{"id":4688,"date":"2014-06-06T14:45:36","date_gmt":"2014-06-06T17:45:36","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-cultura-do-encontro\/"},"modified":"2017-04-05T14:24:16","modified_gmt":"2017-04-05T17:24:16","slug":"a-cultura-do-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-cultura-do-encontro\/","title":{"rendered":"A cultura do encontro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/pebola.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>A sociedade contempor\u00e2nea, mesmo diante dos muitos recursos existentes e oportunidades dispon\u00edveis, particularmente pelos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, continua marcada por grandes desencontros. \u00c9 verdade que se testemunha, com frequ\u00eancia, a partir dos atuais instrumentos, experi\u00eancias bem-sucedidas de encontros, desdobrando-se em coopera\u00e7\u00e3o, concretiza\u00e7\u00e3o de projetos sociais, pol\u00edticos e humanit\u00e1rios. No entanto, causa perplexidade, outros tantos exemplos de descompassos da sociedade moderna, que a colocam na contram\u00e3o de grandes oportunidades. H\u00e1 de se perguntar, permanentemente, a raz\u00e3o desses desencontros, para impulsionar a busca por solu\u00e7\u00f5es diante de cen\u00e1rios desanimadores.<\/p>\n<p>Esse quadro desolador \u00e9 facilmente verificado quando s\u00e3o submetidos a avalia\u00e7\u00f5es a atua\u00e7\u00e3o de governos, a grave realidade do descr\u00e9dito aos pol\u00edticos e o \u00eaxodo prejudicial das esferas de participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 respons\u00e1vel. Uma triste realidade que enjaula a cidadania numa esfera de privatiza\u00e7\u00e3o individualista, instaurando um \u201cp\u00e9 de guerra\u201d entre grupos, povo e governos, dirigentes e oper\u00e1rios. \u00c9 estabelecido, assim, um caos que desassossega homens e mulheres de boa vontade. De fato, quando se analisa o des\u00e2nimo dos cidad\u00e3os na avalia\u00e7\u00e3o de governos, ou quando emitem ju\u00edzos a respeito do esperado legado da Copa, compreende-se que falam mais forte os desencontros e os descompassos. Assim n\u00e3o pode ser e permanecer.<\/p>\n<p>Urge uma rea\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, com incid\u00eancias transformadoras em v\u00e1rios n\u00edveis, sem mesmo poder eximir desse processo de mudan\u00e7a a vida pessoal e familiar. Na contram\u00e3o desse caminho, ser\u00e1 fortalecida uma cultura de tecido duvidoso e prejudicial para o sentido aut\u00eantico de liberdade e autonomia. Crescer\u00e1 a viol\u00eancia e o desrespeito \u00e0 dignidade. A civiliza\u00e7\u00e3o estar\u00e1 ainda mais distante do indispens\u00e1vel sentido de altru\u00edsmo, de patriotismo e de perten\u00e7a cidad\u00e3 \u00e0 na\u00e7\u00e3o. A \u201cp\u00e1tria de chuteiras\u201d, pensando o Brasil apaixonado pelo futebol, \u00e0s v\u00e9speras do in\u00edcio da Copa do Mundo, est\u00e1 decidida a pisar forte sobre tudo o que est\u00e1 comprometendo essa possibilidade, t\u00e3o esperada, de um legado maior, global e capaz de colocar o Brasil, de fato, numa nova etapa pol\u00edtica e social.<\/p>\n<p>Sofre-se pela falta de lideran\u00e7as com estatura, em diferentes n\u00edveis. Encontra-se, com mais facilidade, quem engrossa a voz dos coros de lamenta\u00e7\u00e3o ou das a\u00e7\u00f5es vand\u00e1licas. H\u00e1 uma car\u00eancia de pessoas que se dedicam a uma atua\u00e7\u00e3o mais criativa, corajosamente inovadora e cidad\u00e3, especialmente no \u00e2mbito governamental, primeiro respons\u00e1vel pelo bem comum. Os descompassos produzidos por tantos desencontros, explicados por erros de estrat\u00e9gia na atua\u00e7\u00e3o, por equ\u00edvocos nas escolhas das prioridades sociais, por falta de compet\u00eancia human\u00edstica e ajustada vis\u00e3o antropol\u00f3gica de muitos profissionais da pol\u00edtica; por falta de sensibilidade humanit\u00e1ria e vis\u00e3o mesquinha do dinheiro, resultam na incapacidade para gerar redes de solidariedade.