{"id":4462,"date":"2014-04-09T13:30:23","date_gmt":"2014-04-09T16:30:23","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/domingo-de-ramos\/"},"modified":"2017-04-05T10:25:25","modified_gmt":"2017-04-05T13:25:25","slug":"domingo-de-ramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/domingo-de-ramos\/","title":{"rendered":"Domingo de Ramos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"> Repletam-se as p\u00e1ginas da Hist\u00f3ria de expressivas manifesta\u00e7\u00f5es a not\u00e1veis personagens que se fizeram credores da gratid\u00e3o de sua gente. Benem\u00e9ritos nas mais variadas atividades, muitos os que fundiram nos bronzes do hero\u00edsmo a\u00e7\u00f5es que os levaram ao pedestal da gl\u00f3ria. Um plebiscito de cora\u00e7\u00f5es a ratificar a grandeza daqueles feitos, credores de efusivos aplausos. Hinos, c\u00e2nticos a louvarem, por entre intenso j\u00fabilo, aqueles que se sacrificaram por um nobre ideal e glorificaram um povo. Tudo isto caracter\u00edsticas do dia do triunfo.. Entretanto todas as demonstra\u00e7\u00f5es de exalta\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o verificadas na hist\u00f3ria se eclipsam ante a cena indescrit\u00edvel de que Jerusal\u00e9m se tornou palco em manh\u00e3 radiosa. O triunfo de Jesus de Nazar\u00e9 foi o mais esplendoroso que a terra jamais conheceu. Os fastos dos povos n\u00e3o registrariam consagra\u00e7\u00e3o mais expressiva. Personagem algum por mais grandiosos que tenham sido seus feitos e por mais espetaculares que tenham sido suas conquistas conseguiria superar e reeditar o triunfo terreno do Filho de Deus. Aclama\u00e7\u00f5es reboaram no cimo do monte das Oliveiras (Mt 21,1-11). . \u00c9 que\u00a0 multid\u00e3o de peregrinos aflu\u00eda para as comemora\u00e7\u00f5es solenes da P\u00e1scoa em Jerusal\u00e9m e deparara com Cristo a sair da casa de L\u00e1zaro. Cumpria aplaudir o famoso taumaturgo que tantos prod\u00edgios operara, curando tantos enfermos. Era necess\u00e1rio ovacionar o not\u00e1vel pregador que a milhares encantara com sua palavra celestial. Mister se fazia saudar o onipotente Rabi que ressuscitara mortos e alimentara milhares de pessoas no deserto. Pedro e Jo\u00e3o haviam trazido o jumentinho, que L\u00e1zaro adornara com manto encarnado de fina p\u00farpura. O Mestre se p\u00f4s a caminho da Cidade santa. Entrara Ele tantas vezes ignoto naquela capital, ignorado das turbas. Agora, por\u00e9m, queria solenizar seu ingresso no recinto sagrado da velha Si\u00e3o. Como Messias, como Rei Ele entraria em Jerusal\u00e9m. A fama da ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro se espalhara. Seus milagres eram comentados e a not\u00edcia deles se divulgara por toda parte. Suas s\u00e1bias respostas a escribas e fariseus eram analisadas, seus gestos de carinho enaltecidos. Sua personalidade marcante havia impressionado a quantos o tinham conhecido. Todos falavam de Jesus e naquele momento em que num clima de profunda religiosidade o v\u00eaem a caminho do Templo uma grande emo\u00e7\u00e3o tomou conta de todos. A pris\u00e3o e a morte de Cristo j\u00e1 estavam tramadas por seus inimigos (Mt 26,14-27), mas Jesus quis gravar nas p\u00e1ginas da Hist\u00f3ria a maior cena de consagra\u00e7\u00e3o humana para que dela seus seguidores tirassem preciosas li\u00e7\u00f5es. A multid\u00e3o o viu. Ao v\u00ea-lo, se entusiasmou. Ao se entusiasmar, o aclamou. Todos se puseram a cantar e cantando diziam: \u201cBendito o que vem, o Rei, em nome do Senhor! Paz no c\u00e9u e gl\u00f3ria no mais alto dos c\u00e9us!\u201d\u00a0 Que espet\u00e1culo! Que apoteose! Que glorifica\u00e7\u00e3o! Ao penetrar na cidade o entusiasmo popular adejou ao paroxismo. O fasc\u00ednio era total. Jesus \u201centrou no Templo e tendo observado tudo, como fosse j\u00e1 tarde, saiu para Bet\u00e2nia com os Doze\u201d (Mc 11,11). A multid\u00e3o foi se dispersando. A boa nova ressoava nos cora\u00e7\u00f5es: Jesus de Nazar\u00e9 tivera um triunfo digno de tudo que fazia e ensinava. Tudo, por\u00e9m, ia se transformar. \u00c0s ondas do aplauso, suceder-se-iam as vagas do insulto mais soez. Aclama\u00e7\u00f5es metamorfoseariam em impreca\u00e7\u00f5es hediondas. Louvores altissonantes seriam substitu\u00eddos\u00a0 por clamores terr\u00edficos de morte.\u00a0 Aos hosanas se seguiriam horr\u00edpilas inj\u00farias.\u00a0 Qual a raz\u00e3o pela qual Jesus permitira todo aquele alvoro\u00e7o, toda aquela festa? \u00c9 que Ele queria ensinar que devemos sempre\u00a0 desconfiar dos aplausos humanos.. Ele desejava mostrar qual o verdadeiro valor do triunfo terreno. Ele almejava alertar seus seguidores sobre qual a aut\u00eantica conquista que deveriam buscar, oferecia uma aut\u00eantica filosofia de vida a seus ep\u00edgonos.\u00a0 Os triunfos terrenos, por\u00e9m, s\u00e3o ilus\u00f3rios.\u00a0 \u00c9 para esta inequ\u00edvoca precariedade das vit\u00f3rias, das gl\u00f3rias, das honras humanas que neste dia nos chama a aten\u00e7\u00e3o o Mestre divino. Ramos n\u00e3o assinalou Sua vit\u00f3ria verdadeira. Seu triunfo Ele o conheceria em outra manh\u00e3 radiosa, no momento de sua gloriosa ressurrei\u00e7\u00e3o. Aqueles mesmos que o aclamaram o levar\u00e3o ao supl\u00edcio da cruz. O que houve entre o domingo de Ramos e a sexta-feira santa condensa o paradoxo do esp\u00edrito humano, toda o drama da Hist\u00f3ria, toda a versatilidade das multid\u00f5es submissas \u00e0s influ\u00eancias delet\u00e9rias.. Retrata bem a atitude humana que vai dos protestos de amor a Deus at\u00e9 o abismo do pecado que ocasionou o drama do Calv\u00e1rio. \u00c9 nisto que se deve refletir profundamente durante a Semana Santa para que jamais se passe dos hosanas ao desprezo daquele que foi crucificado porque muito amou os que estavam nas sombras da morte. <\/p>\n<p>* Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Repletam-se as p\u00e1ginas da Hist\u00f3ria de expressivas manifesta\u00e7\u00f5es a not\u00e1veis personagens que se fizeram credores da gratid\u00e3o de sua gente. 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