{"id":47372,"date":"2019-03-03T12:43:28","date_gmt":"2019-03-03T15:43:28","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47372"},"modified":"2019-03-08T08:37:50","modified_gmt":"2019-03-08T11:37:50","slug":"tons-de-cinza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tons-de-cinza\/","title":{"rendered":"Tons de cinza"},"content":{"rendered":"<p>Nada a ver com o famoso livro, do qual desconhe\u00e7o qualquer par\u00e1grafo. Mas o t\u00edtulo acima possui algo de m\u00edstico e po\u00e9tico, j\u00e1 que o simples imaginar do cinza como cor de nuances diversos ou como produto de combust\u00e3o pelo fogo, j\u00e1 nos faz pensar. Como t\u00edtulo que se d\u00e1 a um dia da semana no ano, mais ainda. Como quarta-feira suced\u00e2nea de dias de folia carnavalesca ent\u00e3o&#8230; Como vemos, uma simples cor \u00e9 que d\u00e1 o tom de nossa conversa hoje.<\/p>\n<p>Por que a Igreja escolheu essa cor para iniciar seu per\u00edodo de penit\u00eancia quaresmal? Temos pela frente quarenta dias de muita reflex\u00e3o lit\u00fargica, voltadas especialmente para o aspecto de mortifica\u00e7\u00f5es e sacrif\u00edcios que visam a plenitude espiritual de qualquer crist\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um mero gesto, um simbolismo estereotipado, imposto pelas normas can\u00f4nicas ou mesmo ritualistas da Igreja. O ato de receber as cinzas, mais que um sacramental lit\u00fargico, deve ser, primeiramente, atitude de mudan\u00e7as de um cora\u00e7\u00e3o penitente. Quem as aceita com humildade e f\u00e9, recebe um sinal concreto de convers\u00e3o, mudan\u00e7a de vida.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica vem de longe, da Igreja Primitiva, que abria o per\u00edodo quaresmal com o gesto da imposi\u00e7\u00e3o das cinzas, lembrando a finitude do corpo: \u201cTu \u00e9s p\u00f3 e a ele voltar\u00e1s\u201d. Tamb\u00e9m a necessidade de constante aprimoramento de nossas condutas cotidianas, atentas que devem estar aos ensinamentos da nossa f\u00e9: \u201cConvertam-se e creiam no Evangelho\u201d. \u00c9 exatamente uma dessas duas frases (\u00e9 opcional) que os celebrantes do sacramental das Cinzas pronuncia ao ministrar as cinzas sobre a cabe\u00e7a do penitente, tra\u00e7ando com elas o sinal da cruz. Na liturgia primitiva esse gesto dava inicio aos quarenta dias de penit\u00eancia em prepara\u00e7\u00e3o ao grande sacramento da quinta-feira santa, ou seja: a confiss\u00e3o, o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o! Eis porque em todo o per\u00edodo da quaresma a Igreja nos convida a buscar esse sacramento.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o paramos por aqui. Algo muito mais significativo vem da pr\u00f3pria origem latina da palavra: cinis, cinza. Talvez para muitos seja apenas um tom, uma cor sem gra\u00e7a, que estampa em sua fronte o cinismo da pr\u00f3pria falta de f\u00e9. A estes \u00e9 oportuno lembrar que essa cor vazia de atrativos \u00e9 derivada da mistura do branco com o preto (a miscigena\u00e7\u00e3o das ra\u00e7as), do dia com a noite (a nossa transitoriedade), mas sobretudo, produto de uma combust\u00e3o pelo fogo (a purifica\u00e7\u00e3o da alma). Esse produto, nas cerimonias cat\u00f3licas, vem da queima dos ramos bentos que sobraram do ano anterior, acrescidos pela \u00e1gua benta e incensos sagrados. Eis o que nos sobra: os ramos verdes e tenros que outrora saudaram o Cristo com Senhor e Rei, hoje nos cobrem a vergonha de muitas fraquezas e infidelidades diante de sua doutrina. O que fizemos de seus ensinamentos? As cinzas daquela aclama\u00e7\u00e3o reposicionam nossas atitudes e reanimam nossa f\u00e9.<\/p>\n<p>O magist\u00e9rio da Igreja n\u00e3o desperdi\u00e7a gestos e rituais. Aquilo que para muitos aparenta nuances rid\u00edculos, inconceb\u00edveis nos tempos modernos, se aprofundado e vivenciando com conhecimento de causa, torna-se muito mais que um gesto simb\u00f3lico, mas um instrumental capaz de provocar mudan\u00e7as radicais, convers\u00f5es sinceras. Receber cinzas sobre nossas testas n\u00e3o \u00e9 mais um ritual ou rito carnavalesco, mas uma atitude de f\u00e9. D\u00e1 in\u00edcio a um per\u00edodo de jejum e abstin\u00eancia s\u00f3 compreens\u00edvel e justific\u00e1vel para aqueles que buscam aprimoramentos na vida. Estes se d\u00e3o com atitudes, determina\u00e7\u00f5es pessoais. Ningu\u00e9m cresce sem esfor\u00e7o. Ningu\u00e9m vence sem ren\u00fancias. Ningu\u00e9m supera sem suor, sem sacrif\u00edcios, sem a depura\u00e7\u00e3o do fogo&#8230; Deste mesmo fogo que Jesus desejou estar ardendo, queimando nosso ego, nossa prepot\u00eancia de nos acharmos donos de n\u00f3s mesmos, quando p\u00f3 \u00e9 o que somos. Deste, nem cinzas sobrar\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada a ver com o famoso livro, do qual desconhe\u00e7o qualquer par\u00e1grafo. Mas o t\u00edtulo acima possui algo de m\u00edstico e po\u00e9tico, j\u00e1 que o simples imaginar do cinza como cor de nuances diversos ou como produto de combust\u00e3o pelo fogo, j\u00e1 nos faz pensar. 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