{"id":45972,"date":"2018-12-09T14:24:13","date_gmt":"2018-12-09T16:24:13","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=45972"},"modified":"2018-12-10T08:30:30","modified_gmt":"2018-12-10T10:30:30","slug":"45972-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/45972-2\/","title":{"rendered":"Indulto do Peru"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>As festas de final de ano, em especial o Natal, revitalizam o cora\u00e7\u00e3o humano com sentimentos de alegria renovada, solidariedade. Faz parte da nossa natureza encerrar um ciclo com perspectivas mais otimistas diante do novo. Hora de avaliar erros e redesenhar projetos. No campo das rela\u00e7\u00f5es humanas reciclar amizades, reconstruir la\u00e7os afetivos, familiares ou mesmo profissionais. Nesse clima de renova\u00e7\u00e3o, com vistas a novas investidas em perspectivas pessoais, projetos ainda por se executar ou comportamento a ser corrigido, rumos novos, condutas refeitas, redimensionadas, o cora\u00e7\u00e3o de muitos se abre \u00e0s pr\u00f3prias fraquezas e aceita o perd\u00e3o como atitude essencial ao bom termo dos sonhos ainda borbulhantes na vida de todos. Perdoar \u00e9 lavar a alma, as sujeiras que a todos contaminam durante o ano.<\/p>\n<p>Os americanos criaram um rito que lhes \u00e9 pr\u00f3prio: \u201cperdoar\u201d a vida de um peru, \u00e0s v\u00e9speras do Dia de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as, sob as gra\u00e7as presidenciais. Como se esses pobres galin\u00e1ceos possu\u00edssem alguma grave falta sen\u00e3o aquela de servir-se como prato principal nos banquetes glamourosos e ostensivamente nababescos que suas festas de final de ano exibem ao mundo. Enquanto a mis\u00e9ria campeia nas periferias existenciais da desigualdade global. Enquanto na S\u00edria os morteiros ainda sibilam sobre telhados vazios de cidades fantasmas. Enquanto na \u00c1frica central e meridional os povos fogem da fome em travessias tresloucadas rumo \u00e0 Europa. Enquanto na Venezuela a insanidade do poder acima dos deveres a favor de um povo oprimido dispersa esse povo sem rumo. Enquanto na Cor\u00e9ia se busca o consenso entre norte e sul, sob a mira de canh\u00f5es do leste e do oeste. Enquanto no M\u00e9xico se armam arquibancadas fronteiri\u00e7as de famintos hondurenhos ou qualquer latino suburbano, para espiar ou invejar o quintal onde o peru da casa branca vai ciscar livre e solto&#8230;<\/p>\n<p>Incongru\u00eancias das nossas incoer\u00eancias. Aqui falamos em indulto de natal, visando a liberdade de alguns poucos. Quando muito, eis que nossa generosidade samaritana permite aos nossos presos a famosa \u201csaidinha\u201d, oportunidade \u00edmpar para se afundar no mato ou na selva urbana e voltar \u00e0 carga de uma vida criminosa, sem outro remorso sen\u00e3o aquele de uma sobreviv\u00eancia atrelada \u00e0s faltas de oportunidades, de justi\u00e7a social, de um perd\u00e3o verdadeiramente construtivo. Ciscar no velho terreiro \u00e9 chover no molhado, sem um aparato de solidariedade que ofere\u00e7a novas oportunidades. Isso n\u00e3o \u00e9 falar de indulto, perd\u00e3o verdadeiro. Fiquemos ent\u00e3o com nossas singelas saidinhas, um al\u00edvio governamental para desobstruir nossas carceragens abarrotadas.<\/p>\n<p>O Dia do Peru, de uma forma ou de outra, nos lembra a necessidade do perd\u00e3o. Condenado ou n\u00e3o, sentenciado pelas leis humanas ou leis da pr\u00f3pria consci\u00eancia, todos temos necessidade da pr\u00e1tica reconciliadora. Com Deus ou com os amigos, com a sociedade ou conosco mesmo, o perd\u00e3o h\u00e1 de nos oferecer um lenitivo de gra\u00e7a e renova\u00e7\u00e3o. Tanto que se estende a todos, at\u00e9 \u00e0s criaturas mais insignificantes \u2013 como o peru condenado ao banquete. \u201cPois tudo o que Deus criou \u00e9 bom e nada h\u00e1 de reprov\u00e1vel quando se usa com a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, Porque se torna santificado pela palavra de Deus e pela ora\u00e7\u00e3o\u201d (1 Tim 4,4-5). Ora, se a ironia de um gesto farisaico \u00e9 capaz de nos oferecer li\u00e7\u00f5es, que estas criem novas ra\u00edzes e se aprofundem em nossas vidas. N\u00e3o \u00e9 o pobre peru o grande vencedor dessa hist\u00f3ria dos nossos indultos natalinos. A este se reserva um passeio pela Disney e um final de vida em territ\u00f3rios bem demarcados e protegidos. J\u00e1 aqueles que exclu\u00edmos do grande banquete da solidariedade, fraternidade e comunh\u00e3o que caracterizam uma sociedade verdadeiramente humana, como ficam? Isso sim \u00e9 do peru&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As festas de final de ano, em especial o Natal, revitalizam o cora\u00e7\u00e3o humano com sentimentos de alegria renovada, solidariedade. Faz parte da nossa natureza encerrar um ciclo com perspectivas mais otimistas diante do novo. Hora de avaliar erros e redesenhar projetos. 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