{"id":46004,"date":"2018-12-10T10:54:11","date_gmt":"2018-12-10T12:54:11","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=46004"},"modified":"2018-12-10T10:54:11","modified_gmt":"2018-12-10T12:54:11","slug":"beatificacao-de-19-martires-da-argelia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/beatificacao-de-19-martires-da-argelia\/","title":{"rendered":"Beatifica\u00e7\u00e3o de 19 m\u00e1rtires da Arg\u00e9lia"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Neste s\u00e1bado, 8 de dezembro ser\u00e3o beatificados 19 religiosos e religiosas, de 8 congrega\u00e7\u00f5es diferentes. Todos, por escolha pr\u00f3pria, permaneceram na Arg\u00e9lia ao lado do povo durante a terr\u00edvel d\u00e9cada sombria. Integrados com os mu\u00e7ulmanos, testemunharam o amor universal de Cristo<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>A causa de beatifica\u00e7\u00e3o dos 19 argelinos foi encaminhada depois da celebra\u00e7\u00e3o dedicada aos m\u00e1rtires do s\u00e9culo XX no Coliseu em Roma, em 7 de maio de 2000.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-46004-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2018\/12\/08\/09\/134765780_F134765780.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2018\/12\/08\/09\/134765780_F134765780.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2018\/12\/08\/09\/134765780_F134765780.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os religiosos escolheram viver ao lado dos argelinos, simplesmente para ficar ao lado deles, cultivar o di\u00e1logo e oferecer um sinal de conviv\u00eancia pac\u00edfica apesar das atrocidades di\u00e1rias. Estimulados por este prop\u00f3sito os 19 religiosos, religiosas, sacerdotes e consagrados n\u00e3o abandonaram o pa\u00eds nos dif\u00edceis anos de terrorismo.<\/p>\n<p>A d\u00e9cada de terrorismo iniciou em 1991 e se concluiu em 2002, e foi marcada por atentados e combates cru\u00e9is entre as for\u00e7as armadas do governo (institu\u00eddo depois de um golpe de Estado) e fundamentalistas isl\u00e2micos, (que tinham vencido as elei\u00e7\u00f5es mas foram impedidos de tomar o poder) nos quais morreram 150 mil pessoas.<\/p>\n<p>Entre estes os 19 m\u00e1rtires (13 religiosos, entre os quais um bispo, e 6 religiosas) que ser\u00e3o beatificados em 8 de dezembro em Oran, na igreja de Nossa Senhora da Santa Cruz.<\/p>\n<p>H\u00e1 anos estavam integrados na comunidade para testemunhar o seu amor gratuito \u2013 oferecendo de todas as formas ajuda de maneira simples e humilde \u2013 queriam continuar a ser simplesmente crist\u00e3os entre os mu\u00e7ulmanos, ao lado dos vizinhos, dos jovens dos idosos ou dos mais necessitados. Ao inv\u00e9s disso, o Grupo Isl\u00e2mico Armado (GIA), considerou-os inimigos do isl\u00e3.<\/p>\n<h2><b>Irm\u00e3o Henri Verg\u00e8s e irm\u00e3 Paul-H\u00e9l\u00e8ne Saint-Raymond<\/b><\/h2>\n<p>No dia 8 de maio de 1994, na biblioteca da diocese de Arg\u00e9l, na casbah, foram assassinados irm\u00e3o Henri Verg\u00e8s e irm\u00e3 Paul-H\u00e9l\u00e8ne Saint-Raymond. Irm\u00e3o Henri era o respons\u00e1vel pela biblioteca. De nacionalidade francesa, tinha sido diretor de uma escola e professor de matem\u00e1tica. Dizia: \u201cmeu compromisso como marista permitiu-me, apesar dos meus limites, de me integrar hamoniosamente em um ambiente mu\u00e7ulmano, e a minha vida neste ambiente, por sua vez, fez com que eu me realizasse ainda mais como crist\u00e3o marista. Deus seja louvado\u201d<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Paul-H\u00e9l\u00e8ne Saint-Raymond, chegou na Arg\u00e9lia em 1963, formada em engenharia, religiosa das Pequenas Irm\u00e3s da