{"id":46592,"date":"2019-01-28T13:15:35","date_gmt":"2019-01-28T15:15:35","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46592"},"modified":"2019-01-28T13:15:35","modified_gmt":"2019-01-28T15:15:35","slug":"coletiva-de-imprensa-o-papa-no-confessionario-entendi-o-drama-do-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/coletiva-de-imprensa-o-papa-no-confessionario-entendi-o-drama-do-aborto\/","title":{"rendered":"Coletiva de imprensa. O Papa: \u201cno confession\u00e1rio entendi o drama do aborto\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Francisco no voo de retorno do Panam\u00e1: &#8220;\u00c0s mulheres que t\u00eam essa ang\u00fastia eu digo: seu filho est\u00e1 no c\u00e9u, fale com ele, cante a can\u00e7\u00e3o de ninar que voc\u00ea n\u00e3o pode cantar a ele&#8221;. Para a Venezuela pede uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica: &#8220;Assusta-me o derramamento de sangue&#8221;. No encontro de fevereiro para a prote\u00e7\u00e3o dos menores: &#8220;Devemos nos conscientizar do drama e ter protocolos, os bispos devem saber o que fazer&#8221;.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Andrea Tornielli \u2013 Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>Para entender o drama do aborto \u00e9 preciso estar no confession\u00e1rio e ajudar as mulheres a se reconciliarem com o filho n\u00e3o nascido. Para fazer o Papa \u00e9 preciso &#8220;sentir&#8221; as pessoas, fazer-se ferir com encontros que que s\u00e3o feitos, pelas pessoas que nos atingem com suas hist\u00f3rias e seus dramas, levando tudo diante do Senhor para que os confirme na f\u00e9. No encontro de fevereiro sobre abuso, \u00e9 necess\u00e1rio &#8220;tomar consci\u00eancia&#8221; do que significam um menino ou uma menina abusados, para ficar do lado daqueles que sofreram essa viol\u00eancia terr\u00edvel. E nessa id\u00eantica perspectiva est\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o pela Venezuela, que leva Francisco a pedir uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica e evitar o derramamento de sangue. O Papa, que disse estar &#8220;destru\u00eddo&#8221; pela intensidade de uma viagem na qual n\u00e3o se poupou, dialoga por cinquenta minutos com os jornalistas no voo que o trouxe de volta a Roma, na primeira coletiva de imprensa guiada pelo diretor interino da Sala de Imprensa da Santa S\u00e9, Alessandro Gisotti.<\/p>\n<p><b>Qual o impacto que sua miss\u00e3o teve no Panam\u00e1? Que impacto lhe provocou?<\/b><i><br \/>\n<\/i><br \/>\n&#8220;Minha miss\u00e3o em uma Jornada Mundial da Juventude \u00e9 a miss\u00e3o de Pedro, confirmar na f\u00e9 e isso n\u00e3o com mandatos&#8221; frios &#8220;ou preceptivos, mas deixando-me tocar o cora\u00e7\u00e3o e respondendo ao que acontece ali. Eu a vivo assim, custa-me pensar que algu\u00e9m possa realizar uma miss\u00e3o s\u00f3 com a cabe\u00e7a. Para realizar uma miss\u00e3o voc\u00ea deve sentir, e quando sente, voc\u00ea \u00e9 atingido. Isso afeta sua vida, voc\u00ea \u00e9 atingido por problemas. No aeroporto eu estava saudando o Presidente e trouxeram um menino de cor, simp\u00e1tico, pequeno assim. E ele me disse: &#8220;Olha, essa crian\u00e7a estava atravessando a fronteira da Col\u00f4mbia, sua m\u00e3e morreu, e ele ficou sozinho. Ele tem cinco anos de idade. Vem da \u00c1frica, mas ainda n\u00e3o sabemos de qual pa\u00eds porque n\u00e3o fala ingl\u00eas, nem portugu\u00eas, nem franc\u00eas. Ele fala apenas a l\u00edngua da sua tribo. N\u00f3s em certo sentido o adotamos&#8221;. O drama de uma crian\u00e7a abandonada pela vida, porque sua m\u00e3e morreu e um policial a entregou \u00e0s autoridades para tomar conta dela, afeta voc\u00ea, e assim a miss\u00e3o come\u00e7a a tomar cor, faz voc\u00ea dizer algo, faz voc\u00ea acariciar. A miss\u00e3o sempre