{"id":46797,"date":"2019-02-04T11:09:50","date_gmt":"2019-02-04T13:09:50","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46797"},"modified":"2019-02-04T11:09:50","modified_gmt":"2019-02-04T13:09:50","slug":"volta-as-origens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/volta-as-origens\/","title":{"rendered":"Volta \u00e0s origens"},"content":{"rendered":"<p>Nada h\u00e1 de mais estranho e deslumbrante \u00e0s vezes do que um retorno ao passado. Uma visita \u00e0 velha escola, onde aprendeu as primeiras letras. Um passeio \u00e0quele s\u00edtio buc\u00f3lico, local de v\u00e1rios passeios, piqueniques e descobertas l\u00fadicas. Um perambular pela pra\u00e7a e jardins dos primeiros amores. Enfim, um retorno ao ber\u00e7o, \u00e0 casa gigante de sua inf\u00e2ncia e que agora lhe parece assaz pequena, assombrosa, decadente. Quem nunca viveu essa experi\u00eancia do retorno, uma volta quase fantasmag\u00f3rica a belos e saud\u00e1veis dias?<\/p>\n<p>Se o passado \u00e9 sempre um descortinar de boas lembran\u00e7as \u2013 pois que as m\u00e1s logo tratamos de eliminar ou deixar de lado \u2013 imagine essa viagem ao n\u00edvel da evolu\u00e7\u00e3o humana. Pudesse a humanidade retornar \u00e0s suas origens! Pud\u00e9ssemos todos, ao menos em sonho, contemplar e compreender os primeiros passos da nossa hist\u00f3ria, desde a Cria\u00e7\u00e3o, passando pelas guerras e muitas conquistas que nos trouxeram at\u00e9 aqui. Imagino ser esta uma viagem espetacular, uma verdadeira odisseia, que nos faria compreender melhor a raz\u00e3o da vida e errar menos nos passos futuros. Olhar para tr\u00e1s e comtemplar os erros, sem d\u00favidas, \u00e9 a mais s\u00e1bia maneira de corrigir a rota ainda em curso. Acontece que uma viagem de volta descortina apenas cen\u00e1rios j\u00e1 conhecidos, enquanto para o futuro \u00e9 um constante descobrir de novas aventuras, conhecimentos. Eis a sina do homem! Aventurar-se pelo desconhecido.<\/p>\n<p>Mas venhamos e convenhamos. Se a lida humana o for\u00e7a a espelhar-se no passado, l\u00e1 haveremos de encontrar li\u00e7\u00f5es preciosas. Um retorno superficial nos aponta o deic\u00eddio humano como divisor de \u00e1guas, antes e depois diz a hist\u00f3ria. Antes, conquistou-se a Terra Prometida, a soberania de um povo errante, que se aventurou durante 40 anos pelas areias de um deserto escaldante, que foi liberto miraculosamente do jugo da escravid\u00e3o (tanto no Egito, quanto na Babil\u00f4nia), que viu seu pai Abra\u00e3o deixar tudo acreditando na prosperidade de seu povo, que se multiplicou e povoou in\u00fameros territ\u00f3rios, levando a todos sua cren\u00e7a num Deus \u00fanico, que sofreu com um dil\u00favio contra suas infidelidades, que propiciou o primeiro fratric\u00eddio (o mais tristes dos pecados contra um irm\u00e3o, um semelhante, que se viu expulso do Para\u00edso&#8230;).<\/p>\n<p>Depois de Cristo, algo mudou? Aparentemente, n\u00e3o. H\u00e1 ainda um deserto a nos queimar os p\u00e9s claudicantes, que nos turva a vista e n\u00e3o nos deixar antever os gozos da soberania de uma nova Jerusal\u00e9m. A escravid\u00e3o do pecado ainda nos faz arrastar sobre a podrid\u00e3o de uma hist\u00f3ria cheia de v\u00edcios, descren\u00e7a e incertezas quanto ao futuro. As guerras se multiplicaram, sofisticaram-se e d\u00e3o ao homem poderes nunca vistos ou imaginados. Podemos destruir o mundo! Podemos extinguir a vida! Querem mais? Um dil\u00favio de incertezas nos abala, nos sufoca e faz naufragar a Esperan\u00e7a, \u00fanica sobrevivente da caixa de Pandora, a bela mulher do in\u00edcio dos s\u00e9culos, a outra Eva que a mitologia grega criou para entender nossa pr\u00f3pria origem. A esperan\u00e7a nos deu Palavras de Vida Eterna. Eis tudo, olhando o passado, a origem de tudo, respeitaremos o futuro, a inc\u00f3gnita dos que fazem da vida uma aventura. Esta s\u00f3 com f\u00e9 ser\u00e1 transformada. Ent\u00e3o nos perguntamos: o que \u00e9 mais did\u00e1tico. Um olhar para o passado ou a contempla\u00e7\u00e3o de um futuro melhor? Creio que ambos h\u00e3o de nos oferecer respostas positivas.\u00a0 Mas a B\u00edblia, o livro da vida, nos acena com os portais de uma cidade (uma civiliza\u00e7\u00e3o) justa e santa. \u201cFelizes aqueles que lavam as suas vestes para terem direito \u00e0 \u00e1rvore da vida e poderem entrar na cidade pelas portas\u201d (Ap 22, 14). Perdemos um para\u00edso, no passado. Outro no espera. Basta crer.<\/p>\n<p>ERRATA: Semana passada cometi pequena gafe, justamente com a refer\u00eancia b\u00edblica que era o centro da reflex\u00e3o. Onde se l\u00ea Ecle 28,4, leia-se Ecle 28,14.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada h\u00e1 de mais estranho e deslumbrante \u00e0s vezes do que um retorno ao passado. Uma visita \u00e0 velha escola, onde aprendeu as primeiras letras. Um passeio \u00e0quele s\u00edtio buc\u00f3lico, local de v\u00e1rios passeios, piqueniques e descobertas l\u00fadicas. Um perambular pela pra\u00e7a e jardins dos primeiros amores. 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