Assun\u00e7\u00e3o, e estudou enfermagem antes da sua miss\u00e3o. Nos bairros pobres da capital oferecia assist\u00eancia aos mais pobres e trabalhava junto com o irm\u00e3o Henri entre os jovens. Anunciar Cristo na sociedade mu\u00e7ulmana significava respeitar o credo do outro e ao mesmo tempo aprofundar a pr\u00f3pria f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<h2><b>Irm\u00e3 Caridad \u00c1lvarez Mart\u00edn e Irm\u00e3 Ester Paniagua<\/b><\/h2>\n<p>As irm\u00e3s Caridad \u00c1lvarez Mart\u00edn e Ester Paniagua, freiras agostinianas missiona\u00b4rias, espanholas, eram conhecidas por todos no bairro Bab el-Oued, em Argel, estavam sempre ao lado dos idosos, crian\u00e7as com necessidades e fam\u00edlias necessitadas. Foram mortas enquanto estavam indo para a missa em 23 de outubro de 1994. Irm\u00e3 Caridad estava na Arg\u00e9lia h\u00e1 mais de 30 anos. \u201cEstou aberta para o que Deus e meus Superiores quiserem que eu fa\u00e7a. Maria estava aberta para a vontade de Deus \u2013 afirmava \u2013 neste momento quero ficar com esta atitude diante de Deus\u201d. As palavras da irm\u00e3 Ester s\u00e3o comovedoras, &#8211; particularmente dedicada aos doentes e se integrava muito bem na cultura \u00e1rabe \u2013 quando lhe perguntavam se tinha medo da situa\u00e7\u00e3o nos pa\u00eds dizia:<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201c Ningu\u00e9m pode nos tomar a vida, porque j\u00e1 foi doada \u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2><b>Os quatro Padres Brancos de Tizi Ouzou<\/b><\/h2>\n<p>Em 27 de dezembro de 1994, em Tizi Ouzou quatro Padres Brancos, incluindo tr\u00eas cidad\u00e3os franceses foram mortos por um grupo de homens armados. Morreram\u00a0 os franceses padre Jean Chevillard, padre Alain Dieulangard, e o padre Christian Chessel, e um belga, padre Charles Deckers: \u201cSei que posso morrer assassinado \u2013 dizia padre jean enquanto a viol\u00eancia se espalhava na Arg\u00e9lia. A nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 testemunhar a f\u00e9 crist\u00e3 em terras mu\u00e7ulmanas. Por isso \u2018Inch Allah!\u2019\u201d. Eram muito conhecidos em Tizi Ouzou, padre Alain era mission\u00e1rio h\u00e1 muitos anos, e era professor, padre Christian criou uma biblioteca para estudantes e padre Charles, sabia falar berbero e dirigia um centro para a juventude. Centenas de mu\u00e7ulmanos participaram do enterro dos padres.<\/p>\n<h2><b>Irm\u00e3 Bibiane Leclercq e Irm\u00e3 Ang\u00e8le-Marie Littlejohn<\/b><\/h2>\n<p>Em 3 de setembro de 1995, foram assassinadas enquanto voltavam da missa em Belouizda as Irm\u00e3s Ang\u00e8le-Marie Littlejohn, religiosa francesa das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias de Nossa Senhora dos Ap\u00f3stolos, e a Irm\u00e3 Bibiane Leclercq, das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias de Nossa Senhora dos Ap\u00f3stolos. Trabalhavam no orfanato e no col\u00e9gio para meninas dirigido pela Congrega\u00e7\u00e3o. Davam cursos de corte e costura e bordado e ajudavam as fam\u00edlias com necessidades. \u201cS\u00e3o as pr\u00f3prias pessoas que pedem pelas irm\u00e3s\u201d dizia irm\u00e3 Bibiane quando perguntavam se ficava ou n\u00e3o na Arg\u00e9lia. Pouco antes de morrer disse a uma religiosa que tinha sofrido o medo com ela disse:<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201c N\u00e3o devemos ter medo. Devemos apenas viver bem o momento presente\u2026 O resto n\u00e3o nos pertence \u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>I<b>rm\u00e3 Odette Pr\u00e9vost<\/b><\/h2>\n<p>Apenas dois meses depois foi morta Irm\u00e3 Odette Pr\u00e9vost, religiosa francesa das Pequenas Irm\u00e3s do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o. Trabalhou como mission\u00e1ria em v\u00e1rias cidades do Magreb e para compreender o isl\u00e3 \u2013 a religi\u00e3o das pessoas ao seu redor \u2013 lia o Alcor\u00e3o e participava de grupos de ora\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos. Sabia que a sua vida estava em perigo e definia o contexto s\u00f3cio-pol\u00edtico em que se encontrava um \u201cmomento privilegiado para viver com mais verdade, fidelidade a Jesus Cristo e ao Evangelho\u201d.