,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-47423","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47423"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47423\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47424,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47423\/revisions\/47424"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}