{"id":46479,"date":"2019-01-21T16:02:50","date_gmt":"2019-01-21T18:02:50","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46479"},"modified":"2019-01-21T16:02:50","modified_gmt":"2019-01-21T18:02:50","slug":"enviai-senhor-operarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/enviai-senhor-operarios\/","title":{"rendered":"\u201cEnviai, Senhor, oper\u00e1rios\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">por ocasi\u00e3o do Ano Vocacional Sacerdotal na Arquidiocese de S\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro \u2013 2019<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abertura<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u201cEnviai, Senhor, oper\u00e1rios \u00e0 vossa messe, pois a messe \u00e9 grande e poucos os oper\u00e1rios\u201d! Parece-me ouvir cantar esse pedido ressoando em meu cora\u00e7\u00e3o nas belas lembran\u00e7as infantis da catequese. Recordo das miss\u00f5es em minha terra natal, quando ainda crian\u00e7a, em que os mission\u00e1rios, entre outros ensinamentos, levavam os adolescentes a rezar cantando o pedido ao Senhor da Messe para que enviasse trabalhadores para a vinha. Nessas terras em que tantas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais surgiram, segundo algumas estat\u00edsticas, eu teria sido o 25\u00ba padre ordenado (isso h\u00e1 44 anos atr\u00e1s). Depois de mim outros vieram. Passadas tantas d\u00e9cadas, retorno com esse texto para iniciar a minha carta pastoral neste Ano Vocacional Arquidiocesano, que inicio com uma ora\u00e7\u00e3o:<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Deus nosso Pai,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Vivemos em nossa Arquidiocese o ano vocacional!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Agradecemos pelas voca\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em nossos semin\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>e pelos sacerdotes que servem com alegria esta Igreja.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00f3s vos pedimos que continueis a chamar muitos jovens<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>para que prossigam esta bela miss\u00e3o de ser testemunhas do Reino<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>nesta grande cidade que nos confiastes para servir.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00f3s vos pedimos a perseveran\u00e7a das voca\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>e a santidade de nosso clero.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Enviai sobre n\u00f3s o vosso Esp\u00edrito Santo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>para que nos ilumine e nos conduza cada dia de nossas vidas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Como homens de Deus que vivem a paternidade com o nosso povo,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>tenhamos dias de paz e de viv\u00eancia de f\u00e9, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>na certeza de tempos novos para esta metr\u00f3pole, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>a fim de que ela seja o Rio onde habitais<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>em cada cora\u00e7\u00e3o e em cada casa.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00f3s vos pedimos por Cristo Nosso Senhor.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Am\u00e9m!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li>Com a conclus\u00e3o do Ano Nacional do Laicato, quando tivemos a oportunidade de refletir sobre a voca\u00e7\u00e3o batismal e, a partir desta, sobre a vida e a miss\u00e3o dos crist\u00e3os leigos e leigas na Igreja e no mundo, julguei oportuno proclamar este ano tem\u00e1tico, em nossa Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, como Ano Vocacional Sacerdotal. Este novo ano teve in\u00edcio no s\u00e1bado que antecedeu o primeiro Domingo do Advento, por ocasi\u00e3o da Festa da Unidade Arquidiocesana 2018, e se concluir\u00e1 na mesma Festa, em 2019. Esta ocasi\u00e3o, mais que um incentivo vocacional e de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es, \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da resposta ao apelo de Jesus: \u201cPedi ao Senhor da Messe para que envie oper\u00e1rios\u201d (Mt 9,38)!<\/li>\n<li>O Papa Francisco, na carta que nos foi dirigida por ocasi\u00e3o da abertura desse Ano Vocacional Sacerdotal, afirmou: \u201cAo inaugurar o Ano Vocacional da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, no dia 1\u00ba de dezembro, quero me unir ao clamor de cada um de voc\u00eas ao Senhor da Messe para que envie sempre oper\u00e1rios para a miss\u00e3o nessa terra aben\u00e7oada pelo Cristo Redentor. Ali\u00e1s, a sua est\u00e1tua no alto do Corcovado, com seus bra\u00e7os abertos como que num grande abra\u00e7o acolhedor, nos lembra que j\u00e1 a nossa vida \u00e9 fruto de uma chamada de Deus: nos chamou \u00e0 vida porque nos ama e tudo predisp\u00f4s para que cada um de n\u00f3s fosse \u00fanico\u201d. O Ano Vocacional Sacerdotal \u00e9 a ocasi\u00e3o para refletirmos sobre a din\u00e2mica do discernimento vocacional, promovendo a consci\u00eancia e a viv\u00eancia de que todos os membros da Igreja. Somos vocacionados \u00e0 vida nova em Cristo (cf. Cl 3,3-4) pelo batismo e, ao mesmo tempo, promotores vocacionais para a vida crist\u00e3 e sacerdotal (cf. Jo 13,34).<\/li>\n<li>Em Cristo e pelo batismo, todos n\u00f3s crist\u00e3os somos chamados a uma mesma voca\u00e7\u00e3o: a santidade, atrav\u00e9s da plena comunh\u00e3o de amor em Cristo. Todavia, no cuidado pela sua Igreja, que \u00e9 seu Corpo M\u00edstico, Cristo Bom Pastor, dirige um particular chamado a alguns de seus membros para uma mais \u00edntima uni\u00e3o com Ele. Como recordou o Papa Bento XVI, \u201cem Cristo, Cabe\u00e7a da Igreja, seu Corpo, todos os crist\u00e3os formam \u2018uma ra\u00e7a eleita, um sacerd\u00f3cio real, uma na\u00e7\u00e3o santa, o povo de sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excel\u00eancias daquele que nos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa\u2019 (1Pd 2,9). No quadro deste chamamento universal, Cristo, Sumo Sacerdote, na sua solicitude pela Igreja, chama, portanto, em cada gera\u00e7\u00e3o, diversas pessoas para cuidar do seu povo. Em particular, chama ao minist\u00e9rio sacerdotal homens que exer\u00e7am uma fun\u00e7\u00e3o paterna, cuja fonte reside na mesma paternidade de Deus (cf.\u00a0Ef 3,14)\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/li>\n<li>Gra\u00e7as a Deus temos muitas voca\u00e7\u00f5es surgidas em todas as regi\u00f5es de nossa Arquidiocese e isso nos compromete \u00e0 cont\u00ednua ora\u00e7\u00e3o pela perseveran\u00e7a desses jovens, seja na f\u00e9 que receberam, seja no fervor da caridade pastoral que s\u00e3o chamados a viver em seu minist\u00e9rio sacerdotal. Louvo a Deus pelas voca\u00e7\u00f5es que est\u00e3o nascendo em nossa Arquidiocese como resposta ao clamor do povo de Deus. Louvo a Deus, pelos formadores que acompanham os jovens vocacionados e pelas comunidades que continuam perseverantes na ora\u00e7\u00e3o e os auxiliam nessa delicada miss\u00e3o. Por\u00e9m, pela densidade populacional de nossa Igreja Particular, necessitamos de mais voca\u00e7\u00f5es para pastorear com zelo os fi\u00e9is das par\u00f3quias j\u00e1 existentes, prover com mais padres as par\u00f3quias que atendem bairros populosos e tamb\u00e9m criar novas par\u00f3quias em locais onde ainda n\u00e3o temos uma presen\u00e7a efetiva. Costumo comparar as ordena\u00e7\u00f5es com a chuva que cai no deserto: ela desce do c\u00e9u, por\u00e9m muitas vezes n\u00e3o chega a molhar a terra, pois ela est\u00e1 muito seca. Dou gra\u00e7as a Deus pelas voca\u00e7\u00f5es, mas precisamos continuar perseverantes na ora\u00e7\u00e3o, a fim de que elas venham copiosas para a nossa Arquidiocese e para toda a Igreja. Al\u00e9m disso, somos uma Igreja aberta \u00e0s miss\u00f5es e as nossas voca\u00e7\u00f5es servem a Igreja em tantas outras realidades: nas universidades, nas capelanias militares, nos centros de forma\u00e7\u00e3o para o clero e para os leigos, nas miss\u00f5es em outras dioceses, dentro e fora do pa\u00eds, como atualmente as temos. Por\u00e9m, n\u00e3o pensamos apenas em quest\u00e3o num\u00e9rica, mas, tamb\u00e9m, na santidade e generosidade dos que s\u00e3o chamados, para que exer\u00e7am com alegria essa bela e importante miss\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vocacionado pelo amor<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li>Sempre iniciamos o ano civil com a grande festa do padroeiro da Cidade e da Arquidiocese: S\u00e3o Sebasti\u00e3o, precedida por uma trezena e, neste ano, com um tema vocacional: \u201cS\u00e3o Sebasti\u00e3o, vocacionado pelo amor\u201d. \u00c9 meu desejo que, al\u00e9m de nossa ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o pessoal, estas considera\u00e7\u00f5es sejam levadas a todos os fi\u00e9is, como um roteiro a ser trabalhado durante este ano de 2019, que estamos iniciando. Dentre tantas necessidades e anseios da nossa Igreja particular, que todos n\u00f3s, Povo de Deus, elevemos nossa ora\u00e7\u00e3o ao Senhor da messe para que nos mande oper\u00e1rios para a sua messe. Essa ora\u00e7\u00e3o reflete nossa confian\u00e7a na Provid\u00eancia divina, como nos recorda o Papa Bento XVI: \u201cA miss\u00e3o do sacerdote na Igreja \u00e9 insubstitu\u00edvel. Portanto, mesmo se, em certos lugares, h\u00e1 escassez de sacerdotes, n\u00e3o se deve ter menos certeza de que Cristo ainda continue a chamar homens, que como os Ap\u00f3stolos, abandonando todas as outras tarefas, se dediquem totalmente \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos santos mist\u00e9rios, \u00e0 prega\u00e7\u00e3o do Evangelho e ao minist\u00e9rio pastoral\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/li>\n<li>Assim, atrav\u00e9s da nossa unidade na ora\u00e7\u00e3o e no trabalho pelas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais, esperamos que cada fiel se torne um animador vocacional, destemido e capaz de propor escolhas radicais; que nossas comunidades compreendam a import\u00e2ncia e centralidade da Eucaristia na sua vida e a necessidade de Ministros que celebrem o Santo Sacrif\u00edcio; que as fam\u00edlias permitam o amadurecimento dos sinais de voca\u00e7\u00e3o em seus filhos, motivando-os a fazer um discernimento vocacional e apoiando\/respeitando as suas decis\u00f5es; que os bispos, padres e di\u00e1conos se mantenham firmes como os primeiros respons\u00e1veis pela anima\u00e7\u00e3o vocacional e deem testemunho da alegria de servir a Deus nos irm\u00e3os e irm\u00e3s. A nossa proposta \u00e9 que pe\u00e7amos ao Senhor da Messe oper\u00e1rios para a vinha do Senhor, de tal forma que, de cada comunidade nas\u00e7a uma nova voca\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atividades e metas<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"8\">\n<li>Os temas das novenas, dos meses tem\u00e1ticos e outros momentos dever\u00e3o conter essa nossa dimens\u00e3o vocacional arquidiocesana. Na Assembleia Geral dos Bispos do Brasil de 2018, o nosso Regional Leste 1 aceitou a proposta dos Regionais do Sul (2,3,4) da CNBB que, junto com outras Dioceses do Brasil e da \u00c1frica se propunham a rezar pelas voca\u00e7\u00f5es. A nossa Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, que j\u00e1 tem um belo trabalho vocacional e muitos grupos que rezam pelas voca\u00e7\u00f5es, j\u00e1 tinha programado em seu 12\u00ba Plano de Pastoral de Conjunto que, trabalhar\u00edamos pelas voca\u00e7\u00f5es. Como j\u00e1 tivemos o Ano da Vida Religiosa e o do Laicato, quando contemplamos essas voca\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, acreditamos que este ano de 2019 seria o momento de enfocar as voca\u00e7\u00f5es sacerdotais arquidiocesanas. Felizmente temos muitas voca\u00e7\u00f5es, mas para uma grande cidade como a nossa, ainda s\u00e3o insuficientes. Somos uma Arquidiocese mission\u00e1ria, em sa\u00edda, chamada a ir ao encontro das necessidades de outras comunidades do Brasil e do exterior, por amor a Cristo e \u00e0 Igreja, como temos feito. Por isso, a necessidade de rezar e apoiar as voca\u00e7\u00f5es ao sacerd\u00f3cio.<\/li>\n<li>Uma forma de anima\u00e7\u00e3o pastoral muito eficaz s\u00e3o as melodias vocacionais j\u00e1 conhecidas, antigas e novas. Al\u00e9m destas, a nossa Arquidiocese fez um concurso a fim de escolher um hino para este ano. Dentre v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es, foi escolhido como Hino Oficial a melodia \u201cHomem do Altar\u201d, que tivemos a oportunidade de lan\u00e7ar e divulgar. Recomendamos que seja cantada por todo o povo da nossa cidade e constatamos, com alegria, que est\u00e1 se tornando cada vez mais conhecida. Al\u00e9m disso, ser\u00e1 muito importante que em agosto, o m\u00eas vocacional, ainda mais se intensifiquem as ora\u00e7\u00f5es pelas voca\u00e7\u00f5es, em especial, pelo sacerd\u00f3cio ministerial em nossa Arquidiocese. O clima oracional que existe deve ser incrementado neste ano especial e conservado sempre mais presente em todas as atividades de nossa Igreja particular. Sugiro, que, al\u00e9m do Hino Vocacional, o refr\u00e3o \u201cEnviai, Senhor, oper\u00e1rios \u00e0 vossa messe, pois a messe \u00e9 grande e os poucos os oper\u00e1rios\u201d seja cantado como ora\u00e7\u00e3o em um momento prop\u00edcio das celebra\u00e7\u00f5es, como, por exemplo, ao final delas.<\/li>\n<li>As m\u00eddias digitais s\u00e3o excelentes instrumentos para difundir belos testemunhos de vida sacerdotal, atrav\u00e9s de v\u00eddeos e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o que possam servir \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o. A proposta de impress\u00e3o de livros com testemunhos, ora\u00e7\u00f5es e c\u00e2nticos tamb\u00e9m est\u00e1 em curso, para que este ano seja um importante marco que tenha continuidade nesse trabalho em nossa Arquidiocese. Ao utilizar textos impressos aproveitemos para divulgar o logo de nosso ano vocacional. Nesse sentido, sempre \u00e9 bom recordar tamb\u00e9m o n\u00famero de cl\u00e9rigos que d\u00e3o nome a logradouros (pra\u00e7as, ruas, pr\u00e9dios, entidades) em nossa cidade, demonstrando a influ\u00eancia positiva que exerceram em momentos v\u00e1rios de nossa hist\u00f3ria t\u00e3o antiga e t\u00e3o rica.<\/li>\n<li>Para desenvolver o trabalho vocacional temos v\u00e1rias atividades arquidiocesanas. O Servi\u00e7o de Anima\u00e7\u00e3o Vocacional (SAV) \u00e9 um caminho para que todos percebam que s\u00e3o chamados pelo batismo a uma vida crist\u00e3 de santidade e se coloquem a servi\u00e7o dos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Toda a Igreja \u00e9 chamada a reconhecer e aprofundar sua voca\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, a Pastoral Vocacional ir\u00e1 congregar os v\u00e1rios grupos espec\u00edficos e anim\u00e1-los para que continuem se aprofundando nessa dire\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Neste ano de 2019, de 5 a 8 de setembro, teremos, em Aparecida, o 4\u00ba Congresso Vocacional do Brasil com o tema: \u201cVoca\u00e7\u00e3o e discernimento\u201d que, junto com o lema; \u201cMostra-me, Senhor, os Teus caminhos\u201d (Sl 25,4), nos ajudar\u00e1 a incrementar ainda mais o acolhimento vocacional da vida crist\u00e3 e as voca\u00e7\u00f5es de especial consagra\u00e7\u00e3o. De certa forma, essas v\u00e1rias voca\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre contempladas de modo aprofundado no m\u00eas de agosto. Ainda neste ano, esperamos que essa tem\u00e1tica contagie a todos com um novo ardor vocacional.<\/li>\n<li>Aqui em nossa Arquidiocese, algumas atividades existentes devem ser impulsionadas. Acreditamos que em todas as par\u00f3quias existam voca\u00e7\u00f5es sacerdotais. Devemos ajudar no seu discernimento para que descubram o chamado do Senhor e respondam com generosidade. A primeira ordena\u00e7\u00e3o presbiteral que conferi como bispo diocesano foi de um antigo vocacionado de minha par\u00f3quia. Ele foi recebido para o encontro vocacional no Mosteiro em que eu vivia e, depois das orienta\u00e7\u00f5es, discerniu que tinha voca\u00e7\u00e3o para a vida diocesana. Foi uma bela experi\u00eancia. Hoje \u00e9 um bom e animado padre diocesano, muito querido em sua par\u00f3quia.