{"id":44670,"date":"2018-10-22T10:56:53","date_gmt":"2018-10-22T13:56:53","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=44670"},"modified":"2018-10-22T11:02:59","modified_gmt":"2018-10-22T14:02:59","slug":"sofrimento-e-castigo-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sofrimento-e-castigo-de-deus\/","title":{"rendered":"Sofrimento \u00e9 castigo de Deus?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\">E os males lan\u00e7ados contra n\u00f3s pegam ou n\u00e3o?<\/h2>\n<p>H\u00e1 quem pense que os males f\u00edsicos ou morais s\u00e3o castigos de Deus. Isso, contudo, n\u00e3o \u00e9 real, conforme ficar\u00e1 claro neste artigo.<\/p>\n<p>Diga-se, logo de in\u00edcio, que o mal \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, a aus\u00eancia de um bem necess\u00e1rio. Sim, ele (o mal) n\u00e3o tem exist\u00eancia pr\u00f3pria, mas nasce da falta de algo que deveria existir, e n\u00e3o existe ou, ent\u00e3o, existe, mas falha em algum momento. Assim, as trevas s\u00f3 s\u00e3o percebidas quando falta luz, a doen\u00e7a aparece na falta de sa\u00fade, a debilidade vem no decl\u00ednio das for\u00e7as etc. Nem toda aus\u00eancia \u00e9, no entanto, m\u00e1: a car\u00eancia de olhos em uma \u00e1rvore n\u00e3o \u00e9 um mal (eles n\u00e3o lhe s\u00e3o necess\u00e1rios), mas no ser humano, por exemplo, \u00e9 (ele precisa dos olhos).<\/p>\n<p>O mal pode ser f\u00edsico ou moral. \u00c9 f\u00edsico se h\u00e1 car\u00eancia material (doen\u00e7as, mis\u00e9rias, cataclismos etc.) e moral quando decorre de desvios da reta ordem no comportamento do ser humano, \u00fanica criatura respons\u00e1vel por seus atos, fazendo nascer os v\u00edcios, pecados, imperfei\u00e7\u00f5es etc. Em ambos os casos, prov\u00eam da criatura: no mal f\u00edsico, vem da pr\u00f3pria natureza dos seres (um vulc\u00e3o, por exemplo); no plano moral, surge do abuso da liberdade humana (d\u00e1-se, por exemplo, aval ao pecado do aborto).<\/p>\n<p>Aqui, surge uma quest\u00e3o crucial: \u00c9 Deus o autor dos males? Por que n\u00e3o os impede? \u2013 A Filosofia e a Teologia respondem que Deus \u2013 Perfeito, Absoluto e Eterno \u2013 n\u00e3o pode ser o autor, direto ou indireto, do mal. Este decorre sempre da criatura, imperfeita, relativa e temporal. O Senhor pode impedir todo mal, mas n\u00e3o quer faz\u00ea-lo a fim de n\u00e3o interferir, artificialmente, nas leis naturais. N\u00e3o permitiria, no entanto, o mal, se n\u00e3o fosse para tirar dele bens ainda maiores, de acordo com Santo Agostinho de Hipona (<i>Enchiridion<\/i>, 38). Sim, todo sofrimento, por mais penoso e incompreens\u00edvel que seja, \u00e9 uma escola de crescimento humano e espiritual a quem dele sabe aproveitar (cf. Richard Gr\u00e4ff. <i>O crist\u00e3o e a dor<\/i>. S. Paulo: Quadrante, 2007).<\/p>\n<p>Algu\u00e9m indagaria: se Deus n\u00e3o castiga, por que o Antigo Testamento tem v\u00e1rias passagens dando a entender o contr\u00e1rio? \u2013 Porque, no pensamento comum da \u00e9poca, n\u00e3o se distinguia o que Deus fazia ou apenas permitia acontecer. De tanto querer exaltar a Deus (ao contr\u00e1rio de alguns, hoje, que desejam desprezar o Senhor) faziam-No autor de tudo, at\u00e9 do mal. Isso, no entanto, n\u00e3o \u00e9 real, conforme foi sendo, dentro da lenta e s\u00e1bia pedagogia da Revela\u00e7\u00e3o, entendido (cf. E. Bettencourt, OSB. <i>Descobrindo o Antigo Testamento<\/i>. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2005, p. 101-112). O mal f\u00edsico ou moral prov\u00e9m das falhas das criaturas limitadas, como dito.<\/p>\n<p>O ser humano, no entanto, pode punir a si mesmo por falhas pr\u00f3prias. Seria o caso de algu\u00e9m que prefere ser fumante mesmo sabendo dos riscos que o cigarro traz \u00e0 sa\u00fade. Um c\u00e2ncer ou enfisema pulmonar n\u00e3o viriam como consequ\u00eancia do seu ato de fumar? O desequil\u00edbrio no meio ambiente n\u00e3o \u00e9 uma resposta da natureza \u00e0s agress\u00f5es a ela infringidas? \u00a0H\u00e1 um prov\u00e9rbio que diz: \u201cDeus perdoa sempre, o ser humano, \u00e0s vezes, a natureza nunca\u201d. Isso ajuda a entender melhor alguns (mas nem todos) males recorrentes.<\/p>\n<div class=\"nativo-inread\"><\/div>\n<p>Mesmo com tudo isso posto, h\u00e1 quem imagine que a doen\u00e7a ou outros inc\u00f4modos s\u00e3o castigos devido a algum pecado cometido pela pr\u00f3pria pessoa ou por um antepassado. O Evangelho desmente essa concep\u00e7\u00e3o: diante do cego de nascen\u00e7a, perguntam a Jesus: quem pecou, o cego ou os pais dele, para que ele nascesse sem enxergar? \u2013 Jesus diz que nem ele, nem os pais pecaram (o problema nada tinha a ver com o pecado). Mais: aquele mal (a cegueira) se converteu em bem (a manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria divina com a cura do cego), cf. Jo 9,1-2.<\/p>\n<p>E os males lan\u00e7ados contra n\u00f3s pegam ou n\u00e3o? \u2013 N\u00e3o pegam. Podem atingir a quem tenha medo deles, n\u00e3o por terem for\u00e7a em si mesmos, pois n\u00e3o t\u00eam poder nenhum, e, sim, porque a pr\u00f3pria pessoa se sugestiona (\u201cencuca\u201d) e cr\u00ea que o mal \u00e9 mais forte que Deus. Ora, isso \u00e9 pecado. Nada pode vencer a Deus. Portanto, coragem! N\u00e3o se importe com o mal, pense no bem, tenha f\u00e9 e nada o (a) atingir\u00e1. Isso \u00e9 o que Deus mesmo promete em sua Palavra (cf. Rm 8,31-37).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E os males lan\u00e7ados contra n\u00f3s pegam ou n\u00e3o? H\u00e1 quem pense que os males f\u00edsicos ou morais s\u00e3o castigos de Deus. Isso, contudo, n\u00e3o \u00e9 real, conforme ficar\u00e1 claro neste artigo. 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