envolve voc\u00ea. Pelo menos a mim envolve. Eu sempre digo aos jovens: voc\u00eas o que fazem na vida devem fazer caminhando e com as tr\u00eas linguagens: a da cabe\u00e7a, a do cora\u00e7\u00e3o, e a das m\u00e3os. E as tr\u00eas linguagens harmonizadas, de modo que voc\u00eas pensem o que sentem e o que fazem, sintam o que pensam e o que fazem, fa\u00e7am o que sentem e o que pensam. Eu n\u00e3o posso fazer um balan\u00e7o da miss\u00e3o. Com tudo isso eu vou diante do Senhor para rezar, \u00e0s vezes adorme\u00e7o diante do Senhor, mas levo todas essas coisas que vivi na miss\u00e3o e pe\u00e7o a Ele para confirm\u00e1-los na f\u00e9 atrav\u00e9s de mim. \u00c9 assim que eu procuro viver a miss\u00e3o de Papa e como eu a vivo.&#8221;<\/p>\n<p><b>A JMJ no Panam\u00e1 correspondeu \u00e0s suas expectativas?<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Sim, o term\u00f4metro \u00e9 a fadiga e eu estou destru\u00eddo.&#8221;<\/p>\n<p><b>Existe um problema que\u00a0 \u00e9 comum em toda a Am\u00e9rica Central, incluindo o Panam\u00e1 e grande parte da Am\u00e9rica Latina: gravidez precoce. S\u00f3 no Panam\u00e1 foram dez mil no ano passado. Os detratores da Igreja Cat\u00f3lica culpam-na por resistir \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas. Qual \u00e9 a opini\u00e3o do Papa?<\/b><i><br \/>\n<\/i><br \/>\n&#8220;Creio que nas escolas \u00e9 preciso dar educa\u00e7\u00e3o sexual. Sexo \u00e9 um dom de Deus n\u00e3o \u00e9 um monstro. \u00c9 o dom de Deus para amar e se algu\u00e9m o usa para ganhar dinheiro ou explorar o outro, \u00e9 um problema diferente. Precisamos oferecer uma educa\u00e7\u00e3o sexual objetiva, como \u00e9, sem coloniza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Porque se nas escolas se d\u00e1 uma educa\u00e7\u00e3o sexual embebida de coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, destr\u00f3i a pessoa. O sexo como dom de Deus deve ser educado, n\u00e3o rigidamente. Educado, de &#8220;educere&#8221;, para fazer emergir o melhor da pessoa e acompanh\u00e1-la no caminho. O problema est\u00e1 nos respons\u00e1veis \u200b\u200bpela educa\u00e7\u00e3o, seja a n\u00edvel nacional, seja local, como tamb\u00e9m em cada unidade escolar: quem s\u00e3o os professores para isso, que livros de textos usar&#8230; Eu vi de todos os tipos, h\u00e1 coisas que amadurecem e outras que causam danos. Digo isso sem entrar nos problemas pol\u00edticos do Panam\u00e1: precisamos dar educa\u00e7\u00e3o sexual para as crian\u00e7as. O ideal \u00e9 que comecem em casa, com os pais. Nem sempre \u00e9 poss\u00edvel por causa de muitas situa\u00e7\u00f5es familiares, ou porque n\u00e3o sabem como faz\u00ea-lo. A escola compensa isso e deve faz\u00ea-lo, caso contr\u00e1rio, resta um vazio que \u00e9 preenchido por qualquer ideologia.&#8221;<\/p>\n<p><b>Nestes dias o senhor falou com v\u00e1rias pessoas e muitos jovens. Falou tamb\u00e9m com os jovens que se distanciaram da Igreja. Quais s\u00e3o os motivos que os afastaram?<\/b><\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o muitos, alguns s\u00e3o pessoais. Mas a mais geral \u00e9 a falta de testemunho dos crist\u00e3os, dos padres e dos bispos. N\u00e3o digo dos Papas porque \u00e9 demais, mas &#8230; tamb\u00e9m. Se um pastor \u00e9 um empreendedor ou organizador de um plano pastoral, se n\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3ximo das pessoas, n\u00e3o d\u00e1 um testemunho de pastor. O pastor deve estar com as pessoas. O pastor deve estar na frente do rebanho, para indicar o caminho. No meio do rebanho para sentir o cheiro das pessoas e entender o que as pessoas sentem e o que precisam. Deve estar atr\u00e1s do rebanho para proteger a retaguarda. Mas se um pastor n\u00e3o vive com paix\u00e3o, as pessoas se sentem abandonadas ou sentem um certo