<\/li>\n<li>Sabemos que as sementes da voca\u00e7\u00e3o est\u00e3o por toda parte. \u00c0s vezes eu me pergunto porque algumas comunidades est\u00e3o est\u00e9reis de voca\u00e7\u00f5es h\u00e1 tantos anos e, ao lado, temos comunidades fecundas em santas e perseverantes voca\u00e7\u00f5es, muitas vezes numerosas. Pe\u00e7amos ao Senhor da Messe que envie oper\u00e1rios para a vinha do Senhor, mas trabalhemos tamb\u00e9m para receb\u00ea-los, a fim de que todas as nossas comunidades possam ver florescer esse chamado divino. \u00c9 o que pedimos: de cada comunidade, uma nova voca\u00e7\u00e3o!<\/li>\n<li>Embora surjam voca\u00e7\u00f5es em todas as idades e situa\u00e7\u00f5es, e agradecemos a Deus por t\u00e3o belos sinais, destaco o trabalho com os jovens e adolescentes, e, em especial com os coroinhas, como a possibilidade de uma orienta\u00e7\u00e3o vocacional, no in\u00edcio gen\u00e9rica, mas tamb\u00e9m com a proposta clara para pensar na voca\u00e7\u00e3o sacerdotal diocesana. Algumas visitas de grupos de adolescentes e jovens aos nossos semin\u00e1rios, sobretudo crismandos, poderiam servir de motiva\u00e7\u00e3o para conhecerem melhor o itiner\u00e1rio vocacional em nossa Arquidiocese e alguns, inclusive, se o questionarem sobre o seu poss\u00edvel chamado \u00e0 vida sacerdotal. Rezemos pelos nossos adolescentes e jovens, recitando com fervor a Ora\u00e7\u00e3o do IV Congresso Vocacional do Brasil:<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Pai Santo,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201ctodo dom precioso e toda d\u00e1diva perfeita\u201d de ti procedem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Teu Filho Jesus Cristo anunciou o teu Reino de amor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>e nos chamou a segui-Lo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No Esp\u00edrito Santo fomos batizados para responder<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>generosamente \u00e0 essa voca\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por isso te pedimos, renova esse convite na Igreja,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>para que adolescentes e jovens possam escutar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>os teus apelos com olhos atentos aos sinais dos tempos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Que a Virgem Maria, Senhora Aparecida,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>acompanhe a todos que ouvem a tua voz<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>e com ela possam proclamar:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cEis-me aqui, fa\u00e7a-se em mim, conforme a tua Palavra\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Am\u00e9m!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos somos chamados a testemunhar<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"15\">\n<li>A ajuda concreta no sustento de nossos semin\u00e1rios deve ser uma consequ\u00eancia carinhosa de todos n\u00f3s que estamos comprometidos em ser a Igreja nesta grande cidade. Creio que o afeto que temos pelos Semin\u00e1rios da nossa Arquidiocese se far\u00e1 sentir ainda mais efetivo atrav\u00e9s de um apoio concreto na generosa colabora\u00e7\u00e3o com as necessidades dessas casas de forma\u00e7\u00e3o dos futuros sacerdotes, nas quais grande parte do nosso clero cresceu no seu amor pela Igreja e pelo povo de Deus. O nosso Semin\u00e1rio Arquidiocesano S\u00e3o Jos\u00e9 tem uma bela hist\u00f3ria. Fundado em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/5_de_setembro\">5 de setembro<\/a>de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1739\">1739<\/a> (280 anos), teve v\u00e1rias sedes at\u00e9 chegar ao local de hoje, o Rio Comprido. Atualmente, a ele se unem o Semin\u00e1rio Proped\u00eautico Rainha dos Ap\u00f3stolos, o Semin\u00e1rio Menor S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II e o Semin\u00e1rio Mission\u00e1rio <em>Redemptoris Mater<\/em>. Durante este ano, alguns formadores percorrer\u00e3o as par\u00f3quias para a anima\u00e7\u00e3o vocacional (j\u00e1 come\u00e7aram a faz\u00ea-lo na Trezena de S\u00e3o Sebasti\u00e3o) e continuar\u00e3o com os encontros vocacionais em cada vicariato e no S\u00edtio de Itaipava, como j\u00e1 ocorrem h\u00e1 anos. Os seminaristas que participam das celebra\u00e7\u00f5es s\u00e3o convidados a fazer o convite para o Ano Vocacional e darem seus testemunhos vocacionais, assim como os sacerdotes nas Missas que celebram, procurando ser um sinal para as futuras voca\u00e7\u00f5es. Assim, a unidade arquidiocesana em torno da ora\u00e7\u00e3o do povo fiel e das celebra\u00e7\u00f5es, junto com os testemunhos vocacionais aliados a escritos, livros, reportagens, utiliza\u00e7\u00e3o das m\u00eddias digitais, permitir\u00e1 que esse ano vocacional envolva toda a nossa Arquidiocese e promova essa cultura orante, a fim de que continue a crescer e permane\u00e7a sempre como um legado deste aben\u00e7oado ano.<\/li>\n<li>Nas Dioceses que empreenderam essa caminhada de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es, j\u00e1 ressoa o pedido ao Senhor para que de cada comunidade brote uma nova voca\u00e7\u00e3o. Temos certeza de que s\u00e3o muitos os jovens chamados e que necessitam da presen\u00e7a orante de um povo que os ajude a responder seu sim ao Senhor para a vida sacerdotal. Cada comunidade deve se empenhar para que, rezando e pedindo ao Senhor da Messe e Pastor do rebanho, muitos jovens responder\u00e3o generosamente ao chamado e a comunidade saber\u00e1 apoi\u00e1-los em todos os seus passos.<\/li>\n<li>Diante de um mundo em mudan\u00e7a, a vida do vocacionado ao sacerd\u00f3cio deve ser, antes de tudo, coerente com o seu Batismo, ou seja, reflita o que \u00e9 ser um bom crist\u00e3o, chamado \u00e0 santidade. Em tempos complexos como os nossos, n\u00e3o podemos nunca prescindir do chamado comum a todos os crist\u00e3os: a santidade. Esta \u00e9 a nossa voca\u00e7\u00e3o primordial e essencial. E essa busca de convers\u00e3o \u00e0 santidade dever\u00e1 acompanhar sempre o crist\u00e3o, seja qual for a sua voca\u00e7\u00e3o, em especial, a do sacerdote. Direcionados aos jovens que buscam cada dia corresponder a esse chamado, os encontros vocacionais ir\u00e3o ajudar no discernimento da voca\u00e7\u00e3o presbiteral, para que tenhamos sacerdotes santos e felizes dispostos a servir ao nosso povo sedento de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tema e Lema<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"18\">\n<li>Para ajudar em nossa reflex\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o, a Coordena\u00e7\u00e3o de Pastoral Arquidiocesana escolheu um tema como norte espiritual: \u201cA alegria de servir no sacerd\u00f3cio ministerial\u201d. Aqui se concentra, de um lado, a reflex\u00e3o constante do Papa Francisco, que faz quest\u00e3o de sublinhar o tema da \u201calegria\u201d em todos os documentos, e tamb\u00e9m em suas homilias e mensagens. O Santo Padre tem se preocupado em anunciar uma vida crist\u00e3 onde o querigma nos leva a ser testemunhas alegres de Jesus Cristo, Nosso Senhor. De fato, existem muitos motivos de tristeza e de des\u00e2nimo em nosso tempo, por\u00e9m, o crist\u00e3o, por acreditar naquele que venceu a morte e est\u00e1 Ressuscitado e Vivo entre n\u00f3s, se transforma, para o mundo, em uma testemunha alegre da Esperan\u00e7a que n\u00e3o decepciona e que supera toda a tristeza: Jesus Cristo (cf. Rm 5,5).<\/li>\n<li>De outro lado, a palavra que merece destaque \u00e9 o verbo \u201cservir\u201d, pois temos consci\u00eancia de que o \u201cpoder sacerdotal\u201d se revela no servi\u00e7o aos irm\u00e3os (cf. Jo 15,12.14-15). Somos ordenados para ser, no mundo, a presen\u00e7a de Cristo Jesus que veio para servir e dar a vida por muitos (cf. Mt 20,28). Essa consci\u00eancia nos coloca dentro da \u00fanica alegria poss\u00edvel ao nosso minist\u00e9rio: a certeza de sermos agrad\u00e1veis aos olhos de Deus por amarmos o nosso pr\u00f3ximo como Ele nos amou, levando-o \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 miss\u00e3o de testemunhar o Ressuscitado. Essa alegria \u00e9 completamente distinta daquela alegria transit\u00f3ria e ego\u00edsta, t\u00edpica do clericalismo que surge quando um batizado se sente mais digno de algo e de alguma prioridade em rela\u00e7\u00e3o aos demais irm\u00e3os na f\u00e9 somente pelo fato de estar servindo atrav\u00e9s de um minist\u00e9rio ordenado.<\/li>\n<li>N\u00f3s queremos rezar para que todos os que Deus chamar ao sacerd\u00f3cio ministerial estejam alegres nesse servi\u00e7o, por isso o tema recorda que essa alegria de servir \u00e9 como sacerdote, presb\u00edtero! A alegria do padre ao servir os irm\u00e3os e irm\u00e3s com generosidade contagia a todos e j\u00e1 come\u00e7a evangelizando pela sua pr\u00f3pria postura.<\/li>\n<li>O lema escolhido \u00e9 \u201cEis-me aqui, Senhor (Is 6,8) que nos recorda que, atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e dos nossos gestos concretos, precisamos motivar os jovens a n\u00e3o terem medo de responder com generosidade e disponibilidade ao servi\u00e7o do Reino, doando suas vidas por causa do Evangelho. Essa resposta, que encontramos muitas vezes no chamado dos jovens a serem crismados, tamb\u00e9m se encontra de outras formas por toda a Escritura Sagrada. Profetas, reis, ap\u00f3stolos, disc\u00edpulos, patriarcas, de uma forma ou de outra, se colocaram dispon\u00edveis para servir o Senhor naquilo que Ele lhes pedia. Nesse sentido, o lema de disponibilidade na resposta generosa do \u201ceis-me aqui\u201d faz com que a alegria de servir no sacerd\u00f3cio ministerial se difunda.<\/li>\n<li>Em s\u00edntese, a nossa ora\u00e7\u00e3o \u00e9 para que n\u00f3s, sacerdotes e fi\u00e9is batizados, sejamos, sempre mais, testemunhas da alegria de uma entrega total de vida para a nossa santifica\u00e7\u00e3o e pelo bem do povo de Deus, cada qual segundo a voca\u00e7\u00e3o que o Senhor indicar. Isso n\u00e3o significa n\u00e3o ter cruzes ou problemas, ou deixar de falar deles, mas significa ter a serenidade interior de viver todos os momentos que vierem em nossas vidas \u00e0 luz da f\u00e9, sejam eles bons ou ruins, tristes ou alegres, sem rejeitar nenhum. Quem \u00e9 chamado \u00e0 vida nova em Cristo, seja um ministro ordenado ou n\u00e3o, vive nas m\u00e3os do Senhor e tudo recebe nesta vida atrav\u00e9s de suas Sant\u00edssimas M\u00e3os, sem nada rejeitar ou repudiar.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voca\u00e7\u00e3o: Chamado de Deus<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"23\">\n<li>O primeiro passo para que possamos suscitar voca\u00e7\u00f5es \u00e9 estabelecer um di\u00e1logo profundo e sincero com Deus, atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o. Como j\u00e1 afirmei anteriormente, o pr\u00f3prio Jesus nos diz: \u201cA messe \u00e9 grande, mas os trabalhadores s\u00e3o poucos.\u00a0Pedi, pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!\u201d (Mt 9,37-38). Faz-se necess\u00e1rio transformar este convite do Senhor em testemunho p\u00fablico de f\u00e9 e de obedi\u00eancia, promovendo celebra\u00e7\u00f5es nas par\u00f3quias, comunidades, santu\u00e1rios, casas religiosas, col\u00e9gios, enfim, em todos os locais onde atuam nossas pastorais, movimentos e servi\u00e7os. Junto com essas atividades, tamb\u00e9m o testemunho vocacional dos padres, di\u00e1conos e seminaristas ser\u00e1 um belo sinal da a\u00e7\u00e3o de Deus em nossas hist\u00f3rias. Assim, dos quatro cantos de nossa Arquidiocese, como num cen\u00e1culo, ass\u00edduos e concordes na ora\u00e7\u00e3o, \u201ccom Maria, a M\u00e3e de Jesus\u201d (At 1,14), se eleve esta s\u00faplica ao c\u00e9u, para pedir ao Pai aquilo que Cristo nos ordenou. Uma ora\u00e7\u00e3o cheia de esperan\u00e7a, na expectativa confiante da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Nestes momentos fortes de ora\u00e7\u00e3o, Cristo garante que alcan\u00e7aremos aquilo que pedimos: \u201cSe dois de v\u00f3s estiverem de acordo, na terra, sobre qualquer coisa que quiserem pedir, meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us o conceder\u00e1. Pois onde dois ou tr\u00eas estiverem reunidos em meu nome, eu estou a\u00ed no meio deles\u201d (Mt 18,19-20).<\/li>\n<li>Pela pr\u00e1tica da ora\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, na descoberta da Liturgia das Horas, praticando a <em>\u201clectio divina\u201d<\/em> ou leitura orante da B\u00edblia (leitura, medita\u00e7\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00e3o) e com o aux\u00edlio dos Sacramentos, a comunidade de fi\u00e9is \u00e9 chamada a conhecer, amar e servir a Deus. Na verdade, nesse itiner\u00e1rio de crescimento no amor e no di\u00e1logo com o Senhor, que corresponde \u00e0 vida de santidade, Deus faz o chamado particular para cada pessoa, isto \u00e9, uma voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. \u00c9 o modo pr\u00f3prio de cada um viver essa vida de amor e intimidade com Deus, que se irradia para os irm\u00e3os e pode assumir diferentes op\u00e7\u00f5es, na busca pela voca\u00e7\u00e3o que Deus escolheu para cada pessoa. O Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II esclarece que \u201cDeus \u00e9 sempre livre para chamar quem quer e quando quer, segundo a extraordin\u00e1ria riqueza da sua gra\u00e7a, mediante a bondade que teve para conosco em Cristo Jesus (<em>Ef<\/em> 2,7). Mas, ordinariamente, Ele chama por meio das nossas pessoas e das nossas palavras. Por conseguinte, n\u00e3o tenhais receio de chamar. Descei para o meio dos vossos jovens. Ide pessoalmente ao encontro deles e chamai. Os cora\u00e7\u00f5es de muitos jovens, e de menos jovens tamb\u00e9m, est\u00e3o predispostos para vos ouvir. Muitos deles buscam um objetivo pelo qual possam viver; encontram-se na expectativa de descobrir uma miss\u00e3o que tenha valor, para a ela consagrar a vida. E Cristo sintonizou-os com o seu e com o vosso apelo. N\u00f3s devemos chamar. O resto f\u00e1-lo-\u00e1 o Senhor, que oferece a cada um o seu dom particular, consoante a gra\u00e7a que lhe foi concedida (cf. 1<em>Cor<\/em> 7,7;\u00a0<em>Rm<\/em> 12,6)\u201d.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/li>\n<li>S\u00e3o muitas as ocasi\u00f5es que a comunidade tem para rezar pelas voca\u00e7\u00f5es. Existem grupos especiais que, al\u00e9m da ajuda material aos nossos semin\u00e1rios, tamb\u00e9m rezam constantemente pelas voca\u00e7\u00f5es, como a Obra das Voca\u00e7\u00f5es Sacerdotais (OVS), que gostar\u00edamos que j\u00e1 estivesse implantada em todas as par\u00f3quias, o Movimento Serra e tantos outros a quem agrade\u00e7o pelo empenho e unidade. Al\u00e9m da ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es encontro tamb\u00e9m a constante intercess\u00e3o pela santifica\u00e7\u00e3o do clero, al\u00e9m do dia espec\u00edfico que ocorre a cada ano, pois faz parte da espiritualidade de nosso povo rezar na inten\u00e7\u00e3o de seus padres. Gostaria que se aprofundasse assim mais esse zelo nas preces pelas voca\u00e7\u00f5es, pela perseveran\u00e7a dos seminaristas e pela santifica\u00e7\u00e3o do clero, para que tenhamos bons pastores para o nosso povo. Um livro de piedade vocacional, com ora\u00e7\u00f5es e c\u00e2nticos seria desej\u00e1vel par ajudar agora e sempre a ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c8 Jesus quem faz o convite<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"26\">\n<li>Mesmo em meio a uma \u00e9poca conturbada, na qual cresce o individualismo e a mentalidade egoc\u00eantrica, que leva as pessoas a acreditarem que a vida vale pelo quanto se possa desfrutar das coisas, pessoas, momentos e oportunidades, o Senhor Deus continua chamando seus filhos para uma alian\u00e7a de amor com Ele. Ainda existem muitos homens cujos cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o sedentos por ouvir esse chamado e por viver a vida a partir dessa alian\u00e7a. Cheio de admira\u00e7\u00e3o diante da obra de Deus, agrade\u00e7o a Ele pelas voca\u00e7\u00f5es que surgem de todos os vicariatos de nossa Arquidiocese, porque s\u00e3o jovens e adultos animados e generosos que, com coragem e enfrentando muitas vezes dificuldades, d\u00e3o o seu \u201csim\u201d, aberto e alegre, ao Senhor que chama. No entanto, precisamos reavivar em nossos cora\u00e7\u00f5es a alegria de sermos a voz que serve \u00e0 Palavra Eterna, colaborando com Nosso Senhor nessa miss\u00e3o. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II se dirige aos jovens falando, exatamente, desse \u201csempre querer chamar\u201d da parte de Deus e encorajando-os a nutrirem um cora\u00e7\u00e3o interessado pela voz do Senhor:\u00a0\u201cA nossa vida \u00e9 dom de Deus. Devemos fazer com ela alguma coisa de bom. H\u00e1 muitas maneiras para empregar bem a vida, aplicando-a ao servi\u00e7o de ideais humanos e crist\u00e3os. Se eu hoje vos falo de consagra\u00e7\u00e3o total a Deus no sacerd\u00f3cio, [&#8230;] \u00e9 porque Cristo chama muitos de entre v\u00f3s a esta extraordin\u00e1ria aventura. Ele tem necessidade, quer ter necessidade, das vossas pessoas, da vossa intelig\u00eancia, das vossas energias, da vossa f\u00e9, do vosso amor e da vossa santidade. Se \u00e9 para o sacerd\u00f3cio que Cristo vos chama, \u00e9 porque Ele quer exercer o seu sacerd\u00f3cio atrav\u00e9s da vossa consagra\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o sacerdotal; quer falar aos homens de hoje com a vossa voz; quer consagrar a Eucaristia e perdoar os pecados por meio de v\u00f3s. Ele quer amar com o vosso cora\u00e7\u00e3o; quer ajudar com as vossas m\u00e3os; e quer salvar com os vossos esfor\u00e7os. Pensai bem nisto. A resposta que muitos de v\u00f3s podeis dar \u00e9 dirigida pessoalmente a Cristo, que vos chama para estas coisas grandes\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"27\">\n<li>Em todo o Brasil, existe um n\u00famero significativo de jovens que, ap\u00f3s fazerem uma experi\u00eancia de vida com o Ressuscitado, decidem conhecer melhor a Igreja Cat\u00f3lica; outros tantos, depois de um tempo de afastamento da vida crist\u00e3, por sentirem um forte apelo de seguir ao Senhor, retornam \u00e0 Igreja e passam a percorrer um caminho de forma\u00e7\u00e3o com a catequese da Crisma, ou a catequese de adultos. Por certo, esses jovens ainda n\u00e3o conhecem com clareza o que Deus quer deles, mas est\u00e3o interessados em saber algo a mais a esse respeito; por isso, devem ser acompanhados pela comunidade paroquial local e por um sacerdote experiente que os ajude a crescer na f\u00e9 e a buscar com maior clareza aquilo que o Senhor prop\u00f5e para eles como caminho vocacional. Vale destacar tamb\u00e9m que v\u00e1rios jovens e adolescentes, h\u00e1 anos perseverando na vida crist\u00e3 como \u201ccoroinhas\u201d e catequistas, no amor que sentem pela Igreja, t\u00eam procurado escutar com aten\u00e7\u00e3o e responder com generosidade ao chamado do Senhor, dando passos importantes em sua decis\u00e3o vocacional.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"28\">\n<li>\u00c9 importante assinalar aqui a difus\u00e3o das chamadas \u201cnovas comunidades\u201d de Direito Pontif\u00edcio aprovadas pelo Dicast\u00e9rio dos Leigos, Vida e Fam\u00edlia que despertam em muitos jovens um forte ardor por uma vida de entrega ao Senhor no sacerd\u00f3cio. Nesse processo de descoberta vocacional e vida comunit\u00e1ria, \u00e9 fundamental que o jovem siga um caminho de cont\u00ednuo discernimento da vontade de Deus para entender qual estado de vida o Senhor prop\u00f5e para ele. Por isso, o discernimento vocacional que \u00e9 a busca fiel por descobrir a vontade de Deus para a sua vida, a partir do sentido de sua exist\u00eancia no mundo atrav\u00e9s do batismo, \u00e9 um passo important\u00edssimo. As comunidades aprovadas como Associa\u00e7\u00f5es de Vida Apost\u00f3lica em \u00e2mbito diocesano, ordinariamente, t\u00eam seus sacerdotes incardinados na mesma diocese.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voca\u00e7\u00e3o, chamado de Deus aos homens<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"29\">\n<li>A voca\u00e7\u00e3o sacerdotal \u00e9 o chamado feito por Deus a homens para que sigam o caminho de amor e intimidade com Ele por meio da ora\u00e7\u00e3o, obedi\u00eancia e celibato. Na Igreja do Ocidente, esses sinais s\u00e3o fortes testemunhos de entrega total \u00e0 gra\u00e7a de Deus e a buscar a Deus acima de tudo, entregando a pr\u00f3pria vida. Trata-se de uma configura\u00e7\u00e3o com Cristo Sumo e Eterno Sacerdote, Pont\u00edfice entre n\u00f3s e Deus, Cabe\u00e7a do Corpo que \u00e9 a Igreja (cf. Ef 5,23). Pela ordena\u00e7\u00e3o presbiteral, o homem \u00e9 marcado para toda a eternidade com um selo, um car\u00e1ter, que o torna ministro de Cristo e, em colabora\u00e7\u00e3o com os bispos, passa a ser um dispensador do poder da Gra\u00e7a que Ele conferiu aos seus ap\u00f3stolos.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"30\">\n<li>Esse poder em plenitude \u00e9 conferido aos sucessores dos ap\u00f3stolos, que s\u00e3o os Bispos, escolhidos dentre os presb\u00edteros para receberem a ordena\u00e7\u00e3o episcopal. Essa, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas objeto de um discernimento vocacional pessoal propriamente dito, mas \u00e9 fruto de um discernimento feito pela Igreja, guiado e iluminado pelo Esp\u00edrito Santo, em rela\u00e7\u00e3o ao futuro presb\u00edtero, o qual, uma vez eleito e respondendo afirmativamente \u00e0s perguntas da Igreja, ser\u00e1 ordenado padre. Os presb\u00edteros s\u00e3o colaboradores dos Bispos e a estes prestam obedi\u00eancia e solicitude filial.<\/li>\n<li>\u00c9 oportuno recordar que, apesar do chamado \u00e0 vida sacerdotal ser o mesmo, h\u00e1 diferentes modos de viver a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> Alguns, antes do sacerd\u00f3cio, s\u00e3o chamados a se consagrarem a Deus como religiosos, professando os conselhos evang\u00e9licos de pobreza (dispondo a Deus seus bens externos), castidade (dispondo a Deus o seu corpo) e obedi\u00eancia (dispondo a Deus a sua alma, sua vontade). Isso ocorre gra\u00e7as a um especial dom (carisma) conferido por Deus \u00e0 pessoa, que a leva a viver uma vida de consagra\u00e7\u00e3o unida a uma \u201cfam\u00edlia religiosa\u201d com espiritualidade pr\u00f3pria, atrav\u00e9s do ato p\u00fablico de profiss\u00e3o solene de votos. Por meio desse ato, esses vocacionados tornam-se vinculados a um instituto de vida consagrada ou a uma sociedade de vida apost\u00f3lica e s\u00e3o chamados de religiosos. Podem atuar diretamente na miss\u00e3o da Igreja pelo mundo, em institutos de vida ativa, ou indiretamente, por meio de uma vida reclusa de ora\u00e7\u00e3o, como contemplativos em mosteiros. E h\u00e1 tamb\u00e9m, ainda hoje, quem seja chamado \u00e0 vida erem\u00edtica que, sob o acompanhamento do bispo, vive mais radicalmente a entrega a Deus, que tr\u00e1s consigo uma forte exig\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o pessoal, sil\u00eancio contemplativo, de solid\u00e3o e penit\u00eancia.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"32\">\n<li>A maioria dos padres \u00e9 composta por aqueles que pertencem ao clero da Igreja particular, chamados padres diocesanos ou seculares. O padre secular \u00e9 aquele que, incardinado numa Arquidiocese, Diocese, Administra\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, Prelazia Territorial ou Pessoal, n\u00e3o faz votos como na Vida Consagrada, mas est\u00e1 a servi\u00e7o da Igreja particular e depende de seu bispo, a quem deve respeito e obedi\u00eancia, vivendo na unidade da Igreja, como colaborador no pastoreio do povo de Deus. O padre secular vive a castidade como celibat\u00e1rio, que lhe \u00e9 exigida como norma da Igreja latina, e pratica a pobreza no desapego dos bens, que todo seguidor de Cristo deve viver. Al\u00e9m do trabalho nas par\u00f3quias, est\u00e1 aberto ao ensino, acompanhamento, dire\u00e7\u00e3o espiritual, miss\u00f5es e tantos outros servi\u00e7os pr\u00f3prios da vida presbiteral.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O chamado de Deus: exemplo de Abra\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"33\">\n<li>Para falar um pouco mais sobre a voca\u00e7\u00e3o ao sacerd\u00f3cio, vejamos a hist\u00f3ria do chamado de Abra\u00e3o, nosso pai na f\u00e9. O primeiro \u201cacontecimento vocacional\u201d em sua vida foi aquele direto e imperativo chamado que Deus lhe fez para partir deixando tudo para atr\u00e1s, quando ele ainda vivia em obedi\u00eancia ao seu pai Tar\u00e9 e se chamava Abr\u00e3o: \u201cE o Senhor disse a Abr\u00e3o: \u2018Parte para longe de tua p\u00e1tria, de teus parentes e da casa de teu pai, e dirige-te ao pa\u00eds que eu te indicar. Pois farei de ti uma grande na\u00e7\u00e3o, hei de aben\u00e7oar-te e engrandecer teu nome: sejas tu uma b\u00ean\u00e7\u00e3o!\u2019\u201d (Gn 12,1-2). O Senhor Deus disse o que Abr\u00e3o deveria fazer, e o que Ele, Deus, queria fazer na vida de Abr\u00e3o. Por\u00e9m, a fala foi sem maiores detalhes, sem particulares e sem pedantismos. O que significa dizer que, por hora bastava para Abr\u00e3o saber apenas aquilo para tomar a sua decis\u00e3o. No cumprimento da ordem divina, uma parte da a\u00e7\u00e3o caberia a Abr\u00e3o, em todo o seu \u00f4nus (deixar todas as suas refer\u00eancias e seguran\u00e7as pessoais) e a outra parte caberia a Deus enquanto promessa que era (fazer dele pai de uma na\u00e7\u00e3o). Entretanto, tudo o que seria realizado, desde a hora em que Deus falou at\u00e9 o cumprimento definitivo e total da promessa, aconteceria sob a reg\u00eancia da gra\u00e7a de Deus e sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, ou seja, seria o agir de Deus e tamb\u00e9m o agir de Deus em Abr\u00e3o. Como dir\u00e1 o salmista: o falar de Deus \u00e9 bendito e puro (cf. Sl 18,8; 17,3), e bendito se torna todo aquele que O escuta e coloca em pr\u00e1tica a sua Palavra, como dir\u00e1 o Senhor Jesus aos seus interlocutores (cf. Lc 11,28).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"34\">\n<li>Sabemos que a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 um chamado que Deus faz a seus filhos e filhas, um convite configurar-se com Cristo Jesus, tornando-se n\u2019Ele dom para todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II nos dir\u00e1: \u201cNa origem de todo caminho vocacional est\u00e1 o Emanuel, o Deus-conosco. Ele nos revela que n\u00e3o estamos construindo sozinhos a nossa vida, porque Deus caminha conosco em meio \u00e0s nossas sucessivas vicissitudes e, se n\u00f3s o quisermos, tece com cada um uma maravilhosa hist\u00f3ria de amor, \u00fanica e irrepet\u00edvel e, ao mesmo tempo, em harmonia com a humanidade e com o cosmo inteiro. Descobrir a presen\u00e7a de Deus na pr\u00f3pria hist\u00f3ria, n\u00e3o mais sentir-se \u00f3rf\u00e3o, mas estar certo de ter um Pai ao qual pode entregar-se completamente: essa \u00e9 a grande virada que transforma o horizonte simplesmente humano e leva o homem a entender &#8211; como afirma a\u00a0<em>Gaudium et spes<\/em>&#8211; que ele n\u00e3o pode \u2018encontrar-se plenamente, a n\u00e3o ser no dom sincero de si\u2019 (n. 24). Nessas palavras do Conc\u00edlio Vaticano II, encerra-se o segredo da exist\u00eancia crist\u00e3 e de toda aut\u00eantica realiza\u00e7\u00e3o humana\u201d.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"35\">\n<li>A din\u00e2mica de seguir o chamado vocacional que Deus faz n\u00e3o parte de uma vontade meramente humana, da pura racionalidade ou de uma in\u00e9rcia na tentativa de dar uma oportunidade a si mesmo, como se fosse uma resposta para a afirma\u00e7\u00e3o: \u201ceu preciso fazer algo da minha vida, vamos ver o que pode ser&#8230;\u201d. No testemunho de Abr\u00e3o fica claro que Deus se dirige a cada um pelo nome, e tem uma proposta e um itiner\u00e1rio j\u00e1 definidos. Em outras palavras, n\u00e3o \u00e9 apenas um chamado ao qual cada um corresponde do jeito que lhe pare\u00e7a melhor e mais vi\u00e1vel, dentro de suas pr\u00f3prias possibilidades. Quem seria capaz de afirmar qual seria o melhor caminho a seguir? O pr\u00f3prio Abr\u00e3o? Certamente n\u00e3o. Dentre todas as possibilidades imagin\u00e1veis e n\u00e3o imagin\u00e1veis ao homem, Aquele que lhe deu a vida e continua querendo a sua felicidade \u00e9 o \u00fanico capaz de apontar qual o caminho a seguir: \u201cQuem sabe o que conv\u00e9m ao homem na sua vida, nestes poucos dias de sua exist\u00eancia v\u00e3, por mais que os prolongue como uma sombra?\u201d (Ecl 6,12).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Escutar a voz de Deus<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"36\">\n<li>Outro aspecto do chamado consiste na escuta: Abr\u00e3o ouve a Deus, que lhe fala. Diante disso, podemos nos perguntar: \u201cEu escuto a Deus?\u201d; \u201cEle j\u00e1 me falou?\u201d. O chamado \u00e9 reconhecido por aquele que faz uma verdadeira experi\u00eancia com Deus. Ainda que n\u00e3o tenha clareza de como se dar\u00e1 o caminho, permanece na escuta para perceber os passos que dever\u00e3o ser dados. Note-se que, no primeiro momento, Deus ainda n\u00e3o revela a Abr\u00e3o todo o projeto que tem para ele, nem as prova\u00e7\u00f5es e desdobramentos daquele primeiro chamado. \u201cFoi pela f\u00e9 que Abra\u00e3o, obedecendo ao chamado de Deus, partiu rumo ao pa\u00eds que lhe caberia em heran\u00e7a. Ele partiu de seu pa\u00eds sem saber para onde ia\u201d (Hb 11,8). Na antiga tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, escutar n\u00e3o se limita ao simples ato f\u00edsico de ouvir o som da voz de algu\u00e9m que fala conosco. Trata-se de um acolhimento interior da Palavra daquele que fala, um acatamento com o cora\u00e7\u00e3o, tornando agora sua aquela palavra ouvida. No caso de Abr\u00e3o, seu ato de escuta \u00e9 um ato de obedi\u00eancia a Deus, o que significaria tomar uma decis\u00e3o sobre a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida! Mas por que partir? Como seria? Abr\u00e3o nem sequer pensava ou planejava tal coisa para si. Contudo, tomando agora essa decis\u00e3o, a sua vida e o seu futuro ficariam completamente comprometidos e entregues nas m\u00e3os de Deus. O pr\u00f3prio Deus seria de agora em diante sua \u00fanica garantia. N\u00e3o haveria outra seguran\u00e7a sobre a qual se apoiar a n\u00e3o ser o fato de que Deus, que \u00e9 fiel, assim o quis e Abr\u00e3o confiou nele e partiu (cf. Dt 7,9; 1Ts 5,24).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"37\">\n<li>Ensina-nos o Papa Francisco: \u201cNa raiz de cada voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, h\u00e1 este movimento fundamental da experi\u00eancia de f\u00e9: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do pr\u00f3prio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abra\u00e3o a pr\u00f3pria terra pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicar\u00e1 a estrada para a nova terra. Esta \u2018sa\u00edda\u2019 n\u00e3o deve ser entendida como um desprezo da pr\u00f3pria vida, do pr\u00f3prio sentir, da pr\u00f3pria humanidade; pelo contr\u00e1rio, quem se p\u00f5e a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abund\u00e2ncia, colocando tudo de si \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de Deus e do seu Reino. Como diz Jesus, \u2018todo aquele que tiver deixado casas, irm\u00e3os, irm\u00e3s, pai, m\u00e3e, filhos ou campos por causa do meu nome, receber\u00e1 cem vezes mais e ter\u00e1 por heran\u00e7a a vida eterna\u2019 (<em>Mt<\/em>19, 29). Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De fato, a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para al\u00e9m de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um \u2018<em>\u00eaxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua liberta\u00e7\u00e3o no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus\u2019 <\/em>(Bento XVI, Carta enc.\u00a0<em>Deus caritas est<\/em>, 6)\u201d.