{"id":46403,"date":"2019-01-06T16:40:01","date_gmt":"2019-01-06T18:40:01","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46403"},"modified":"2019-01-14T16:41:50","modified_gmt":"2019-01-14T18:41:50","slug":"meu-pe-de-goiaba-rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/meu-pe-de-goiaba-rosa\/","title":{"rendered":"MEU P\u00c9 DE GOIABA ROSA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E essa agora&#8230; Dizem por a\u00ed que goiaba s\u00f3 tem duas cores: branca ou vermelha. Mas insisto em afirmar que no quintal de casa existia uma goiabeira de galhos fortes, sempre recheado pelo verde exuberante de suas folhas tenras, que produzia as mais saborosas goiabas de polpa cor de rosa. Eram vermelhas, diziam os meninos. J\u00e1 as meninas concordavam comigo: eram r\u00f3seas. Vermelhas ou r\u00f3seas, o fato \u00e9 que eram frutas da melhor amiga que tive na inf\u00e2ncia, aquela \u00e1rvore que vi crescer e se tornar adulta antes mesmo que o velho p\u00e9 de laranja lima lhe desse espa\u00e7o no meu quintal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Onde quero chegar com tantas reminisc\u00eancias? Meninos e meninas um dia fomos e tivemos nossas prefer\u00eancias infantis, nossos p\u00e9s de manga, goiaba ou laranja, sem dar muito valor \u00e0 cor, mas ao sabor, \u00e0 do\u00e7ura de seus frutos ou mesmo \u00e0 beleza de suas flores a colorir o azul infinito e sempre celestial dos imensos quintais e s\u00edtios de nossa inf\u00e2ncia. Zez\u00e9 conversava com seu p\u00e9 de laranja lima. \u201cPor que voc\u00ea fala?\u201d Este respondeu: \u201c\u00c1rvore fala por todo canto. Pelas folhas, pelos galhos, pelas ra\u00edzes. Quer ver? Encoste seu ouvido aqui no meu tronco que voc\u00ea escuta meu cora\u00e7\u00e3o bater\u201d. J\u00e1 meu p\u00e9 de goiaba rosa pouco falava, mas via em seus frutos a a\u00e7\u00e3o de Deus a premiar nossa inf\u00e2ncia feliz, sem a tola preocupa\u00e7\u00e3o dos adultos em restringir a pureza e inoc\u00eancia de nossos sonhos e descobertas infantis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Meninos e meninas ou\u00e7am esta. Vivam a vida de crian\u00e7a que s\u00e3o, n\u00e3o dos adultos preconceituosos que hoje lhes ditam regras e normas, mas que nunca viram o milagre da vida debaixo de uma goiabeira no quintal de suas exist\u00eancias. Pudera! Muitos desses sequer quintal tiveram, n\u00e3o viveram a liberdade de uma inf\u00e2ncia sadia e feliz sem os grilh\u00f5es dos adultos frustrados que pensam em tudo, at\u00e9 na cor de suas roupas, na liberdade de suas escolhas, na experi\u00eancia m\u00edstica com suas cren\u00e7as e devo\u00e7\u00f5es, no g\u00eanero e n\u00e3o na genes de suas ess\u00eancias&#8230; Qual o m\u00e9rito do azul sobre o rosa, da goiaba sobre a laranja, do lim\u00e3o sobre o mam\u00e3o? Que diferen\u00e7a faz ser laranja lima ou lim\u00e3o rosa? O que sobra \u00e9 a ess\u00eancia daquilo que se \u00e9, o sabor, a consist\u00eancia, o valor, nunca a embalagem, a roupa, a cor que a muitos engana. Seja voc\u00ea mesmo, sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jos\u00e9 Mauro, em \u201cMeu p\u00e9 de laranja lima\u201d, nos fez enxergar que uma inf\u00e2ncia feliz n\u00e3o se veste dos preconceitos da vida adulta, mas se despe deles. Ao ponto de encontrar num bosque infantil seus verdadeiros amigos e com eles trocar ideias, refutar conceitos, enxergar Deus na simplicidade de tudo. \u201cAdeus amiga. Voc\u00ea \u00e9 a coisa mais linda do mundo!\u201d &#8211; dizia o menino \u00e0 sua \u00e1rvore. \u201cN\u00e3o falei a voc\u00ea\u201d \u2013 retrucava a menina Gl\u00f3ria, aquela companheira das aventuras e descobertas do menino no quintal da inf\u00e2ncia feliz. Ent\u00e3o este lhe diz solenemente, reafirmando suas convic\u00e7\u00f5es: \u201cFalou, sim. Agora se voc\u00eas me dessem a mangueira e o p\u00e9 de tamarindo em troca da minha \u00e1rvore, eu n\u00e3o queria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 isso, ent\u00e3o. Adultos sem traumas s\u00e3o aqueles que vieram de uma inf\u00e2ncia sem dilemas desnecess\u00e1rios, sem as preocupa\u00e7\u00f5es dos adultos, mas com os dilemas das crian\u00e7as. Goiaba rosa? Se o menino Jesus as teve em seus vastos quintais da Terra Santa, n\u00e3o o sei. Por l\u00e1 n\u00e3o existem goiabas, me parece. Mas tamareiras, sim. E estas s\u00e3o conhecidas n\u00e3o pela cor de seus frutos, nem pelo sabor que \u00e9 maravilhoso, mas pela longevidade de suas sementes. Uma delas brotou recentemente, depois de dois mil anos perdida entre as pedras de Massada, uma fortaleza da hist\u00f3ria crist\u00e3. Dizem que estas s\u00f3 produzem frutos depois de setenta, oitenta anos. O essencial, no entanto, \u00e9 sua pot\u00eancia de germina\u00e7\u00e3o, seu crescimento, sua produ\u00e7\u00e3o abundante, seu sabor. \u00c9 isso o que sonho para nossos filhos e netos: ver Jesus menino na pureza de seus pomares infantis, sejam as goiabas rosas ou as t\u00e2maras azuis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 para pensar: Goiabeira mal cuidada ter\u00e1 frutos bichados; quem planta t\u00e2mara n\u00e3o colhe t\u00e2mara.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E essa agora&#8230; Dizem por a\u00ed que goiaba s\u00f3 tem duas cores: branca ou vermelha. Mas insisto em afirmar que no quintal de casa existia uma goiabeira de galhos fortes, sempre recheado pelo verde exuberante de suas folhas tenras, que produzia as mais saborosas goiabas de polpa cor de rosa. Eram vermelhas, diziam os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":32776,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-46403","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46403"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46403\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46404,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46403\/revisions\/46404"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32776"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}