{"id":46831,"date":"2019-02-05T10:27:09","date_gmt":"2019-02-05T12:27:09","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46831"},"modified":"2019-02-05T10:29:02","modified_gmt":"2019-02-05T12:29:02","slug":"papa-e-o-grao-imame-historica-declaracao-sobre-paz-liberdade-e-direitos-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/papa-e-o-grao-imame-historica-declaracao-sobre-paz-liberdade-e-direitos-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Papa e o Gr\u00e3o Imame: hist\u00f3rica Declara\u00e7\u00e3o sobre paz, liberdade e direitos das mulheres"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">No documento assinado pelo Papa Francisco e o Gr\u00e3o Imame de Al-Azhar Ahmad Al-Tayyib, uma forte condena\u00e7\u00e3o ao terrorismo e \u00e0 viol\u00eancia: \u201cDeus n\u00e3o quer que o seu nome seja usado para terrorizar as pessoas\u201d<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Andrea Tornielli &#8211;\u00a0Abu Dhabi<\/b><\/p>\n<p>O \u201cDocumento sobre a fraternidade humana pela paz mundial e a conviv\u00eancia comum\u201d, assinado na tarde desta segunda-feira (04\/02) em Abu Dhabi pelo Papa Francisco e o Gr\u00e3o Imame de Al-Azhar Ahmad Al-Tayyib, n\u00e3o \u00e9 apenas um passo fundamental nas rela\u00e7\u00f5es entre o cristianismo e o isl\u00e3, mas representa tamb\u00e9m uma mensagem com um forte impacto no cen\u00e1rio internacional. No pref\u00e1cio, depois de ter afirmado que \u00ab<b><i>A f\u00e9 leva o crente a ver no outro um irm\u00e3o a ser ajudado e amado\u00bb,<\/i><\/b> fala-se deste texto como \u00ab<i>um documento elaborado com sinceridade e seriedade\u00bb, que convida \u00abtodas as pessoas que carregam no cora\u00e7\u00e3o a f\u00e9 em Deus e a f\u00e9 na fraternidade humana a se unirem e a trabalharem juntos\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>O documento se abre com uma s\u00e9rie de invoca\u00e7\u00f5es: o Papa e o Gr\u00e3o Imame falam \u00ab<i>em nome de Deus que criou todos os seres humanos iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade\u00bb, \u00abem nome da inocente alma humana que Deus proibiu de matar\u00bb<\/i>, \u00ab<i>Em nome dos pobres\u00bb<\/i>, dos \u00ab<i>\u00f3rf\u00e3os e das vi\u00favas, dos refugiados e dos exilados, de todas as v\u00edtimas das guerras\u00bb<\/i>\u00a0e \u00ab<i>das persegui\u00e7\u00f5es\u00bb<\/i>. Al-Azhar em conjunto com a Igreja Cat\u00f3lica \u00ab<b><i>declaram que adotam a cultura do di\u00e1logo como caminho; a colabora\u00e7\u00e3o comum como conduta; o conhecimento rec\u00edproco como m\u00e9todo e crit\u00e9rio\u00bb<\/i><\/b>.<\/p>\n<p>Com o documento, \u00ab<i>pedimos a n\u00f3s mesmos e aos l\u00edderes do mundo, aos art\u00edfices da pol\u00edtica internacional e da economia mundial, para que se empenhem seriamente em difundir a cultura da toler\u00e2ncia, da conviv\u00eancia e da paz, <b>para que intervenham, o quanto antes, para deter o derramamento de sangue inocente e acabar com as guerras<\/b>, os conflitos, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e o decl\u00ednio cultural e moral que vive o mundo de hoje\u00bb<\/i>.<\/p>\n<p>Os dois l\u00edderes religiosos pedem aos homens de religi\u00e3o e de cultura, al\u00e9m dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, para redescobrirem e difundirem \u00ab<i>os valores da paz, da justi\u00e7a, do bem, da beleza, da fraternidade humana e da conviv\u00eancia comum\u00bb<\/i>. E afirmam que cr\u00eaem \u00ab<b><i>firmemente que entre as causas mais importantes da crise do mundo moderno h\u00e1 uma consci\u00eancia humana anestesiada e o afastamento dos valores religiosos<\/i><\/b><i> assim como o predom\u00ednio do individualismo e das filosofias materialistas\u00bb<\/i>.<\/p>\n<p>Mesmo reconhecendo os passos positivos feitos pela civiliza\u00e7\u00e3o moderna, a declara\u00e7\u00e3o destaca a \u00ab<i>deteriora\u00e7\u00e3o da \u00e9tica, que condiciona a a\u00e7\u00e3o internacional, e um enfraquecimento dos valores espirituais e do sentido de responsabilidade\u00bb<\/i>, que leva muitos a \u00ab<b><i>cair na voragem do extremismo ateu e agn\u00f3stico, ou no integralismo religioso, no extremismo e no fundamentalismo cego\u00bb<\/i><\/b>. O extremismo religioso e nacional, juntos com a intoler\u00e2ncia \u00ab<i>deram origem aos sinais de uma \u2018terceira guerra mundial em peda\u00e7os\u2019<\/i>.