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Longe de ser um ato irracional, o ato de f\u00e9 se fundamenta no fato de que, se Deus existe e me chama a algo, segui-Lo \u00e9 o mais apropriado a fazer, pois Ele n\u00e3o pode se enganar e nem enganar algu\u00e9m. P\u00f4r-se \u00e0 escuta, por meio de uma dedica\u00e7\u00e3o generosa \u00e0 ora\u00e7\u00e3o mental e \u00e0 leitura das Sagradas Escrituras, \u00e9 pressuposto indispens\u00e1vel para o discernimento e uma resposta positiva que coloque a pessoa em movimento. Os sinais que o Senhor nos d\u00e1 varia para cada pessoa e o importante \u00e9 o discernimento e a abertura para acolher o chamado. Aqui se percebe, tamb\u00e9m, a import\u00e2ncia do Diretor Espiritual.<\/li>\n<li>O profeta Samuel, por exemplo, foi orientado por Eli quando j\u00e1 estava no templo servindo ao Senhor. Eli \u00e9 claro sobre a necessidade de ajudar o jovem a saber escutar e discernir a voz do Senhor para que possa responder com confian\u00e7a e generosidade: \u201cFala, Senhor, que teu servo escuta\u201d (1Sm 3). Assim, muitos jovens necessitam da proximidade de um sacerdote para serem ajudados a discernir o chamado e a responder com alegria ao Senhor que passa em suas vidas.<\/li>\n<li>O discernimento vocacional, em um primeiro momento, \u00e9 a busca por saber qual \u00e9 o modo particular de estado de vida que Deus escolheu para uma pessoa desde toda a eternidade e que, portanto, ser\u00e1 o seu caminho de plenitude. O discernimento exige um processo de autoconhecimento \u2013 momentos de sil\u00eancio, de reflex\u00e3o e de ora\u00e7\u00e3o \u2013 preferencialmente acompanhado por um bom diretor espiritual que ajudar\u00e1 o vocacionado a amadurecer no di\u00e1logo com o Senhor.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> Em outras palavras, trata-se de um processo que ajude o jovem a colocar as perguntas essenciais \u00e0 sua vida crist\u00e3 e a buscar respostas que iluminem o seu modo de viver para se tornar mais semelhante ao modo de vida de Jesus. Isso o levar\u00e1 diretamente ao encontro de sua identidade como crist\u00e3o, como batizado. Logo, a reflex\u00e3o e o discernimento acerca da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 s\u00e3o v\u00e1lidos para todos aqueles que, sinceramente, se perguntam diante de Deus sobre sua voca\u00e7\u00e3o. A partir desse passo, e com o cont\u00ednuo crescimento na pr\u00e1tica crist\u00e3 de amor ao pr\u00f3ximo e de obedi\u00eancia ao Pai, a exemplo de Jesus, \u00e9 que o Senhor Deus vai revelar o chamado espec\u00edfico \u00e0 voca\u00e7\u00e3o sacerdotal que Ele tenha reservado para alguns rapazes. Tudo come\u00e7a e se desenvolve a partir do compromisso verdadeiro e sincero de nossa voca\u00e7\u00e3o batismal com a vida nova em Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"40\">\n<li>O processo de discernimento vocacional para o sacerd\u00f3cio ministerial pode durar alguns anos e deve ser vivido com dilig\u00eancia.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> O fato de ser Deus a origem do chamado e, portanto, Aquele a quem tamb\u00e9m compete a iniciativa de indicar o caminho, n\u00e3o exclui a necessidade de a pessoa ser respons\u00e1vel e interessada em buscar ouvi-Lo. \u201cDe manh\u00e3 lan\u00e7a a tua semente e at\u00e9 a tarde n\u00e3o descanse a tua m\u00e3o, pois n\u00e3o sabes se isto ou aquilo dar\u00e1 resultado, ou se ambos ser\u00e3o igualmente bons\u201d (Ecl. 11,6). Para auxiliar nesse tempo de discernimento \u00e9 necess\u00e1rio buscar a ajuda de grupos vocacionais e pessoas experimentadas em suas voca\u00e7\u00f5es, como testemunho de vida ministerial. Atrav\u00e9s desses e de outros diversos meios e sinais, o vocacionado vai adquirindo uma certeza moral de qual \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o a seguir.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"41\">\n<li>Em nossa Arquidiocese, temos os padres nas par\u00f3quias para ajudar nesse discernimento e na primeira dire\u00e7\u00e3o espiritual e, posteriormente, encaminhar os jovens para os grupos vocacionais para serem ajudados mais especificamente no pr\u00f3prio itiner\u00e1rio vocacional. Em cada vicariato temos sacerdotes encarregados de seguir os jovens pelo menos mensalmente, isso porque o discernimento vocacional se realiza em comunh\u00e3o com a Igreja, pois n\u00e3o se trata de um ato individual de reflex\u00e3o e decis\u00e3o privada; se o Pai em Cristo faz o chamado do seio da Igreja e para a Igreja, Ele tamb\u00e9m confirma o seu chamado atrav\u00e9s da Igreja e em comunh\u00e3o com ela. Desse modo, ao longo dos meses, vista a maturidade humana e espiritual do jovem e o seu firme prop\u00f3sito, que s\u00e3o atributos indispens\u00e1veis para a confirma\u00e7\u00e3o de sua idoneidade, ele poder\u00e1 passar para o Grupo Vocacional Arquidiocesano (GVA), quando ser\u00e1 seguido mais de perto em nosso Semin\u00e1rio, para posteriormente entrar no Semin\u00e1rio Proped\u00eautico Rainha dos Ap\u00f3stolos, que \u00e9 o primeiro passo para ingressar no Semin\u00e1rio Maior de S\u00e3o Jos\u00e9. Aqueles que ainda n\u00e3o entraram no ensino m\u00e9dio poder\u00e3o participar do \u201cclubinho vocacional\u201d ou ingressarem nas atividades do Semin\u00e1rio Menor; ambas as iniciativas s\u00e3o destinadas a acompanhar aqueles que sentem essa inquieta\u00e7\u00e3o vocacional e querem come\u00e7ar a responder ao Senhor desde a sua adolesc\u00eancia.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"42\">\n<li>A hist\u00f3ria de Abra\u00e3o ilustra como, ap\u00f3s a escuta de Deus, Ele comunica o caminho da voca\u00e7\u00e3o por diversos meios e sinais, que v\u00e3o dando ao vocacionado uma certeza moral de qual \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o a seguir. Resta, agora, a busca pela concretiza\u00e7\u00e3o desse caminho. N\u00e3o ignoremos queridos irm\u00e3os que para um homem tomar uma decis\u00e3o, como a tomada por Abr\u00e3o, ele precisa ter ao cora\u00e7\u00e3o algumas importantes virtudes: humildade, simplicidade, mansid\u00e3o e docilidade de esp\u00edrito, paci\u00eancia e coragem. Aproveito esse tema para dirigir uma palavra mais direta e formativa aos jovens que sentem no cora\u00e7\u00e3o um chamado ao servi\u00e7o do Senhor, recordando o livro do Eclesi\u00e1stico: \u201cMeu filho, se entrares para o servi\u00e7o de Deus, permanece firme na justi\u00e7a e no temor, e prepara a tua alma para a prova\u00e7\u00e3o; humilha teu cora\u00e7\u00e3o, espera com paci\u00eancia, d\u00e1 ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; n\u00e3o te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paci\u00eancia, afim de que no derradeiro momento tua vida se enrique\u00e7a (&#8230;). Aceita tudo o que acontecer. Na dor, permanece firme; na humilha\u00e7\u00e3o, tem paci\u00eancia. P\u00f5e tua confian\u00e7a em Deus e ele te salvar\u00e1; (&#8230;) orienta bem o teu caminho e espera nele (&#8230;) esperai em sua miseric\u00f3rdia, n\u00e3o vos afasteis dele, para que n\u00e3o caiais; (&#8230;) esperai nele; sua miseric\u00f3rdia ser\u00e1 fonte de alegria (&#8230;) amai-o, e vossos cora\u00e7\u00f5es se encher\u00e3o de luz\u201d (Eclo 2,1-10). Eis aqui a estrada que prepara a alma com as mesmas virtudes que estavam presentes em Abr\u00e3o para poder escutar e responder \u00e0 voz do Senhor. Sem essas virtudes ao cora\u00e7\u00e3o, a nossa tend\u00eancia \u00e9 resistir arduamente na hora de se deixar conduzir por Deus. N\u00e3o se improvisam virtudes, elas precis\u00e3o ser cultivadas com os bons atos humanos vividos na f\u00e9 sob a a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a de Deus. Deus que resiste aos orgulhosos e que detesta os soberbos (cf. Tg 4,6 e Sl 118,21) ama os homens de cora\u00e7\u00e3o humilde e cuida de seus passos (cf. Sl 146,6; 118,105). Como foi acenado, no primeiro momento, Deus n\u00e3o revelou a Abr\u00e3o todo o projeto que tinha para ele, nem as prova\u00e7\u00f5es e desdobramentos que viriam daquele primeiro chamado. Por isso, como recordar\u00e1 a Carta aos Hebreus, dentre todas as virtudes humanas presentes em Abr\u00e3o, sobressaiu-se e brilhou como estrela polar aquela virtude teologal fundamental ao cora\u00e7\u00e3o do homem que ama a Deus: a f\u00e9. \u201cFoi pela f\u00e9 que Abra\u00e3o, obedecendo ao chamado de Deus, partiu rumo ao pa\u00eds que lhe caberia em heran\u00e7a. Ele partiu de seu pa\u00eds sem saber para onde ia\u201d (Hb 11,8).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um chamado \u00e0 paterna fecundidade!<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"43\">\n<li>Quero come\u00e7ar esse tema observando um importante fato: mesmo Abra\u00e3o n\u00e3o sabendo os detalhes do trajeto, o local onde iria terminar sua jornada e os incidentes que estariam presentes no caminho, Deus j\u00e1 lhe havia dado um direcionamento fundamental em sua promessa \u2013 ser pai de uma grande na\u00e7\u00e3o: uma voca\u00e7\u00e3o \u00e0 fecundidade. Esse chamado \u00e0 fecundidade \u00e9 um aspecto comum que Deus renova em toda voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Sua universalidade se verifica no pr\u00f3prio relato do G\u00eanesis sobre a cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher: \u201cDeus os aben\u00e7oou dizendo: \u2018Sede fecundos e multiplicai-vos&#8230;\u2019\u201d (Gn 1,28). O vers\u00edculo b\u00edblico trata de um chamado \u00e0 vida matrimonial, entretanto, uma vez que tamb\u00e9m fala da miss\u00e3o de gerar vida e uma posteridade santa, \u00e9 poss\u00edvel aplic\u00e1-lo \u00e0s voca\u00e7\u00f5es sacerdotais, pois recorda ao sacerdote celibat\u00e1rio que o seu amor deve manifestar a sua paternidade no sentido espiritual, conduzindo os homens no caminho da santidade. A fecundidade espiritual gera a vida sobrenatural por meio dos sacramentos e dos cuidados com as realidades espirituais. Isso porque, com efeito, \u201cO disc\u00edpulo n\u00e3o recebe o dom do amor de Deus para sua consola\u00e7\u00e3o privada; n\u00e3o \u00e9 chamado a ocupar-se de si mesmo nem a cuidar dos interesses de uma empresa; simplesmente \u00e9 tocado e transformado pela alegria de se sentir amado por Deus e n\u00e3o pode guardar esta experi\u00eancia apenas para si mesmo: \u2018a alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos disc\u00edpulos, \u00e9 uma alegria mission\u00e1ria\u2019 (Francisco, Exort. ap.\u00a0Evangelii gaudium, 21)\u201d.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> Por isso, uma voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o se torna est\u00e9ril e ego\u00edsta quando vivida em perfeita unidade com o Senhor e a servi\u00e7o dos irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"44\">\n<li>Aberto \u00e0 fecundidade do Esp\u00edrito Santo, o sacerdote celibat\u00e1rio doa-se a ponto de perder a vida pelos seus \u201cfilhos na f\u00e9\u201d, vivendo Cristo (cf. Fl 1,21), n\u00e3o reservando nada de si mesmo para si, renunciando \u00e0s prerrogativas de sua pr\u00f3pria vontade para fazer sua toda aquela Vontade do Pai em Cristo. Desse modo, o sacerdote passa a ser um dom de amor fecundo, como nos ensina S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, na <em>Pastores Dabo Vobis<\/em>: \u201cNo celibato, a castidade mant\u00e9m o seu significado origin\u00e1rio, o de uma sexualidade humana vivida como aut\u00eantica manifesta\u00e7\u00e3o e precioso servi\u00e7o ao amor de comunh\u00e3o e de entrega interpessoal. Este mesmo significado subsiste plenamente na virgindade, que realiza, mesmo na ren\u00fancia ao matrim\u00f4nio, o \u2018significado nupcial\u2019 do corpo mediante uma comunh\u00e3o e uma entrega pessoal a Jesus Cristo e \u00e0 Igreja, que prefiguram e antecipam a comunh\u00e3o e entrega perfeita e definitiva na vida eterna\u201d.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> Portanto, a fecundidade paternal deve ser vivida a exemplo do pr\u00f3prio Cristo que em nada resistiu a Vontade do Pai, fazendo-se p\u00e3o de Vida Eterna para saciar a fome de vida presente no cora\u00e7\u00e3o dos homens, transmitindo-lhes, atrav\u00e9s do dom da pr\u00f3pria vida, Vida em abund\u00e2ncia.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"45\">\n<li>Esta nossa querida e maravilhosa cidade tem um povo de f\u00e9 que aqui caminha e procura a Deus. No entanto, existem tantos problemas, injusti\u00e7as, viol\u00eancias e questionamentos que, cada vez mais, percebo como s\u00e3o importantes os padres que exercem com alegria sua paternidade espiritual para com esse nosso povo. A tradi\u00e7\u00e3o da Igreja que nos coloca nessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 muito clara para ser vivida neste \u201cRio de Deus\u201d, pois Ele habita nesta cidade e quer que Seu povo se salve e tenha a alegria de conhec\u00ea-Lo cada vez mais. Rezemos confiante a Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es Sacerdotais proposta pela Diocese do Funchal:<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Deus Pai, fonte de toda a santidade, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>envia novas voca\u00e7\u00f5es \u00e0 Tua Igreja, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Servidores generosos da humanidade ferida, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Evangelizadores entusiasmados e corajosos, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Pastores santos, que santifiquem o Teu povo <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>com a palavra e os sacramentos da Tua Gra\u00e7a, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Consagrados que mostrem a santidade do Teu Reino, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fam\u00edlias tocadas pela Tua beleza, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>para que, pelo Teu Esp\u00edrito Santo, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>comuniquem a salva\u00e7\u00e3o de Cristo a todas as pessoas da Terra. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Am\u00e9m.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O processo formativo<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"46\">\n<li>Voltando \u00e0 figura de Abra\u00e3o, \u00e0 qual tenho me referido frequentemente, vemos que, quando Deus o chamou para partir, n\u00e3o exigiu que estivesse pronto a ser o pai da na\u00e7\u00e3o de Israel. Ele ainda n\u00e3o era o homem que deveria ser. Com certeza era um homem justo, de f\u00e9 e determina\u00e7\u00e3o em seguir a Deus, sem se desviar. Mas ainda precisava ser forjado pelos desafios da vida, para que seu car\u00e1ter se tornasse cada vez mais firme, mediante sua f\u00e9 e esperan\u00e7a em Deus. \u201cA esperan\u00e7a \u00e9 expectativa de algo de positivo para o futuro, mas que deve ao mesmo tempo sustentar o nosso presente, marcado frequentemente por dissabores e insucessos. (&#8230;) Olhando a hist\u00f3ria do povo de Israel narrada no Antigo Testamento, vemos aparecer constantemente, mesmo nos momentos de maior dificuldade como o ex\u00edlio [&#8230;], a mem\u00f3ria das promessas feitas por Deus aos Patriarcas; mem\u00f3ria essa que requer a imita\u00e7\u00e3o do comportamento exemplar de Abra\u00e3o, o qual \u2013 como sublinha o Ap\u00f3stolo Paulo \u2013 \u2018foi com uma esperan\u00e7a, para al\u00e9m do que se podia esperar, que ele acreditou e assim se tornou pai de muitos povos, conforme o que tinha sido dito: Assim ser\u00e1 a tua descend\u00eancia\u2019 (<em>Rm<\/em>4,18)\u201d.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/li>\n<li>Diante disso, o medo de responder ao chamado pode assumir em nossa vida uma forma mitigada de respeito humano, que poder\u00e1 consistir na preocupa\u00e7\u00e3o e\/ou vergonha do que outros poder\u00e3o pensar ou fazer a nosso a respeito. \u201cO que pensar\u00e3o de mim?\u201d, \u201cO que dir\u00e3o meus pais?\u201d, s\u00e3o perguntas que frequentemente podem surgir e que devem servir de motiva\u00e7\u00e3o para um exame de consci\u00eancia e um discernimento s\u00e9rio, na disposi\u00e7\u00e3o de seguir seguro no caminho vocacional, com todas as implica\u00e7\u00f5es que decorrer\u00e3o dele. \u201cPor isso, irm\u00e3os, redobrai esfor\u00e7os por tornardes sempre mais segura vossa voca\u00e7\u00e3o e vossa elei\u00e7\u00e3o. Fazendo isso, jamais trope\u00e7areis\u201d (1Pd 1,10).