{"id":47090,"date":"2019-02-17T09:01:54","date_gmt":"2019-02-17T12:01:54","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=47090"},"modified":"2019-02-18T09:05:43","modified_gmt":"2019-02-18T12:05:43","slug":"uma-cadeira-de-pedras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/uma-cadeira-de-pedras\/","title":{"rendered":"Uma cadeira de pedras"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Quem l\u00ea a frase acima por passant, \u00e0 revelia de um momento como muitos na vida, em que se ouve, se v\u00ea ou mesmo se fala uma verdade sem dela tomarmos posse, eis a quantas nos leva a pregui\u00e7a intelectual. O que seria uma cadeira de pedras? Para muitos mais um objeto buc\u00f3lico, situado em cen\u00e1rio paradis\u00edaco, a nos oferecer um momento de contempla\u00e7\u00e3o ou coisa assim. Para outros, nada mais que um trono desconfort\u00e1vel, por certo vazio, que circunst\u00e2ncias naturais ou mesmo propositais, constru\u00edram ao acaso. Para mim, a mais bela, po\u00e9tica e realisticamente prof\u00e9tica imagem descritiva que Cristo fez sobre sua Igreja: a c\u00e1tedra de Pedro!<\/p>\n<p>Poucos atentam sobre a riqueza que essa afirmativa nos oferece; a Igreja \u00e9 uma c\u00e1tedra, um trono&#8230; Neste se assenta uma autoridade divinamente constitu\u00edda, lembrando-nos que toda autoridade vem de Deus. Dessa \u201ccadeira\u201d emanam os ensinamentos deixados pelo Mestre maior, aquele que elegeu e instituiu sobre seu eleito o poder de \u201cligar e desligar\u201d, aben\u00e7oar ou n\u00e3o, delegar, defender suas leis e diretrizes, promulgar normas, conservar a luz da verdade, a unidade; \u201ccombater\u201d o bom combate, \u201cpreservar\u201d a f\u00e9. Tal miss\u00e3o teria mesmo que ser despojada das riquezas e ilus\u00f5es dum poder meramente humano, que quase sempre se assenta sobre as bases das riquezas temporais. Por isso a imagem da pedra, da solidez indiferente aos poderes de domina\u00e7\u00e3o, por\u00e9m rigidamente constitu\u00edda sobre um alicerce imut\u00e1vel. Por isso Pedro tornou-se sin\u00f4nimo de pedra, o novo fundamento da doutrina que Cristo nos deixou. O trono de Cristo, plantado sobre as rochas do Calv\u00e1rio, teria paredes s\u00f3lidas e indestrut\u00edveis a partir da miss\u00e3o apost\u00f3lica de Pedro e seus companheiros. O envio pentecostal legitimou a miss\u00e3o da Igreja e deu in\u00edcio \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o do templo espiritual, a pedra viva da qual nos falou Pedro.<\/p>\n<p>\u2018\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cristo foi a base, a pedra angular dessa institui\u00e7\u00e3o. Mas Pedro melhor traduziu essa imagem ao nos desafiar: \u201cAchegai-vos a ele, pedra viva que os homens rejeitaram, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus\u201d (1Ped 2,4). Esse desafio foi a oficializa\u00e7\u00e3o da autoridade apost\u00f3lica, liderada por Pedro e oficializada publicamente por Cristo quando bem definiu seu car\u00e1ter eclesial: \u201cTu \u00e9s pedra\u201d. Aqui nasceu a autoridade da Igreja como fundamento b\u00e1sico de uma institui\u00e7\u00e3o divina \u201cSobre esta pedra edificarei minha igreja\u201d. Observemos o singular da afirmativa, uma \u00fanica pedra, \u201cescolhida e preciosa aos olhos de Deus\u201d. Observemos, por\u00e9m, a multiplicidade de \u201coutras pedras\u201d, que Cristo n\u00e3o desprezou, mas convidou \u00e0 unidade, ao abrigo do novo rebanho, aqueles \u201cde outros apriscos\u201d agora subordinados ao pastoreio de Pedro: \u201cApascenta, apascenta, apascenta o meu rebanho!\u201d. Ent\u00e3o a dureza do cora\u00e7\u00e3o de Pedro acabou proferindo o primeiro desafio ecum\u00eanico da miss\u00e3o da Igreja: \u201cQuais outras pedras vivas, v\u00f3s tamb\u00e9m vos tornais os materiais deste edif\u00edcio espiritual\u201d (1 Ped 5&#8230;)<\/p>\n<p>O fundamento crist\u00e3o tinha a vis\u00e3o da unidade, da solidez de suas paredes! Realmente, \u00e0 luz da autoridade de Pedro nasceu a Igreja, apesar dos antagonismos que a hist\u00f3ria da vida crist\u00e3 permite constatar nos dias de hoje. Como entender tamanhas e tacanhas divis\u00f5es no seio da Igreja de Cristo? Era essa a \u201cpedra de trope\u00e7o\u201d (Sl 117), a \u201cpedra angular que os construtores rejeitaram (Is 28,16), uma \u201cpedra de esc\u00e2ndalo\u201d (Is 8,14) que dificulta nossa compreens\u00e3o do trono de Cristo entre n\u00f3s, sua Igreja. Queiramos ou n\u00e3o, somos um povo \u00fanico e da c\u00e1tedra da nossa f\u00e9 ainda se pode ouvir \u201cV\u00f3s, por\u00e9m, sois uma ra\u00e7a escolhida, um sacerd\u00f3cio r\u00e9gio, uma na\u00e7\u00e3o santa, um povo adquirido para Deus&#8230; (1 Ped 2,9). Ent\u00e3o est\u00e1 dito: N\u00e3o importa qual seja a catedral da sua f\u00e9, o fundamental \u00e9 que esta respeite e valorize a c\u00e1tedra de Pedro e sua autoridade apost\u00f3lica. Sem esses princ\u00edpios deturpamos a doutrina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quem l\u00ea a frase acima por passant, \u00e0 revelia de um momento como muitos na vida, em que se ouve, se v\u00ea ou mesmo se fala uma verdade sem dela tomarmos posse, eis a quantas nos leva a pregui\u00e7a intelectual. O que seria uma cadeira de pedras? 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