\u00bb<\/p>\n<p>Portanto o Papa e o Gr\u00e3o Imame afirmam que \u00ab<b><i>as fortes crises pol\u00edticas, a injusti\u00e7a e a falta de uma distribui\u00e7\u00e3o equitativa dos recursos naturais \u2013 dos quais se beneficia apenas uma minoria de ricos, prejudicando a maioria dos povos da terra \u2013 geraram, e continuam a faz\u00ea-lo, um grande n\u00famero de doentes, de necessitados e de mortos<\/i><\/b><i>, causando crises letais das quais s\u00e3o v\u00edtimas v\u00e1rios pa\u00edses. \u2026 Diante de tais crises que levam a morrer de fome milh\u00f5es de crian\u00e7as j\u00e1 reduzidas a esqueletos humanos \u2013 por causa da pobreza e desnutri\u00e7\u00e3o -, reina um sil\u00eancio internacional inaceit\u00e1vel\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>\u00ab<i>\u00c9 evidente o <b>quanto seja essencial a fam\u00edlia\u00bb<\/b><\/i>, assim como \u00ab<b><i>o despertar do sentido religioso\u00bb<\/i><\/b>, especialmente nos jovens, \u00ab<b><i>para enfrentar as tend\u00eancias individualistas, ego\u00edstas, conflituais, o radicalismo e o extremismo cego em todas as suas formas e manifesta\u00e7\u00f5es\u00bb<\/i><\/b>. Os dois l\u00edderes recordam que o Criador nos \u00ab<i>concedeu o dom da vida para custodi\u00e1-lo. <b>Um dom que ningu\u00e9m tem o direito de tirar, amea\u00e7ar ou manipular conforme seu agrado\u2026 Por isso condenamos todas as pr\u00e1ticas que amea\u00e7am a vida como os genoc\u00eddios, as a\u00e7\u00f5es terroristas, os deslocamentos for\u00e7ados, o tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os humanos, o aborto e a eutan\u00e1sia<\/b> e as pol\u00edticas que sustentam tudo isso\u00bb<\/i>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, declaramos <i>\u00abfirmemente que as religi\u00f5es n\u00e3o incitam nunca \u00e0 guerra, n\u00e3o solicitam sentimentos de \u00f3dio, hostilidade, extremismo, e nem convidam \u00e0 viol\u00eancia ou ao derramamento de sangue. <b>Essas calamidades s\u00e3o fruto do desvio dos ensinamentos religiosos, do uso pol\u00edtico das religi\u00f5es e tamb\u00e9m das interpreta\u00e7\u00f5es de grupos de homens de religi\u00e3o\u00bb<\/b><\/i>. Por isso, \u00abpedimos a todos para cessar de instrumentalizar as religi\u00f5es a fim de incitar ao \u00f3dio, \u00e0 viol\u00eancia, ao extremismo e ao fanatismo cego, <i><b>e parar de usar o nome de Deus a fim de justificar atos de homic\u00eddio, ex\u00edlio, terrorismo e opress\u00e3o\u00bb. <\/b><\/i>O Papa e o G\u00e3o Imame recordam que <i><b>\u00abDeus, Onipotente, n\u00e3o precisa ser defendido por ningu\u00e9m e n\u00e3o quer que o Seu nome seja usado para terrorizar as pessoas\u00bb.<\/b><\/i><\/p>\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o atesta que <i>\u00aba liberdade \u00e9 um direito de cada pessoa:<\/i><b><i> cada um possui a liberdade de credo, de pensamento, de express\u00e3o e de a\u00e7\u00e3o. O pluralismo e as diversidades de religi\u00e3o, de cor, sexo, ra\u00e7a e l\u00edngua s\u00e3o uma s\u00e1bia vontade divina\u00bb. <\/i><\/b>\u00c9 da <i>\u00abSabedoria divina\u00bb que <b>\u00abvem o direito \u00e0 liberdade de credo e \u00e0 liberdade de ser diferentes. Por isso, se condena o fato de constringir as pessoas a aderir a uma certa religi\u00e3o ou a uma certa cultura, <\/b>como tamb\u00e9m de impor um estilo de civiliza\u00e7\u00e3o que os outros n\u00e3o aceitam\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>Em seguida, afirma-se que <i><b>\u00ab<\/b><\/i><b><i>a prote\u00e7\u00e3o dos lugares de culto &#8211; templos, igrejas e mesquitas &#8211; \u00e9 um dever garantido pelas religi\u00f5es, pelos valores humanos, pelas leis e conven\u00e7\u00f5es internacionais.