{"id":46433,"date":"2019-01-13T15:15:57","date_gmt":"2019-01-13T17:15:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46433"},"modified":"2019-01-18T15:17:11","modified_gmt":"2019-01-18T17:17:11","slug":"morada-da-dignidade-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/morada-da-dignidade-2\/","title":{"rendered":"MORADA DA DIGNIDADE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 At\u00e9 bem pouco tempo, as formas de tratamento pessoal eram valorizadas e praticadas como quest\u00e3o de civilidade. Ai de quem ousasse se dirigir a uma autoridade sem antes conhecer sua profiss\u00e3o ou t\u00edtulo honor\u00edfico que usasse. Assim, do ilustr\u00edssimo ao dign\u00edssimo, da excel\u00eancia reverend\u00edssima ao excelent\u00edssimo doutor, da vossa alteza ao nobre cidad\u00e3o ou no m\u00ednimo egr\u00e9gio mun\u00edcipe, todos, respeitosamente, agregavam um t\u00edtulo ao pr\u00f3prio nome. Todos, indistintamente, tinham uma f\u00f3rmula de tratamento pessoal que lhes impunham dignidade, cidadania.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aos poucos, vemos tal pr\u00e1tica cair no desuso. Quando muito, um doutor generalizado agrada a todos. At\u00e9 aos que nunca o foram. Isso sem falar das formas militarizadas de tratamento, cujo uso abusivo tornou-se popular na defini\u00e7\u00e3o dos coron\u00e9is, com ou sem patentes. Haja vista a tradi\u00e7\u00e3o nordestina de nomear seus coron\u00e9is por for\u00e7a do poder econ\u00f4mico ou seus capit\u00e3es por for\u00e7a de suas lideran\u00e7as litigiosas ou mesmo de guerrilhas e contraven\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dentre esses usos e costumes, o que nos salta aos olhos \u00e9 a quest\u00e3o do merecimento, a dignidade do t\u00edtulo que se usa. Seja qual deles, todos surgem por m\u00e9rito, nunca gratuitamente. O problema reside muito mais na aplica\u00e7\u00e3o pejorativa de certos t\u00edtulos e no m\u00e9rito artificial, usurpado, comprado a peso do sangue ou do ouro com que muitos agregam seus nomes a certos pronomes de tratamento. Quantos doutores, coron\u00e9is, ju\u00edzes e sacerdotes apenas de t\u00edtulo! Quantos fazem quest\u00e3o de serem lembrados primeiramente pelo cargo que ocupam \u2013 ou dizem ocupar \u2013 sem merecimento algum sobre eles! Quantos de n\u00f3s nos achamos acima da grande maioria apenas e t\u00e3o-somente por termos na parede um diplomazinho qualquer! Aqui \u00e9 que s\u00e3o elas: h\u00e1 dignidade num simples canudo ou fizemos por merec\u00ea-lo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esque\u00e7amos as honrarias que pensamos merecer. Antes de qualquer t\u00edtulo, diante da pequenez e fragilidade que revestem nossa exist\u00eancia, vale lembrar que nada somos al\u00e9m de simples mortais. Um oficial romano, ao se deparar com graves problemas de sa\u00fade em sua casa, quase se desesperou com a impot\u00eancia para resolver aquela quest\u00e3o. De que lhe valeriam t\u00edtulos e posi\u00e7\u00f5es sociais, quando em sua casa havia dor e sofrimento&#8230; Deixou de lado sua gradua\u00e7\u00e3o, sua autoridade e munido da maior humildade poss\u00edvel, interpelou o pobre nazareno, que perambulava por suas terras pregando uma nova filosofia de vida. Disse-lhe: \u201cTamb\u00e9m sou um subordinado e tenho soldados \u00e0s minhas ordens. Eu digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz\u201d&#8230;\u00a0 Isso tudo para justificar sua f\u00e9 na a\u00e7\u00e3o de Jesus: \u201cSenhor, eu n\u00e3o sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma s\u00f3 palavra e minha casa ser\u00e1 salva!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De nada valem t\u00edtulos e honrarias sem dignidade. Principalmente, sem o reconhecimento de nossa indignidade diante de Deus. Quando deixarmos de lado essa petul\u00e2ncia de nos acharmos os maiorais no meio em que vivemos, ignorando a fragilidade que constitui nossa vida, uma \u00fanica palavra de Jesus nos por\u00e1 a salvo: \u201cVai, seja-te feito conforme a tua f\u00e9\u201d. A morada da cidadania plena n\u00e3o \u00e9 o lar terreno, a sociedade que nos acolhe, o mundo que nos reverencia, mas o cora\u00e7\u00e3o que se abre \u00e0 Palavra, os mist\u00e9rios da revela\u00e7\u00e3o celeste. Nesse cora\u00e7\u00e3o Jesus faz sua morada e se revela com toda sua autoridade. Esta, sim, merece respeito. Esta faz valer todo e qualquer t\u00edtulo que pensamos possuir, mas que nos s\u00e3o concedidos \u00fanica e exclusivamente por honra e m\u00e9rito das gra\u00e7as de Deus. Em especial o t\u00edtulo mais eloquente que um ser humano j\u00e1 mereceu: somos Filhos de Deus. E, com este codinome, somos merecedores, dignos de sua gra\u00e7a, sua miseric\u00f3rdia. Pois h\u00e1 muito a dignidade em pessoa, Jesus Cristo, faz sua morada entre n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 At\u00e9 bem pouco tempo, as formas de tratamento pessoal eram valorizadas e praticadas como quest\u00e3o de civilidade. Ai de quem ousasse se dirigir a uma autoridade sem antes conhecer sua profiss\u00e3o ou t\u00edtulo honor\u00edfico que usasse. 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