{"id":46195,"date":"2018-12-17T08:00:59","date_gmt":"2018-12-17T10:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46195"},"modified":"2018-12-17T13:24:04","modified_gmt":"2018-12-17T15:24:04","slug":"o-senso-do-censo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-senso-do-censo\/","title":{"rendered":"O senso do censo"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>\u201cNaqueles tempos apareceu um decreto de C\u00e9sar Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na S\u00edria. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. Tamb\u00e9m Jos\u00e9 subiu da Galileia, da cidade de Nazar\u00e9, \u00e0 Judeia, a cidade de Davi, chamada Bel\u00e9m, porque era da casa e fam\u00edlia de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava gr\u00e1vida\u201d. Esse longo e detalhado trecho de Lucas (2, 1-5) d\u00e1 detalhes e fornece pistas interessant\u00edssimas sobre o nascimento de Jesus.<\/p>\n<p>Entre os dois povoados havia uma dist\u00e2ncia de aproximadamente 150 km, o que \u00e9 nada para nossos dias, mas uma verdadeira odisseia para uma senhora gr\u00e1vida que viajava no lombo de um jumento. N\u00e3o percamos o senso, a raz\u00e3o dessa viagem em momento t\u00e3o inconveniente. Jesus era conhecido entre os seus como o Nazareno, portanto filho de Nazar\u00e9. No entanto nasceu em Bel\u00e9m. Ora, por que atribuir-lhe a origem noutro lugar que n\u00e3o aquele onde de fato se deu seu nascimento? Para que se cumprissem as profecias e deixassem confusos seus detratores: \u201cMas tu, Bel\u00e9m-Efrata, t\u00e3o pequena entre os cl\u00e3s de Jud\u00e1, \u00e9 de ti que sair\u00e1 para mim aquele que \u00e9 chamado a governar Israel\u201d (Miq 5, 1).\u00a0 Jesus seria contado entre os cidad\u00e3os de Bel\u00e9m ou de Nazar\u00e9?<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o seria levantada quando de sua vida p\u00fablica. Poderia vir algo de bom da pobre galileia, onde a ral\u00e9 de uma popula\u00e7\u00e3o sem cultura, sem tradi\u00e7\u00e3o, sem leis, crescia e se multiplicava como erva daninha em tempos chuvosos? \u201c\u00c9 acaso da Galileia que h\u00e1 de vir o Cristo? N\u00e3o diz a Escritura: o Cristo h\u00e1 de vir da fam\u00edlia de Davi, e da aldeia de Bel\u00e9m, onde vivia Davi?\u201d (Jo 7, 41-42).\u00a0 Eis o sentido, a raz\u00e3o circunstancial dessa viagem inesperada de Maria e Jos\u00e9, rumo \u00e0 Judeia, terra do rei Davi. Um novo rei ali nascia, sendo contado entre os descendentes do maior dos reis de Israel. Cumprida a lei dos homens, passaria por Jerusal\u00e9m para ser oficialmente apresentado ao Templo, alegrando o final de vida do velho Sime\u00e3o, que tomou aquela crian\u00e7a nos bra\u00e7os e exclamou: \u201cAgora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz&#8230; porque os meus olhos viram a vossa Salva\u00e7\u00e3o\u201d. (Lc 2, 29).<\/p>\n<p>Tudo na vida daquele menino estava revestido de uma raz\u00e3o, um sentido maior que simples registros hist\u00f3ricos, censos num\u00e9ricos e contagens regressivas de uma hist\u00f3ria que ficaria no passado como qualquer outra. Mas n\u00e3o ficou. Ao contr\u00e1rio, bagun\u00e7ou tudo, reformulando os calend\u00e1rios existentes, refazendo e arquivando o passado, recriando novos tempos, novos rumos a partir daquele nascimento. O antes e o depois, o que haveria de vir e o que chegou, o sonho e a realidade. Eis o senso, o ju\u00edzo claro sobre uma situa\u00e7\u00e3o de f\u00e9, uma nova maneira de rever as quest\u00f5es hist\u00f3ricas, dados estat\u00edsticos e fatos corriqueiros na vida de um povo e transform\u00e1-las em desafios de mudan\u00e7as. O senso da f\u00e9 sobrep\u00f5e-se \u00e0 frieza num\u00e9rica e estat\u00edsticas da realidade terrena.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a vida oculta de Jesus em sua terra adotiva, sua pequena e pacata Nazar\u00e9, foi uma escola de aprendizado constante. O filho do carpinteiro, aprendiz do of\u00edcio paterno, ali cresceu \u201cem gra\u00e7a e sabedoria\u201d. Viveu em tudo as b\u00ean\u00e7\u00e3os de um lar aben\u00e7oado, uma fam\u00edlia sagrada, consagrada \u00e0 sombra da submiss\u00e3o maternal de Maria e providente prote\u00e7\u00e3o paternal do bom Jos\u00e9.\u00a0 Sim, o homem atento \u00e0 vontade de Deus e \u00e0s revela\u00e7\u00f5es do seu Espirito Santificador, o mesmo que lhe deu o bom senso de percorrer longas estradas \u201cpara se cumprir as escrituras\u201d. Mesmo quando essa estrada fosse caminho de fuga, trilha suada rumo ao Egito ou retorno aben\u00e7oado \u00e0s origens. Porque o que contava n\u00e3o era o recenseamento dos poderosos ou a amea\u00e7a destes contra a vida de inocentes. O que contava era o bom senso de ouvir e interpretar a vontade de Deus. N\u00e3o fazer da vida um mero conjunto de dados estat\u00edsticos, mas um ato permanente para apreciar e louvar o dom da vida. Esse \u00e9 o senso que nos falta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cNaqueles tempos apareceu um decreto de C\u00e9sar Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na S\u00edria. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. 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