{"id":47144,"date":"2019-02-19T09:56:42","date_gmt":"2019-02-19T12:56:42","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47144"},"modified":"2019-02-19T16:13:37","modified_gmt":"2019-02-19T19:13:37","slug":"brumadinho-a-gente-realmente-se-importa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/brumadinho-a-gente-realmente-se-importa\/","title":{"rendered":"Brumadinho: a gente realmente se importa?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.osaopaulo.org.br\/colunista\/diego-ferreira-ramos-machado\">Diego Ferreira Ramos Machado<\/a><\/p>\n<p class=\"rtejustify\">No \u00faltimo dia 25 de janeiro, por mais uma vez, assistimos at\u00f4nitos aos notici\u00e1rios que relatavam o que aconteceu em Brumadinho (MG), cidade pr\u00f3xima a Belo Horizonte, no rompimento da barragem de minera\u00e7\u00e3o da Vale, no c\u00f3rrego do Feij\u00e3o. S\u00e3o dezenas de mortos, muitos desaparecidos e desabrigados.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">porque acidentes s\u00e3o imprevistos. Ao tomar emprestada a defini\u00e7\u00e3o dada pela Lei portuguesa (Lei de Bases da Prote\u00e7\u00e3o Civil n\u00ba 113\/1991), preferimos chamar de calamidade, porque se trata de um \u201cacontecimento grave de origem tecnol\u00f3gica, com efeito prolongado no tempo e no espa\u00e7o, previs\u00edvel, e que provoca elevado preju\u00edzo material e v\u00edtimas, afetando intensamente as condi\u00e7\u00f5es de vida e o tecido socioecon\u00f4mico em \u00e1reas extensas do territ\u00f3rio nacional\u201d. Para a Defesa Civil brasileira, ligada ao Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Regional, tamb\u00e9m h\u00e1 o reconhecimento de que o ocorrido se trata de uma calamidade p\u00fablica e, sendo assim, n\u00e3o podemos p\u00f4r no mesmo cesto das cat\u00e1strofes naturais, imprevis\u00edveis (como terremotos, tsun\u00e2mis, furac\u00f5es ou erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas), tampouco entre os acidentes corriqueiros. \u00c9, tamb\u00e9m, sem d\u00favida, um crime (ou v\u00e1rios)!<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Mas a quest\u00e3o \u00e9: de fato, n\u00f3s nos importamos? Porque, se nos importamos, \u00e9 porque damos cr\u00e9dito \u00e0 real import\u00e2ncia do tema ambiental. E, se damos import\u00e2ncia ao meio ambiente, como podemos consumir desenfreadamente os recursos naturais sem nos importarmos com sua proced\u00eancia, como e onde s\u00e3o explorados, com quem lucra com eles, que danos socioambientais causam, com o destino que damos aos res\u00edduos etc.? Se damos import\u00e2ncia ao meio ambiente e, porque somos crist\u00e3os, nos importa aquilo que Deus criou, ent\u00e3o como podemos num dia nos importarmos com os animais soterrados pela lama e, no outro, sermos contr\u00e1rios aos acordos internacionais de preserva\u00e7\u00e3o da biosfera, acordos important\u00edssimos de que o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio \u2013 como o Acordo de Paris, por exemplo \u2013 ou, pior, sermos inertes \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que retiram do Poder P\u00fablico a intensifica\u00e7\u00e3o das fiscaliza\u00e7\u00f5es ambientais, como se n\u00e3o fosse com a gente ou da nossa conta? Como podemos nos importar com as vidas que morreram na calamidade de Brumadinho e n\u00e3o nos importarmos com, por exemplo, o fabrico de roupas por m\u00e3o de obra escrava nas oficinas do Bom Retiro e mundo afora em pleno s\u00e9culo XXI, ou com a justa demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas?<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Precisamos de desenvolvimento. Mas precisamos que ele seja sustent\u00e1vel, isto \u00e9, \u201ceconomicamente vi\u00e1vel, socialmente justo e ecologicamente correto\u201d. N\u00e3o precisamos nem podemos nos desenvolver \u201ca todo custo\u201d, porque, como \u00e9 \u00f3bvio, vidas n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o. Se cada um de n\u00f3s n\u00e3o olhar para si mesmo, para sua consci\u00eancia e suas atitudes, se n\u00e3o fizermos um mea-culpa depois de um intenso e di\u00e1rio exame de consci\u00eancia, se n\u00e3o pedirmos perd\u00e3o a Deus com vigor, verdadeiro prop\u00f3sito de mudan\u00e7a e convers\u00e3o, ent\u00e3o v\u00e3s ser\u00e3o nossas l\u00e1grimas e nosso lamento por Brumadinho. Soar\u00e3o, t\u00e3o somente, como ora\u00e7\u00f5es de hip\u00f3critas abominadas por Deus!<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Rezemos, contudo, uns pelos outros. Pelas vidas perdidas e pelo desequil\u00edbrio ambiental, mas tamb\u00e9m pela nossa convers\u00e3o, para que S\u00e3o Francisco de Assis e S\u00e3o Jos\u00e9 de Anchieta, patronos da Ecologia, possam nos ensinar a olhar mais para a Cria\u00e7\u00e3o de Deus e, sendo menos egoc\u00eantricos, promovermos cada vez mais a paz e o bem! Que Nossa Senhora e o Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo intercedam por n\u00f3s. Am\u00e9m.<\/p>\n<address><sub><strong>Diego Ferreira Ramos Machado<\/strong>\u00a0\u00e9 Licenciado em Geoci\u00eancias e Educa\u00e7\u00e3o Ambiental e Coordenador da Pastoral da Ecologia \u2013 Arquidiocese de S\u00e3o Paulo.<\/sub><\/address>\n<address>\u00a0<\/address>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Ferreira Ramos Machado No \u00faltimo dia 25 de janeiro, por mais uma vez, assistimos at\u00f4nitos aos notici\u00e1rios que relatavam o que aconteceu em Brumadinho (MG), cidade pr\u00f3xima a Belo Horizonte, no rompimento da barragem de minera\u00e7\u00e3o da Vale, no c\u00f3rrego do Feij\u00e3o. S\u00e3o dezenas de mortos, muitos desaparecidos e desabrigados. porque acidentes s\u00e3o imprevistos. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":47145,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-47144","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47144"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47144\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47162,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47144\/revisions\/47162"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47145"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}