<\/i><\/b> T<i>oda tentativa de atacar os lugares de culto ou amea\u00e7\u00e1-los atrav\u00e9s de atentados ou explos\u00f5es ou demoli\u00e7\u00f5es \u00e9 um desvio dos ensinamentos das religi\u00f5es, bem como uma viola\u00e7\u00e3o clara do direito internacional\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>Recorda-se novamente que <i>\u00abo terrorismo execr\u00e1vel que amea\u00e7a a seguran\u00e7a das pessoas, tanto no Oriente como no Ocidente&#8230; espalhando p\u00e2nico, terror e pessimismo <b>n\u00e3o se deve \u00e0 religi\u00e3o &#8211; mesmo que os terroristas a instrumentalizam &#8211; mas \u00e9 devido a acumuladas interpreta\u00e7\u00f5es erradas dos textos religiosos, \u00e0s pol\u00edticas de fome, de pobreza, de injusti\u00e7a, de opress\u00e3o e de arrog\u00e2ncia. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio interromper o apoio aos movimentos terroristas atrav\u00e9s do fornecendo dinheiro, de armas, de planos ou justificativas<\/b><\/i> <i>e tamb\u00e9m a cobertura da m\u00eddia, e considerar tudo isso como crimes internacionais que amea\u00e7am a seguran\u00e7a e a paz mundial\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>O documento afirma que <i><b>\u00ab\u00e9 necess\u00e1rio se comprometer para estabelecer em nossas sociedades o conceito de cidadania plena e renunciar ao uso discriminat\u00f3rio do termo minorias,<\/b><\/i> <i>que traz consigo as sementes do sentir-se isolados ou de inferioridade\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>Na Declara\u00e7\u00e3o se define <i><b>\u00aba necessidade indispens\u00e1vel de reconhecer o direito da mulher \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao trabalho e ao exerc\u00edcio dos pr\u00f3prios direitos pol\u00edticos.<\/b><\/i> <i>Al\u00e9m disso, se deve trabalhar para libert\u00e1-la das press\u00f5es hist\u00f3ricas e sociais contr\u00e1rias aos princ\u00edpios da pr\u00f3pria f\u00e9 e da pr\u00f3pria dignidade. \u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m proteg\u00ea-la da explora\u00e7\u00e3o\u2026<\/i> <i><b>Por isso, devem ser interrompidas todas as pr\u00e1ticas desumanas e os h\u00e1bitos vulgares que humilham a dignidade da mulher <\/b>e trabalhar para modificar as leis que impedem \u00e0s mulheres de desfrutar plenamente de seus direitos\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>Depois de reiterar o direito das crian\u00e7as de crescerem num ambiente familiar, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, os dois l\u00edderes afirmam: <i><b>\u00ab\u00c9 preciso condenar toda pr\u00e1tica que viola a dignidade das crian\u00e7as ou os seus direitos<\/b><\/i>. <i>\u00c9 tamb\u00e9m importante vigiar contra os perigos aos quais s\u00e3o expostas, especialmente no ambiente digital, e considerar como crime o tr\u00e1fico de sua inoc\u00eancia e toda viola\u00e7\u00e3o de sua inf\u00e2ncia\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>Enfim, <i><b>\u00abAl-Azhar e Igreja Cat\u00f3lica pedem para que este Documento se torne objeto de pesquisa e reflex\u00e3o em todas as escolas, universidades e institutos de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o\u00bb<\/b>.<\/i> Esperam que a Declara\u00e7\u00e3o se torne um <i>\u00abs\u00edmbolo do abra\u00e7o entre Oriente e Ocidente, entre Norte e Sul\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No documento assinado pelo Papa Francisco e o Gr\u00e3o Imame de Al-Azhar Ahmad Al-Tayyib, uma forte condena\u00e7\u00e3o ao terrorismo e \u00e0 viol\u00eancia: \u201cDeus n\u00e3o quer que o seu nome seja usado para terrorizar as pessoas\u201d Andrea Tornielli &#8211;\u00a0Abu Dhabi O \u201cDocumento sobre a fraternidade humana pela paz mundial e a conviv\u00eancia comum\u201d, assinado na tarde [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":46832,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-46831","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46831"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46831\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46834,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46831\/revisions\/46834"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}