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Semin\u00e1rio \u00e9 uma parte importante do processo formativo<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"48\">\n<li>Fazem parte da caminhada formativa do jovem chamado ao sacerd\u00f3cio as orienta\u00e7\u00f5es da \u201c<em>Ratio<\/em>\u201d que contempla as v\u00e1rias dimens\u00f5es como a acad\u00eamica, humano-afetiva, espiritual, pastoral e comunit\u00e1ria. Em nossos semin\u00e1rios, ap\u00f3s o discernimento vocacional, o jovem que ingressa na forma\u00e7\u00e3o conta com formadores, diretores espirituais, confessores, professores. Al\u00e9m da vida acad\u00eamica, esportiva, pastoral e religiosa, tem a possibilidade de se encontrar com seu grupo do ano acad\u00eamico, tamb\u00e9m com as comunidades menores que s\u00e3o acompanhadas por padres e di\u00e1conos, bem como com os grupos espont\u00e2neos de espiritualidades. Al\u00e9m disso, o processo formativo, com temas que se sucedem e aprofundam a forma\u00e7\u00e3o, oferecem oportunidade de continuar crescendo nessa etapa. A assist\u00eancia psicol\u00f3gica tamb\u00e9m \u00e9 uma possibilidade sempre presente, assim como momentos de lazer e esportivos.<\/li>\n<li>Na forma\u00e7\u00e3o pastoral, os seminaristas t\u00eam oportunidade de fazer est\u00e1gios nas par\u00f3quias dos diversos vicariatos de nossa Arquidiocese, e tamb\u00e9m de vivenciarem a pastoral itinerante, quando participam de v\u00e1rias pastorais e movimentos, indo aos locais onde ocorrem as atividades. Outra experi\u00eancia vem do ano que alguns passam comigo como cerimoni\u00e1rios, que me permite conhec\u00ea-los melhor, e lhes d\u00e1 a oportunidade de conhecer quase todo o territ\u00f3rio arquidiocesano, no desempenho dessa miss\u00e3o que \u00e9 um servi\u00e7o \u00e0 liturgia episcopal. Eles tamb\u00e9m podem fazer est\u00e1gios nos pres\u00eddios, c\u00faria, mitra, arquivo arquidiocesano, e tantas outras atividades, nas quais podem obter conhecimento sobre a realidade da Igreja que caminha no Rio de Janeiro. A presen\u00e7a junto aos pobres, seja nas pastorais sociais ou na assist\u00eancia aos moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua, um trabalho espec\u00edfico do semin\u00e1rio, tamb\u00e9m ajuda a viver o clima de sobriedade e caridade fraterna com os mais necessitados e a trabalhar pela transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/li>\n<li>Tenho ouvido com muita alegria os testemunhos dos di\u00e1conos que s\u00e3o ordenados em suas comunidades de origem sobre sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, vida e miss\u00e3o. Valeria a pena publicar muitos desses testemunhos vocacionais. Quantos desafios vencidos e como se pode perceber a m\u00e3o de Deus na vida desses jovens que Ele chamou para seguirem Jesus Cristo no caminho da vida presbiteral! Tenho tamb\u00e9m observado, ao final de algumas missas, o entusiasmo no testemunho do grupo de cerimoni\u00e1rios que me acompanha, falando sobre o ano vocacional e partilhando suas hist\u00f3rias. Deus seja louvado por tantos belos sinais!<\/li>\n<li>Como meio formativo, outro momento fecundo s\u00e3o as miss\u00f5es do Semin\u00e1rio! Miss\u00f5es que levam os seminaristas a viver com a comunidade visitada, durante o tempo de miss\u00e3o nos v\u00e1rios locais visitados. Al\u00e9m dessa miss\u00e3o oficial do semin\u00e1rio, que ocorre anualmente, muitos seminaristas espontaneamente pedem para fazer miss\u00e3o em outros locais do Brasil ou do exterior. Alguns abrem m\u00e3o de um ano inteiro de seus estudos para essas miss\u00f5es fora de nossa Arquidiocese. Aprendem desde cedo a viver com alegria a missionariedade, que dever\u00e1 depois ser uma constante nas suas vidas, como padres.<\/li>\n<li>Em Abr\u00e3o, encontramos uma atitude com que muitas vezes nos deparamos ao longo do caminho vocacional e \u00e0 qual precisamos estar atentos. Trata-se da tenta\u00e7\u00e3o de querer adaptar as circunst\u00e2ncias do dia a dia, conforme nossa pr\u00f3pria iniciativa e querer, baseando-se em racioc\u00ednios pr\u00f3prios para cumprir a promessa de Deus. Vejamos a situa\u00e7\u00e3o do grande Patriarca, que, mesmo tendo recebido o chamado para partir e a promessa de fecundidade, ainda n\u00e3o tinha filhos, sendo sua esposa, Sarai, est\u00e9ril. Diante da impossibilidade de acontecer uma gravidez e, ao mesmo tempo, preocupados em realizar a promessa da numerosa descend\u00eancia feita por Deus, Sarai prop\u00f5e que Abr\u00e3o gere um filho com a escrava Agar, para que, por meio desta, tivessem uma descend\u00eancia \u2013 e ele consente. Mas n\u00e3o era esse tipo de confian\u00e7a que Deus esperava dele; os planos de Deus eram outros: \u201cN\u00e3o ser\u00e1 este o teu herdeiro, mas sim um que h\u00e1 de sair de tuas entranhas\u201d (Gn 15,4). E n\u00e3o somente promete uma posteridade com sua verdadeira esposa, mas uma posteridade extremamente numerosa: \u201c\u2018Olha para o c\u00e9u e conta as estrelas, se puderes\u2019. E acrescentou: \u2018Assim ser\u00e1 a tua posteridade\u2019\u201d (Gn 15,5. E, mais uma vez, Abr\u00e3o confia porque tem f\u00e9, tem a certeza das coisas que ainda n\u00e3o v\u00ea (cf. Hb 11,1): \u201cCreu Abr\u00e3o no Senhor, e lhe foi imputado como justi\u00e7a\u201d(Gn 15,6).<\/li>\n<li>A tentativa de Sarai e Abr\u00e3o de anteciparem o cumprimento da promessa da descend\u00eancia, e a atitude de Deus em manter o seu des\u00edgnio por um caminho que aparentemente n\u00e3o seria poss\u00edvel para o casal, deve nos fazer lembrar que \u201cn\u00e3o vos compete conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua pr\u00f3pria autoridade\u201d (At 1,7). \u201cComo s\u00e3o impenetr\u00e1veis os seus ju\u00edzos e incompreens\u00edveis os seus caminhos! Quem pode conhecer a mente do Senhor, ou ser seu conselheiro?\u201d (Rm 11,33-34). \u00c9 grande demais o mist\u00e9rio da vontade de Deus para que possa ser por n\u00f3s previsto e calculado. E sua onipot\u00eancia \u00e9 a garantia de que Ele pode realizar o que promete. Se Ele chama algu\u00e9m para uma determinada voca\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m quer instru\u00ed-lo e prepar\u00e1-lo, porque Ele n\u00e3o chama sem que haja um projeto previsto. Por isso, \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0queles que querem seguir a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o ter uma f\u00e9 s\u00f3lida e um cora\u00e7\u00e3o virtuoso que se deixe guiar pelos sinais e ensinamentos confiados pelo Senhor \u00e0 sua Igreja como portadora da Sua voz em favor dos batizados.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"54\">\n<li>Um fato que sempre ocorre \u00e9 o jovem se questionar acerca dos rumos a seguir na vida e qual profiss\u00e3o escolher para se realizar. O que ele tem em mente \u00e9 um futuro brilhante, com realiza\u00e7\u00e3o pessoal e constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia. O jovem olha para as estrelas e se pergunta quais ser\u00e3o aquelas que brilhar\u00e3o como frutos de sua vida; qual ser\u00e1 a sua descend\u00eancia. Nessa din\u00e2mica poder\u00e1 fazer a experi\u00eancia de Deus e, ap\u00f3s um discernimento, perceber que seu chamado, ou voca\u00e7\u00e3o, pode ser para constituir uma fam\u00edlia; ou pode ser a gera\u00e7\u00e3o de numerosos filhos espirituais em uma par\u00f3quia, mosteiro, convento ou comunidade de vida fraterna, onde sempre poder\u00e1 gerar vida. Portanto, desprezar o discernimento vocacional e reduzi-lo ao discernimento profissional implicar\u00e1 em um preju\u00edzo muito grande para a pessoa. Esse tema sobre o discernimento vocacional na juventude foi amplamente aprofundado no S\u00ednodo dos Bispos de Outubro do ano passado que resultou em belas e importantes conclus\u00f5es j\u00e1 publicadas.<\/li>\n<li>Ao nos chamar, Deus nos enriquece com diversos \u201ctalentos\u201d para que os multipliquemos, e possamos entreg\u00e1-los pelo bem dos filhos e filhas espirituais que Ele nos confia (cf. Mt 25,14-30; Lc 19, 12-27). Contudo, a multiplica\u00e7\u00e3o dos \u201ctalentos pessoais\u201d n\u00e3o pode ser dissociada da gera\u00e7\u00e3o de vida, na comunh\u00e3o com Deus, na \u00f3tica do amor a Ele e ao pr\u00f3ximo, pois os frutos do trabalho s\u00f3 fazem sentido se proporcionam um verdadeiro compromisso de vida interior. Assim nos ensina S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: \u201cO Esp\u00edrito Santo e a Igreja, sua m\u00edstica Esposa, repetem tamb\u00e9m aos homens e \u00e0s mulheres do nosso tempo o seu \u2018Vem!\u2019. Vem ao encontro do Verbo Encarnado, que quer tornar-te part\u00edcipe de sua pr\u00f3pria vida! Vem acolher o chamado de Deus, vencendo titubeios e adiamentos! Vem e descobre a hist\u00f3ria de amor que Deus teceu com a humanidade: Ele quer realiz\u00e1-la tamb\u00e9m contigo. Vem, e saboreia a alegria do perd\u00e3o acolhido e dado. O muro de separa\u00e7\u00e3o que existia entre Deus e o homem, e entre os mesmos seres humanos, foi demolido. As culpas foram perdoadas, o banquete da vida est\u00e1 preparado para todos. Felizes aqueles que, atra\u00eddos pela for\u00e7a da Palavra, e plasmados pelos Sacramentos, pronunciam o seu \u2018Estou aqui!\u2019. Eles se encaminham pela estrada da total e radical perten\u00e7a a Deus, fortes da esperan\u00e7a que n\u00e3o decepciona, \u2018porque o amor de Deus foi derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es por meio do Esp\u00edrito Santo que nos foi dado\u2019 (<em>Rm<\/em>5,5).\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lugar de semeadura<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"56\">\n<li>O Semin\u00e1rio \u00e9 o lugar da chamada forma\u00e7\u00e3o inicial, onde crescer\u00e3o as boas sementes do Evangelho, revigorando o jovem em sua escolha de cuidar atentamente do tesouro precioso da voca\u00e7\u00e3o, por amor do Reino dos C\u00e9us. Assim pode viver cada vez mais uma maior configura\u00e7\u00e3o com Cristo Jesus. \u00c9 um grande dom, e tamb\u00e9m uma longa caminhada, que n\u00e3o terminar\u00e1 com a eventual ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, mas dever\u00e1 prosseguir por toda a vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"57\">\n<li>Para cuidar dessa miss\u00e3o, temos nos Semin\u00e1rios os formadores \u2013 padres ou di\u00e1conos que se dedicam \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos futuros padres \u2013 e aos quais agrade\u00e7o muito pela disponibilidade e empenho. Sei das preocupa\u00e7\u00f5es que os afligem e como querem fazer o melhor para cuidar, com fidelidade e lealdade, do chamado que Deus realizou na vida de cada jovem.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"58\">\n<li>Realmente \u00e9 um grande desafio: ajudar no discernimento do plano de Deus para cada um, orientar os que est\u00e3o no caminho para prosseguirem com entusiasmo na dire\u00e7\u00e3o correta e corrigir os que, por alguma situa\u00e7\u00e3o, acabam se acomodando ou se desviando, para que voltem ao caminho de convers\u00e3o e, consequentemente, tamb\u00e9m vocacional.<\/li>\n<li>Al\u00e9m do reitor, vice-reitor, diretores espirituais e confessores, os semin\u00e1rios tamb\u00e9m contam com os prefeitos de cada comunidade para seguirem mais de perto um grupo menor de jovens com os quais estabelecem di\u00e1logos e d\u00e3o a eles orienta\u00e7\u00f5es. Deus ilumine e conduza sempre mais os formadores, console em suas dificuldades e ilumine em suas decis\u00f5es! Agrade\u00e7o a todos de cora\u00e7\u00e3o!<\/li>\n<li>Em unidade com o Bispo Referencial dos Semin\u00e1rios, a quem desejo expressar minha gratid\u00e3o, todos os padres tamb\u00e9m s\u00e3o formadores enquanto testemunhas alegres da voca\u00e7\u00e3o, de modo especial aqueles que recebem seminaristas para est\u00e1gios em suas par\u00f3quias. Somos respons\u00e1veis por esse itiner\u00e1rio, inclusive os leigos e leigas que rezam nessa inten\u00e7\u00e3o e valorizam a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus comunica a sua vontade<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"61\">\n<li>Muitas vezes Deus se utiliza de intermedi\u00e1rios para comunicar sua vontade a uma pessoa. Santa Teresa de Jesus, grande carmelita m\u00edstica e doutora da Igreja, afirma que os convites e vozes do Senhor para aqueles que, vivendo em meio ao mundo, decidem se aproximar dele por meio de uma vida de ora\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, n\u00e3o s\u00e3o fen\u00f4menos m\u00edsticos extraordin\u00e1rios, mas \u201cs\u00e3o palavras que se ouvem de gente boa, ou serm\u00f5es, ou leituras de bons livros e outras coisas que nos s\u00e3o ditas em determinadas ocasi\u00f5es, das quais Deus se serve para nos chamar. Ou ainda doen\u00e7as, sofrimentos, e tamb\u00e9m certas verdades que ele nos ensina nos momentos passados em ora\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/li>\n<li>Aquele que se p\u00f5e \u00e0 escuta de Deus, buscando descobrir Sua vontade, tem de considerar que Sua voz pode vir abafada por ru\u00eddos vindos do mundo, que inculcam valores e desejos muitas vezes opostos \u00e0 vontade divina, como tamb\u00e9m podem vir de ru\u00eddos do pr\u00f3prio interior da pessoa; seus gostos, inclina\u00e7\u00f5es, desejos, concupisc\u00eancia, que se op\u00f5em a inspira\u00e7\u00e3o divina, quase sempre gratificando em satisfa\u00e7\u00f5es e conforto os pr\u00f3prios interesses pessoais.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"63\">\n<li>Recuperando o exemplo de Abr\u00e3o, Deus mais uma vez lhe falou, aos 99 anos, ou seja, treze anos ap\u00f3s o nascimento de seu filho com a escrava Agar. Depois desse longo percurso, Deus n\u00e3o s\u00f3 reafirma a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 fecundidade, mas promete que o casal gerar\u00e1 uma linhagem de reis. O Senhor muda o nome de Abr\u00e3o para Abra\u00e3o: o nome que significa \u201cpai de muitos\u201d agora \u00e9 trocado por um que significa \u201cpai de uma multid\u00e3o\u201d. A mudan\u00e7a do nome implica em uma mudan\u00e7a decisiva na vida de Abra\u00e3o. Deus confirma que Ele mesmo realizar\u00e1 em sua vida a promessa que fez.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"64\">\n<li>A concretiza\u00e7\u00e3o do chamado a Abra\u00e3o ocorre quando ele se torna pai de Isaac: \u201cO Senhor visitou Sara, como havia dito, e cumpriu o que prometera. No tempo marcado por Deus, concebeu ela e deu a Abra\u00e3o um filho, embora estivesse ele j\u00e1 muito velho\u201d (Gn 21,1-2). Em seu tempo de vida, ele ter\u00e1 Isaac como \u00fanico filho com Sara, e, por meio desse filho, a promessa de Deus se realizar\u00e1, resultando em uma linhagem de reis, at\u00e9 o nascimento daquele que \u00e9 o Rei dos Reis, Cristo Jesus. Observando-se, por\u00e9m, a trajet\u00f3ria de Abra\u00e3o, pode-se dizer que a concretiza\u00e7\u00e3o de uma posteridade numerosa como as estrelas n\u00e3o foi vista por ele e por sua esposa. \u201cTodas essas pessoas morreram com f\u00e9, sem terem recebido os bens prometidos. Mas os viram de longe e os saudaram. E confessaram que eram estrangeiros e andarilhos por este mundo\u201d (Hb 11,13).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Crer e p\u00f4r-se a caminho!<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"65\">\n<li>Desde o primeiro chamado, quando Abra\u00e3o estava em Haran, seguindo pelo caminho at\u00e9 o nascimento de Isaac, o patriarca foi recolhendo frutos de sua jornada. Ainda que n\u00e3o tenha visto o povo hebreu povoar o territ\u00f3rio, nem o surgimento da realeza de Israel, e muito menos o reinado de Cristo, Abra\u00e3o foi construindo altares para Deus, fazendo sacrif\u00edcios em oferta; intercedeu em favor de seu povo; ajudou sua parentela. Esses sinais confirmam o caminho seguido e revelam que, se por um lado h\u00e1 diferen\u00e7a entre voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, na verdade a rela\u00e7\u00e3o entre elas \u00e9 intr\u00ednseca. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 o modo que Deus escolheu para a pessoa se unir a ele e ser plena, e a miss\u00e3o \u00e9 a atualiza\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o em cada momento da vida, ou seja, \u00e9 a express\u00e3o do chamado no tempo presente.<\/li>\n<li>A voca\u00e7\u00e3o\/miss\u00e3o se inicia quando a pessoa decide p\u00f4r-se a caminho, na escuta de Deus, e s\u00f3 estar\u00e1 plenamente realizada na eternidade, quando todos os frutos, todas as estrelas, toda a posteridade, estiverem completos. De fato, cada voca\u00e7\u00e3o possui uma perspectiva escatol\u00f3gica: na medida em que vamos seguindo o caminho de nossa voca\u00e7\u00e3o, realizando a obra que o Pai nos confiou, na esperan\u00e7a dos bens futuros, vamos cooperando com a nossa salva\u00e7\u00e3o (cf. Fl 2,12).<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> \u201cAssim, \u2018enquanto habitamos no corpo, vivemos no ex\u00edlio longe do Senhor\u2019 (2Cor 5,6) e, apesar de possuirmos as prim\u00edcias do Esp\u00edrito, gememos dentro de n\u00f3s (cf. Rm 8,23) e suspiramos por estar com Cristo (cf. Fl 1,23)\u201d.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/li>\n<li>Abra\u00e3o, ao p\u00f4r-se a caminho e crer naquilo que Deus lhe dizia, respondia positivamente ao chamado: seria contradit\u00f3rio partir em um sentido e dar respostas opostas nas etapas sucessivas desse caminho, como se n\u00e3o houvesse um destino claro que o levasse de Haran at\u00e9 Cana\u00e3, ou da infertilidade \u00e0 fertilidade. Cada passo reflete a orienta\u00e7\u00e3o seguida no decorrer da resposta a ser dada.<\/li>\n<li>Verifica-se na vida de Abra\u00e3o que, ap\u00f3s a alian\u00e7a e o cumprimento do in\u00edcio da promessa de posteridade, Deus o p\u00f5e \u00e0 prova em seu amor e em sua confian\u00e7a pedindo a vida de seu filho Isaac. Deus n\u00e3o quer perder o cora\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o, pois Ele \u00e9 zeloso por aqueles que ama. O pedido de Deus tem um valor formativo e medicinal: formativo porque recorda ao homem sobre a sua condi\u00e7\u00e3o de criatura que deve render culto ao seu Criador e viver em justi\u00e7a, seguindo o Seu falar, pois Aquele que escolheu, tamb\u00e9m chamou e guiou os passos, e fez uma alian\u00e7a de ser o Deus de muitas gera\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo \u00e9 medicinal porque Deus sabe que, com grande facilidade, o homem termina por amar mais a si mesmo e aquilo que recebeu do que o pr\u00f3prio Deus, pois, como os nossos primeiros pais, o homem procura ser senhor de sua pr\u00f3pria verdade e de sua pr\u00f3pria vida (cf. Gn 3,1-6). \u201cToma teu filho, teu \u00fanico filho, que tanto amas, Isaac, e vai \u00e0 regi\u00e3o de Moriah e l\u00e1 oferec\u00ea-lo-\u00e1s em holocausto sobre um dos montes que te indicarei\u201d (Gn 22,2). Eis o grande momento de Abra\u00e3o renovar o seu amor. Deus que pedagogicamente pede, n\u00e3o tem medo de faz\u00ea-lo sofrer a ang\u00fastia da perda, porque Ele \u00e9 o Senhor do encontro e da vida. No ato de obedi\u00eancia a Deus de Abra\u00e3o, se revelar\u00e1 a vida em abund\u00e2ncia, a vida do Eterno. S\u00f3 Deus pode dar e manter a vida e ningu\u00e9m mais. Se de tudo o que de gra\u00e7a recebeu retiver para si alguma coisa, isso n\u00e3o permanecer\u00e1 em vida pois o homem por si mesmo n\u00e3o consegue manter nada em vida. Tudo morrer\u00e1 e se perder\u00e1, e levar\u00e1 consigo tamb\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o do homem que ret\u00e9m. Por\u00e9m, tudo aquilo que o homem perder pela Palavra de Deus viver\u00e1 eternamente. Deus sabe o que pede a Abra\u00e3o e ele precisa dar esse passo. Deus n\u00e3o duvida de sua obedi\u00eancia porque recebe cada ato do homem, mas Abra\u00e3o precisa crescer e tornar-se forte em seus atos at\u00e9 que seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o mais oponha resist\u00eancia a Deus. Por isso, por amor a Abra\u00e3o, Deus, em sua infinita bondade e paternidade, o colocar\u00e1 \u00e0 prova, quantas vezes for necess\u00e1rio, para que cres\u00e7a no amor e na confian\u00e7a e n\u00e3o se esque\u00e7a de que, no in\u00edcio de tudo, ele entregou a sua vida em Suas m\u00e3os. O amor de Abra\u00e3o por Deus se revelar\u00e1 em sua livre escolha por obedecer mais uma vez a Sua voz, entregando a Ele aquilo que mais amava: seu filho Isaac. O amor de Abra\u00e3o ganhou forma est\u00e9tica e plasmou-se como exuberante virtude divina em sua hist\u00f3ria e em sua alma, atrav\u00e9s da obedi\u00eancia a Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"69\">\n<li>O sacrif\u00edcio de Isaac, ainda que n\u00e3o consumado, \u00e9 prefigura\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio redentor de Cristo, que ser\u00e1 levado a cabo no Monte Calv\u00e1rio como salva\u00e7\u00e3o para o mundo. Encontramos aqui o sentido da ren\u00fancia na viv\u00eancia da voca\u00e7\u00e3o. \u201cJesus disse a seus disc\u00edpulos: \u2018Se algu\u00e9m quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me, pois, quem quiser salvar a sua vida vai perd\u00ea-la; mas quem perder a vida por amor de mim vai encontr\u00e1-la de novo\u2019\u201d (Mt 16,24-25). Na voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, o sacrif\u00edcio \u00e9 uma realidade que se tornar\u00e1 prof\u00edcua quando vivida em comunh\u00e3o com Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A aventura do seguimento <\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"70\">\n<li>Como acabamos de ver, Abra\u00e3o \u00e9 um exemplo de homem fiel a Deus, que, escutando, decide seguir aquilo que Deus lhe determina. Nos dias de hoje, s\u00e3o tantos os interesses individualistas e pessoais que se multiplicam no cora\u00e7\u00e3o dos homens: tudo se quer, tudo se pretende, nada se renuncia a n\u00e3o ser que seja para recuperar com lucro mais tarde. Com um cora\u00e7\u00e3o assim, ref\u00e9m das pr\u00f3prias paix\u00f5es, o homem empreende uma luta cega acreditando na grande fal\u00e1cia de que \u201cquerer \u00e9 poder\u201d sem encarar o fato que o <em>querer<\/em> do homem que n\u00e3o tem temor a Deus e n\u00e3o obedece sua Palavra o leva a realizar a pr\u00f3pria morte eterna e a morte de muitos outros irm\u00e3os, e, desta luta, nada se constr\u00f3i. Sem a devida purifica\u00e7\u00e3o interior para abandonar esse tipo de mentalidade e superar essas paix\u00f5es desordenadas, nenhuma voca\u00e7\u00e3o se sustentar\u00e1 no tempo como algo agrad\u00e1vel aos olhos do Pai. A vida dos santos atesta como isso \u00e9 importante: eles foram homens e mulheres que empreenderam um caminho de purifica\u00e7\u00e3o e discernimento de maneira s\u00e9ria.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O testemunho do profeta Jonas: a miss\u00e3o de santificar e a ren\u00fancia de si mesmo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"71\">\n<li>A necessidade de se corresponder ao chamado e de purificar o pr\u00f3prio querer, renunciando ao \u00edmpeto das pr\u00f3prias paix\u00f5es, pode ser posta em evid\u00eancia na hist\u00f3ria do profeta Jonas. Deus mandou que ele sa\u00edsse de sua terra e fosse a N\u00ednive, a fim de alertar os habitantes de suas maldades, para que se convertessem. Jonas, por\u00e9m, se p\u00f4s a caminho, n\u00e3o para seguir o que foi proposto por Deus como fez Abra\u00e3o, mas, para fugir de Sua presen\u00e7a, na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao Seu querer. Jonas seguiu suas paix\u00f5es. Assim, na vida, alguns podem ser tentados a fugir de Deus, seja por medo, comodismo ou por discord\u00e2ncia da miseric\u00f3rdia de Deus, como foi o caso de Jonas, ignorando a import\u00e2ncia de ouvir a voz de Deus e de segui-la. Fogem para um outro \u201cmodo de viver a vida\u201d: por eles mesmos e como querem.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"72\">\n<li>Deus n\u00e3o se intimida ou se desespera com a impiedade e a resist\u00eancia do profeta a sua Palavra. Ele, que em seu amor queria ganhar a inteira N\u00ednive para si, como poderia aceitar perder a Jonas por sua desobedi\u00eancia? Deus n\u00e3o salvaria N\u00ednive sem salvar tamb\u00e9m a Jonas. Uma inteira cidade foi caminho de convers\u00e3o para a vida de um \u00fanico homem (cf. Is 43, 1-6). Jonas, que fora chamado para ser profeta de Deus por N\u00ednive, atrav\u00e9s do testemunho de N\u00ednive foi salvo da morte pelo ressentimento e a ira que ainda condenavam o seu cora\u00e7\u00e3o, mesmo enquanto agia como profeta de Deus. A cidade de N\u00ednive foi na vida de Jonas uma profecia do amor de Deus por ele. Quando Jonas decididamente segue uma dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a Deus, desencadeia-se uma verdadeira turbul\u00eancia em sua vida: \u201cMas o Senhor desencadeou sobre o mar um vento violento, e houve uma grande tempestade no mar, a ponto de o navio querer despeda\u00e7ar-se\u201d (Jn 1,4). As coisas come\u00e7am a n\u00e3o dar certo. O mar agitado bem pode ser figura do homem interior que, quando agitado, impede a pessoa de encontrar a paz e o ordenamento importante para uma vida feliz. As agita\u00e7\u00f5es interiores tamb\u00e9m afetam os demais ao seu redor. Os marinheiros, por exemplo, que levavam Jonas s\u00e3o afetados pela decis\u00e3o do profeta, por sua oposi\u00e7\u00e3o a Deus, pois a turbul\u00eancia acaba atingindo a todos. A vida e o chamado que Deus faz a cada um \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para o bem da pessoa em quest\u00e3o, como tamb\u00e9m para a sociedade como um todo.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"73\">\n<li>Ap\u00f3s Jonas ter confessado o seu pecado e ser vencido por Deus, o Senhor, pela segunda vez lhe dirige sua palavra, dizendo: \u201cLevanta-te, disse ele, vai a N\u00ednive, a grande cidade, e transmite a ela a proclama\u00e7\u00e3o que eu vou te dizer\u201d (Jn 3,2). Dessa vez, Jonas se levanta e vai, segundo a ordem dada por Deus. Vai tornar-se instrumento de salva\u00e7\u00e3o para toda a cidade, que se converter\u00e1 e que se tornar\u00e1 instrumento de salva\u00e7\u00e3o de Deus por Jonas. Aqui mais uma vez se v\u00ea a fecundidade que existe quando Deus chama algu\u00e9m e essa pessoa se deixa conduzir por Ele. Por isso, uma voca\u00e7\u00e3o vivida de maneira ego\u00edsta, ou uma voca\u00e7\u00e3o mal discernida, ou vivida em proveito da pr\u00f3pria vontade e bem-estar, sempre ser\u00e1 danosa para si e para os outros.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"74\">\n<li>Confiante neste Deus que nos conduz, rezemos pelas voca\u00e7\u00f5es:<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Senhor da messe e Pastor do rebanho,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0faze ressoar em nossos ouvidos Teu forte e suave convite; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cVem e segue-me!\u201d;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Derrama sobre n\u00f3s Teu Esp\u00edrito;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Que Ele nos d\u00ea sabedoria para ver o caminho <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>e generosidade para seguir Tua voz.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Senhor, que a messe n\u00e3o se perca por falta de oper\u00e1rios.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Desperta nossas comunidades para a miss\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ensina nossa vida a ser servi\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>na vida consagrada e religiosa.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Senhor, que o rebanho n\u00e3o pere\u00e7a por falta de pastores.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres, di\u00e1conos e ministros. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>D\u00e1 perseveran\u00e7a a nossos seminaristas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Desperta os nossos jovens para o minist\u00e9rio pastoral em Tua Igreja.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Senhor da messe e Pastor do rebanho, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>chama-nos para o servi\u00e7o do Teu povo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Maria, M\u00e3e da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>ajuda-nos a responder \u2018SIM\u2019. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Am\u00e9m.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ora\u00e7\u00e3o: intenso di\u00e1logo com Deus <\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"75\">\n<li>Para aquele que sinceramente quer ouvir a voz de Deus, alguns aspectos podem ser aprendidos, tanto acerca do modo de rezar quanto do modo de discernir a origem de pensamentos, inclina\u00e7\u00f5es etc., em um processo que se chama discernimento dos esp\u00edritos.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> Neste sentido, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II exorta aos jovens: \u201cEscrevi a v\u00f3s, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus habita em v\u00f3s e vencestes o maligno (1Jo2,14). O mist\u00e9rio do amor de Deus, \u2018escondido desde a origem at\u00e9 as gera\u00e7\u00f5es (passadas)\u2019 (Cl1,26), \u00e9 agora revelado a n\u00f3s na \u2018linguagem da cruz\u2019 (1Cor\u00a01,18) que, habitando em v\u00f3s, queridos jovens, ser\u00e1 a vossa for\u00e7a e a vossa luz, e revelar-vos-\u00e1 o mist\u00e9rio do chamado pessoal. Conhe\u00e7o as vossas hesita\u00e7\u00f5es e as vossas dificuldades, \u00e0s vezes vos vejo desorientados, compreendo o temor que vos assalta perante o futuro. Mas tamb\u00e9m tenho na mente e no cora\u00e7\u00e3o a imagem festiva de tantos encontros convosco nas minhas Viagens apost\u00f3licas, durante as quais pude constatar a sincera busca de verdade e de amor que reside em cada um de v\u00f3s. O Senhor Jesus fincou a sua tenda no meio de n\u00f3s, e dessa morada eucar\u00edstica ele repete a cada homem e a cada mulher: \u2018Vinde a mim, todos v\u00f3s que estais aflitos sob o jugo, e eu vos aliviarei\u2019 (Mt\u00a011,28). Queridos jovens, ide ao encontro de Jesus Salvador! Amai-o e adorai-o na Eucaristia! Ele est\u00e1 presente na Santa Missa, que torna sacramentalmente presente o sacrif\u00edcio da Cruz. Ele vem a n\u00f3s na santa comunh\u00e3o e permanece no tabern\u00e1culo das nossas igrejas, porque \u00e9 nosso amigo, amigo de todos, especialmente de v\u00f3s, jovens, t\u00e3o precisados de confian\u00e7a e de amor\u201d.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/li>\n<li>Acerca do modo de ora\u00e7\u00e3o, temos uma mestra em Santa Teresa de Jesus (ou de \u00c1vila). Ao comparar nossa alma a um castelo onde reside o Rei, ela afirma que \u201c&#8230; a porta para entrar neste castelo \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o, a medita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o digo ora\u00e7\u00e3o mental mais que vocal. Para ser ora\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a reflex\u00e3o. N\u00e3o chamo ora\u00e7\u00e3o mexer com os l\u00e1bios sem pensar no que dizemos, nem no que pedimos, nem quem somos n\u00f3s, nem quem \u00e9 Aquele ao qual nos dirigimos\u201d.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> Para que essa medita\u00e7\u00e3o ocorra, se faz necess\u00e1rio um tempo m\u00ednimo adequado, podendo se iniciar com aux\u00edlio de alguma leitura piedosa ou das Sagradas Escrituras.<\/li>\n<li>Um poss\u00edvel m\u00e9todo de ora\u00e7\u00e3o mental consiste em preparar com anteced\u00eancia o conte\u00fado que ser\u00e1 tratado na ora\u00e7\u00e3o (seja nas Escrituras Sagradas, seja em um livro espiritual). No in\u00edcio da ora\u00e7\u00e3o, come\u00e7a-se pelo autoconhecimento: a considera\u00e7\u00e3o de quem sou, a quem estou me dirigindo e como devo me dirigir a Ele. Em seguida, a pessoa se coloca em sil\u00eancio na presen\u00e7a de Deus. Nesses momentos \u00e9 importante dizer a Nosso Senhor como est\u00e1 se sentindo e o que lhe ocupa a mente e o cora\u00e7\u00e3o, como quem conversa com um amigo. Durante a ora\u00e7\u00e3o (col\u00f3quio) que se estabelece com o Senhor, pode-se render homenagens \u00e0 Sua grandeza e majestade, confrontando com a pr\u00f3pria vida a palavra que se l\u00ea: pode ser acerca de uma determinada virtude, ou acerca das defici\u00eancias neste ponto ou naquele, ou, ainda, acerca de eventos ocorridos na vida de Cristo. Por fim, conclui-se com a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelos benef\u00edcios recebidos e tamb\u00e9m pode-se rever os passos da medita\u00e7\u00e3o, a sequ\u00eancia de pensamentos, sentimentos etc., que foram surgindo.