sentido de desprezo. Sentem-se \u00f3rf\u00e3s. Falei sobre os pastores, mas h\u00e1 tamb\u00e9m os crist\u00e3os, os cat\u00f3licos. Existem os cat\u00f3licos hip\u00f3critas que v\u00e3o \u00e0 missa todos os domingos e n\u00e3o pagam o d\u00e9cimo terceiro, pagam por fora, exploram as pessoas. Depois, v\u00e3o ao Caribe de f\u00e9rias com o que explorou das pessoas. Se voc\u00ea faz isso, d\u00e1 uma contratestemunho. A meu ver, isso \u00e9 o que distancia mais as pessoas da Igreja. Sugeriria aos leigos: n\u00e3o diga que \u00e9 cat\u00f3lico, se n\u00e3o d\u00e1 testemunho. Em vez disso, voc\u00ea pode dizer: sou de educa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, mas sou morno, sou mundano, pe\u00e7o desculpa, n\u00e3o me olhem como exemplo. Isso \u00e9 o que se deve dizer. Tenho medo de cat\u00f3licos assim, que acreditam ser perfeitos. A hist\u00f3ria se repete, o mesmo aconteceu com Jesus com os doutores da Lei que rezavam, dizendo: \u201cObrigado, Senhor, por n\u00e3o ser como esses pecadores.\u201d<\/p>\n<p><b>Vimos por quatro dias os jovens rezar com muita intensidade, podemos pensar que muitos tenham a voca\u00e7\u00e3o. Talvez alguns deles est\u00e3o hesitando, porque n\u00e3o podem se casar. \u00c9 poss\u00edvel que o senhor permita aos homens casados se tornarem padres na Igreja cat\u00f3lica de rito latino, como acontece nas Igrejas orientais?<\/b><\/p>\n<p>\u201cNa Igreja cat\u00f3lica de rito oriental eles podem fazer isso se fazem a op\u00e7\u00e3o celibat\u00e1ria ou de esposo antes do diaconato. Quanto ao rito latino, lembro-me de uma frase de S\u00e3o Paulo VI: \u201cPrefiro dar a vida antes de mudar a lei do celibato\u201d. Isso me veio em mente e quer afirm\u00e1-lo porque \u00e9 uma frase corajosa. Ele disse em 1968-1970, num momento mais dif\u00edcil do que o atual. Pessoalmente, penso que o celibato seja um dom para a Igreja e n\u00e3o concordo em permitir o celibato opcional. N\u00e3o. Permaneceria alguma possibilidade nos lugares mais distantes, penso nas ilhas do Pac\u00edfico, mas \u00e9 algo em que pensar quando h\u00e1 necessidade pastoral. O pastor deve pensar nos fi\u00e9is. Existe um livro do pe. Lobinger, interessante. \u00c9 uma coisa em discuss\u00e3o entre os te\u00f3logos, n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o minha. A minha decis\u00e3o \u00e9: n\u00e3o ao celibato opcional antes do diaconato. \u00c9 uma coisa minha, pessoal. Eu n\u00e3o o farei, isso \u00e9 claro. Sou fechado? Talvez, mas n\u00e3o sinto de colocar-me diante de Deus com esta decis\u00e3o. Padre Lobinger diz: \u201cA Igreja faz a eucaristia e a Eucaristia faz a Igreja. Mas onde n\u00e3o h\u00e1 Eucaristia h\u00e1 comunidade, pense nas ilhas do Pac\u00edfico. Lobinger pergunta: quem faz a Eucaristia? Os diretores e organizadores dessas comunidades s\u00e3o di\u00e1conos, religiosas ou leigos. Lobinger diz: se poderia ordenar sacerdote um idoso casado, esta \u00e9 a sua tese. Mas que exercite apenas o munus sanctificandi, isto \u00e9, celebre a missa, administre o Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o e d\u00ea a un\u00e7\u00e3o dos enfermos. A ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal d\u00e1 aos tr\u00eas munera: o munus regendi (o pastor que guia), o munus docendi (o pastor que ensina) e o munus sanctificandi. O bispo s\u00f3 lhe daria a licen\u00e7a para o munus sanctificandi. Esta \u00e9 a tese, o livro \u00e9 interessante e talvez isso possa ajudar a responder o problema. Acredito que o tema deve ser aberto nesse sentido para os lugares onde existe um problema pastoral, por falta de sacerdotes. N\u00e3o digo que deve ser feito, n\u00e3o refletir, n\u00e3o rezei o suficiente sobre isso. Mas os te\u00f3logos debatem sobre isso, devem estudar. Estava conversando com um oficial da Secretaria de