{"id":45106,"date":"2018-11-05T13:29:12","date_gmt":"2018-11-05T15:29:12","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=45106"},"modified":"2018-11-05T13:29:12","modified_gmt":"2018-11-05T15:29:12","slug":"a-oferta-agradavel-a-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-oferta-agradavel-a-deus\/","title":{"rendered":"A oferta agrad\u00e1vel a Deus"},"content":{"rendered":"<p>O epis\u00f3dio do \u00f3bolo da vi\u00fava est\u00e1 repleto de preciosos ensinamentos para os seguidores de Cristo (Mc 12, 38-44). Jesus no templo de Jerusal\u00e9m, sentando-se defronte do tesouro, observava como as pessoas l\u00e1 faziam suas ofertas. Deus que era, Ele conhecia os pensamentos, as inten\u00e7\u00f5es e as condi\u00e7\u00f5es de cada um. Ao ver o gesto da pobre vi\u00fava depositando apenas duas pequeninas moedas, de valor insignificante, Ele interpretou para seus disc\u00edpulos o significado daquela oferta: \u201cNa sua pen\u00faria ela deu todo o seu sustento\u201d. Demonstrou, portanto, confian\u00e7a absoluta em Deus, entregando ao Criador sua exist\u00eancia, ofertando a Ele sua pobreza. Isto comoveu Jesus. Ela, na sua f\u00e9 simples e sincera, sabia que Deus a amava e este amor n\u00e3o era medido pelo valor ofertado, mas pela intensidade de seu desejo de agrad\u00e1-lo. Doou-Lhe naquele instante sua vida, porque, como falou Jesus, os ricos davam de seu sup\u00e9rfluo, ela, por\u00e9m, se dispunha a passar por priva\u00e7\u00f5es, pois doou tudo que possu\u00eda. Era uma mulher marginalizada, verdadeiramente sem recursos, fragilizada pela sociedade da \u00e9poca, a figura mesma do pobre em termo de rela\u00e7\u00f5es e de posi\u00e7\u00e3o sociais. Portanto Jesus estava ensinando que, embora fosse louv\u00e1vel oferecer generosamente do que se possui para o culto divino, maior valor tinha em si o \u00f3bolo daquela que menos possu\u00eda. Ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o carente que n\u00e3o possa partilhar. A vi\u00fava do Evangelho de hoje mostra um verdadeiro caminho. Todos somos pobres, porque seres contingentes, limitados, atingidos por amarguras, por sofrimentos, por ang\u00fastias exist\u00eancias. Muitos n\u00e3o sabem o que fazer de sua pobreza. \u00c9 preciso reconhecer a finitude de criatura para ofert\u00e1-la a Deus, enriquecendo o culto a Ele devido. Aceita\u00e7\u00e3o de tudo tal como cada um \u00e9, como Deus o quer, mas na certeza de que Ele ama ternamente suas criaturas. Muitas vezes, a moeda que podemos oferecer \u00e9 a partilha n\u00e3o s\u00f3 de bens materiais, mas, igualmente, dos bens espirituais, do nosso tempo, da aten\u00e7\u00e3o, da cordialidade, Isto segundo o que Jesus ensinou: \u201cO que fizerdes ao menor de vossos irm\u00e3os foi a mim que o fizestes\u201d. Ent\u00e3o cada um se torna dispon\u00edvel primeiramente para com Deus, rendendo-lhe a homenagem de toda a vida na prece, nos pensamentos, nos desejos. Da mesma maneira, doando sempre ao semelhante amizade, conforto, lenitivo. Como est\u00e1 nos Atos dos Ap\u00f3stolos era assim que se distinguiam os primeiros crist\u00e3os numa comunidade verdadeiramente fraternal. De fato, todos unidos a Cristo e aos irm\u00e3os numa liberalidade sem limites. \u00c9 preciso fixar que a vi\u00fava no templo de Jerusal\u00e9m demonstrou admiravelmente como deve ser a atitude de cada um para com Deus e para com o pr\u00f3ximo. A partilha liberta do orgulho e da avidez das riquezas materiais. Conduz \u00e0 abertura do cora\u00e7\u00e3o e este se compraz ent\u00e3o no amor e na verdade, pulsando no desejo de ver a gl\u00f3ria de Deus dominar toda a terra. Ent\u00e3o com palavras, com toda a vida, com toda a energia interior o fiel seguidor de Jesus inflama o mundo com o calor de sua espiritualidade. Difundem-se em consequ\u00eancia luzes que clareiam as car\u00eancias pr\u00f3prias e alheias, pois a paz \u00e9 assim anunciada por toda a parte e nas diversas situa\u00e7\u00f5es. \u00c9 deste modo que se testemunha o Evangelho. Todas essas reflex\u00f5es se acentuam quando se penetra no contexto no qual se deu o gesto da pobre vi\u00fava, trazendo significa\u00e7\u00e3o ainda mais profunda. Com efeito, era a derradeira cena na qual Jesus aparece no Templo, centro da f\u00e9 judaica, no qual Ele demonstrou tamb\u00e9m sua messianidade.\u00a0 Essa \u00e9 a \u00faltima vez que S\u00e3o Marcos O mostra neste lugar sagrado e nessa oportunidade o ensinamento do Mestre divino encerra uma s\u00e9rie de outras li\u00e7\u00f5es anteriores. Suas mensagens ao ensejo do \u00f3bolo da vi\u00fava tinham uma for\u00e7a moralizadora de grande alcance. Isto tanto mais que Jesus n\u00e3o desvalorizou as d\u00e1divas dos ricos para real\u00e7ar o gesto da pobre vi\u00fava. Suas palavras elogiosas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atitude desta pobre mulher atravessariam os s\u00e9culos por se tratar, sobretudo, de um sinal de f\u00e9, de entrega e total abandono nas m\u00e3os de Deus. Eram estas as li\u00e7\u00f5es que Cristo intentou passar a seus disc\u00edpulos naquela oportunidade. Aquela mulher sem c\u00e1lculo e sem reserva fez sua oferta ao Senhor de tudo como conv\u00e9m a quem tem f\u00e9, ou seja, com muito amor e desprendimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O epis\u00f3dio do \u00f3bolo da vi\u00fava est\u00e1 repleto de preciosos ensinamentos para os seguidores de Cristo (Mc 12, 38-44). Jesus no templo de Jerusal\u00e9m, sentando-se defronte do tesouro, observava como as pessoas l\u00e1 faziam suas ofertas. Deus que era, Ele conhecia os pensamentos, as inten\u00e7\u00f5es e as condi\u00e7\u00f5es de cada um. 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