<\/li>\n<li>A mensagem de Deus para a alma humana, sem considerar fen\u00f4menos m\u00edsticos como vis\u00f5es e locu\u00e7\u00f5es, consiste em qualquer mo\u00e7\u00e3o especial que Deus faz no \u00edntimo do esp\u00edrito.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> Dentre as diversas maneiras que o Esp\u00edrito Santo tem para agir em n\u00f3s, em todas Ele nos move ao que \u00e9 verdadeiro, honesto e santo, dependendo das disposi\u00e7\u00f5es de cada um, obviamente. Assim \u00e9 que, \u00e0s vezes, Deus pode iluminar a intelig\u00eancia com a compreens\u00e3o de algo a se acreditar, mas n\u00e3o mover a vontade da pessoa para executar o que conhece como sendo obrigat\u00f3rio; ou pode ocorrer o contr\u00e1rio, quando a vontade \u00e9 movida a querer o bem, a ter devo\u00e7\u00e3o e ardor, ainda que n\u00e3o se receba a luz de como p\u00f4-lo em pr\u00e1tica. Outra raz\u00e3o da diferen\u00e7a no modo de agir nas almas \u00e9 a variedade das capacidades e caracter\u00edsticas das pessoas: aos mais cultos e literatos, o Senhor ilumina com verdades, ao passo que os devotos e simples s\u00e3o mais propensos aos impulsos dos afetos do Esp\u00edrito.<\/li>\n<li>Em particular, quando se trata de voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, nota-se que, por vezes, o Esp\u00edrito nos move a desejos de superar as coisas do mundo, de empreender uma vida santa, de buscar a salva\u00e7\u00e3o das almas, a convers\u00e3o dos pecadores e outras situa\u00e7\u00f5es. Tais desejos podem ser suscitados por Deus sem que venham acompanhados de uma clareza quanto ao lugar ou estado espec\u00edfico para se concretizar isso. Nessas situa\u00e7\u00f5es, cabe a ora\u00e7\u00e3o constante e confiante, que pede a Deus o conhecimento da Sua vontade acerca desses aspectos particulares ou mesmo a entrega do pr\u00f3prio caminho, suplicando que seja tomado por Ele. Deste modo, confrontando-se com o diretor espiritual, o vocacionado n\u00e3o vir\u00e1 a se desviar de seus des\u00edgnios de salva\u00e7\u00e3o, de sua vontade eterna e amorosa.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Dire\u00e7\u00e3o espiritual<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"80\">\n<li>Um segundo aspecto para se discernir a voz de Deus \u00e9 a busca por pessoas conhecedoras das realidades espirituais, que sejam bem formadas e discretas, para que, partilhando as mo\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito Santo na alma, seja poss\u00edvel receber seus conselhos. Essa \u00e9 a din\u00e2mica da dire\u00e7\u00e3o espiritual. Deus, por vezes quer mostrar por interm\u00e9dio de seus ministros ou dos pr\u00f3prios eventos, que v\u00e3o se sucedendo na vida da pessoa, como podem servir como sinais do caminho a seguir. Interessante notar casos assim nas Escrituras, como, por exemplo, Corn\u00e9lio, ao ouvir diretamente de um anjo que S\u00e3o Pedro deveria ser chamado para instru\u00ed-lo (cf. At 10,4-6), ou mesmo S\u00e3o Paulo que, no caminho para Damasco, ouve Jesus lhe dizer para entrar na cidade pois l\u00e1 lhe seria dito o que fazer (cf. At 9,6).<\/li>\n<li>Algumas vezes, Deus pode mover a alma a se sentir inclinada para algo que n\u00e3o deve ser executado, como foi o sacrif\u00edcio de Isaac pedido a Abra\u00e3o. Em casos assim, Deus quer a vontade e n\u00e3o o efeito. Por isso, pode haver erro no discernimento vocacional quando sentimentos assim, queridos por Deus para talvez motivar as pessoas a uma vida de maior entrega, s\u00e3o entendidos como sinais de uma outra voca\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a necessidade do acompanhamento dos grupos vocacionais, dos diretores espirituais etc. O Papa Le\u00e3o XIII, tratando sobre o tema, nos ensina: \u201cDeus disp\u00f4s que, de forma ordin\u00e1ria, os homens se salvem com a ajuda de outros homens; e assim, aos que Ele chama a um grau mais alto de santidade lhes proporciona tamb\u00e9m quem lhes guie at\u00e9 esta meta\u201d.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/li>\n<li>Os sinais do Esp\u00edrito de Deus nas almas s\u00e3o: paz, quietude, tranquilidade, suavidade. Quando nos afastamos dele, pelo pecado, experimentamos remorso, medo da morte, do ju\u00edzo de Deus e do inferno. O inimigo, por sua vez, age de modo oposto: com as almas justas, ele atua de maneira turbulenta e feroz (escr\u00fapulos, perturba\u00e7\u00f5es, ang\u00fastias, etc.). Comunica falsas percep\u00e7\u00f5es, como a de que Deus pode ser implac\u00e1vel, que a virtude \u00e9 impratic\u00e1vel ou que a caminhada da vida crist\u00e3 \u00e9 exigente como uma subida a um monte inacess\u00edvel. Tudo isso pode fazer com que o fiel se retire do caminho ou siga por ele com t\u00e9dio e lentamente. J\u00e1 com os pecadores, o maligno \u00e9 condescendente, proporcionando do\u00e7ura e prazer, retirando o remorso da consci\u00eancia e suscitando uma esperan\u00e7a que n\u00e3o possui fundamento. Assim, vivem uma falsa paz que os deixa adormecidos na culpa.<\/li>\n<li>\u00c9 fundamental ressaltar a import\u00e2ncia da Dire\u00e7\u00e3o Espiritual tamb\u00e9m para aqueles que j\u00e1 se encontram no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio ordenado. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, ao tratar da forma\u00e7\u00e3o permanente dos sacerdotes, argumenta: \u201cTamb\u00e9m a pr\u00e1tica da dire\u00e7\u00e3o espiritual contribui muito para favorecer a forma\u00e7\u00e3o permanente dos sacerdotes. \u00c9 um meio cl\u00e1ssico, que nada perdeu do seu precioso valor, n\u00e3o s\u00f3 para assegurar a forma\u00e7\u00e3o espiritual, mas ainda para promover e sustentar uma cont\u00ednua fidelidade e generosidade no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio sacerdotal. Como ent\u00e3o escrevia S\u00e3o Paulo VI, \u2018a dire\u00e7\u00e3o espiritual tem uma fun\u00e7\u00e3o bel\u00edssima e pode dizer-se indispens\u00e1vel para a educa\u00e7\u00e3o moral e espiritual da juventude que queira interpretar e seguir com absoluta lealdade a voca\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida, seja ela qual for, e conserva sempre uma import\u00e2ncia ben\u00e9fica para todas as idades da vida, quando \u00e0 luz e \u00e0 caridade de um conselho piedoso e prudente se pede a comprova\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria retid\u00e3o e a ajuda para o cumprimento generoso dos pr\u00f3prios deveres. \u00c9 meio pedag\u00f3gico muito delicado, mas de grand\u00edssimo valor; \u00e9 arte pedag\u00f3gica e psicol\u00f3gica de grande responsabilidade para quem a exerce; \u00e9 exerc\u00edcio espiritual de humildade e de confian\u00e7a para quem a recebe\u2019\u201d.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O chamado dos ap\u00f3stolos \u2013 Lc 5, 1-11<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"84\">\n<li>Nesta passagem do Evangelho de Lucas, Jesus se encontra perto do lago de Genesar\u00e9. Ap\u00f3s entrar na barca de Pedro e se afastar um pouco da terra, ele se senta, ensina a multid\u00e3o e, quando acaba, diz a Pedro e aos outros que estavam com ele para que lancem as redes. Este responde que tinham trabalhado a noite inteira sem sucesso, mas que, somente em aten\u00e7\u00e3o ao pedido de Jesus, lan\u00e7ariam as redes. Quando o fazem, apanham uma quantidade de peixes t\u00e3o grande que as redes se rompiam. Diante disso, Pedro, em um ato de f\u00e9, ajoelha-se diante de Jesus e lhe diz: \u201cAfasta-te de mim, Senhor, porque eu sou um pecador!\u201d (Lc 5,8). Mas Jesus diz a Pedro: \u201cAcaba com esse medo! De agora em diante ser\u00e1s pescador de homens!\u201d (Lc 5,10). Com esse chamado, \u201cent\u00e3o, eles arrastaram as barcas para a praia e, deixando tudo, o seguiram!\u201d (Lc 5,11).<\/li>\n<li>Jesus fez um convite ao discipulado para uma miss\u00e3o particular \u2013 serem pescadores de homens, e eles respondem deixando tudo e partindo em companhia d\u2019Ele. Jesus \u00e9 o modelo da voca\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos. Ele pr\u00f3prio far\u00e1 deles pescadores de homens; \u00e9 Jesus o pescador de homens que ensinar\u00e1 seus disc\u00edpulos, que foram \u201cpescados por Ele\u201d, a serem tamb\u00e9m estes pescadores de homens. Realmente, neste caso, s\u00f3 quem foi pescado poder\u00e1 ser tornar pescador. Exausto de lutar pela vida, o peixe se entrega ao pescador. Que bela imagem essa: ap\u00f3s lutar contra Deus, o homem se entrega em rendi\u00e7\u00e3o a Ele, e n\u00e3o encontra a morte, mas recebe uma nova vida. Seduzido pela isca ou cercado pela rede, o peixe lamenta como uma pena de morte a sua incapacidade de manter-se em vida, e luta contra aquilo que parece ser uma agress\u00e3o da parte do outro, mas no caso da pesca realizada por Deus, n\u00e3o se trata de uma pesca para a condena\u00e7\u00e3o mas para a vida. N\u00e3o foi sem raz\u00e3o que repetimos v\u00e1rias vezes que o discernimento vocacional e o seguimento do caminho devem ser vividos na rela\u00e7\u00e3o pessoal com Cristo, presente na Palavra, nos Sacramentos, na Eucaristia, na companhia do diretor espiritual e na comunh\u00e3o entre os batizados na f\u00e9 da Igreja; sem esses elementos n\u00e3o h\u00e1 como nutrir uma verdadeira rela\u00e7\u00e3o pessoal com Cristo e n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel aprender a ser pescador de homens como o Senhor \u00e9 pescador. Na forma\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio, por exemplo, os formadores s\u00e3o aqueles que, vivendo em rela\u00e7\u00e3o pessoal com os seminaristas e com Nosso Senhor, os ensinam a viver como Jesus viveu, atrav\u00e9s dos seus atos como homens de f\u00e9, batizados e consagrados pela un\u00e7\u00e3o sacerdotal, mostrando um exemplo pr\u00f3ximo e concreto de uma vida que se deixa plasmar pelo Esp\u00edrito Santo em Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; A voca\u00e7\u00e3o s\u00f3 frutifica em Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"86\">\n<li>Os frutos de uma voca\u00e7\u00e3o dependem da correspond\u00eancia aos planos de Deus, afinal, tudo ser\u00e1 ensinado por Cristo, aprendido em Cristo e praticado em comunh\u00e3o com Cristo. Desse modo, fora daquilo que Ele ensinou n\u00e3o h\u00e1 nada que seja agrad\u00e1vel aos Seus olhos, porque tudo que recebeu do Pai Ele nos transmitiu. Fora d\u2019Ele restar\u00e1 somente aquilo que \u00e9 do homem e que necessariamente ser\u00e1 pecado. N\u00e3o h\u00e1 um modo de viver a voca\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio mission\u00e1rio da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o como algo auto-referencial. Isso \u00e9 completamente desagrad\u00e1vel aos olhos de Deus. Ainda que o indiv\u00edduo quisesse acreditar que possui a autonomia de determinar seu caminho, tudo aquilo que for alheio \u00e0 vontade do Senhor e ao modo como Jesus nos ensinou a viver n\u00e3o alcan\u00e7ar\u00e1 a plenitude de que seria capaz e estar\u00e1 condenado \u00e0 ruina ao longo do tempo. Mesmo totalmente sob a vontade do Pai, n\u00e3o ser\u00e1 uma tarefa f\u00e1cil, mas se torna poss\u00edvel porque \u00e9 Palavra e mandamento divino, e s\u00f3 se realizar\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o daqueles que confiam em Deus e encontram a sua for\u00e7a no Senhor. A for\u00e7a de Deus se manifesta em nossa fraqueza humana somente quando trilhamos o caminho da humildade e do abandono a Ele.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"87\">\n<li>Assim como Jesus muitas vezes sobe o monte e se afasta da multid\u00e3o, o vocacionado, para dar continuidade \u00e0 sua miss\u00e3o como um ap\u00f3stolo, tamb\u00e9m deve se afastar daquilo que o oprime, impedindo-o de compreender a din\u00e2mica do chamado. Pois o sacerdote \u201c\u00e9 tomado dentre os homens e designado para servir a Deus em favor deles\u201d (Hb 5,1).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Guiados pelo Esp\u00edrito Santo<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"88\">\n<li>A for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo e a gra\u00e7a que s\u00e3o conferidas ao sacerdote com o sacramento da Ordem, colocam-no num estado de vida diferente dos demais homens. Na viv\u00eancia da vida sacerdotal, ser\u00e3o de grande valia todo progresso nas dimens\u00f5es humana, espiritual, intelectual e pastoral, adquirido com os anos de forma\u00e7\u00e3o. O mundo oferece muitas prova\u00e7\u00f5es e ocasi\u00f5es de afastamento do caminho pensado por Deus, mas, fortalecido por todos os dons recebidos, perseverante na ora\u00e7\u00e3o e na dire\u00e7\u00e3o espiritual e fiel \u00e0 miss\u00e3o que lhe foi confiada, tudo ser\u00e1 superado pelo sacerdote. Certamente, poder\u00e1 acontecer uma situa\u00e7\u00e3o na qual algu\u00e9m sofra a queda n\u00e3o somente com rela\u00e7\u00e3o ao pecado, mas ao esfriamento do amor que um dia o impeliu a seguir Cristo. O que fazer? S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II nos ensina: \u201cA ora\u00e7\u00e3o ajuda-nos a crer, a esperar e a amar, mesmo quando a isso se op\u00f5e a nossa fraqueza humana. A ora\u00e7\u00e3o permite-nos, ainda, redescobrir continuamente as dimens\u00f5es daquele Reino, cuja vinda suplicamos todos os dias, ao repetir as palavras que Cristo nos ensinou. Damo-nos ent\u00e3o conta\u00a0do nosso lugar na realiza\u00e7\u00e3o desta peti\u00e7\u00e3o: \u2018<em>Venha a n\u00f3s o vosso Reino<\/em>\u2019. Vemos assim quanto somos necess\u00e1rios para que ela se torne realidade. Talvez, ao rezar, descobrimos mais facilmente aqueles \u2018campos que j\u00e1 branquejam para a ceifa\u2019 (Jo 4,35) e compreendamos melhor o significado das palavras que Cristo pronunciou ao entrev\u00ea-los: \u2018Rogai, pois, ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe\u2019 (Mt 9,38).\u201d<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/li>\n<li>A voca\u00e7\u00e3o ao sacerd\u00f3cio diocesano n\u00e3o \u00e9 um chamado a levar uma vida como se fosse um leigo diferenciado por causa de suas fun\u00e7\u00f5es sagradas. Tampouco \u00e9 um chamado para viver uma santidade restrita ao pr\u00f3prio ju\u00edzo que n\u00e3o precisa de mortifica\u00e7\u00e3o e de ascese, e que n\u00e3o se fa\u00e7a ver atrav\u00e9s de seus gestos e escolhas na vida p\u00fablica e privada. Como j\u00e1 afirmei anteriormente, todos os fi\u00e9is batizados, cada um a seu modo, s\u00e3o chamados \u00e0 santidade, que pressup\u00f5e como etapa inicial determina\u00e7\u00e3o na escolha de mortificar as paix\u00f5es desordenadas por amor de Cristo. O sacerdote que vive em meio ao povo para servi-lo como Cristo Bom Pastor deve desenvolver virtudes e qualidades que o far\u00e3o diferente dos demais homens por causa de suas escolhas feitas por amor deles, e assim se tornar\u00e1 sal da terra e luz do mundo. \u201cMas se acaso o sal vier a perder o sabor, com que poder\u00e1 recuper\u00e1-lo? N\u00e3o serve mais para nada. \u00c9 jogado fora e pisado pelos homens\u201d (Mt 5,13).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"90\">\n<li>Na voca\u00e7\u00e3o religiosa, por sua vez, esse \u201cdistanciamento da terra\u201d deve ocorrer tanto na vida ativa quanto na contemplativa, cada uma a seu modo. Pois ser religioso consiste no dom de viver os conselhos evang\u00e9licos de pobreza, castidade e obedi\u00eancia, mediante a viv\u00eancia de uma regra aprovada e um carisma pr\u00f3prio. Trata-se de um caminho de perfei\u00e7\u00e3o oposto aos valores que a cultura atual prop\u00f5e, tornando-se sinal escatol\u00f3gico da vida eterna. Aqueles que seguem pela vida contemplativa, conforme indica S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, possuem a facilidade de ter menos ocasi\u00f5es de queda, dado que est\u00e3o fisicamente mais distantes da vida do mundo, por\u00e9m, ele reconhece que o corpo tem maior participa\u00e7\u00e3o na luta cotidiana, diante das austeridades \u00e0s quais est\u00e1 sujeito. Al\u00e9m disso, como nos lembra o Conc\u00edlio Vaticano II, \u201cembora algumas vezes n\u00e3o se ocupem diretamente dos seus contempor\u00e2neos, t\u00eam-nos presentes, de modo mais profundo, nas entranhas de Cristo e colaboram espiritualmente com eles a fim de que a edifica\u00e7\u00e3o da cidade terrena se alicerce sempre no Senhor e para ele se oriente, de modo a n\u00e3o trabalharem em v\u00e3o os que a edificam\u201d.