Estado, um bispo que teve que trabalhar num pa\u00eds comunista no in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o, e quando viram como essa revolu\u00e7\u00e3o chegava nos anos 50, os bispos ordenaram secretamente camponeses, bons e religiosos. Depois que a crise passou, trinta anos depois, a coisa se resolveu. Ele me contou a emo\u00e7\u00e3o que sentiu quando numa celebra\u00e7\u00e3o viu esses camponeses com m\u00e3os de camponeses colocarem suas vestes para concelebrar com os bispos. Na hist\u00f3ria da Igreja isso se verificou. \u00c9 algo a ser pensado e sobre o qual rezar. Por fim, me esqueci de citar o Anglicanorum coetibus, de Bento XVI, para os sacerdotes anglicanos que se tornaram cat\u00f3licos, mantendo suas vidas como se fossem orientais. Lembro-me ter visto muitos deles com o colarinho clerical e com mulheres e crian\u00e7as, numa audi\u00eancia de quarta-feira.\u201d<\/p>\n<p><b>Durante a Via-Sacra um jovem pronunciou palavras muito fortes sobre o aborto: \u201cH\u00e1 um t\u00famulo que brada ao c\u00e9u e denuncia a terr\u00edvel crueldade da humanidade, \u00e9 o t\u00famulo que se abre no ventre das m\u00e3es&#8230; Deus nos conceda defender com firmeza a vida e fazer de modo que as leis que matam a vida sejam eliminadas para sempre\u201d. Trata-se de uma posi\u00e7\u00e3o muito radical. Gostaria de saber se essa posi\u00e7\u00e3o respeita tamb\u00e9m o sofrimento das mulheres nesta situa\u00e7\u00e3o e se corresponde a sua mensagem de miseric\u00f3rdia.<\/b><\/p>\n<p>\u201cA mensagem da miseric\u00f3rdia \u00e9 para todos, inclusive para a pessoa humana que \u00e9 gestante. Ap\u00f3s este falimento, h\u00e1 tamb\u00e9m a miseric\u00f3rdia. Mas uma miseric\u00f3rdia dif\u00edcil, porque o problema n\u00e3o \u00e9 conceder o perd\u00e3o, mas acompanhar uma mulher que tomou consci\u00eancia de ter abortado. S\u00e3o dramas terr\u00edveis. Uma mulher quando pensa naquilo que fez&#8230; \u00c9 preciso estar no confession\u00e1rio, ali deve dar consola\u00e7\u00e3o e por isso concedi a todos os padres a faculdade de absolver o aborto, por miseric\u00f3rdia. Muitas vezes, mas sempre, elas devem \u201cencontrar-se\u201d com o filho. Quando choram e t\u00eam essa ang\u00fastia eu muitas vezes as aconselho assim: seu filho est\u00e1 no c\u00e9u, fala com voc\u00ea, cante-lhe o <i>nana nen\u00e9m<\/i> que n\u00e3o p\u00f4de cantar-lhe. E ali se encontra um caminho de reconcilia\u00e7\u00e3o da m\u00e3e com o filho. Com Deus j\u00e1 existe a reconcilia\u00e7\u00e3o, Deus perdoa sempre. Mas ela tamb\u00e9m deve elaborar o ocorrido. O drama do aborto, para ser bem entendido, precisa estar num confession\u00e1rio. \u00c9 terr\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p><b>O senhor disse no Panam\u00e1 fazer-se muito pr\u00f3ximo dos venezuelanos e pediu uma solu\u00e7\u00e3o justa e pac\u00edfica, no respeito pelos direitos humanos de todos. Os venezuelanos querem entender: o que significa? A solu\u00e7\u00e3o passa mediante o reconhecimento de Juan Guaid\u00f3 que foi apoiado por muitos pa\u00edses? Outros pedem elei\u00e7\u00f5es livres em breve tempo. O povo quer ouvir seu apoio, sua ajuda e seu conselho.<\/b><\/p>\n<p>\u201cEu apoio neste momento todo o povo da Venezuela porque est\u00e1 sofrendo, os de um lado e os de outro. Se eu ressaltasse aquilo que diz este ou aquele pa\u00eds, estaria me expressando sobre algo que n\u00e3o conhe\u00e7o, seria uma imprud\u00eancia pastoral de minha parte e seria danoso. As palavras que eu disse foram por mim pensadas e repensadas. E creio que com elas expressei a minha proximidade, aquilo que sinto. Eu sofro com o que est\u00e1 acontecendo neste momento na Venezuela e por isso pe\u00e7o que haja uma solu\u00e7\u00e3o justa e pac\u00edfica. O que me espanta \u00e9 o derramamento de sangue. E pe\u00e7o grandeza na ajuda por parte daqueles que podem ajudar a resolver o problema. O problema da viol\u00eancia me aterroriza, ap\u00f3s todo o processo de paz na Col\u00f4mbia, pensem naquele atentado outro dia na escola dos cadetes, algo terrificante. Por isso devo ser&#8230; n\u00e3o gosto da palavra \u201cequilibrado\u201d, quero ser pastor e se h\u00e1 necessidade de uma ajuda, que pe\u00e7am de comum acordo.