{"id":46233,"date":"2018-12-18T08:50:17","date_gmt":"2018-12-18T10:50:17","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46233"},"modified":"2018-12-18T08:50:17","modified_gmt":"2018-12-18T10:50:17","slug":"natal-frio-e-migrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/natal-frio-e-migrantes\/","title":{"rendered":"Natal, frio e migrantes"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.osaopaulo.org.br\/colunista\/padre-alfredo-jose-goncalves-cs\">Padre Alfredo Jos\u00e9 Gon\u00e7alves, CS<\/a><\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Proveniente de Mil\u00e3o, chego a Berna, na Su\u00ed\u00e7a. Antes mesmo de verificar que a temperatura \u00e9 de apenas tr\u00eas graus positivos, sinto-a no corpo. Logo, deparo-me com os imigrantes. Na pr\u00f3pria esta\u00e7\u00e3o, e depois pelas ruas, distingo alguns deles tentando abrigar-se do frio. Em casa, os companheiros advertem que a previs\u00e3o anuncia neve para os pr\u00f3ximos dias. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 grande o n\u00famero dos estrangeiros rec\u00e9m-chegados \u00e0 cidade de Berna. Eram bem mais vis\u00edveis no trem anterior, em que viajei entre P\u00e1dua, Br\u00e9scia e Mil\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">O frio consiste em um dos flagelos sofridos pelos que conseguem entrar no continente europeu, origin\u00e1rios em sua maioria da \u00c1frica, do Oriente M\u00e9dio e da \u00c1sia. Vulner\u00e1veis no que diz respeito aos direitos b\u00e1sicos de p\u00e3o e teto, terra e trabalho, tamb\u00e9m o s\u00e3o quanto \u00e0 diferen\u00e7a de temperatura entre os pa\u00edses de origem e o lugar de destino. Conv\u00e9m n\u00e3o esquecer, de resto, que boa parte dos migrantes foge n\u00e3o apenas das condi\u00e7\u00f5es de pobreza e da viol\u00eancia, mas igualmente dos efeitos nefastos e crescentes devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Vale o mesmo para a caravana composta de migrantes de Honduras, El Salvador e Guatemala e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, que se dirige aos Estados Unidos. O frio e a fome\u00a0mordem o corpo; a saudade e a solid\u00e3o atormentam a alma. Pela estrada, sonhos se quebram e tombam aos peda\u00e7os, enquanto um fio de esperan\u00e7a nutre as energias e mant\u00e9m o olhar fixo no horizonte. O amanh\u00e3 ainda pode ser melhor que aquilo que ficou para tr\u00e1s. Por isso, p\u00f5em-se a caminho. Marcham porque pouco ou nada t\u00eam a perder.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Na prepara\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e festiva do Natal, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar como haver\u00e3o de passar esses milh\u00f5es de sem raiz, sem p\u00e1tria e sem destino \u2013 migrantes, refugiados, pr\u00f3fugos, trabalhadores tempor\u00e1rios e outros mais. Torna-se inevit\u00e1vel a alus\u00e3o ao nascimento do Deus menino. Tamb\u00e9m sua fam\u00edlia encontrava-se em viagem por causas alheias \u00e0 sua vontade. Hoje a saga de Jos\u00e9 e Maria apresenta-se-nos mais ou menos romantizada: Jesus chega a nascer com meses de anteced\u00eancia, rodeado de luz, mercadorias e muito luxo, como meio de incrementar o com\u00e9rcio, especialmente nas lojas dos shopping-centers.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Em meio ao vaiv\u00e9m e aos infort\u00fanios da fam\u00edlia de Nazar\u00e9, por\u00e9m, escondia-se o des\u00edgnio de Deus. Os caminhos do Senhor n\u00e3o s\u00e3o os nossos caminhos. O projeto misterioso de Deus passa pelas \u201calegrias e esperan\u00e7as, tristezas e ang\u00fastias\u201d da trajet\u00f3ria\u00a0de cada pessoa, de cada fam\u00edlia e da hist\u00f3ria da pr\u00f3pria humanidade. Do mesmo modo, o lado vis\u00edvel e tr\u00e1gico da migra\u00e7\u00e3o, como a trag\u00e9dia da cruz, oculta uma semente invis\u00edvel lan\u00e7ada no seio da terra.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Na escurid\u00e3o \u00famida do solo, a semente cria ra\u00edzes, expande-se, germina e cresce. Levanta-se em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 luz do sol, ao ar livre e ao azul infinito. O Reino de Deus faz-se planta, produz folhas, flores e frutos. At\u00e9 os p\u00e1ssaros do c\u00e9u fazem o ninho \u00e0 sua sombra. Numa palavra, o sofrimento n\u00e3o foi em v\u00e3o. O bem-aventurado Jo\u00e3o Batista Scalabrini, \u201cpai e ap\u00f3stolo dos migrantes\u201d, via nas migra\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o, da injusti\u00e7a e das desigualdades sociais, uma forma de intercambiar valores positivos entre os povos, enriquecendo-os reciprocamente.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Disso se conclui que os migrantes e as migra\u00e7\u00f5es pavimentam na hist\u00f3ria alternativas ao projeto pol\u00edtico e econ\u00f4mico atual. O sofrimento, paix\u00e3o e morte de Jesus \u00e9 o gr\u00e3o de trigo jogado na terra em vista da ressurrei\u00e7\u00e3o. Outros pequenos gr\u00e3os lhe seguem as pegadas, como profetas e protagonistas de uma sociedade recriada.<\/p>\n<address><sub><strong>Padre Alfredo Jos\u00e9 Gon\u00e7alves, CS,<\/strong> te\u00f3logo, \u00e9 o atual Vig\u00e1rio Geral da Congrega\u00e7\u00e3o dos Mission\u00e1rios de S\u00e3o Carlos (scalabrinianos). Realizou trabalhos pastorais em favelas, corti\u00e7os e no interior do Estado com os migrantes cortadores de cana. Foi diretor do CEM-Centro de Estudos Migrat\u00f3rios de S\u00e3o Paulo, assessor do Setor Pastorais Sociais da CNBB, Superior da Prov\u00edncia S\u00e3o Paulo dos Padres Scalabrinianos<\/sub><\/address>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Alfredo Jos\u00e9 Gon\u00e7alves, CS Proveniente de Mil\u00e3o, chego a Berna, na Su\u00ed\u00e7a. Antes mesmo de verificar que a temperatura \u00e9 de apenas tr\u00eas graus positivos, sinto-a no corpo. Logo, deparo-me com os imigrantes. Na pr\u00f3pria esta\u00e7\u00e3o, e depois pelas ruas, distingo alguns deles tentando abrigar-se do frio. 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