{"id":45409,"date":"2018-11-18T09:04:00","date_gmt":"2018-11-18T11:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=45409"},"modified":"2018-11-19T09:14:50","modified_gmt":"2018-11-19T11:14:50","slug":"escatologia-em-xeque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/escatologia-em-xeque\/","title":{"rendered":"Escatologia em xeque"},"content":{"rendered":"<p>Ou o choque escatol\u00f3gico. Um dia vir\u00e1. Um dia ser\u00e1 chegado o fim. Dos sonhos e pesadelos, da alegria e da dor, da mat\u00e9ria animada ou n\u00e3o. Da vida, da natureza, do mundo, do Universo que nos abriga&#8230; Mas quando ser\u00e1? \u201cQuanto \u00e0quele dia e hora, ningu\u00e9m sabe, nem os anjos do c\u00e9u, nem o Filho, mas somente o Pai\u201d (Mc 13, 32). Muitos torcem o nariz para tais palavras, outros arregalam os olhos, outros sorriem com ironia. Mas um dia a hora chega. E ent\u00e3o, como ser\u00e1?<\/p>\n<p>Eis um tema de dif\u00edcil abordagem nos dias de hoje. Assim, dia-a-dia, ano a ano, a Igreja retoma esse assunto, bem real e fluente em toda a palavra de Deus, aquela que denominamos revela\u00e7\u00e3o divina. Tanto que \u00e9 assunto sempre recorrente ao final de mais um ano lit\u00fargico, encerrado pela festa de Cristo-Rei, Senhor do Universo. Tanto que nos estudos teol\u00f3gicos \u00e9 mat\u00e9ria obrigat\u00f3ria, pois que aprofunda o final das coisas, da vida, da mat\u00e9ria, de tudo, como essencial ao cumprimento das promessas que d\u00e3o sentido \u00e0 vida espiritual. \u00c9 o estudo do fim com aceno \u00e0 imortalidade espiritual do homem. \u00c9 o norte da espiritualidade, a vida plena que almeja a alma, n\u00e3o o corpo.<\/p>\n<p>Mas como aprofundar t\u00e3o expressiva verdade quando a grande maioria ainda \u00e9 capaz de zombar da sua pr\u00f3pria finitude, da sua transitoriedade, da fragilidade que veste a exist\u00eancia humana? Tudo no universo tem seu tempo e raz\u00e3o de existir. Na f\u00edsica e na mat\u00e9ria nada \u00e9 permanente, est\u00e1vel. Tudo se transforma, \u00e9 mut\u00e1vel, perec\u00edvel. At\u00e9 a mais s\u00f3lida das mat\u00e9rias. O que se dir\u00e1 ent\u00e3o da mat\u00e9ria carnal putrefata dos animais que somos? Poucos, pouqu\u00edssimos s\u00e3o aqueles que se d\u00e3o conta disso. Vivem o momento, o prazer de um dia atr\u00e1s do outro, uma hora, um hiato do tempo e, quando se d\u00e3o conta, a vida se foi. Colocam em xeque a necessidade de aprimoramento, crescimento, amadurecimento das raz\u00f5es existenciais, aquelas que justificam o trip\u00e9 das quest\u00f5es da vida: Donde, por que e para onde? Donde viemos, porque viemos e para onde vamos. S\u00e3o esses os maiores dilemas da nossa espiritualidade, que a sensibilidade e o prazer apenas f\u00edsicos preferem ignorar ou menosprezar.<\/p>\n<p>Entretanto, a pedagogia crist\u00e3 &#8211; em especial, o s\u00e1bio calend\u00e1rio lit\u00fargico da f\u00e9 cat\u00f3lica &#8211; n\u00e3o peca por omiss\u00e3o. Semana a semana, conduz seus fi\u00e9is a um ensinamento real e consolador, mostrando ao povo de Deus os benef\u00edcios de uma f\u00e9 que contempla nossa realidade f\u00edsica e espiritual. A escatologia, para estes, n\u00e3o \u00e9 um fim simpl\u00f3rio, aterrador, mas uma finalidade existencial, compensat\u00f3ria. Tanto que sua reflex\u00e3o nos leva a aclamar o reinado de Cristo. Tanto que t\u00e3o logo reconhecemos seu poder e gl\u00f3ria sobre a transitoriedade do mundo, da vida, das coisas, do tempo, vamos contempl\u00e1-lo num advento de novo tempo, novas esperan\u00e7as que renascem sempre na manjedoura de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Pena que a manjedoura moderna esteja entulhada pelo grito do consumismo, da ilus\u00e3o fantasiada por um rid\u00edculo velhinho de vermelho e seu saco sempre cheio, seu tren\u00f3 voador, suas renas submissas ao chicote real das dores que nos infligem, afligem. Enquanto n\u00e3o retomarmos o verdadeiro significado da advento natal\u00edcio, enquanto n\u00e3o valorizarmos com alegria o grande \u201cpresente\u201d encarnado naquela crian\u00e7a, enquanto n\u00e3o recolocarmos no devido local o sentido da maior festa crist\u00e3, o fim que almejamos estar\u00e1 sujeito \u00e0s nuvens e trovoadas de um grande desastre, quando tudo poderia ser festivo e transl\u00facido como aquele dia em Bel\u00e9m. O fim vir\u00e1. Ser belo e festivo depende de n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ou o choque escatol\u00f3gico. Um dia vir\u00e1. Um dia ser\u00e1 chegado o fim. Dos sonhos e pesadelos, da alegria e da dor, da mat\u00e9ria animada ou n\u00e3o. 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