{"id":44990,"date":"2018-10-31T08:23:07","date_gmt":"2018-10-31T11:23:07","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=44990"},"modified":"2018-10-31T08:24:09","modified_gmt":"2018-10-31T11:24:09","slug":"a-morte-e-um-misterio-de-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-morte-e-um-misterio-de-amor\/","title":{"rendered":"A morte \u00e9 um mist\u00e9rio de amor!"},"content":{"rendered":"<p>O sil\u00eancio \u00e9 a melhor atitude perante a morte. Introduzindo-nos no di\u00e1logo da eternidade e revelando-nos a linguagem do amor, p\u00f5e-nos em comunh\u00e3o profunda com esse mist\u00e9rio imperscrut\u00e1vel. H\u00e1 um la\u00e7o muito forte entre os que deixaram de viver no espa\u00e7o e no tempo e aqueles que ainda vivem neles. \u00c9 verdade que o desaparecimento f\u00edsico dos nossos entes queridos nos causa grande sofrimento, devido \u00e0 intranspon\u00edvel dist\u00e2ncia que se estabelece entre eles e n\u00f3s. Mas, pela f\u00e9 e pela ora\u00e7\u00e3o, podemos experimentar uma \u00edntima comunh\u00e3o com eles. Quando parece que nos deixam, \u00e9 o momento em que se instalam mais solidamente na nossa vida, permanecem presentes, fazem parte da nossa interioridade. Encontramo-los na p\u00e1tria que j\u00e1 levamos no cora\u00e7\u00e3o, l\u00e1 onde habita a Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p>A M\u00e3e Igreja sempre reverenciou a mem\u00f3ria dos fi\u00e9is defuntos, oferecendo-lhes sufr\u00e1gios. Na morte de seus filhos, a Igreja celebra o Mist\u00e9rio Pascal do Filho de Deus, centro de nossa f\u00e9. O dia de finados \u00e9, por excel\u00eancia, um dia em que somos convidados \u00e0 esperan\u00e7a, enquanto aguardamos que o Senhor \u201cat\u00e9 que ele venha\u201d(cf. 1Cor 11,26) \u2013 a consuma\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio redentor em nossas vidas, atrav\u00e9s de nossa associa\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio da vida e da morte de Cristo.<\/p>\n<p>Para o cat\u00f3lico a morte n\u00e3o \u00e9 o fim, ao contr\u00e1rio \u00e9 o in\u00edcio da vida em Deus. O centro de nossa f\u00e9 cat\u00f3lica \u00e9 o mist\u00e9rio da Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. E este mist\u00e9rio pascal n\u00e3o \u00e9 uma realidade \u201cexclusiva\u201d de Jesus, que apenas ele viveu. N\u00e3o. Deus quis que cada um de seus filhos adotivos fosse inserido neste mist\u00e9rio de salva\u00e7\u00e3o e de amor. E \u00e9 bem no centro deste mist\u00e9rio, entre a Paix\u00e3o de nossos sofrimentos cotidianos e a Ressurrei\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o vemos, mas esperamos, que se encontra a morte. Realmente, a presen\u00e7a da morte, em meio \u00e0 nossa vida, \u00e9 um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>A morte nos d\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o de humildade. O pr\u00f3prio Filho de Deus, que \u00e9 Deus, n\u00e3o se isentou da morte. Isto \u00e9, o pr\u00f3prio Deus se submeteu \u00e0 experi\u00eancia da morte como suma consequ\u00eancia do pecado, a fim de toma-la sobre si e destru\u00ed-la com seu amor imortal.<\/p>\n<p>A morte nos ensina a comunh\u00e3o(Sl 49,11ss), porque todos n\u00f3s somos irm\u00e3os diante da morte e todos v\u00e3o morrer.<\/p>\n<p>A morte nos ensina o amor. Amor pr\u00f3ximo e amor separa\u00e7\u00e3o. O amor verdadeiro sabe deixar partir. Partimos do ventre materno ao nascer, partimos da casa dos pais ao casarmos ou ao ingressarmos na vida consagrada ou na vida presbiteral, e partimos do mundo presente para a vida em Deus, a vida eterna. Por isso a morte \u00e9 um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Se, na humildade do dia a dia, vivemos a nossa obla\u00e7\u00e3o-imola\u00e7\u00e3o com Cristo, oblato e imolado pela salva\u00e7\u00e3o do mundo, estamos preparados para o \u00faltimo apostolado da nossa vida: a obla\u00e7\u00e3o-imola\u00e7\u00e3o da nossa morte, o extremo sacrif\u00edcio, consumado pelo fogo do Esp\u00edrito, como aconteceu na morte de Cristo na cruz: \u201cPor um Esp\u00edrito eterno ofereceu a Si mesmo sem mancha, a Deus\u201d (Heb 9, 14). A morte \u00e9, ent\u00e3o, a nossa \u00faltima oferta, o momento da suprema, pura obla\u00e7\u00e3o: \u201cSe morrermos com Ele, com Ele viveremos\u201d (2 Tm 2, 11).<\/p>\n<p>Eu, j\u00e1 na terceira idade, sempre procuro \u201cbuscar o rosto sereno e radioso de Cristo\u201d. Santo Agostinho disse algo que \u00e9 um grande pensamento e um grande consolo. Ele interpreta a passagem dos Salmos \u201cbusca seu rosto sempre\u201d dizendo: isto se aplica \u201cpara sempre\u201d, a toda a eternidade. Deus \u00e9 t\u00e3o grande que nunca terminamos nossa busca. Ele \u00e9 sempre novo. Com Deus h\u00e1 encontro perp\u00e9tuo, intermin\u00e1vel, com novas descobertas e nova alegria. Tais coisas s\u00e3o quest\u00f5es teol\u00f3gicas, mas buscar o rosto de Deus \u00e9 a nossa meta nesta vida, vivendo o Evangelho, praticando a caridade, e nos preparando para aquele abra\u00e7o eterno. Deus nos ama. N\u00e3o nos criou para a vida transit\u00f3ria. Nos criou para a vida divina.<\/p>\n<p>No dia de finados nos unimos a todos os que nos precederam no c\u00e9u: nossos pais, parentes, amigos, benfeitores. Se a sua catequista, a sua professora, o padre que o batizou, que lhe deu a primeira comunh\u00e3o, que o confessou e que mesmo o casou, ou mesmo o chamou \u00e0 vida consagrada e religiosa, ou algu\u00e9m que o ajudou a crescer na f\u00e9 e foi testemunha vida do Senhor j\u00e1 tenha partido entre em comunh\u00e3o com ele, reze por ele. Visitar os cemit\u00e9rios, no dia de finados, nos confronta que a nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 sermos cidad\u00e3os do c\u00e9u. Para a Jerusal\u00e9m celeste caminhamos pressurosos.<\/p>\n<p>Que as almas dos fi\u00e9is defuntos, pela miseric\u00f3rdia de Deus, descansem em paz, Am\u00e9m!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sil\u00eancio \u00e9 a melhor atitude perante a morte. Introduzindo-nos no di\u00e1logo da eternidade e revelando-nos a linguagem do amor, p\u00f5e-nos em comunh\u00e3o profunda com esse mist\u00e9rio imperscrut\u00e1vel. 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