{"id":4532,"date":"2014-04-28T11:27:48","date_gmt":"2014-04-28T14:27:48","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-caminho-de-emaus\/"},"modified":"2017-04-05T11:26:47","modified_gmt":"2017-04-05T14:26:47","slug":"o-caminho-de-emaus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-caminho-de-emaus\/","title":{"rendered":"O caminho de Ema\u00fas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles dois disc\u00edpulos de Jesus os quais iam pelo caminho que os conduziria a sua aldeia natal n\u00e3o pressentiam que passariam por momentos alternativos impressionantes. Com efeito, estavam tristes, decepcionados com o que havia ocorrido com o seu Mestre ignominiosamente morto sobre uma Cruz. Encontram-se, por\u00e9m, com algu\u00e9m que era o mesmo Jesus que n\u00e3o se deu a conhecer, mas que lhes explicava as Escrituras sobre os acontecimentos ocorridos em Jerusal\u00e9m. Seus cora\u00e7\u00f5es abrasavam-se dentro deles, enquanto Cristo lhes falava. Depois, tendo sido t\u00e3o fidalgos com aquele desconhecido, convidando-O para ficar com eles, ao se porem \u00e0 mesa Jesus lhes abre os olhos. Foi quando Cristo tomou o p\u00e3o, o aben\u00e7oou, o partiu e lhes fez entrega do mesmo. Jesus desaparece, mas que transforma\u00e7\u00e3o na mente e no cora\u00e7\u00e3o daqueles seus dois seguidores! \u00c0 melancolia, ao des\u00e2nimo seguiram-se o entusiasmo, a coragem. Tornam-se ent\u00e3o importantes testemunhas de que Jesus ressuscitara e v\u00e3o a Jerusal\u00e9m anunciar, tamb\u00e9m eles, que Cristo estava vivo. A trajet\u00f3ria de Ema\u00fas \u00e9 uma rota que todo homem alguma vez percorre na sua vida. O caminho para Deus \u00e9 uma vereda que pode se envolver em providenciais sombras para que brilhem\u00a0 depois, ainda mais, as virtudes teologais da f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade. Deus, por\u00e9m, est\u00e1 sempre perto dos que o temem, iluminando sua peregrina\u00e7\u00e3o rumo ao c\u00e9u. O principal \u00e9 que n\u00e3o prevale\u00e7am as ilus\u00f5es e o des\u00e2nimo, mas reinem a tranquilidade, a serenidade, a imperturbabilidade. Cumpre, contudo, n\u00e3o atingir o grau de inquieta\u00e7\u00e3o de Cl\u00e9ofas e seu companheiro aos quais\u00a0 assim recriminou Jesus: \u201cComo sois sem intelig\u00eancia e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Seja como for, o principal \u00e9 estar atento \u00e0s inspira\u00e7\u00f5es divinas, alimentando a f\u00e9 na ora\u00e7\u00e3o e na Eucaristia, aguardando o momento no qual Deus intervir\u00e1 para afastar qualquer dubiedade ou incerteza. A pergunta feita por Jesus foi repleta de significado: \u201cO que ides conversando pelo caminho?\u201d \u00c9 preciso que se examinem com cuidado a cada passo os pr\u00f3prios interesses, os questionamentos, os prop\u00f3sitos que se t\u00eam em vista para poder deixar a palavra de Deus penetrar nas trevas que podem envolver a quantos peregrinam nesta terra de ex\u00edlio. O que se deu um dia com Santa Teresa de \u00c1vila esclarece o modo de agir do Ser Supremo. No meio de tribula\u00e7\u00f5es, agita\u00e7\u00f5es interiores esta santa estava\u00a0 rezando, quando de repente tudo passou. Ela ent\u00e3o interrogou a Cristo: \u201cOnde estavas, meu Senhor, enquanto eu tanto padecia\u201d. A resposta foi clara: \u201cTeresa, estava em teu cora\u00e7\u00e3o para que n\u00e3o desfalecesses\u201d. \u00c9 preciso estar sempre consciente desta presen\u00e7a do Mestre divino que nunca abandona os que O amam. Como ensinou S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios caminhamos para Deus pelo caminho da f\u00e9 em Cristo que est\u00e1 continuamente junto de seus seguidores. \u00c9 preciso, por\u00e9m, n\u00e3o ficar em Ema\u00fas, mas sair anunciando por toda parte que Jesus ressuscitou e est\u00e1 presente entre n\u00f3s. A alegria desta certeza deve ser levada para dentro de casa, para os lugares de trabalho, de divers\u00e3o sadia e, deste modo,\u00a0 outros compreender\u00e3o como \u00e9 feliz quem confia no Senhor Jesus. Este j\u00fabilo deve se refletir nas palavras, nos gestos, no modo de ser, irradiando o fogo desta presen\u00e7a divinal. Trata-se de uma partilha de grande repercuss\u00e3o na vida dos que cercam um crist\u00e3o aut\u00eantico. \u00c9 necess\u00e1rio para isto cultivar em todas as circunst\u00e2ncias a calma. Os disc\u00edpulos de Ema\u00fas, talvez, tenham deixado Jerusal\u00e9m um pouco precipitadamente com medo dos judeus e estavam envoltos em decep\u00e7\u00e3o. Ao crist\u00e3o cumpre ter coragem e nunca duvidar para poder levar, seja onde estiver, as mensagem que fluem da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Isto \u00e9 tanto mais importante quanto maior \u00e9 a cegueira espiritual do contexto p\u00f3s-moderno atual. Neste impera o relativismo e n\u00e3o se admitem as verdades objetivas e o que nelas \u00e9 essencial. Estas verdades devem ser anunciadas sem dubiedades ou ambiguidades. S\u00e3o Paulo na Carta aos Hebreus mostrou a necessidade de se estar penetrado pela f\u00e9. Esta sup\u00f5e a ades\u00e3o a\u00a0 verdades absolutas longe de todo e qualquer relativismo (Hb 1,4,2). Resta sempre esta certeza de que todas as vezes que escutarmos Jesus nosso cora\u00e7\u00e3o estar\u00e1 abrazado, iluminado como aconteceu com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas.<\/p>\n<p> <strong>* Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aqueles dois disc\u00edpulos de Jesus os quais iam pelo caminho que os conduziria a sua aldeia natal n\u00e3o pressentiam que passariam por momentos alternativos impressionantes. Com efeito, estavam tristes, decepcionados com o que havia ocorrido com o seu Mestre ignominiosamente morto sobre uma Cruz. 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