<\/p>\n<p>Torna-se urgente investir, permanentemente, na cultura do encontro, indica\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria no ensinamento e no testemunho do Papa Francisco. A prop\u00f3sito da celebra\u00e7\u00e3o anual do Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, o Papa trata o tema central da comunica\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o de uma aut\u00eantica cultura do encontro. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho em busca da supera\u00e7\u00e3o das divis\u00f5es muito acentuadas na humanidade, respons\u00e1veis por abomina\u00e7\u00f5es que pesam sobre as sociedades, sacrificando mais os pobres, inocentes e indefesos. O diagn\u00f3stico do cen\u00e1rio mundial comprova o quanto o mundo sofre com os conflitos advindos de exclus\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o e pobreza, como tamb\u00e9m pelas raz\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas e at\u00e9 religiosas.<\/p>\n<p>\u00c9 hora, pois, de uma a\u00e7\u00e3o transformadora, aproveitando os meios de comunica\u00e7\u00e3o, os megaeventos mundiais como a Copa do Mundo, e tantos outros de maior ou menor alcance e relev\u00e2ncia, para recuperar o sentido perdido do outro, particularmente dos pobres, exclu\u00eddos e v\u00edtimas dessas din\u00e2micas perversas alimentadas pela corrup\u00e7\u00e3o, pelas op\u00e7\u00f5es governamentais equivocadas, pela burocracia repugnante que retarda urg\u00eancias, pela mesquinhez do individualismo exacerbado, sempre seguindo o princ\u00edpio do \u201csalve-se quem puder\u201d. A comunica\u00e7\u00e3o produzida pela m\u00eddia no decorrer da Copa do Mundo n\u00e3o pode ser apenas estimuladora da euforia. \u00c9 priorit\u00e1rio alimentar a sensibilidade social e pol\u00edtica, em ano eleitoral, para fomentar discuss\u00f5es e posicionamentos em torno das quest\u00f5es mais urgentes que est\u00e3o afligindo a vida do povo brasileiro.<\/p>\n<p>Essa oportunidade n\u00e3o pode ser perdida, nem mal usada, sob pena de serem retardadas as respostas urgentes, de se impulsionar a viol\u00eancia nascida de revoltas desajuizadas, de se conviver com o inadequado desempenho de pol\u00edticos. A sociedade brasileira est\u00e1 sinalizando que o esperado legado da Copa, raz\u00e3o de descontentamento geral, n\u00e3o pode ficar dilu\u00eddo nos est\u00e1dios bilion\u00e1rios constru\u00eddos. Um evento da magnitude de uma Copa do Mundo n\u00e3o pode ser apenas mais um carnaval que passou. Por princ\u00edpios cidad\u00e3os e irrefut\u00e1vel for\u00e7a da f\u00e9, pelos debates e gestos concretos, agora \u00e9 hora de recomposi\u00e7\u00e3o do tecido social e pol\u00edtico, no caminho da coopera\u00e7\u00e3o e proximidade, transformando o pa\u00eds a partir da cultura do encontro.<\/p>\n<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/p>\n<p>Fonte: R\u00e1dio Vaticano<br \/>Local: Belo Horizonte<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sociedade contempor\u00e2nea, mesmo diante dos muitos recursos existentes e oportunidades dispon\u00edveis, particularmente pelos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, continua marcada por grandes desencontros. \u00c9 verdade que se testemunha, com frequ\u00eancia, a partir dos atuais instrumentos, experi\u00eancias bem-sucedidas de encontros, desdobrando-se em coopera\u00e7\u00e3o, concretiza\u00e7\u00e3o de projetos sociais, pol\u00edticos e humanit\u00e1rios. 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