{"id":45530,"date":"2018-11-25T08:28:07","date_gmt":"2018-11-25T10:28:07","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=45530"},"modified":"2018-11-26T08:32:45","modified_gmt":"2018-11-26T10:32:45","slug":"toque-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/toque-negro\/","title":{"rendered":"Toque negro"},"content":{"rendered":"<p>A sexta feira negra se foi. Mas seu rastro e suas li\u00e7\u00f5es n\u00e3o. Ainda \u00e9 poss\u00edvel sentir no ar o endividamento arrasador que seu fasc\u00ednio provocou a muitos lares iludidos pelo encantamento do consumismo. Rei Midas s\u00f3 percebeu essa armadilha quando a fome lhe tocou e o afeto tardio pela filha s\u00f3 foi valorizado ao constatar o desastre da sua ambi\u00e7\u00e3o desmedida. Uma est\u00e1tua de ouro nunca poderia substituir um carinho e um abra\u00e7o filial, percebeu aquele que se julgava dono do mundo.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a f\u00e1bula dos dias de hoje. Outrora o lastro das nossas riquezas era dourado, quantificava-se e se media a peso de ouro. Hoje j\u00e1 nem tanto. A moeda virtual est\u00e1 a\u00ed e as grandes fortunas se medem na equival\u00eancia dos barris petrol\u00edferos, atrelados aos d\u00f3lares dos Midamericanos, ou melhor, os petrod\u00f3lares. O fasc\u00ednio dourado perde sua beleza pela negritude moment\u00e2nea do ouro negro, o pegajoso l\u00edquido das entranhas imersas nos subterr\u00e2neos desse mundo globalizado. Meu Deus, o ouro \u00e9 negro!<\/p>\n<p>Essa negritude \u00e9 mais terr\u00edvel que o dourado da luz. N\u00e3o erroneamente se diz que o negro \u00e9 a aus\u00eancia de luz. Mas um dos nossos mission\u00e1rios um dia tamb\u00e9m exclamou: Meu Deus, voc\u00ea \u00e9 negro! A luz de Deus n\u00e3o resplandece nas trevas da ambi\u00e7\u00e3o humana. Mas se revela como \u00fanico caminho para aqueles que ignoram sua luminosidade, seu brilho entre n\u00f3s. (A prop\u00f3sito, Fonseca, meu irm\u00e3o de caminhada, escreveu: \u201cE s\u00f3 o Meac tem um livro DEUS NEGRO que abriu muitos caminhos\u201d). Eis pois o caminho.<\/p>\n<p>Luminoso ou tenebroso, brilhante ou obscuro, o caminho das verdadeiras riquezas passa pelas revela\u00e7\u00f5es. Ter ou n\u00e3o uma consci\u00eancia que tamb\u00e9m respeita a cor negra, seja esta na pele ou no conhecimento dos mist\u00e9rios e valores que nos atraem, \u00e9 estabelecer limites para nossos sonhos e ambi\u00e7\u00f5es.\u00a0 A negritude da alma \u00e9 abjeta. H\u00e1 muitos que n\u00e3o o s\u00e3o na pele, mas por dentro n\u00e3o enxergam um palmo de si mesmos; desconhecem as riquezas que o milagre da vida lhes proporcionou; n\u00e3o se satisfazem com esta e querem mais, muito mais. Desconhecem o qu\u00e3o maravilhoso \u00e9 o brilho do existir, o privil\u00e9gio da maior riqueza humana, a vida. Para estes Deus \u00e9 verdadeiramente negro, n\u00e3o existe, nunca existiu.<\/p>\n<p>Mas se Deus tamb\u00e9m se manifesta na negritude de nossas almas \u00e9 porque \u00e0 luz n\u00e3o se imp\u00f5e barreiras. Um raio de Sol busca sempre o Infinito, tal qual a luz divina. Ilumina at\u00e9 o lado oculto, a face misteriosa da nossa Lua. Imagine ent\u00e3o se n\u00e3o h\u00e1 de iluminar os momentos obscuros da nossa vida! A verdade \u00e9 que nossas cegueiras, momentos de escurid\u00e3o, um dia ter\u00e3o fim, mesmo ao custo de arrependimentos tardios. Midas, ao compreender n\u00e3o ser o ouro deste mundo essencial \u00e0 vida &#8211; fosse ele dourado ou negro \u2013 mas sim a diversidade da vida e da natureza, do jardim que sua exist\u00eancia ocupava, olhou para suas m\u00e3os vazias (a mesma que lhe permitiu transformar tudo em ouro) e talvez tenha conclu\u00eddo: Viver \u00e9 melhor que ter.<\/p>\n<p>Como ensinou um dia aquele Mestre; \u201cDe que vale possuir o mundo inteiro se um dia vier a perder sua alma\u201d. Hoje vejo: N\u00e3o \u00e9 a cor do ouro que faz a diferen\u00e7a, mas a luz que projetamos sobre ele. Ser Deus uma entidade luminosa ou negra depende da vis\u00e3o que temos, do valor que lhe damos, da compreens\u00e3o ou n\u00e3o de seus mist\u00e9rios em nossa vida. Cada qual tem o afeto que merece; mas nunca ter\u00e1 o abra\u00e7o do Pai que desconhece. \u201cPois onde estiver o seu tesouro, a\u00ed estar\u00e1 tamb\u00e9m seu cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sexta feira negra se foi. Mas seu rastro e suas li\u00e7\u00f5es n\u00e3o. Ainda \u00e9 poss\u00edvel sentir no ar o endividamento arrasador que seu fasc\u00ednio provocou a muitos lares iludidos pelo encantamento do consumismo. 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