{"id":46235,"date":"2018-12-18T09:03:46","date_gmt":"2018-12-18T11:03:46","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46235"},"modified":"2018-12-18T09:03:46","modified_gmt":"2018-12-18T11:03:46","slug":"o-natal-em-um-ano-de-ressentimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-natal-em-um-ano-de-ressentimentos\/","title":{"rendered":"O Natal em um ano de ressentimentos"},"content":{"rendered":"<div class=\"_autor-nome\"><a href=\"http:\/\/www.osaopaulo.org.br\/colunista\/francisco-borba-ribeiro-neto\">Francisco Borba Ribeiro Neto<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p class=\"rtejustify\">Neste ano, no Brasil, a polariza\u00e7\u00e3o, o uso e o abuso das redes sociais e as <em>fake news<\/em>, que marcaram as elei\u00e7\u00f5es, criaram inimizades, dividiram fam\u00edlias e chegaram perto do insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Como em v\u00e1rios pa\u00edses, tamb\u00e9m aqui a pol\u00edtica vem sendo dominada pelo ressentimento. Diante das mazelas da pol\u00edtica e da vida p\u00fablica, que parecem n\u00e3o reconhecer nem a dignidade nem os valores das pessoas, cresce o sentimento de frustra\u00e7\u00e3o e de impot\u00eancia, que vai se desenvolvendo como raiva e rancor. As decis\u00f5es pol\u00edticas e as escolhas eleitorais n\u00e3o s\u00e3o mais tomadas a partir da procura do melhor para si e para os demais, mas em fun\u00e7\u00e3o do ressentimento.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Esse sentimento funciona como \u00f3culos que distorcem nossa vis\u00e3o da realidade. Os fatos continuam ali, a verdade n\u00e3o deixa de ser verdade, a mentira continua mentira, mas a dimens\u00e3o dos acontecimentos \u00e9 falseada. O pequeno parece grande e o grande parece pequeno, o que est\u00e1 pr\u00f3ximo se afasta e o que est\u00e1 longe se aproxima.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Eleitores que procuram os melhores candidatos hostilizam-se entre si, enquanto homens p\u00fablicos inconsequentes continuam a agir impunemente.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Indiv\u00edduos violentos ou ideol\u00f3gicos, demagogos que procuram enganar o povo, existem com certeza \u2013 e devem ser combatidos com firmeza. Mas, num mundo de ressentimentos, as v\u00edtimas se tornam culpadas, e os verdadeiros culpados escapam impunes, manipulando a frustra\u00e7\u00e3o e a raiva dos demais.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Segundo o Papa Francisco, quando \u201cpreferimos o ressentimento, o rancor\u201d, ganhamos \u201cum cora\u00e7\u00e3o amargo\u201d (Medita\u00e7\u00e3o matutina, 11 de dezembro de 2017), pois a dor em consequ\u00eancia dos nossos pecados e daqueles de nossos irm\u00e3os \u00e9 crist\u00e3, mas o ressentimento n\u00e3o (cf. Medita\u00e7\u00e3o matutina, 13 de fevereiro de 2017).<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Na mensagem ao povo brasileiro, para a Campanha da Fraternidade de 2018, o Papa escreveu: \u201cDeixar de lado o ressentimento, a raiva, a viol\u00eancia e a vingan\u00e7a s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para se viver como irm\u00e3os e irm\u00e3s e superar a viol\u00eancia. Acolhamos, pois, a exorta\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo: \u2018Que o sol n\u00e3o se ponha sobre o vosso ressentimento\u2019 (Ef 4,26)\u201d.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">O crescimento da pol\u00edtica do ressentimento ao redor do mundo aponta para os limites das propostas multiculturalistas, das pol\u00edticas afirmativas e de inclus\u00e3o social. Suas ra\u00edzes s\u00e3o justas: reconhecer os direitos do diferente, apoiar os fracos e os injusti\u00e7ados ao longo da hist\u00f3ria, favorecer a conviv\u00eancia entre pessoas e povos. Muitas coisas boas vieram dessas propostas, mas elas t\u00eam limites: favoreceram uns, mas n\u00e3o contemplaram outros; defenderam a toler\u00e2ncia, mas n\u00e3o geraram encontros verdadeiros; quiseram educar para a paz, mas n\u00e3o souberam educar para o amor verdadeiro.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">O ressentimento s\u00f3 pode ser superado pelo perd\u00e3o e a acolhida, que criam as condi\u00e7\u00f5es para descobrirmos e aceitarmos os erros uns dos outros, sem nos escandalizarmos, mas procurando todos juntos mudar para melhor.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">A festa do Natal \u00e9 justamente a celebra\u00e7\u00e3o do dom gratuito de Deus que vem ao nosso encontro. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que \u00e9 a grande festa da confraterniza\u00e7\u00e3o universal. Ao receber um dom de amor, tornamo-nos mais capazes de amar e acolher nossos irm\u00e3os. Mesmo a explora\u00e7\u00e3o consumista e comercial do Natal n\u00e3o conseguiu eliminar esse car\u00e1ter original da festa crist\u00e3.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">N\u00e3o desperdicemos essa oportunidade, t\u00e3o necess\u00e1ria a todos os brasileiros depois deste ano t\u00e3o dif\u00edcil.<\/p>\n<address><sub><strong>Francisco Borba Ribeiro Neto<\/strong>, soci\u00f3logo e bi\u00f3logo, \u00e9 coordenador do N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP.<\/sub><\/address>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Borba Ribeiro Neto Neste ano, no Brasil, a polariza\u00e7\u00e3o, o uso e o abuso das redes sociais e as fake news, que marcaram as elei\u00e7\u00f5es, criaram inimizades, dividiram fam\u00edlias e chegaram perto do insuport\u00e1vel. Como em v\u00e1rios pa\u00edses, tamb\u00e9m aqui a pol\u00edtica vem sendo dominada pelo ressentimento. 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