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> Quando o religioso \u00e9 chamado ao sacerd\u00f3cio, com maior raz\u00e3o a perfei\u00e7\u00e3o deve ser percorrida com radicalidade. Nos tempos atuais de secularismo e mundanismo, os riscos de queda aumentam e, portanto, deve-se estar mais vigilante.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"91\">\n<li>Ao comparar o sacerd\u00f3cio \u00e0 vida erem\u00edtica, S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo afirma que \u00e9 de se admirar mais o sacerdote que se dedica \u201c\u00e0s massas populares, obrigado a ver e suportar os delitos de tantos e, n\u00e3o obstante, continuar firme, dirigindo sua alma atrav\u00e9s das tempestades como se fossem calmarias\u201d.<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a> \u201cPois quem estiver com o leme do navio dentro do porto, n\u00e3o dar\u00e1 prova de sua capacidade; contudo, quem em alto-mar, em meio \u00e0 tempestade, souber dirigir e salvar o navio, este sim, ser\u00e1 considerado timoneiro apto e seguro\u201d.<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Virgem Maria, modelo de voca\u00e7\u00e3o para a Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"92\">\n<li>Ao meditamos sobre as voca\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podemos esquecer da Virgem Maria. Ela que \u00e9 \u201cmembro supereminente e absolutamente singular da Igreja\u201d, \u00e9 tamb\u00e9m seu \u201cprot\u00f3tipo e modelo acabado\u201d.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a> De fato, na perspectiva do caminho vocacional, Maria escuta o an\u00fancio do Anjo Gabriel e d\u00e1 o seu \u201csim\u201d para o projeto de Deus, ainda que n\u00e3o vislumbrasse como ele se realizaria. Em nenhum momento procura interferir nos planos de Deus para seu Filho ou para si mesma, mas se coloca totalmente dispon\u00edvel, guardando e meditando todas as promessas em seu cora\u00e7\u00e3o (cf. Lc 2,19). Em tudo aprendeu e cresceu iluminada e guiada pelo Esp\u00edrito Santo atrav\u00e9s da obedi\u00eancia a Deus pela escuta atenta e o sil\u00eancio interior.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"93\">\n<li>Maria tamb\u00e9m \u00e9 modelo do cumprimento de ambas as voca\u00e7\u00f5es, a celibat\u00e1ria e a matrimonial, pois \u00e9 Virgem e M\u00e3e. Imaculada desde a concep\u00e7\u00e3o e cumprindo fielmente a vontade do Pai, ela conservou a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade \u00edntegras e se manteve virgem e pura. Ela jamais se antecipou a Deus, nem em vontade e nem em atos, e nem tomou por princ\u00edpio realizar alguma coisa a partir de si mesma acreditando que isso poderia ser agrad\u00e1vel aos olhos de Deus; em tudo sempre esperou com paci\u00eancia e seguiu com perfeita obedi\u00eancia a voz de Deus. Templo onde habita o Esp\u00edrito Santo, a Virgem Sant\u00edssima tornou-se M\u00e3e pelo poder divino, tendo gerado na terra o pr\u00f3prio Filho de Deus Pai. Cumpre-se nela, portanto, o chamado \u00e0 fecundidade. Participando ativamente da miss\u00e3o de seu Filho, cooperou de modo singular na obra salv\u00edfica realizada por Ele para restaurar a vida sobrenatural das almas e, com \u201csua m\u00faltipla intercess\u00e3o, continua a obter-nos os dons da salva\u00e7\u00e3o eterna\u201d<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a>, sendo nossa M\u00e3e na ordem da gra\u00e7a, e M\u00e3e da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"94\">\n<li>Sua vida de uni\u00e3o com Cristo nos mostra que tamb\u00e9m n\u00f3s somos chamados \u00e0 uni\u00e3o com Ele, at\u00e9 mesmo na cruz e na dor. Em todas essas circunst\u00e2ncias, ela nos relembra que Deus est\u00e1 presente e realiza o seu projeto, fonte de paz e de consolo em meio \u00e0 tribula\u00e7\u00e3o, pois \u201cacolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua miseric\u00f3rdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abra\u00e3o e sua posteridade, para sempre\u201d (Lc 1,54-55).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Modelo para toda Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"95\">\n<li>A Virgem Maria tamb\u00e9m \u00e9 modelo para toda Igreja, porque j\u00e1 est\u00e1 glorificada no c\u00e9u em corpo e alma. E mais do que modelo, Ela \u00e9 a grande colaboradora e intercessora para que cada filho a Ela confiado pelo sangue de seu Filho, em tudo e sempre, cumpra a vontade do Pai na comunh\u00e3o de amor pelo Esp\u00edrito Santo (cf. Jo 2,5). Essa \u00e9 a meta e o termo de cada jornada vocacional. Vivendo a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade, amando a Deus acima de todas as coisas e ao pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos, teremos sempre por n\u00f3s o exemplo e intercess\u00e3o de nossa M\u00e3e Sant\u00edssima. \u201cEla brilha, como sinal de esperan\u00e7a segura e de consola\u00e7\u00e3o, aos olhos do povo de Deus peregrinante\u201d.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"96\">\n<li>Ao chegar a estes momento de minha carta pastoral com esta mensagem a todo o povo de Deus, que comp\u00f5e a Igreja no Rio de Janeiro, unindo-nos em ora\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem Maria, que foi a mais sublime vocacionada e modelo de fidelidade orante. Como filhos confiantes na sua intercess\u00e3o, dirigimos a ela as palavras de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II na sua Carta aos sacerdotes por ocasi\u00e3o da Quinta-feira Santa de 1999:<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Virgem Maria, humilde filha do Alt\u00edssimo,<br \/>\nem ti se cumpriu de modo admir\u00e1vel<br \/>\no mist\u00e9rio do divino chamado.<br \/>\nTu \u00e9s a figura daquilo que Deus realiza<br \/>\nem quem confia nele;<br \/>\nem ti a liberdade do Criador<br \/>\nexaltou a criatura humana.<br \/>\nAquele que nasceu do teu seio<br \/>\nuniu, num \u00fanico valor, a liberdade salv\u00edfica de Deus<br \/>\ne a ades\u00e3o obediente do homem.<br \/>\nGra\u00e7as a Ti, o chamado de Deus<br \/>\nse solda definitivamente com a resposta do homem-Deus.<br \/>\nTu, prim\u00edcias de uma vida nova,<br \/>\nguardas, por todos n\u00f3s, o &#8220;Sim&#8221; generoso da alegria e do amor.<br \/>\nSanta Maria, M\u00e3e de todo chamado,<br \/>\nfaze com que os fi\u00e9is tenham a for\u00e7a<br \/>\nde responder com generosa coragem ao apelo divino,<br \/>\ne sejam alegres testemunhas do amor a Deus<br \/>\ne ao pr\u00f3ximo.<br \/>\nJovem filha de Si\u00e3o, Estrela da manh\u00e3<br \/>\nque guias os passos da humanidade<br \/>\natrav\u00e9s do Grande Jubileu, na dire\u00e7\u00e3o do futuro,<br \/>\norienta a juventude do novo mil\u00eanio<br \/>\npara Aquele que \u00e9 &#8220;a verdadeira luz que ilumina todo homem&#8221; (Jo\u00a01,9).<br \/>\nAm\u00e9m!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"97\">\n<li>Ao colocar nas m\u00e3os de nosso povo esta nova carta pastoral, fa\u00e7o-o pedindo ao Esp\u00edrito Santo que ilumine nossos caminhos e nos d\u00ea o fervor para vivermos este ano com intensa ora\u00e7\u00e3o que nos revigore em nossa caminhada pastoral e nos fa\u00e7a viver nesse esp\u00edrito pelos pr\u00f3ximos anos. Os nossos sucessores, no futuro, colher\u00e3o os frutos desta iniciativa, como hoje n\u00f3s colhemos os frutos daqueles que nos antecederam. Constatando tanta generosidade de nosso povo e contemplando os dons que o Senhor nos concede, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o agradecer a Ele pela nossa caminhada arquidiocesana. O dom das voca\u00e7\u00f5es \u00e9 uma resposta de Deus \u00e0s nossas ora\u00e7\u00f5es, mas sup\u00f5e tamb\u00e9m o nosso seguimento e ajuda para que possam seguir adiante aqueles que o Senhor chamou e est\u00e3o discernindo o caminho de resposta, a fim de que a Igreja escolha os que ser\u00e3o oportunamente ordenados presb\u00edteros. Perseverantes na ora\u00e7\u00e3o e com os olhos fitos no Senhor que nos conduz, vivamos unidos na f\u00e9, afim de que a cidade do Rio de Janeiro seja sempre mais o \u201cRio onde Deus habita\u201d, o \u201cRio de Deus\u201d, forte em esperan\u00e7a no Deus Vivo e repleto de homens e mulheres que testemunham Jesus Cristo ao pr\u00f3ximo vivendo na caridade e na fraternidade, porque o Redentor, realmente, est\u00e1 no meio de n\u00f3s!<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Solenidade de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, Padroeiro da Arquidiocese<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 _____________________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Orani Jo\u00e3o Cardeal Tempesta, O. Cist.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Arcebispo Metropolitano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Bento XVI, Mensagem pelo 43\u00ba Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, 07\/05\/2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Bento XVI, Mensagem pelo 43\u00ba Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, 07\/05\/2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <em>O dom da Voca\u00e7\u00e3o Presbiteral<\/em>, 16. Citt\u00e0 del Vaticano, <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>, 08 de dezembro de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, 16\u00aa Mensagem para o Dia Mundial das Voca\u00e7\u00f5es (06\/01\/1979)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, 38\u00aa Mensagem para o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, 06\/05\/2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> O sacerdote \u201c\u00e9 tomado dentre os homens e designado para servir a Deus em favor deles\u201d. Os prop\u00f3sitos e promessas manifestados no rito de ordena\u00e7\u00e3o incluem (1) desempenhar sempre a miss\u00e3o de sacerdote no grau de Presb\u00edtero, como fiel colaborador dos Bispos, apascentando o rebanho do Senhor, sob a dire\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo; (2) desempenhar com dignidade e sabedoria o minist\u00e9rio da palavra, proclamando o Evangelho e ensinando a f\u00e9 cat\u00f3lica; (3) celebrar com devo\u00e7\u00e3o e fidelidade os mist\u00e9rios de Cristo (sacramentos), sobretudo a Eucaristia, a Reconcilia\u00e7\u00e3o, segundo a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, para louvor de Deus e santifica\u00e7\u00e3o do povo crist\u00e3o; (4) ser ass\u00edduo ao dever da ora\u00e7\u00e3o (Liturgia das Horas, em especial, conforme promessa feita na ordena\u00e7\u00e3o diaconal), implorando a miseric\u00f3rdia de Deus em favor do povo a ele confiado; (5) unir-se cada vez mais ao Cristo e com ele ser consagrado a Deus para salva\u00e7\u00e3o da humanidade; (6) prometer respeito e obedi\u00eancia ao Bispo e seus sucessores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, 38\u00aa Mensagem para o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, (06\/05\/2001)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> FRANCISCO, 52\u00aa Mensagem para o Dia Mundial das Voca\u00e7\u00f5es, (26\/04\/2015)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Cf. CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA O CLERO, O dom da Voca\u00e7\u00e3o Presbiteral, 43.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Cf. CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA O CLERO, O dom da Voca\u00e7\u00e3o Presbiteral, 28.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> FRANCISCO, 54\u00aa Mensagem para o Dia Mundial das Voca\u00e7\u00f5es, 07\/05\/2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>JO\u00c3O PAULO II, Pastores <em>Dabo Vobis<\/em>, 29.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Bento XVI, 50\u00aa Mensagem para o Dia Mundial das Voca\u00e7\u00f5es, (21.04.2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, 35\u00aa Mensagem para o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, (03.05.1998)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Santa Teresa de Jesus. <em>Castelo Interior ou Moradas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1981, p. 42.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Um exemplo forte para isso est\u00e1 na dimens\u00e3o psicoafetiva. Apesar da sua import\u00e2ncia, essa dimens\u00e3o, n\u00e3o deve assumir papel norteador para a tomada das decis\u00f5es finais de discernimento. A dimens\u00e3o psicoafetiva se ilumina, enriquece e robustece atrav\u00e9s da vida sacramental, da ora\u00e7\u00e3o e da viv\u00eancia comunit\u00e1ria que dar\u00e3o a forma para os frutos do Esp\u00edrito Santo, como paz, paci\u00eancia, alegria, castidade, mansid\u00e3o, fidelidade etc. Por isso, insistimos no fato que o itiner\u00e1rio formativo e seu discernimento \u00e9 um percurso, progressivo, gradual, integral e comunit\u00e1rio que envolve harmonicamente todas as dimens\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o sacerdotal. (Cf. JO\u00c3O PAULO II, <em>Pastores Dabo Vobis<\/em>, 43-56; Cf. CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA O CLERO, O dom da Voca\u00e7\u00e3o Presbiteral, 3.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Cf. Lumen Gentium, n. 48. In: <em>Documentos do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, p. 172.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Cf. LG 48<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Cf. por exemplo, Padre Giovanni Battista Scarameli, SJ. <em>Discernimento dos Esp\u00edritos<\/em>, Campinas: Ecclesiae, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, 37\u00aa Mensagem para o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, (14.05.2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Santa Teresa de Jesus. <em>Castelo Interior ou Moradas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1981, p. 23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Santa Teresa de Jesus. <em>Castelo Interior ou Moradas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1981, p. 41.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> LE\u00c3O XIII, Testem Benevolentem, 22-I-1899.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal\u00a0<em>Pastores Dabo Vobis, n. 81, (25.03.1992).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Carta aos sacerdotes por ocasi\u00e3o da Quinta-feira Santa, 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Lumen Gentium, n. 46. In: <em>Documentos do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, p. 170.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo<em>. O sacerd\u00f3cio<\/em>, VI, 7. Petr\u00f3polis: Vozes, 1979, p. 121.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo<em>. O sacerd\u00f3cio<\/em>, VI, 7. Petr\u00f3polis: Vozes, 1979, p. 121.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Lumen Gentium, n. 53. In: <em>Documentos do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, p. 180.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> Lumen Gentium, n. 62. In: <em>Documentos do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, p. 187.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> Lumen Gentium, n. 68. In: <em>Documentos do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, p.192.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por ocasi\u00e3o do Ano Vocacional Sacerdotal na Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro \u2013 2019 \u00a0 Abertura \u201cEnviai, Senhor, oper\u00e1rios \u00e0 vossa messe, pois a messe \u00e9 grande e poucos os oper\u00e1rios\u201d! Parece-me ouvir cantar esse pedido ressoando em meu cora\u00e7\u00e3o nas belas lembran\u00e7as infantis da catequese. 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