{"id":45076,"date":"2018-11-05T09:22:59","date_gmt":"2018-11-05T11:22:59","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=45076"},"modified":"2018-11-05T09:22:59","modified_gmt":"2018-11-05T11:22:59","slug":"o-culto-prestado-a-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-culto-prestado-a-deus\/","title":{"rendered":"O culto prestado a Deus!"},"content":{"rendered":"<p>A liturgia do 32\u00ba Domingo do Tempo Comum fala-nos do verdadeiro culto, do culto que devemos prestar a Deus. A Deus n\u00e3o interessam grandes manifesta\u00e7\u00f5es religiosas ou ritos externos mais ou menos suntuosos, mas uma atitude permanente de entrega nas suas m\u00e3os, de disponibilidade para os seus projetos, de acolhimento generoso dos seus desafios, de generosidade para doarmos a nossa vida em benef\u00edcio dos nossos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>O Deus de Israel, diferente dos deuses dos pag\u00e3os, sente uma predile\u00e7\u00e3o especial pelas vi\u00favas e pelos \u00f3rf\u00e3os. \u00c9 um Deus que \u00e9 protetor e defensor, e deseja que todo membro do povo eleito se junto a ele em seus cuidados para com estes necessitados. O Ap\u00f3stolo S\u00e3o Tiago faz das obras de caridade prestadas \u00e0s vi\u00favas e aos \u00f3rf\u00e3os um dos dois crit\u00e9rios por meio dos quais um crist\u00e3o pode averiguar se a sua \u201creligi\u00e3o\u201d \u2013 a sua devo\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 pura(cf. Tg 1,27).<\/p>\n<p>Os pobres s\u00e3o os preferidos de Deus por terem uma vida simples e despojada, sem as superficialidades que complicam a exist\u00eancia humana, as duas vi\u00favas s\u00e3o capazes(a da primeira leitura e do Evangelho) s\u00e3o capazes de sentir as coisas com imediatez. A vi\u00fava de Sarepta consegue sentir no seu pr\u00f3prio est\u00f4mago a fome do profeta Elias(1Rs 17,11-12); a vi\u00fava de Jerusal\u00e9m consegue realmente amar a beleza da casa de Deus, e n\u00e3o apenas apreci\u00e1-la esteticamente, precisamente porque \u00e9 a habita\u00e7\u00e3o dele(Mc 12,42).<\/p>\n<p>As vi\u00favas s\u00e3o necessitadas e por isso mesmo simpatizam espontaneamente com outros necessitados. Para um rico \u00e9 dif\u00edcil adentrar-se na experi\u00eancia de um pobre. Para um pobre, \u00e9 a coisa mais simples do mundo. Os pobres s\u00e3o \u201ctotalizantes\u201d(cf. Vultum Dei Quaerere, n. 3). Os pobres n\u00e3o d\u00e3o parcialmente do pouco que t\u00eam; d\u00e3o tudo, d\u00e3o o total. A vi\u00fava do templo ofereceu as duas \u00fanicas moedas que tinha, foi generosa(Mc 12,42). O pr\u00f3prio Jesus ficou alegremente espantado com o gesto irrestrito daquela senhora.<\/p>\n<p>A primeira leitura(cf. 1Rs 17,10-16) apresenta-nos o exemplo de uma mulher pobre de Sarepta, que, apesar da sua pobreza e necessidade, est\u00e1 dispon\u00edvel para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. A hist\u00f3ria dessa vi\u00fava que reparte com o profeta os poucos alimentos que tem, garante-nos que a generosidade, a partilha e a solidariedade n\u00e3o empobrecem, mas s\u00e3o geradoras de vida e de vida em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O Evangelho(cf. Mc 12,38-44) diz, atrav\u00e9s do exemplo de outra mulher pobre, de outra vi\u00fava, qual \u00e9 o verdadeiro culto que Deus quer dos seus filhos: que eles sejam capazes de Lhe oferecer tudo, numa completa doa\u00e7\u00e3o, numa pobreza humilde e generosa (que \u00e9 sempre fecunda), num despojamento de si que brota de um amor sem limites e sem condi\u00e7\u00f5es. S\u00f3 os pobres, isto \u00e9, aqueles que n\u00e3o t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o cheio de si pr\u00f3prios, s\u00e3o capazes de oferecer a Deus o culto verdadeiro que Ele espera.<\/p>\n<p>A grande bem-aventuran\u00e7a proclamada por Jesus em sua primeira bem-aventuran\u00e7a \u00e9 \u201cFelizes v\u00f3s, os pobres\u201d(Lc 6,20). A sua pobreza os veste com especial beleza, muito apreciada por Jesus e por seu Pai.<\/p>\n<p>A segunda leitura(cf. Hb 9,24-28) oferece-nos o exemplo de Cristo, o sumo-sacerdote que entregou a sua vida em favor dos homens. Ele mostrou-nos, com o seu sacrif\u00edcio, qual \u00e9 o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de n\u00f3s o dom da nossa vida, ao servi\u00e7o desse projeto de salva\u00e7\u00e3o que Ele tem para os homens e para o mundo.<\/p>\n<p>Jesus discreto no templo: V\u00ea os ricos, mas a sua aten\u00e7\u00e3o vira-se para a pobre vi\u00fava. Olhar curioso, inquiridor? N\u00e3o! Como seu Pai, Jesus ultrapassa as apar\u00eancias, v\u00ea o cora\u00e7\u00e3o. A vi\u00fava deu toda a sua vida, tudo o que tinha. N\u00e3o se questiona sobre como vai viver a seguir. D\u00e1 um salto no abandono total de si mesma ao Senhor. Ela \u00e9 verdadeiramente filha de Abra\u00e3o, o Pai da f\u00e9. Espera contra toda a esperan\u00e7a. Lan\u00e7a-se nos bra\u00e7os de Deus. Ao olhar esta pobre vi\u00fava, Jesus devia pensar certamente em si mesmo. Tamb\u00e9m n\u00f3s somos reenviados a n\u00f3s mesmos. N\u00e3o se trata daquilo que damos no pedit\u00f3rio, em cada domingo! Trata-se da nossa f\u00e9, da confian\u00e7a que damos ao nosso Pai dos c\u00e9us. Todos n\u00f3s conhecemos momentos em que tudo escurece, em que n\u00e3o temos mais apoios, em que a nossa vida parece tremer. \u00c9 ent\u00e3o que se pode verificar a solidez da nossa f\u00e9, da nossa confian\u00e7a. \u201cSenhor, eu creio, mas vem em aux\u00edlio da minha pouca f\u00e9! Pai, entrego-me nas tuas m\u00e3os!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liturgia do 32\u00ba Domingo do Tempo Comum fala-nos do verdadeiro culto, do culto que devemos prestar a Deus. 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