\u201d<\/p>\n<p><b>Uma jovem estadunidense contou-nos que durante seu almo\u00e7o com os jovens o senhor lhe falou da dor pela crise dos abusos. Muitos cat\u00f3licos estadunidenses se sentem tra\u00eddos e abatidos ap\u00f3s as not\u00edcias de abusos e acobertamentos por parte de alguns bispos. Quais s\u00e3o suas expectativas e esperan\u00e7as para o encontro de fevereiro, a fim de que a Igreja possa reconstruir a confian\u00e7a?<\/b><\/p>\n<p>\u201cA ideia deste encontro nasceu no C9 porque n\u00f3s vimos que alguns bispos n\u00e3o entendiam bem ou n\u00e3o sabiam o que fazer ou faziam uma coisa boa e outra errada. Sentimos a responsabilidade de dar uma \u201ccatequese\u201d sobre esse problema \u00e0s confer\u00eancia episcopais e para isso os presidentes dos episcopados foram chamados. Primeiro: que se tome consci\u00eancia do drama, de que se trata um menino ou uma menina v\u00edtima de abuso. Recebo regularmente pessoas v\u00edtimas de abuso. Recordo uma pessoa: 40 anos sem poder rezar. \u00c9 terr\u00edvel, o sofrimento \u00e9 terr\u00edvel. Segundo: que saibam o que deve ser feito, qual \u00e9 o procedimento. Porque \u00e0s vezes o bispo n\u00e3o sabe o que fazer. \u00c9 algo que cresceu muito forte e n\u00e3o alcan\u00e7ou todos os lugares. E ademais, que sejam feitos programas gerais, mas que cheguem a todas as confer\u00eancias episcopais: sobre aquilo que o bispo deve fazer, e aquilo que devem fazer o arcebispo metropolitano e o presidente da confer\u00eancia episcopal. Que haja protocolos claros. Esse \u00e9 o objetivo principal. Mas antes das coisas que devem ser feitas, \u00e9 preciso tomar consci\u00eancia. No encontro se rezar\u00e1, haver\u00e1 alguns testemunhos para se tomar consci\u00eancia, alguma liturgia penitencial para pedir perd\u00e3o por toda a Igreja. Est\u00e3o trabalhando bem na prepara\u00e7\u00e3o do encontro. Permito-me dizer ter percebido uma expectativa de certo modo exagerada. \u00c9 preciso moderar as expectativas em rela\u00e7\u00e3o a estes pontos que lhes disse, porque o problema dos abusos continuar\u00e1, \u00e9 um problema humano, em todos os lugares. Outro dia li uma estat\u00edstica. Diz: 50% dos casos \u00e9 denunciado, e somente para 5% destes h\u00e1 uma condena\u00e7\u00e3o. \u00c9 terr\u00edvel. \u00c9 um drama humano do qual tomar consci\u00eancia. Tamb\u00e9m n\u00f3s, resolvendo o problema na Igreja, ajudaremos a resolv\u00ea-lo na sociedade e nas fam\u00edlias, onde a vergonha cobre tudo. Mas primeiro devemos tomar consci\u00eancia e ter os protocolos.\u201d<\/p>\n<p><b>O senhor disse que \u00e9 absurdo e irrespons\u00e1vel considerar os migrantes como portadores do mal social. Na It\u00e1lia as novas pol\u00edticas sobre os migrantes levaram ao fechamento do centro de acolhida \u201cCastelnuovo di Porto\u201d, que o senhor conhece bem. No Centro havia claros sinais de integra\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as frequentavam a escola e agora correm o risco de marginaliza\u00e7\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p>\u201cOuvi falar sobre o que estava acontecendo na It\u00e1lia, mas estava imerso nesta viagem. N\u00e3o conhe\u00e7o os fatos com precis\u00e3o, mas posso imagin\u00e1-los. \u00c9 verdade, o problema \u00e9 muito complexo. \u00c9 preciso mem\u00f3ria. Devemos nos perguntar se a minha p\u00e1tria \u00e9 formada por migrantes. N\u00f3s, argentinos, somos