{"id":45656,"date":"2018-11-29T10:39:35","date_gmt":"2018-11-29T12:39:35","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=45656"},"modified":"2018-11-29T10:39:35","modified_gmt":"2018-11-29T12:39:35","slug":"a-lucidez-e-clarividencia-do-papa-de-apontar-o-essencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-lucidez-e-clarividencia-do-papa-de-apontar-o-essencial\/","title":{"rendered":"A lucidez e clarivid\u00eancia do Papa de apontar o essencial"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">A segunda reflex\u00e3o do padre Jos\u00e9 Maria Pacheco Gon\u00e7alves sobre os \u00faltimos tempos do pontificado do Papa Francisco.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Rui Saraiva \u2013 Porto<\/b><\/p>\n<p>O padre Jos\u00e9 Maria Pacheco Gon\u00e7alves, jornalista durante muitos anos da reda\u00e7\u00e3o de l\u00edngua portuguesa da R\u00e1dio Vaticano e um atento comentador da atualidade da Igreja, iniciou na semana passada uma trilogia de coment\u00e1rios sobre o estado atual do pontificado de Francisco e da reforma que o Papa quer imprimir \u00e0 Igreja. Esta \u00e9 a segunda parte da entrevista que o padre Jos\u00e9 Maria nos concedeu.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-45656-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2018\/11\/28\/16\/134748755_F134748755.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2018\/11\/28\/16\/134748755_F134748755.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2018\/11\/28\/16\/134748755_F134748755.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>P: <i>Quais poder\u00e3o ser as ondas de choque destas revela\u00e7\u00f5es, de toda esta situa\u00e7\u00e3o de press\u00e3o medi\u00e1tica. Em tudo isto em que \u00e9 que fica o Povo de Deus? O Santo Padre j\u00e1 lhe escreveu uma carta\u2026 Mas na sua opini\u00e3o e depois de tantos anos a viver ali junto da Santa S\u00e9 num \u00f3rg\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, que significado \u00e9 que pode ter tudo isto para os fi\u00e9is?<\/i><\/p>\n<p>R: Eu penso que temos que ter em conta o horizonte da vida da Igreja e da humanidade. N\u00f3s agora estamos debaixo desta press\u00e3o e estamos debaixo de uma certa emotividade, porque \u00e9 um tempo de turbul\u00eancia. Mas, o que me impressiona mais no Papa neste momento, \u00e9 que ele continua na normalidade. Continua a celebrar em Santa Marta e a fazer as suas homilias com o vigor e a interpela\u00e7\u00e3o de sempre, continua muitas vezes a improvisar nomeadamente nos encontros mais importantes, que noutros tempos seria um discurso formal, mas ele tem tido sempre coisas vivas, importantes, atuais e interpeladoras a dizer e di-lo. E temos que desdramatizar tamb\u00e9m um bocado a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel da Igreja, o essencial at\u00e9 este momento est\u00e1 salvo tanto quanto humanamente se pode falar nestes termos. Continua a ser verdade que h\u00e1 pecado, que h\u00e1 maus exemplos, que h\u00e1 trai\u00e7\u00f5es. Mas continua a ser verdade que a Igreja continua a ser santa, cat\u00f3lica, apost\u00f3lica, romana.<\/p>\n<p>Neste momento, se calhar, \u00e9 tamb\u00e9m um tempo purificador e isso em si \u00e9 positivo, sem querer deitar \u00e1gua benta ou ser otimista de maneira despropositada, mas eu creio que n\u00f3s precisamos de sangue frio e de manter o horizonte largo para al\u00e9m das circunst\u00e2ncias imediatas. Daqui a uns anos o Papa Francisco, que j\u00e1 est\u00e1 com oitenta e tal, vai ter que renunciar ou chegar\u00e1 o momento de nos deixar e a Igreja vai continuar. O que \u00e9 mais chocante e mais triste \u00e9 pensar que o Papa Francisco foi escolhido, precisamente, para renovar a Igreja, para se sair de um certo marasmo e de uma s\u00e9rie de esc\u00e2ndalos que tinham surgido na C\u00faria Romana. Essa foi uma das raz\u00f5es que levaram o Papa Bento XVI, muito justamente, a resignar.<\/p>\n<p>E aqui vem-me sempre \u00e0 ideia aquele encontro que o Papa Francisco teve em Castel Gandolfo com o Papa Bento XVI. E as imagens que toda a gente viu com os Papas que estavam sentados um frente ao outro e havia dois grandes caixotes de papel\u00e3o com o relat\u00f3rio que tr\u00eas cardeais nomeados por Bento XVI tinham apurado sobre os desmandos que ocorriam na Curia Romana. Eu pensei na altura: o que \u00e9 que o Papa Francisco vai fazer com aquilo? Provavelmente, ele n\u00e3o perdeu tempo com isso, porque n\u00e3o era por a\u00ed. Ele n\u00e3o podia entrar numa de pensar que a renova\u00e7\u00e3o da Igreja e da C\u00faria Romana passava pelo apuramento das responsabilidades pessoais de cada um, com condena\u00e7\u00f5es, com processos, que era um marasmo e nunca se saia da\u00ed. O que ele fez foi anunciar o Evangelho, viver numa atitude mais pastoral e chamar a aten\u00e7\u00e3o para os riscos da tenta\u00e7\u00e3o do poder quando falou aos n\u00fancios, quando falou aos bispos, quando falou aos seminaristas.<\/p>\n<p>P: <i>O que \u00e9 que podem fazer, o que \u00e9 que devem fazer, na sua opini\u00e3o, os cat\u00f3licos mais empenhados para ajudar o Papa e para serem, no meio deste turbilh\u00e3o, testemunhas do Evangelho?<\/i><\/p>\n<p>R: A grande orienta\u00e7\u00e3o est\u00e1 naquela excelente Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica que \u00e9 \u201cA alegria do Evangelho\u201d. Est\u00e1 l\u00e1 tudo! E mais uma vez o Papa tem uma lucidez e uma clarivid\u00eancia de apontar o essencial e com express\u00f5es muito eficazes: a quest\u00e3o da sa\u00edda, a quest\u00e3o do n\u00e3o \u00e0 auto referencialidade significa que as pessoas continuem com uma grande criatividade. Por um lado, em contacto com as pessoas, n\u00e3o fechados numa concha, por outro lado, com uma grand\u00edssima aten\u00e7\u00e3o aos sofrimentos e aos problemas fundamentais do mundo. E isso passa pela quest\u00e3o da justi\u00e7a e paz, mas tamb\u00e9m pela ecologia e a\u00ed temos a \u201cLaudato S\u00ed\u201d. E depois tantas outras quest\u00f5es como a fam\u00edlia. Os s\u00ednodos que t\u00eam havido t\u00eam tocado em quest\u00f5es fundamentais. O que se pede \u00e9 que as pessoas tenham esta capacidade de continuar serenamente a viver a vida quotidiana com esta certeza de que quem semeia um dia colher\u00e1.<\/p>\n<p>Era o padre Jos\u00e9 Maria Pacheco Gon\u00e7alves que voltar\u00e1 com uma \u00faltima reflex\u00e3o sobre o momento atual do pontificado do Papa Francisco, na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o desta nossa rubrica \u201cSal da Terra, Luz do Mundo\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A segunda reflex\u00e3o do padre Jos\u00e9 Maria Pacheco Gon\u00e7alves sobre os \u00faltimos tempos do pontificado do Papa Francisco. 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