{"id":46587,"date":"2019-01-27T11:56:54","date_gmt":"2019-01-27T13:56:54","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46587"},"modified":"2019-01-28T12:01:27","modified_gmt":"2019-01-28T14:01:27","slug":"tragedias-anunciadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tragedias-anunciadas\/","title":{"rendered":"Trag\u00e9dias anunciadas"},"content":{"rendered":"<p>Um dia a casa cai sem a manuten\u00e7\u00e3o de seus alicerces. Um dia o caldo entorna sem a supervis\u00e3o de quem o apura. Um dia o pior acontece&#8230; Toda e qualquer trag\u00e9dia tem sempre a digital do descuido. Ou, como justificam os fatalistas, profetas do caos: nada acontece por acaso.<\/p>\n<p>H\u00e1 um limite para eventuais explica\u00e7\u00f5es, quando o que se busca \u00e9 a isen\u00e7\u00e3o das responsabilidades. A tend\u00eancia humana \u00e9 refugiar-se \u00e0 sombra das omiss\u00f5es pessoais e apontar o dedo para institui\u00e7\u00f5es ou corpora\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, empresariais ou mesmo religiosas, sem um rosto, sem um nome. Esse \u00e9 nosso grande pecado social: um erro tem rea\u00e7\u00e3o coletiva, nunca pessoal apenas. O pequeno c\u00f3rrego que lembrava o sagrado feij\u00e3o no prato de tantos humanos \u00e9 hoje uma bruma, uma n\u00e9voa horrorosa, uma lamacenta massa de morte e destrui\u00e7\u00e3o sobre a po\u00e9tica Brumadinho de outrora.<\/p>\n<p>Eis no que resulta uma centelha de omiss\u00e3o. Atinge o coletivo, irradia seus malef\u00edcios. Foi o que me fez pensar meu irm\u00e3o Fonseca (estivemos reunidos na 47\u00aa. Assembleia do MEAC neste final de semana) ao apresentar uma din\u00e2mica sobre o fogo (centelha de amor ou rastro de destrui\u00e7\u00e3o) dependendo do controle que fazemos sobre ele. \u201cSopra sobre uma centelha e ela se abrasar\u00e1. Cospe sobre ela e se apagar\u00e1. Ambos saem da tua boca\u201d (Eclo 28,4). O sopro ou o cuspe, o avivamento ou a morte, a capacidade de criar, abrasar, incentivar ou mesmo sepultar, encerrar, corrigir \u2013 tudo isso \u2013 s\u00f3 o homem pode fazer. Eis porque as trag\u00e9dias que se sucedem possuem todas a a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Perdoe-me, meu irm\u00e3o, se me aposso de uma reflex\u00e3o essencialmente construtiva, que lhe custou noites de ins\u00f4nia e descobertas e que certamente abrasou seu cora\u00e7\u00e3o com a alegria de uma revela\u00e7\u00e3o espiritual&#8230; Perdoe-me se inverto esse processo para ilustrar hoje uma trag\u00e9dia propiciada pela gan\u00e2ncia e lucro da nossa sociedade consumista. O ferro \u00e9 nosso ouro, diz\u00edamos com orgulho. O Feij\u00e3o tamb\u00e9m&#8230; Mas a pergunta que muitos se fazem: Por que construir restaurante e escrit\u00f3rios no sop\u00e9 de uma barragem? Rejeitos ferrosos valem mais que a incans\u00e1vel m\u00e3o de obra, essa for\u00e7a produtiva que suga seu ferro \u2013 sua for\u00e7a &#8211; do bom e saboroso feij\u00e3o?\u00a0 Cada povo tem seu conceito de valores, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>Ainda meu amigo hoje me dizia: Salom\u00e3o trocava ouro por troncos de \u00e9bano, a madeira negra do continente africano. Para ele, o \u00e9bano valia mais do que o brilho hipnotizante de uma pepita aur\u00edfera. E para n\u00f3s, brasileiros? Ser\u00e1 que a ferrugem corrosiva do nosso precioso metal vale mais que a vida de pobres brasileiros? Como vemos, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 minha boca que hoje grita como voz num deserto de contradi\u00e7\u00f5es. Chegou a hora de ouvir seu eco. J\u00e1 n\u00e3o mais se pode admitir a seguran\u00e7a de vidas inocentes abaixo da seguran\u00e7a de barragens de lodo, de lama, de rejeitos que n\u00e3o s\u00e3o humanos. Estes merecem maiores cuidados do que as impurezas da nossa gan\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Ora, se uma centelha de amor abrasa um cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, se uma trag\u00e9dia pode construir a solidariedade, exultemos. Salom\u00e3o viu maiores valores no lenho negro do \u00e9bano. Nosso irm\u00e3o Fonseca, tamb\u00e9m. No tronco supervalorizado dessa madeira, entalhado por m\u00e3os inspiradas l\u00e1 da \u00c1frica, encontrou a imagem de Maria, m\u00e3e de Jesus, e logo lhe deu um t\u00edtulo: Nossa Senhora do D\u00edzimo. Enquanto isso, na trag\u00e9dia brasileira surge uma imagem enlameada, mas intacta, de Nossa Senhora Aparecida&#8230; Enquanto isso, nas Filipinas, terroristas bombardeiam uma igreja cat\u00f3lica, matando dezenas de fi\u00e9is. Sinais dos tempos ou alertas divinos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia a casa cai sem a manuten\u00e7\u00e3o de seus alicerces. Um dia o caldo entorna sem a supervis\u00e3o de quem o apura. 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