<\/p>\n<h2><b>A hist\u00f3ria dos sete monges de Tibhirine<\/b><\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria dos sete monges de Tibhirine \u00e9 talvez a mais atroz. Foram sequestrados em 26 de mar\u00e7o de 1996 no mosteiro de Nossa Senhora de Atlas a 60 quil\u00f4metros de Argel, e somente dois meses depois foram encontradas suas cabe\u00e7as nas proximidades de Med\u00e9ia.<\/p>\n<p>Irm\u00e3o Luc Dochier, Irm\u00e3o Christophe Lebreton, Irm\u00e3o Michel Fleury, padre Bruno Lemarchand, padre C\u00e9lestin Ringeard, irm\u00e3o Paul Favre-Miville e padre Christian de Cherg\u00e9 foram sepultados no cemit\u00e9rio de seu mosteiro em 4 de junho. A hist\u00f3ria dos monges \u00e9 contada n o filme \u201cHomens e Deuses\u201d de 2010.<\/p>\n<p>Decidiram ficar na Arg\u00e9lia, apesar do crescente clima de terror, depois de muita reflex\u00e3o e a decis\u00e3o de compartilhar a dor. A decis\u00e3o deles exprimia a voontade de estar junto com as pessoas \u2013 que eles consideravam amigos \u2013 e de compartilhar, principalmente com os mais pobres, os perigos de viol\u00eancia. Mesmo com diferen\u00e7as entre eles, os religiosos de Tibhirine eram unidos pelo amor ao povo argelino, pelo respeito ao isl\u00e3 e pelo desejo de pobreza.<\/p>\n<h2><b>Dom Pierre Claverie, bispo de Oran<\/b><\/h2>\n<p>Um dos \u00faltimos m\u00e1rtires crist\u00e3os da Arg\u00e9lia \u00e9 o bispo Dom Pierre Claverie, religioso dominicano. Foi morto em 1\u00ba de agosto de 1996 junto com seu motorista e um amigo mu\u00e7ulmano Mohammed Bouchikhi, diante da C\u00faria da diocese.<\/p>\n<p>N\u00e3o se cansava de exortar a todos para uma conviv\u00eancia pac\u00edfica no respeito m\u00fatuo e dedicava sua vida ao compromisso em favor do di\u00e1logo. No \u00edcone da Beatifica\u00e7\u00e3o dos 19 m\u00e1rtires da Arg\u00e9lia Mohammed est\u00e1 presente pois decidira i\u00e7ar ao lado de dom Claverie colocando a pr\u00f3pria vida em perigo.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um modo de recordar que na d\u00e9cada sombria na Arg\u00e9lia, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos morreram pela mesma causa. N\u00e3o queriam que o terror predominasse na vida de todos os dias e desejavam testemunhar para um poss\u00edvel di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Dom Claverie dizia: \u201cDevemos tomar parte do sofrimento e da esperan\u00e7a da Arg\u00e9lia, com amor, respeito, paci\u00eancia e lucidez\u201d. E ainda:<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201c O mart\u00edrio \u00e9 o maior testemunho do amor \u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata de correr para a morte, nem buscar o sofrimento pelo sofrimento\u2026 mas \u00e9 derramando o pr\u00f3prio sangue que se aproxima de Deus\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, 8 de dezembro ser\u00e3o beatificados 19 religiosos e religiosas, de 8 congrega\u00e7\u00f5es diferentes. Todos, por escolha pr\u00f3pria, permaneceram na Arg\u00e9lia ao lado do povo durante a terr\u00edvel d\u00e9cada sombria. 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