{"id":45419,"date":"2018-11-19T10:12:57","date_gmt":"2018-11-19T12:12:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=45419"},"modified":"2018-11-19T10:15:50","modified_gmt":"2018-11-19T12:15:50","slug":"das-verdades-relativas-a-pos-verdade-e-as-fake-news","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/das-verdades-relativas-a-pos-verdade-e-as-fake-news\/","title":{"rendered":"Das verdades relativas \u00e0 p\u00f3s-verdade e \u00e0s fake news"},"content":{"rendered":"<div class=\"_autor-nome\"><a href=\"http:\/\/www.osaopaulo.org.br\/colunista\/francisco-borba-ribeiro-neto\">Francisco Borba Ribeiro Neto<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p class=\"rtejustify\">A palavra \u201cverdade\u201d foi praticamente banida do vocabul\u00e1rio politicamente correto. Parte-se de um princ\u00edpio v\u00e1lido, de certa forma: ao ser humano \u00e9 imposs\u00edvel conhecer plenamente a verdade, pois somos limitados e s\u00f3 conhecemos aspectos limitados da realidade.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">S\u00f3 Deus conhece toda a verdade. Apenas conseguimos apreender aspectos do real, com a nossa ci\u00eancia, e reconhecer o sentido \u00faltimo da realidade na medida em que esta nos \u00e9 revelada por Cristo. No entanto, para os crist\u00e3os, esse humilde reconhecimento da limita\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o elimina a verdade. Sabemos que ela existe e iremos conhec\u00ea-la, mesmo que s\u00f3 parcialmente.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">A verdade tampouco foi exclu\u00edda do ide\u00e1rio da maioria dos cientistas ou dos rep\u00f3rteres investigativos. Uns e outros, ainda que de modos diversos, sempre se reconheceram como buscadores da verdade, mesmo que soubessem que nunca conseguiriam domin\u00e1-la totalmente<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">A verdade, numa defini\u00e7\u00e3o simples, pode ser entendida como a adequa\u00e7\u00e3o entre nossas ideias e a realidade. Existem ideias muito diferentes sobre a realidade, por\u00e9m algumas sempre ser\u00e3o mais pr\u00f3ximas que outras do real.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">A falha do relativismo n\u00e3o \u00e9 aceitar a multiplicidade de vers\u00f5es sobre um fato, mas imaginar que n\u00e3o temos a obriga\u00e7\u00e3o moral de procurar saber qual \u00e9 a mais condizente com a realidade, de reconhecer que algumas correspondem ao que existe e outras n\u00e3o ou pelo menos se aproximam mais do real que outras.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Acreditar que \u201cn\u00e3o existem fatos, apenas vers\u00f5es\u201d ou que \u201ccada um pode pensar e agir como quer, pois ningu\u00e9m sabe o que \u00e9 certo\u201d parecia ser um crit\u00e9rio emancipador, que nos libertaria de regras morais opressoras e nos permitiria ir ao encontro de quem pensa diferente com mais facilidade.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Grande parte da intelectualidade mundial atacou o ent\u00e3o Cardeal Joseph Ratzinger, na Missa Pro Eligendo Pontifice (18 de abril de 2005), quando ele denunciou essa \u201cditadura do relativismo\u201d, que n\u00e3o quer reconhecer a exist\u00eancia de uma verdade e a obriga\u00e7\u00e3o moral do ser humano de procur\u00e1-la e de se pautar por ela na medida que a encontra.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Em 2016, um departamento da Universidade de Oxford elegeu \u201cp\u00f3s-verdade\u201d como a palavra do ano em L\u00edngua Inglesa. Na mesma \u00e9poca, o mundo come\u00e7ou a se dar conta da penetra\u00e7\u00e3o das <em>fake news<\/em>, particularmente nas redes sociais, e descobriu que aceitar m\u00faltiplas vers\u00f5es da realidade n\u00e3o serve \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o e \u00e0 uni\u00e3o, mas sim ao engodo, \u00e0 domina\u00e7\u00e3o e ao \u00f3dio.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Infelizmente, foi isso que constatamos na campanha eleitoral que se encerrou, quando fomos envolvidos numa trama de<em> fake news<\/em> na qual todos pareciam ser atacados e atacar.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Para n\u00e3o sermos varridos por esse novo tsun\u00e2mi relativista, diferente dos anteriores, contudo igualmente enganoso, \u00e9 oportuno retomar as palavras do Papa Francisco:<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">\u201cAs<em> fake news<\/em> [&#8230;] propagam-se com grande rapidez e de forma dificilmente control\u00e1vel, n\u00e3o tanto pela l\u00f3gica de partilha que caracteriza os meios de comunica\u00e7\u00e3o social como sobretudo pelo fasc\u00ednio que det\u00eam sobre a avidez insaci\u00e1vel que facilmente se acende no ser humano [&#8230;] Liberta\u00e7\u00e3o da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que n\u00e3o podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, aut\u00eanticos e fi\u00e1veis. Para discernir a verdade, \u00e9 preciso examinar aquilo que favorece a comunh\u00e3o e promove o bem e aquilo que, ao inv\u00e9s, tende a isolar, dividir e contrapor\u201d (Mensagem para o 52\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, 24\/01\/2018).<\/p>\n<address><sub><strong>Francisco Borba Ribeiro Neto<\/strong>, soci\u00f3logo e bi\u00f3logo, professor e pesquisador nas \u00e1reas de Bio\u00e9tica, rela\u00e7\u00e3o Igreja e cultura, e Ecologia Social, \u00e9 coordenador do N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP<\/sub><\/address>\n<address>\u00a0<\/address>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Borba Ribeiro Neto A palavra \u201cverdade\u201d foi praticamente banida do vocabul\u00e1rio politicamente correto. Parte-se de um princ\u00edpio v\u00e1lido, de certa forma: ao ser humano \u00e9 imposs\u00edvel conhecer plenamente a verdade, pois somos limitados e s\u00f3 conhecemos aspectos limitados da realidade. S\u00f3 Deus conhece toda a verdade. Apenas conseguimos apreender aspectos do real, com a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":38569,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-45419","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45419"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45419\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45422,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45419\/revisions\/45422"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38569"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}