{"id":46465,"date":"2019-01-20T09:00:14","date_gmt":"2019-01-20T11:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46465"},"modified":"2019-01-21T15:39:22","modified_gmt":"2019-01-21T17:39:22","slug":"coracao-empedernido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/coracao-empedernido\/","title":{"rendered":"CORA\u00c7\u00c3O EMPEDERNIDO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quantas vezes ouvi essa express\u00e3o, sem dar conta de seu significado! S\u00f3 agora, quando acordo com a consci\u00eancia a me acusar, usando insolentemente esta terminologia rude, \u00e9 que a curiosidade me faz pensar ou ao menos melhor compreender t\u00e3o solene acusa\u00e7\u00e3o: voc\u00ea tem um cora\u00e7\u00e3o empedernido. \u00c9 estranho, mas o peso de muitas palavras, por si s\u00f3, j\u00e1 nos leva \u00e0 compreens\u00e3o e ao arrependimento por certas atitudes impensadas, muitas dessas que praticamos no transcorrer de uma lida di\u00e1ria, no lufa-lufa das obriga\u00e7\u00f5es cotidianas. Ent\u00e3o, no serenar do dia, eis que nossa consci\u00eancia nos diz: seu cora\u00e7\u00e3o poderia ter sido mais brando, menos intransigente, mais amoroso, menos ego\u00edsta, mais, menos&#8230; nesta ou naquela situa\u00e7\u00e3o do dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Meu cora\u00e7\u00e3o poderia ao menos disfar\u00e7ar aquele dramalh\u00e3o que minha mente produzia \u2013 a famosa tempestade em copo d\u2019\u00e1gua \u2013 capaz de me sentir a mais injusti\u00e7ada e infeliz das criaturas, quando \u00e0 minha frente o olhar de uma crian\u00e7a abandonada saboreava o sorvete derretido que manchou minha camisa nova. Meu cora\u00e7\u00e3o intransigente poderia poupar-me da vergonha de n\u00e3o perdoar aqueles trinta centavos no troco, que me deixou encabulado diante de uma nota maior, para a qual foi for\u00e7ado a desfazer-me do dinheiro mi\u00fado. Meu cora\u00e7\u00e3o ego\u00edsta poderia prever o embara\u00e7o na fila da eucaristia, quando quem me cedeu sorridente o lugar fora a pessoa que acabara de considerar indigna de frequentar a igreja, pelos coment\u00e1rios que ouvi dizer a seu respeito. Mal sabia eu da admira\u00e7\u00e3o que essa mesma pessoa tinha por mim&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ah, cora\u00e7\u00e3o! Poder\u00edamos sorrir mais, perdoar mais, compreender mais, tolerar mais, sonhar mais, n\u00e3o fosse nossa rela\u00e7\u00e3o raz\u00e3o\/atitude um mecanismo carente de maiores lubrifica\u00e7\u00f5es e polimentos de gratid\u00e3o, carinho, humanidade pura e simples. N\u00e3o fosse nossa ra\u00e7a predominantemente animal, mas igualmente racional. Meio a meio ao menos, quando \u00e9 esse o m\u00ednimo necess\u00e1rio para o equil\u00edbrio emocional, psicol\u00f3gico, moral, que nos diferenciam como ra\u00e7a e nos colocam um grau acima dos animais que nos servem, respeitam, reverenciam ou no m\u00ednimo enfeitam e alegram nossa exist\u00eancia. Neles n\u00e3o encontraremos cora\u00e7\u00f5es empedernidos, mas agradecidos pelo dom da vida, pela gra\u00e7a do existir t\u00e3o somente. Pudessem os humanos compreender a preciosidade dessa gratid\u00e3o! Ah, cora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Afinal, o que \u00e9 mesmo empedernido? H\u00e1 muitas defini\u00e7\u00f5es, dentre elas enrudecido, petrificado, rijo, insens\u00edvel, cruel, endurecido ou mesmo desumano. Prefere qual? Na origem etimol\u00f3gica da palavra salta aos olhos o car\u00e1ter da rigidez, aquilo que se conseguiu empedernir, ou seja petrificar-se, transformar-se em pedra. Por analogia, refere-se a tudo aquilo que n\u00e3o convence, n\u00e3o comove, n\u00e3o consegue persuadir, pois demonstra insensibilidade, \u00e9 inflex\u00edvel. Pobre cora\u00e7\u00e3o! \u201cO cora\u00e7\u00e3o empedernido acabar\u00e1 por ser infeliz. Quem ama o perigo nele perecer\u00e1\u201d (Ecles. 3,27).\u00a0 Ao mesmo tempo em que nos diz ser o cora\u00e7\u00e3o insens\u00edvel a causa da infelicidade de muitos, o texto sagrado ainda nos aponta seu final, a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cora\u00e7\u00e3o desumano! Eis a melhor das defini\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se trata de simples m\u00fasculo de import\u00e2ncia vital, pois que mantem a vida de mir\u00edades de animais. Na ra\u00e7a que somos \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o o centro da vida e dos sentimentos, da racionalidade e da espiritualidade. N\u00e3o \u00e9 um simples \u00f3rg\u00e3o que, quando morto, exala o mais putrefato odor da nossa deteriora\u00e7\u00e3o f\u00edsica, mas a sede dos bons prop\u00f3sitos e a\u00e7\u00f5es que ousamos praticar em vida. Um cora\u00e7\u00e3o para amar. \u00c9 o que temos de melhor.\u00a0 Mais humanidade, mais humildade \u00e9 o que anseia nosso pobre cora\u00e7\u00e3o. Este s\u00f3 quer exalar o perfume de uma vida santa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quantas vezes ouvi essa express\u00e3o, sem dar conta de seu significado! 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