todos migrantes. Os Estados Unidos, todos migrantes. Um bispo escreveu um artigo muito bonito sobre o problema da falta de mem\u00f3ria. Usou palavras que eu uso: receber, o cora\u00e7\u00e3o aberto para receber. Acompanhar, ajudar a crescer e integrar. O governante deve usar a prud\u00eancia, porque a prud\u00eancia \u00e9 a virtude dos que governam. \u00c9 uma equa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Recorda-me o exemplo sueco, que nos anos 1970, com as ditaduras na Am\u00e9rica Latina recebeu muitos imigrantes, e todos foram integrados na sociedade. Recordo tamb\u00e9m do trabalho que \u00e9 feito pela Comunidade de Santo Eg\u00eddio, por exemplo: preocupa-se em logo integrar os migrantes. Mas no ano passado os suecos disseram: teremos que diminuir a entrada porque n\u00e3o conseguimos completar o percurso de integra\u00e7\u00e3o. E esta \u00e9 a prud\u00eancia do governante. \u00c9 um problema de caridade, de amor, de solidariedade. Reitero que as na\u00e7\u00f5es mais generosas em receber foram a It\u00e1lia e a Gr\u00e9cia e um pouco tamb\u00e9m a Turquia. A Gr\u00e9cia foi muito generosa assim como a It\u00e1lia, muito mesmo. \u00c9 verdade que se deve pensar com realismo. Tamb\u00e9m tem outra coisa: um modo de resolver o problema das migra\u00e7\u00f5es \u00e9 ajudar os pa\u00edses de onde v\u00eam os migrantes. Eles v\u00eam por causa da fome ou da guerra. A Europa tem a possibilidade de investir onde h\u00e1 fome, e este \u00e9 um modo de ajudar aqueles pa\u00edses a crescerem. Mas h\u00e1 sempre aquela imagina\u00e7\u00e3o popular que temos na inconsci\u00eancia: a \u00c1frica deve ser explorada! Isso pertence \u00e0 hist\u00f3ria e faz mal! Os migrantes do Oriente M\u00e9dio encontraram outras sa\u00eddas: O L\u00edbano \u00e9 uma maravilha em sua generosidade, hospeda mais de um milh\u00e3o de s\u00edrios. A Jord\u00e2nia, faz o mesmo. E fazem o que pode, tentando integr\u00e1-los. A Turquia tamb\u00e9m recebeu migrantes. N\u00f3s tamb\u00e9m, na It\u00e1lia recebemos alguns. \u00c9 um problema complexo sobre o qual deve-se falar sem preconceitos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAgrade\u00e7o a todos pelo seu trabalho \u2013 concluiu o Papa \u2013 gostaria de dizer uma coisa sobre o Panam\u00e1: ali senti um novo sentimento, veio-me esta palavra: o Panam\u00e1 uma na\u00e7\u00e3o nobre. Encontrei nobreza. E tamb\u00e9m gostaria de dizer outra coisa, que n\u00f3s na Europa, n\u00e3o vemos o que eu vi no Panam\u00e1. Vi pais que erguiam seus filhos nos bra\u00e7os e diziam: esta \u00e9 a minha vit\u00f3ria, este \u00e9 o meu orgulho, este \u00e9 o meu futuro. No inverno demogr\u00e1fico que vivemos na Europa \u2013 e na It\u00e1lia \u00e9 abaixo de zero \u2013 deve nos fazer pensar. Qual \u00e9 o meu orgulho? O turismo, as f\u00e9rias, a casa, o cachorrinho? Ou o filho?.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco no voo de retorno do Panam\u00e1: &#8220;\u00c0s mulheres que t\u00eam essa ang\u00fastia eu digo: seu filho est\u00e1 no c\u00e9u, fale com ele, cante a can\u00e7\u00e3o de ninar que voc\u00ea n\u00e3o pode cantar a ele&#8221;. Para a Venezuela pede uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica: &#8220;Assusta-me o derramamento de sangue&#8221;. No encontro de fevereiro para a prote\u00e7\u00e3o dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":46593,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-46592","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46592"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46592\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46594,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46592\/revisions\/46594"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46593"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}